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17 de abril de 2023

EU LI: Estrada Invisível (José Assumpção)

Oi gente!

Inicio hoje uma série de postagens com os livros de colegas queridos que li nos últimos meses. E já chego com uma dica fresquinha porque foi um dos melhores livros sobre história de vida e paixão por um esporte que já li. 

Conheci o “Giba” no NLCAC – Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro e até ler seu livro, apenas o que sabia dele, era que escrevia, era baterista de uma banda de rock, tinha uma webrádio e era fã de pedal, inclusive proprietário de uma empresa de entregas com bicicleta. E eu achava que já sabia muito, ledo engano.

“Estrada Invisível” é fruto de um momento delicado de saúde que o Giba passou recentemente, mas a gratidão é dos leitores que terão o prazer de ler essa lição de vida e superação. O pano de fundo é sua história com as “magrelas”, mas tem muito mais embutido nas linhas desse livro. Sua infância, amadurecimento, vida em família, trabalho e principalmente, seus sonhos vivenciados em números de quilômetros rodados. Chorei e sorri percorrendo com o Giba sua história pelas rodovias do Sul do Brasil. Embora eu não tenha pedalado, passei por muitos dos lugares que ele citou, e imaginar que por onde passei existem rastros e suor e memória de uma pessoa guerreira como o Giba, me emocionam.


E no próximo dia 22/4/2023 tem lançamento desse livro incrível. Abaixo informações sobre o evento. 

10 de janeiro de 2022

Como andam os planejamentos para 2022 ?

Oi gente!

Ando meio sumida das redes, mas é proposital. Como comentei, estou cuidando da minha saúde que deu uma balançada por conta dos intensos últimos anos e também tentando priorizar algumas coisas, deixar de lado outras, entender que não sou mais a mesma menina de quinze anos atrás que dava conta de meia dúzia de coisas ao mesmo tempo.

Por outros motivos também, mas basicamente por este, não fiz muitos planos para 2022. Estou aprendendo enfim a ser menos aquariana, pensar menos no futuro e viver o presente. O dia mais importante da nossa vida: o hoje. É um treinamento e tanto para a mente, um dia por vez. Mas já tive algum progresso.

Não são promessas porque há alguns anos não me cobro mais, talvez sejam metas se elas também não trouxerem cobranças . Acho que perspectivas também pesa um pouco, visto dinamismo cada vez maior em nossos dias, diante de tantas mudanças no mundo. Então escolhi esperanças, naquele sentido tão moderno de "esperançar", um bonito e poético sinônimo para "animar".

No início de 2021, logo após a partida da mãezinha, por sugestão do meu psicólogo, fiz um balanço dos meus trabalhos de escritora nos últimos dez anos. Em dez postagens, descrevendo ano a ano, desde 2011, contei sobre minhas conquistas e frustrações. Para quem quiser conferir, a série de postagem está nesse link. Foi muito proveitoso esse exercício, porque consegui visualizar muito mais conquistas do que frustrações. Porém, o ano passado me trouxe um bloqueio criativo tremendo, que está demorando para ir embora. A alegria do ano é que, embora não tenha produzido quase nada, as produções anteriores me trouxeram um convite e tanto: fui admitida na Academia de Letras José de Alencar, aqui em Curitiba. Foi o que bastou para eu tirar a coragem lá de dentro, combater o bloqueio e ao menos parar de pensar em desistir. 

Neste ano pretendo buscar algumas paixões que andavam esquecidas. Uma delas são as minhas amadas fadas, que juntando com temas de natureza e botânica que me acalmaram nos últimos tempos, farão uma combinação e tanto! Para alimentar esse resgate, fiz uma coisa boba, simples, mas que ajudou. Comprei um calendário importante com ilustrações da sueca Elsa Bescow. Se você não conhece tem uma postagem aqui no blog sobre ela e suas maravilhosas histórias e ilustrações.



Essa ilustração abaixo é uma das minhas preferidas e está lá na postagem. A história trata de uma fada que encontrou uma laranja e achou que era um ovo do Sol. As coisas simples que me encantavam há alguns anos quando minha inspiração brotava do nada e que deixei de lado, sejam pelas tribulações da vida, pelas decepções com pessoas e métodos no mundo literário, ou porque sou mesmo assim, inconstante. Preciso me perder para me encontrar novamente? Vai saber!



Não curto muito essa ideia das estações nos hemisférios. Tipo esse janeiro de inverno sueco aí. Mas faz parte. O fato é que esse calendário lúdico e maravilhoso já está aqui, encantando meu escritório e espero que ele me traga boas inspirações para escrever em 2022. Também devo continuar alimentando o blog e o canal, com menos frequência. Fundei um Clube de Leitura que promete momentos agradáveis e continuo organizando as coletâneas da coleção Tempo. Ah! E seu tudo der certo e o ânimo voltar, há possibilidades de eu lançar esse ano meu livro de contos solo. Se essas rápidas pretensões se realizarem, já ficarei bem feliz! Torçam por mim!

Obrigada pela companhia e um maravilhoso 2022 para todos!

25 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #10 - Minha trajetória (2020 - Reflexão)

Oi gente!

Eis que chegamos ao final das postagens #TBT da minha trajetória na escrita e essa será a mais difícil de escrever. Gostaria de terminar contando muitas coisas felizes, mas o ano de 2020 ficará marcado como um dos mais tristes em minha vida. Por tudo que aconteceu, os trabalhos com a escrita também quase pararam e foi o ano que eu menos produzi.


Até comecei o ano bem animada, produzindo meus vídeos do Divã de Escrita e dando continuidade com as vendas do Donatelo e as produções das coletâneas que organizei com a Lu Evans. Também aceitei o convite dos colegas Valter Cardoso e Rafael Bertozzo Duarte do NLCAC e iniciamos nossa série de coletâneas da coleção "Tempo", a primeira entitulada "Tempo de Dragões".

