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13 de abril de 2024

EU LI: Os Manuscritos Perdidos (Charlotte Brontë)

Oi gente!

Tem um livro que fez parte das minhas leituras de 2021 mas acho que vale registrar aqui.


"Os Manuscritos Perdidos" contém quatro ensaios de pesquisadoras e especialistas nas obras das Bronte sobre a história de um livro da família que ficou escondido com colecionadores por mais de duzentos anos.

Tudo teve início em 1810, quando Maria Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens que naufragaram em um navio. O livro foi recuperado intacto e tornou-se precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu pai, Patrick. O ensaio que trata sobre como o livro inspirou Emily a escrever sua obra-prima "O Morro dos Ventos Uivantes" é sensacional.

Para quem gosta das vidas e obras das Bronte, é um livro riquíssimo de informações.

Boa leitura!

2 de maio de 2023

EU LI: Gavetas da Vida (Lysandra Fortes do Amaral)

Oi gente!

Hoje mais uma leitura que fiz nos últimos meses. Conheci a Lysandra na data da posse da Academia de Letras José de Alencar, compartilhamos juntas desse momento especial e no dia não consegui conversar com a autora nem adquirir seu livro, mas fiz dias depois, por contato no Facebook.


Gavetas da Vida conta um pouco da vivência da Lysandra, incluindo momentos e pessoas importantes na sua trajetória. Mostra o quanto estamos interligados uns aos outros, o quanto influenciamos e somos influenciados, nas pequenas coisas e habituais rotinas. Identifiquei-me demais com sua experiência quando conta como conheceu o kardecismo e o quanto esse conhecimento passou a reger suas escolhas e ampliar seu aprendizado. Exatamente como aconteceu comigo há quase vinte anos.

Lysandra também conta experiências de viagens, fatos que marcaram sua vida e como conheceu Anita Zippin, presidente da ALJA, em um encontro inusitado e como a amizade nasceu e floresceu, levando-a a escrever esse livro e levar sua experiência ao mundo.

Sinopse: Não existe falar de mim ou de alguém sem contar as histórias ao nosso redor. Somos feitos das experiências e vamos sendo os resultados delas. Histórias tristes e histórias felizes, histórias! Tudo está interligado. Tudo é ponte. Somos pontes e temos pontes. Você já parou para pensar como cada ação nos levou a algum lugar? Algumas definidas pelo nosso livre-arbítrio e outras aconteceram sem o nosso controle. Todos nós somos aprendizes nesta grande escola chamada vida!

Recomendo a leitura!

28 de abril de 2023

EU LI: ÉTICA & ENVELHECIMENTO – Memórias e Reflexões de um Engenheiro de Trincheiras (João Carlos Cascaes)

Oi gente!

O tempo está escasso, mas continuo tirando um tempinho para prestigiar os colegas escritores que me oportunizaram as maravilhas das suas escritas. Hoje eu mostro uma leitura que fiz nos últimos tempos e que recomendo demais, por sua autenticidade e valor agregado nas experiências reais descritas na obra.


Li recentemente o livro do Cascaes, membro da ALJA que nos brinda com os registros e memórias dos momentos da Academia e seus participantes. Também não poderia deixar de mencionar a breve conversa que tive com ele no Piquenique Cultural de março. Foram quinze minutos que representaram horas de aprendizado. Conversar com alguém que tem a visão de mundo e vivência do Cascaes é um privilégio. Eu posso dizer que tive.

No seu livro, além da sua experiência de vida e trabalho, Cascaes nos permite conhecer um pouco do que pensa e procura praticar, nos dando exemplos valorosos de ética e poder de controle sobre o processo de envelhecimento, aprendizado que todos deveríamos ter. 

Ao refletir sobre a passagem do tempo ele nos afirma que “todo ser humano precisa aprender a envelhecer, a não temer a morte. A receita para isso está na felicidade. Ela é saudável e pode ser conquistada de muitas maneiras”. Grande ensinamento, Cascaes! Eu aprendi muito sobre isso durante os últimos anos de vida da minha mãe e hoje procuro prezar a paz de espírito, meditação, oração e reflexão como base de tudo que faço, pois a serenidade é fundamental para aceitarmos esses processos. 

Além dessas profundas reflexões, Cascaes também nos passa sua experiência profissional, como engenheiro eletricista. Destaco, entre muitas funções importantes que exerceu, a presidência da Copel por um período. Fala também sobre sua aposentadoria, mas nos dá um exemplo de profissionalismo ao abordar temas tão atuais no mundo corporativo, como inclusão, prevenção e sustentabilidade.

Uma obra tão rica deve ser divulgada! 

Abraços a todos!

3 de novembro de 2020

5 de janeiro de 2020

5 livros sobre mulheres escritos por mulheres | Portão Literário

Levanta a mão quem gosta de biografias romanceadas? o/
Mesmo que contenham muita informação ficcional? o/
Eu não ligo, adoro! Gosto de analisar como os escritores e escritoras imaginaram a vida do personagem na época em que viveram. Além de conter informações sobre o contexto histórico, estes cinco livros mostram as duras imposições sociais que mulheres corajosas enfrentaram ao longo da história.