Mas aí veio a pandemia e bem no meio dela minha mãezinha adoeceu. No feriado de 1º de maio ela foi internada às pressas com muita falta de ar e baixa saturação. Como os sintomas eram de COVID não me deixaram ficar com ela na emergência e quando recebi a notícia ela já estava sedada e entubada. Após dois dias o diagnóstico: não era COVID, mas houve um acúmulo de água no pulmão devido à insuficiência cardíaca e hipertensão. De qualquer forma, não nos foi permitido visitá-la na UTI e depois de sete dias ela saiu da sedação e conseguimos vê-la em vídeo. Depois de dez dias ela foi para o quarto e aí devido a sua idade me permitiram ficar com ela.

"Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo." (Clarice Lispector)

Ela teve alta do hospital no dia 17 de maio, mas não conseguia mais andar, ficou muito fraquinha. Fazia fisioterapia três vezes por semana mas o corpo não ajudava. Cuidei dela revezando com minha sobrinha e depois com uma cuidadora de maio até julho, porém estava muito complicado conciliar com minha rotina, então decidimos nos mudar de emergência para o condomínio dela. Alugamos um apartamento no bloco ao lado, assim eu poderia ficar mais perto e contratamos outra cuidadora.


Devido a esse arranjo consegui conciliar tudo e até me animei a fazer alguns vídeos na nova casa. Dava conta do meu trabalho oficial e acompanhava de perto as cuidadoras, que tivemos sorte de serem muito amorosas e queridas com a mãezinha. Mas as correrias eram muitas, a mãe não conseguiu mais comer nada sólido depois que saiu da UTI e toda semana precisava comprar legumes para sopa, fraldas (ela não saiu mais da cama) e remédios necessários a cada complicação que vinha pelo caminho. Em meio à pandemia, tudo ficou mais difícil. 


Assim foi o segundo semestre do ano, até que em novembro mamãe piorou. O pulmão voltou a acumular água, mas como a pandemia estava novamente no auge, com a ajuda dos médicos e plano de saúde conseguimos conter a infecção em casa. Porém, no final de novembro, no final de semana do seu aniversário de 83 anos, ela sentiu dores abdominais e precisou ser internada novamente. Não vou conseguir detalhar como foi esse processo, pois ainda é muito doloroso para mim. Com tudo lotado, ela ficou um dia inteiro no pronto atendimento, com o diagnóstico de infecção urinária e intestinal, para ser liberada com medicação oral. Passou mais um dia em casa, não melhorou e levamos novamente. Mais um dia inteiro com dor no pronto atendimento, quase sendo enviada para casa novamente, implorei para que fosse internada. Uma médica anjo que chegou no novo plantão conseguiu uma vaga para ela. Depois de dois dias internadas, no dia 5 de dezembro, ela partiu.

As últimas 24 horas que passei com ela no hospital, nunca esquecerei. Ela estava morrendo e eu estava no limite das minhas forças. Me senti perdida e atrapalhada. Mas agradecida por ela ter descansado, estava sofrendo demais. 

Nem preciso dizer que durante esses últimos meses não produzi nada na escrita, não tive vontade, nem inspiração. Ainda estou em processo de cura emocional, mas já conseguindo planejar e seguir adiante com meus trabalhos na escrita. Afinal, ela tinha tanto orgulho!

Sei que esse post foi mais um desabafo, mas tudo fez parte da minha trajetória também, e com certeza o aprendizado ajudará a lapidar meus próximos trabalhos e me trará força para novos planejamentos.

Obrigada a você que acompanhou as postagens. Até breve!

18 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #9 - Minha trajetória (2019 - Transformação)

Oi gente!

Bora prosseguir com o #TBT da minha trajetória na escrita, contando sobre 2019, um ano de transformações. Depois dos "tropeços" do ano anterior, que me fizeram enxergar o ambiente cultural e literário com olhos da profissional que sou, responsável, empreendedora, criativa e ética, decidi encarar as coisas do meu jeito e não ser "maria vai com as outras". Pois deu super certo! Consegui me inserir em grupos que realmente me agregavam e me aproximar de pessoas que me ajudavam a produzir meu trabalho e não o trabalho alheio.


E foi assim que, em abril de 2019, eu lancei meu quinto livro: "Donatelo, O Dragão Amarelo". Embora já quase decidida a não continuar na literatura infantil, como comentei em postagens anteriores, eu tinha um sonho de ver um livro meu ilustrado profissionalmente, nas prateleiras das livras e distribuído para todo o Brasil. Na prática não foi bem assim, mas deixa para lá.


Depois do lançamento tratei de divulgar meu dragãozinho e fiquei surpresa em como ele conquistou os leitores! Em 2019 meu tempo já estava ficando limitado pois minha mãezinha nos deu alguns sustos, estava a cada dia mais debilitada. Mesmo assim, consegui participar de vários eventos com o Donatelo, como: Feira do SESC, Casa da Bruxa no Bosque Alemão, SESC do Paço (com a Lilian contadora de histórias), FARESC, Grupo Escoteiro Colégio Medianeira (com a Mayara contadora de histórias), SESC da Esquina (com o escritor Márcio Garcia), na Lapa com escolas. E outros que não registrei em foto! Foi lindo!


Mas eu confesso que estava cansada dessa história de "eventos". Nunca tive muita paciência e ficar muitas vezes em pé o dia todo para vender dois ou três livros, desculpa. Não é minha praia. Ou não tenho mais idade para isso né? (rs). Na verdade nunca me importei muito com fotos e notícias, meu maior intuito sempre foi levar minhas histórias ao máximo possível de leitores. E para mim ficou mais que provado que não é participando de um evento local que consigo isso, se não for uma escritora já conhecida. 

Então tive uma ideia que mudou tudo: se eu trabalhei tantos anos no ambiente corporativo, porque não oferecer meus livros para meus colegas empresários, ex-colegas de empresa, ex-chefes, amigos da faculdade, e etc, para que eles promovam ação social indireta? A proposta era a compra de lotes de livros (5, 10, 15, 20) e eu doaria esses livros patrocinados para ONGs, projetos comunitários, escolas públicas. 

E não é que deu certo? Foram centenas de livros espalhados por Curitiba e Região Metropolitana. E o melhor de tudo, para um público que não é dos eventos, meus livros foram direcionados para os leitores que eu mais queria atingir, crianças que não tem recursos financeiros para adquirir livros. Porque a história do Donatelo ressalta o poder da amizade e a importância da autoceitação. Através da jornada dos personagens, o pequeno leitor poderá perceber a possibilidade de transformar sentimentos e superar traumas.



A partir daí, consegui enfim me dar por cumprida minha história com a literatura infantil. Por outros motivos complementares aos que já comentei, mas que também é melhor deixar como está, decidi então que não publicaria mais nenhum livro infantil com qualquer percentual de recursos próprios, exceto se uma editora algum dia quiser me bancar. Continuei vendendo meus livros dessa forma indireta e segui meu ano atribulado, pois minha mãezinha ficava cada vez mais dependente. Ainda assim, mesmo com meu trabalho oficial consegui manter os vídeos no canal e retornar para a escrita de contos, que foi como tudo começou em 2012, conto tudo lá na postagem.



Durante o ano, eu e a escritora Lu Evans nos aproximamos pela internet. Uma acompanhava o canal da outra no YouTube, começamos a trocar experiências e ela me convidou para fazer parte da organização de coletâneas de conto pelo seu selo editorial Nebula. Iniciamos com a coletânea Féericas (que também teve participação como organizadora da Graci Rocha) e foram várias outras entre 2019 e 2020. 


Eu também estava empolgada com os contos, porque trabalhamos neles nas oficinas do NLCAC e escrevi vários ao longo do ano. Também fui convidada para ser jurada na categoria literatura geek do Prêmio Cubo de Ouro, a primeira premiação brasileira a celebrar diversas vertentes do universo geek. Foi uma experiência muita bacana e gratificante, me senti reconhecida no meio literário não só como escritora, mas como leitora crítica também.

Evento do Prêmio Cubo de Ouro 2019

E é isso gente! Minha trajetória de dez anos está acabando, o próximo post vai ser bem difícil de escrever pois foi o ano em que menos produzi. Na próxima semana venho contar para vocês.

Beijos!

11 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #8 - Minha trajetória (2018 - Decepção)

Oi gente!

Continuando o #TBT da minha trajetória na escrita, vamos falar do ano de 2018, um dos piores (ou não), dependendo do ponto de vista. Em matéria de trabalho as coisas não foram ruins, estavam fluindo bem. Mas considero o ano da decepção e do cair das fichas com o ambiente cultural e literário. Mas os babados eu conto lá para o final do post tá? (rs)

Vale registrar que depois de um ano longe do ambiente corporativo, senti saudades do que foi meu principal ofício ao longo da vida e também da estabilidade financeira, então entrei o ano trabalhando! A diferença é que agora eu fazia home office, em horário reduzido e flexível. Um ex-colega da empresa em que trabalhei me contratou, como produtora de conteúdo e gestora de mídias sociais. Sua empresa também é de auditoria e consultoria, com matriz em São Paulo e escritórios em várias capitais. Esse trabalho tem me realizado, juntou minhas duas áreas de conhecimento, as primeiras formações mais a formação de Letras, pois estou diariamente produzindo conteúdo escrito. Além disso, tenho flexibilidade para manter minhas rotinas de escritora (curiosamente esse ex-colega de trabalho, agora meu líder, foi uma das raras pessoas que me apoiava na escrita enquanto estive na multinacional). 


Eu também conseguia fazer outros trabalhos em paralelo, como revisões de trabalhos acadêmicos, por exemplo. Trabalhei alguns meses organizando a Biblioteca do Instituto Serendipe, um local maravilhoso (foto acima), cujos proprietários são minha ex-professora de linguística e seu esposo. Tive contato com várias obras raras e um aprendizado incrível. Também atuei um tempo como gestora das redes sociais da Editora Máquina de Escrever, que publicaria o meu livro "Donatelo, O Dragão Amarelo" em 2019.

Colônia de Férias na Casa Cultural Belaboni

E já que falamos em Donatelo, depois do depoimento da postagem anterior, vocês podem me perguntar: "- Mas não estava pensando em desistir da literatura infantil"? Pois é, lembrem que eu estava "confusa", mas com a possibilidade de publicar um livro com uma editora maior, ter seu livro diagramado, revisado e ilustrado por profissionais, distribuído para o Brasil, era algo que sempre sonhei. E eu tinha a história do Donatelo, que é uma das minhas queridinhas. Então sim, eu não sabia se teria continuidade, mas eu queria o Donatelo publicado. Por isso também continuei fazendo alguns eventos infantis.


Em 2018 eu estava muito empolgada com meu canal no You Tube, mas fiz algumas mudanças significativas. Lembram das decepções? Uma delas foi o quanto me dediquei em 2016/2017 para divulgar livros de outros escritores, sem ganhar um tostão, a ponto de minhas redes sociais se transformarem em outdoor alheio e eu perder meu próprio espaço de divulgação. Parece absurdo, mas teve gente que sequer compartilhou meu vídeo em suas redes, ao menos para me ajudar com a divulgação do canal. Descaso total. Comecei a perceber o interesse de certas pessoas ao me procurarem, passei a tentar discernir e filtrar o que chegava até mim. Foi um aprendizado incrível e senti que comecei a valorizar mais o meu tempo, prestigiando e me aproximando de quem também valorizava meu trabalho e me enxergava como a profissional experiente que sou, independente da entrada tardia no mundo literário.

    Foto1: Lançamento do livro "Lagartas e Borboletas", da Ana Rapha Nunes.
    Foto 2: Lançamento da coletânea "Passageiros do Desconhecido", do  NLCAC.
    Foto 3: Evento do Pegaí Leitura Grátis (do qual fui voluntária por 5 anos), com Idomar Cerutti
    e a escritora Marina Colasanti.
    Foto 4: Lançamento de "O Papiro de Wadjet", da escritora Nicole Sigaud.

As participações nas reuniões do Núcleo de Literatura me fizeram ver o quanto eu ainda tinha a aprender, mas que deveria escolher bem onde e com quem aprender. Depois de cursos decepcionantes, de presenciar egos inflados e até competições entre colegas (acreditem no bafo: eu vi uma escritora escondendo o livro da coleguinha na prateleira de uma feira!!), escolhi estar entre poucos e valorizar "meu" tempo divulgando "meu" trabalho. Parece egoísta né? Mas depois de tantas coisas que vi nesse meio, estou bem tranquila.

No painel "Divulgadores Literários" da Literatiba 2018, com os colegas Patrícia Dias do blog Casinha de Livro, Juliana Poggi do canal JotaPluft e Henrique Duarte, escritor e colunista do Crônicas Fantásticas.

A minha participação na Literatiba 2018 foi um dos momentos especiais do ano. Fui convidada para coordenar os painéis literários e isso me proporcionou, além de rever pessoas queridas, fazer novos contatos.

Foto 1: Com a escritora Jaqueline Conte.
Foto 2: Com a escritora Ana Lúcia Merege.
Foto 3: Com Leo e Rosana (escritora e colega do NLCAC).
Foto 4: Com Rubens Faria Gonçalves e Francisco Souto Neto (NLCAC).

E assim terminamos 2018, já recolocada profissionalmente, sem deixar os trabalhos literários e principalmente, mais pé no chão para discernir entre a ilusão e a realidade, entre apoiadores e interesseiros, usando meu valioso tempo a meu favor.

E no próximo #TBT Divã de Escrita, falaremos como foi a publicação do meu quinto livro e meu último percurso na literatura infantil.

Até lá!

4 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #7 - Minha trajetória (2017 - Confusão)

Oi gente!

E nosso #TBT do Divã segue firme e forte. No final de 2016 vocês acompanharam o momento em que saí da empresa e isso fez com que eu iniciasse 2017 cheia de planos! Agora meu tempo seria mais flexível e eu poderia inclusive me dedicar a funções profissionais mais próximas ao mundo das letras e da escrita. E foi um ano bem diferente. Um ano de readaptação, descobertas e planejamento. 

Plaquinha maravilhosa da Casa Cultural Belaboni!

Mas todas essas mudanças também fizeram de 2017 um ano muito confuso para mim. O primeiro semestre foi bem complicado, não pela mudança financeira (eu sempre fui bem pé no chão e mantive planejamentos para isso), mas pela mudança de rotina. Eu estava acostumada desde meus 15 anos a acordar cedo, ir para o trabalho, depois para faculdade, horário de almoço, horário de entrada, horário de saída, horário para tudo. Com meus 43 anos completos, foi bem difícil me adaptar à rotina de gerenciar meus horários sozinha!

O ano foi confuso mas bem produtivo. Em maio fui selecionada para lecionar no CIEE para menores aprendizes, tarefa que cumpri até o final do ano. Também participei de eventos com o livro "O sapo Tonico e sua descoberta", na Casa Cultural Belaboni e na Biblioteca Pública do Paraná. Meu livro também foi lido em escolas e instituições de aulas de contraturno.


Todo esse contato com o público infantil e adolescente durante o ano foi proveitoso, pois comecei a questionar os trabalhos com as crianças. Percebi que adorava interagir com os maiorzinhos, mas não tinha muita paciência com os pequenos. Bom, eu não sou professora, acho que falta didática, até hoje não sei qual a carência, pois na família sou uma titia muito amada e sou louca pelas crianças. Além do mais, acreditem: eu cheguei a sofrer bullying do tipo: "Ela nem tem filhos, porque tá se metendo a escrever para crianças?". Como se uma coisa tivesse a ver com a outra né? E não foi uma vez só, isso me deixava muito desapontada. Lembrando que não tive filhos por opção, agora imagina uma mulher que não pode engravidar nessa situação, ouvindo esse tipo de absurdo! Aí comecei a me decepcionar com ambientes e trabalhos voltados para o público infantil. Meus contatos anteriores sempre foram nas ações sociais e desculpe a sinceridade, existe uma grande diferença entre pais de famílias carentes e pais de famílias abastadas. 



Mesmo assim, insisti. Publiquei a terceira edição de "O Diário de Lirityl"! Uma edição especial, com baixa tiragem, capa dura e encadernação artesanal. Especialmente para participar da 1ª Literatiba, uma feira literária em Curitiba, organizada pelo Valter Cardoso, que me convidou e que conheci pessoalmente no dia da feira. Valter também me levou ao Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro e hoje é um dos meus maiores incentivadores. Pessoa do bem, experiente nas Letras e um ótimo conselheiro e amigo.


As vendas da edição especial da Lirityl foram muito rápidas e então me empolguei a publicar meu quarto livro: A montanha dos brinquedos perdidos. Um dos contos de "O Diário de Lirityl" que ensina as crianças a doarem seus brinquedos quando não tem mais utilidade. Fiz uma parceria com a ilustradora Stella Rocker e essa foi a proposta: um livro de colorir! Também fez muito sucesso, vendi rapidamente os exemplares em um kit com caixa de lápis de cor.


O lançamento do meu quarto livro foi no final de 2017 e para finalizar esse ano tumultuado estava em final do curso de Letras. Encerrei o ano entregando meu TCC e feliz com mais uma conquista. Como eu já comentei, a faculdade de Letras não me ajudou quase nada com os trabalhos de escrita, mas abriu muitas portas para divulgar meu nome como escritora. 



Por isso considero 2017 como o ano da confusão. Tudo junto e misturado, eu tentava consolidar meus trabalhos na área de Letras, já fazia revisões e divulgações de livros pelo Portão Literário. Estava empolgada com os eventos, mas por outro lado questionando minha falta de afinidade (e experiência) com o público infantil. Terminei o ano ainda me adaptando às mudanças de rotina e pagando para ver o que seria de 2018. 

Mas o que foi de verdade vou contar no próximo "#TBT do Divã". Até lá!

25 de fevereiro de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #6 - Minha trajetória (2016 - Continuidade)

Oi gente!

Lá vamos nos para mais um  #TBT do Divã! Hoje relembramos o ano de 2016, que considero uma continuidade do que iniciei em 2013, optando por publicar um livro de contos infanto-juvenis. Além da publicação do meu terceiro livro, também iniciei os trabalhos com o Portão Literário, meu canal no YT. Esses trabalhos me abriram muitas portas no decorrer do ano e também me animaram a começar a visitar feiras e participar de eventos de livros.


Iniciei o ano mais uma vez fazendo um aniversário especial. No mês de fevereiro convidei as amigas do Clube do Livro que eu participava e fiz algo como um "Bazar de Livros". Foram muitas doações, que depois foram direcionadas ao Projeto Pegaí Leitura Grátis. Tem uma postagem sobre essa festinha aqui:

Segundica Literária #5 - Encontro literário! Una o útil ao agradável!


Como já mencionei, um dos grandes momentos do ano foi o lançamento do meu terceiro livro, "O sapo Tonico e sua descoberta", um conto que eu tinha escrito para o projeto de Alagoas e que se transformou em livro solo. O livro também foi ilustrado por mim (de forma bem amadora, mas foi capricho meu, eu queria!), as ilustrações coloridas pela amiga Lu Yaros, e foi um livro muito simbólico na minha carreira. Até hoje ouço falar das aventuras do sapo que aprendeu a ler! A foto abaixo é do lançamento nas Livrarias Curitiba, com direito a contação de histórias, com a amiga Lilian.


Outro momento marcante foi a participação na Bienal do Livro de SP. Já era minha segunda vez e eu fui toda contente autografar "O sapo Tonico e sua descoberta", no estande da editora que produziu o livro. Essa Bienal foi bem especial, além de acompanhada do marido, encontrei várias pessoas que já conhecia virtualmente através dos trabalhos com o canal.


Aqui a gente não entende nada de horóscopo chinês, mas nos meus trabalhos de escritora posso dizer que 2016 foi o ano do sapo (rs). No segundo semestre participei de um evento da Literarte, a editora de "O Diário de Lirityl". Foi um evento de três dias, em que ganhei um prêmio pelo livro da Lirityl e também tive a oportunidade de lançar o Tonico, com direito a camiseta impressa com poema de minha autoria. Tem postagem sobre esse evento aqui:

Segundica Literária #18 - Eventos culturais (Literarte em Curitiba)




Também participei da Bienal de Quadrinhos aqui em Curitiba, além de ter ministrado várias palestras em universidades da cidade, sobre minha trajetória profissional e como resolvi agregar a ela minhas conquistas como escritora.


E aí foi que justamente nesse momento da vida, eis que fui demitida da empresa onde trabalhava. Lembram que contei no final da postagem passada, sobre como as coisas começaram a ficar estranhas, mesmo eu dando conta de tudo e não deixando meu trabalho oficial de lado em momento algum? Pois é. Não adiantou. Em setembro de 2016 eu deixava a empresa para a qual dediquei 22 anos da minha vida. Feliz pelas novas perspectivas mas decepcionada pela tratativa que recebi. A justificativa foi de que meus serviços foram centralizados na matriz de São Paulo, mas eu sabia que a verdade era que, após tantos anos de promoções, meu salário estava bem acima da média do mercado para minha função. Resumindo: paguei um preço por ser competente.

Eu estava com 42 anos e o ano de 2016 foi um divisor de águas na minha vida. Então aproveito o final dessa postagem para perguntar: almejar uma segunda carreira na maturidade é um ato de bravura ou insanidade? Porque um alto executivo de uma empresa não pode gerenciar uma padaria? Porque a competente diretora de marketing não pode se tornar uma talentosa bailarina? A resposta deveria ser "mas pode ué", só que não é bem assim. Aprendi com minha experiência que em algum momento uma parcela da sociedade ditou uma regra absurda que proíbe você de ser quem você quer ser, nem quando é jovem e nem quando se torna dono do seu nariz. Para essa parcela da sociedade a verdadeira regra é: não sonhe, esqueça o que você quer. 

A demissão me fechou uma porta mas abriu as cortinas de janelas que eu já tinha aberto com meu próprio esforço. Hoje sou grata por ter decidido publicar meus livros em 2012 e encarar essa nova área na minha vida. Vejo tantas pessoas sendo demitidas depois dos quarenta anos e acabarem engolidas pela depressão. No meu caso, foi num momento em que estava vislumbrando um novo mundo, e embora em 2017 eu voltasse a trabalhar no meio corporativo (meu trabalho oficial atual), hoje tenho flexibilidade e apoio do meu líder e dos colegas para seguir meus sonhos em paralelo. 

Mas 2017 é assunto para o próximo "#TBT do Divã". Até lá!

18 de fevereiro de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #5 - Minha trajetória (2015 - Absorção)

Oi gente!

Continuando nosso #TBT do Divã, hoje vou contar sobre o ano de 2015. Ano maravilhoso, em todos os sentidos. Em 2015 ganhei um parceiro de vida que me apoiou em tudo, sem cobranças, ciúmes ou competições. Sabe aquela pessoa que soma na sua vida? Esse é o André, meu marido há seis anos. Eu estava naquela fase das realizações e reconhecimento e foi muito bom ter ele ao meu lado, aproveitando cada momento e me dando forças para sonhar mais além. Muitas coisas boas aconteceram em 2015!

Uma novidade logo no início do ano é que iniciei o curso de Licenciatura em Letras, também motivada pelo André, que já tinha cursado o primeiro ano. Eu já tinha duas faculdades e uma pós-graduação (na área em que trabalhava), pensei muito mas decidi que ajudaria nos meus trabalhos de escritora, e lá fui eu (não que tenha ajudado muito, mas isso seria assunto para outra postagem). 

Mas a grande conquista do ano foi nossa viagem à Buenos Aires (Argentina)! Através da Literarte (editora do meu segundo livro) fui convidada a receber uma homenagem do Núcleo de Artes e Letras de Buenos Aires. E aí, como eu e André já estávamos casadinhos, aproveitamos o embalo para uma breve lua-de-mel. Nos divertimos muito, conhecemos lugares maravilhosos, como a Livraria El Ateneo, a Galeria do Rock, o Cemitério La Recoleta, a Casa Rosada, o Estádio La Bombonera e até fizemos pose de tango  no Caminito. Se você gosta de Diários de Viagens, pode conferir os detalhes aqui:

Diário de viagem - Buenos Aires #1



Foram três dias incríveis e a noite da cerimônia foi inesquecível. O evento foi no Teatro Piazzola, com direito a jantar e show de tango. O melhor foi ver meus livros sendo citados e folheados, dar autógrafos durante a cerimônia e receber o Trofeo Casa de Jorge Amado das mãos da Carla Britto, presidente do Núcleo na ocasião. Tem mais fotos aqui:

Diário de viagem - Buenos Aires #2


A viagem foi no início de maio (ou de abril, sabe que agora não lembro!?), mas o restante do ano foi recheado de coisas boas, como as trilhas que percorremos na natureza (primeira foto da postagem), o evento em comemoração aos 150 anos de Alice que organizei com a amiga Pati Dias, o final de semana na Escola do Escritor em SP, além da minha primeira tatuagem e do registro do próximo livro que lançaria em 2016. Eu estava no pique total!!

Encontro Fãs de Alice em Curitiba!

Serendipity



O ano de 2015 também foi marcado pelas primeiras filmagens que em 2016 inauguraram o Portão Literário, canal no YouTube que tenho até hoje. A foto abaixo é para mim o registro desse momento tão importante na minha vida. Eu era extremamente tímida e sem jeito com câmeras (só ver os primeiros vídeos do canal para comprovar!! rs), não fosse a insistência e apoio do André, que inclusive é o responsável pelo nome do canal, ele não existiria.


Pois bem. Foi um ano produtivo, alegre e leve. Eu estava empolgada com a ideia de publicar "O sapo Tonico e sua descoberta", uma história que fez parte daquele projeto em Alagoas que eu mostrei na postagem passada. Eu também ainda não fazia ideia de que dar continuidade na literatura infantil seria futuramente um obstáculo para meus outros trabalhos como escritora. O importante é que estava feliz e pronta para mais uma publicação!


Mas, como nem tudo são flores, lembram que comentei no post passado sobre o lado profissional? Aqui nesse momento, as coisas começaram a ficar tensas no meu trabalho oficial. E não era por mim, eu dava conta! Trabalhava em período integral, fazia faculdade à noite e escrevia nas horas vagas. Todos os eventos que participei eram usados com dias de férias acumuladas ou em feriados. Porém, quando você trabalha muito tempo no ambiente corporativo, se dá conta de que nem todas as pessoas são "mente aberta" e enxergam a amplitude que existe além da mesa de trabalho. A empresa em que eu trabalhava começou a centralizar serviços na matriz de SP e coincidentemente, eu já era vista por alguns como a profissional que "resolveu ser escritora e não quer mais trabalhar". Como se as duas coisas não fossem compatíveis né? 

Mas isso é história para a próxima postagem. Espero você para contar sobre 2016 no próximo TBT do Divã de Escrita!

10 de fevereiro de 2021

O Imaginativo e o Imaginário (do Livro A Imaginação Educada de Northrop Frye)

Oi gente!

No final de 2017 eu fiz uma matéria do mestrado de Literatura na UFPR (Teoria da Ficção), naquele esquema de aluno-visitante, para ver como era e decidir se encararia um mestrado aos quarenta e três anos, sem pretender lecionar. Por alguns motivos que prefiro não mencionar, mas também por achar que seria muito empenho para pouco conteúdo que realmente me interessava, não me inscrevi no curso (não diminuindo o mestrado, mas como não era minha intenção lecionar, achei muito técnico e pensei ser mais vantajoso partir para os cursos livres e focados nos meus temas preferidos).

Pois bem, como nenhum aprendizado é jogado no lixo, foram alguns meses de muita bagagem literária que angariei e até hoje mantive em minhas anotações pessoais. Então, dias atrás, pensei: "Porque não compartilhar né? Quem sabe animo alguém a fazer o mestrado!"

Então hoje começo a resgatar minhas anotações das aulas e registrar aqui no blog para quem se interessar. A primeira aula foi sobre um dos ensaios de Northrop Frye contidos no livro "A Imaginação Educada". 

Imagem: pxhehe.com


"Mas na imaginação vale tudo o que se possa ser imaginado, e o limite da imaginação é um mundo totalmente humano. Aqui resgatamos, em plena consciência, aquele perdido sentimento original de identificação com o que nos cerca, onde nada é externo à mente humana, onde tudo é idêntico à mente humana.” (Northrop Frye)

E quem foi Herman Northrop Frye? Frye viveu entre 1912 e 1991 e foi um dos mais influentes teóricos da literatura do século XX. "A Imaginação Educada" é uma transcrição de seis palestras concedidas pelo autor, na década de 60, a uma emissora de rádio canadense. O crítico apresenta sua visão sobre o significado e importância da literatura, apresentando inclusive um plano de estudos de literatura objetivando "educar a imaginação". Como assim? (também me perguntei isso na época!)

Imagem: wikipédia


Na verdade Frye reforça o conceito de que a linguagem e a literatura são a base de todas as relações sociais, por isso para ele, a criatividade e a imaginação que podem ser influenciadas pela literatura, se encontram na base da vida social. A força imaginativa ou criadora na mente é o que produziu tudo, o que chamamos de cultura ou civilização. Ou seja, o mundo em que vivemos foi criado em grande parte pela imaginação humana. Então educar a imaginação é também criar um povo liberto, que não se limita aos padrões ou se ilude com clichês. Ele afirma na página 121 que, "o trabalho que a imaginação vai executar no dia a dia é produzir, a partir da sociedade em que temos que viver, uma visão da sociedade em que queremos viver". Profundo né? 

Se pensarmos que a mitologia foi a primeira forma de associação e identificação e que deu origem ao que veio depois, inclusive a literatura, percebemos que com as transformações sociais, culturais e históricas, muitas narrativas mitológicas se tornaram desacreditadas. Porém, os heróis continuam representando arquétipos até hoje inseridos nas obras literárias. 

Com o romantismo, a ordem maior, antes privada pelo senso (principalmente das religiões), agora poderá ser regulada pelo indivíduo. Com isso, a criação passa a ser também do indivíduo, confrontando com a ideia de ordem de força maior.  Notamos uma mudança, por exemplo, desde a publicação de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, em 1840, que foi criticada por sair dos padrões literários, onde a autora mostra a natureza violenta (real) apresentada no contexto dela. Vivemos uma era dos discursos que se adequam à compreensão de que hoje nós construímos o nosso mundo e nosso modo de operar o mundo. O conceito de individualidade já estava consolidado em 1962, quando Fyre escreveu seu ensaio, mas foi reforçado a partir de então.

Imagem: pxhehe.com

O autor traz ao leitor vários conceitos que facilitam a educação imaginária, que não apenas conhece as narrativas que moldam o ser humano, mas também aplica esse olhar associativo para pertencer ao mundo, protegendo-se de ideologias e ilusões nas tentativas de grupos da sociedade que tentam manipular as pessoas.

Então, é possível vivermos em um mundo onde a visão é descompromissada com o real?  

Segundo Frye, Dom Quixote sugeria entrar no centro do senso, onde cada visão particular respeitava a visão do próximo, a fim de vivermos em sociedade de maneira ideal. A aposta de Frye é que, se existe um senso estabelecido, você tenha um imaginário para aplicar o contra senso quando o mesmo sair do controle. No final das contas, para ele sem a imaginação não existe humanidade, pois ela é uma forma das pessoas se identificarem e pertencerem ao mundo.

Mas será que vivemos em um mundo democrático onde tudo pode? Quais os termos do senso que nos regem hoje? São perguntas provocativas que nos levam a pensar, por exemplo, em uma questão muito debatida atualmente, sobre literatura como arte ou como produto. Nesse caso, será que a lei de mercado no contexto atual rege o senso?

"A Imaginação Educada" abre nossa mente como escritores e leitores de literatura. Vale a pena mergulhar no mundo de Frye. Ele nos passa o recado de que educar a imaginação é também nos assumir como transformadores da sociedade em que vivemos. 

Boa leitura!

4 de fevereiro de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #4 - Minha trajetória (2014 - Realização)

Oi gente!

Continuando nosso #TBT do Divã, hoje vou contar sobre o ano de 2014, que para mim foi um ano de muitas realizações mas também de grandes mudanças na vida pessoal. Foi um ano de autoconhecimento, percepção de talentos que eu não acreditava em mim, além de um ano em que me libertei de sentimentos do passado, terminando por descobrir que eles me sufocavam ao invés de me fazerem bem.


Comecei o ano completando 40 aninhos de vida. Sim! Os "enta" foram um divisor de águas na minha vida. Nasci em fevereiro e naquele ano, fiz três comemorações (uma com minha família, uma com a família do "relacionamento complicado" e uma com meus amigos, essa última em um restaurante mexicano. Então lá vai meu registro oficial da virada para os "enta".


Nessa época eu ainda estava naquele relacionamento que comentei em algumas postagens, foram em média de 5 a 6 anos de relacionamento, era um resgate de um relacionamento do passado (um retorno após quatorze anos de afastamento) e eu continuava achando que daria certo. Mas infelizmente até nosso coração se engana, descobrimos que os sentimentos se confundem e na ânsia de agradar a outra pessoa, esquecemos de quem somos. Foi basicamente o que aconteceu. Pela segunda vez na minha vida, com a mesma pessoa. Ainda assim comecei o ano lutando para fazer dar certo, mas parece que minha "recente libertação" começou a incomodar. Eu passei a fazer coisas sozinha, como por exemplo, viajar à Floripa para visitar minha grande amiga Déa e levar um exemplar de "O Diário de Lirityl" para o Henrique, seu filho. De quebra também conheci a Cecília, filha da amiga Gisele. Foi demais! Tem uma postagem aqui no blog sobre a viagem:

Diário de viagem Floripa - [Visitando Henrique e Cecília]



O ano foi passando, eu vendia meus exemplares pela internet e logo a primeira edição (pela CBJE) esgotou. Eu já estava em contato com a presidente da Literarte (que conheci no evento Melhores Contistas, mencionado no post anterior) e decidi fazer minha segunda edição com eles, decisão acertada que me abriu muitas portas e me trouxe mais premiações. O primeiro reconhecimento foi conseguir uma vaga para autografar o livro na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que aconteceu entre 22 a 31 de agosto de 2014.

No início de agosto meu relacionamento chegou ao fim. Um episódio recorrente, mas que na ocasião foi a gota d'água, me trouxe a decisão de colocar em definitivo um ponto final. Términos de relacionamento são tristes, decepcionantes. Mas eu acho que qualquer rompimento tem responsabilidade nas duas partes. Sempre admiti minhas fraquezas e defeitos, não sou perfeita. Infelizmente, se a outra parte acha que detém a perfeição e que a culpa está de um lado só, não tem como haver continuidade, na minha opinião. Só que o fato do ponto final ter sido colocado semanas antes da viagem à Bienal, fui julgada por ter feito propositalmente. E isso rendeu meses de críticas e julgamentos, que graças ao apoio dos amigos e minha consciência tranquilíssima, não afetou minhas conquistas. Sim gente! Eu vivi assédio moral em um relacionamento, percebi isso depois de muito tempo, mas garanto a vocês que é uma violência tão destrutiva quanto a violência física. Importante finalizar esse assunto (porque ninguém veio aqui para ouvir meus desabafos pessoais né?) registrando que não guardo nenhuma mágoa da pessoa e dos que me julgaram. Foi um baita aprendizado para minha vida em vários aspectos. Eu não seria a Ale que sou hoje sem superar esse processo.

Mas vamos falar de coisas boas! Eis que embarquei no avião rumo à minha primeira Bienal do Livro e... foi um momento maravilhoso! Não só conhecer uma feira gigante de livros, mas como uma autora publicada com horário para autografar. Sensação indescritível ver minha foto nos cartazes, meu livro na prateleira e dar até entrevista para a TV! Tem várias postagens aqui no blog sobre a Bienal de 2014:

Lirityl na Bienal de SP 2014!





Voltando da Bienal eu já tinha outra viagem marcada para setembro. Através da professora Simone, que atua em uma escola em Luziápolis, no interior do Alagoas e que me descobriu pela internet, fui convidada pela Prefeitura e Secretaria da Educação de lá, para visitar as escolas e levar meu livro às crianças alagoanas. E lá fui eu, acompanhada da minha fiel escudeira amiga Vera, conhecer a linda Maceió e depois o interior de Alagoas.

Os primeiros dois dias foram programados para turistar. Nos divertimos conhecendo os pontos turísticos e históricos, praias e artesanato local. E que povo acolhedor!!!! Tem duas postagens no blog sobre os primeiros dias da viagem:



Depois, enquanto a Vera ficava em Maceió aproveitando o resto do feriadão (foi no feriado de 7 de setembro), o Secretário da Educação de Luziápolis me apanhou em Maceió e lá fomos nós levar a Lirityl para o interior do estado. Foram momentos inesquecíveis, abraços que sinto até hoje e palavras de carinho que vez em quando sussurram como lembranças em meus ouvidos. Visitei escolas, a turma da Simone fez um teatro com o conto da Lirityl no evento da escola, fotografei muito, ganhei presentes, fui convidada a falar ao lado da prefeita da cidade, que inclusive me acolheu generosamente também. Almocei na casa da Simone, conheci sua família e recebi um carinho imenso do "painho" e da "mainha", que até hoje enche meu coração de gratidão. Sem palavras para expressar tudo em um parágrafo, está tudo detalhado nas postagens abaixo:



Bom, acho que nem precisava de mais eventos para definir o ano de 2014 como um dos mais especiais nos meus trabalhos como escritora. E digo mais, a viagem à Luziápolis foi um marco inesquecível na minha vida em vários aspectos. Conviver alguns dias com a simplicidade e alegria daquele povo que vive feliz com tão pouco material, e que preenche essa escassez com fé e disposição em abundância, me trouxe ainda mais mudanças e diferentes perspectivas. As novidades na escrita em 2014 param por aí, mas quando retornei de Maceió houve a consolidação de uma grande mudança na vida pessoal. 

Lá pela metade do ano, eu tinha participado de um encontro que reuniu duas turmas da oitava série do ensino fundamental (25 anos depois da formatura!!) e revi muitos amigos e amigas da adolescência. A chave para esse encontro foi uma professora de português, inesquecível para a maioria dos alunos: a professora Josiana (à direita na foto).


Acontece que duas semanas depois que voltei de Maceió (e agora oficialmente solteira novamente), fui a um churrasco com essa turminha e a professora Josiana levou seu filho, o André, que também estava separado do último relacionamento e morando com ela na época. E o André me foi apresentado naquele churrasco, conversamos muito e ele me contou que estava cursando Letras, e começamos a falar de livros, descobrimos uma paixão em comum pela literatura de Tolkien, trocamos contatos e telefones e... hoje o André é meu marido e a professora Josiana inesquecível, minha sogra! 

Parece história de ficção né? Principalmente vindo de uma escritora. Mas afirmo e "dou fé" que não é invenção, tudo aconteceu exatamente desse jeito. E tem mais, naquele dia do churrasco eu deixei de ir ao casamento da minha prima (que hoje já me perdoou...rs), porque confesso, não tenho muito saco para eventos formais demais. Então, 2014 foi ou não foi um ano de decisões felizes e acertadas? 

Hoje posso afirmar sem que isso pareça discurso de autoajuda, porque vivi essa experiência: "Quando você se reconhece como ser único e especial, valorizando suas qualidades e perdoando seus defeitos embora buscando sempre se melhorar, o Universo conspira a seu favor".  

Comecei 2015 me sentindo amada, reconhecida e amadurecida. Mais momentos felizes porém outra mudança começava a acontecer: no lado profissional. Espero você para contar sobre 2015 no próximo TBT do Divã de Escrita!