Clique para assistir

29 de novembro de 2018

Projeto Desencalha 2018 - O último trem de Hiroshima (Charles Pellegrino) | Portão Literário

"De partir o coração, revirar o estômago e perder os parafusos da cabeça." 😔😭💔🖤
Com essas palavras eu inicio o vídeo mais difícil de fazer até hoje no canal, sobre "O último trem de Hiroshima", de Charles Pellegrino. Foi a leitura do #projetodesencalha de outubro.

Clique para assistir

19 de setembro de 2018

EU LI: Ima - Sempre em Frente (Eric Peleias)

Oi gente!
Conheci o autor Eric Peleias na Bienal de Quadrinhos 2018, aqui em Curitiba. Parei no estande dele porque bati o olho no seu novo trabalho, “Até o Fim”, que já é bem comentado positivamente nas redes sociais.

Mas conversando com o Eric, ele me contou como foi que surgiu “Ima - Sempre em Frente”. A HQ é um trabalho biográfico em volume único, escrito e ilustrado pelo Eric, que conheceu a protagonista pessoalmente e decidiu contar para nós a sua história. Ali eu não tive mais dúvidas que era a Ima que eu levaria para casa. =)

O prefácio é do ator Dan Stulbach e na história vamos conhecer uma personagem real, a Julia, que após a invasão da Áustria pelos alemães em 1938, foi enviada por seus pais aos EUA, para fugir do Holocausto. Julia saiu do seu país sozinha, com uma mochila e o coração aterrorizado.
*pausa para me encantar mais uma vez com essa dedicatória tão especial: "Siga sempre em frente"! E quem me conhece não sabe meu lema? "Devagar e sempre". Né?

Abri a HQ já com o coração na mão, porque eu sabia que me emocionaria. Para amplificar minha leitura, descubro que eu e Julia temos em comum nossa data de aniversário: 15 de fevereiro. Pode parecer bobagem mas para uma leitora como eu, que gosta de vivenciar a leitura, foi bem intenso. Como toda a história a seguir, uma jornada linda, inspiradora, tocante e contada pelo Eric da maneira mais suave e linda que já li em qualquer outra narrativa sobre o tema.

A história é triste? Claro que é. Nenhuma história nessa temática é gostosa de se ler. Mas a história da Julia tem tanta esperança e coragem, que não tem como não se alegrar junto com ela, conforme a narrativa vai avançando.

Recomendo para quem gosta da temática e também para quem está iniciando na leitura de quadrinhos, pois a narrativa é linear e as imagens são limpas e delicadas. Destaco uma particularidade da HQ, as cores claras ajudam o leitor a valorizar o lado belo da história e não as atrocidades.


Ao fechar a HQ, meu sentimento era indescritível. Tão bom saber que em meio a tantos horrores na história da humanidade, sempre existiram e sempre existirão sobreviventes para nos deixar exemplos de fé, força e garra. Nas últimas páginas o Eric nos presenteia com fotos e depoimentos da família, deixando aquela vontade de apertar a Julia bem forte e dizer no seu ouvido: Muito obrigada por compartilhar a sua história!

Ah! E o título IMA significa? Leia e emocione-se com ele também. ;-)
Boa leitura!

4 de maio de 2016

Eu li #64 - Olympe de Gouges

Oi gente!

Hoje vou falar dessa HQ linda que eu adquiri em março e fui logo furando a fila de leituras porque estava curiosíssima com a história dessa escritora francesa que teve um papel fundamental em abrir espaço para as mulheres em seu país. Marie Gouze nasceu em um século de intensas transformações e liderou um movimento político em prol da dignidade das mulheres durante a Revolução Francesa. O mais admirável para mim na história dela é que, mesmo recebendo uma educação pobre, sendo submetida aos padrões da época, tornando-se mãe e viúva aos 18 anos, ela traçou sua história e contribuiu para a história do seu país! Poderia ter seguido outras tantas mulheres, mas algo a diferenciou. O seu inconformismo com os infortúnios de levar uma vida submissa e seu pensamento revolucionário, desenvolveu nela a vontade de se tornar uma mulher das letras. =)

Então ela muda-se para Paris e procura muitos contatos ligados à cultura. Começa a participar de atividades revolucionárias, ao mesmo tempo que escreve peças para teatro. Em 1791 ela escreve um panfleto denominado "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã", causando polêmica em toda a França. Ler sobre sua vida, escrita e desenhada em quadrinhos, foi muito prazeroso!










Acho que o post de hoje está representado nas fotos. Essa edição é incrível! Tem anexos, cronologias e biografias de todos os envolvidos na vida e obra de Olympe. Sem contar no que simbolizou essa história para mim. Muitas vezes, nós escritores, não temos ideia da força de nossas palavras. Eu acho que quando se escreve o que se acredita, quando você transmite seus verdadeiros ideais em suas palavras, está na verdade plantando sementes de transformação na história do mundo. Isso é mágico!

Beijos!

29 de abril de 2016

Eu li #63 - Meu nome é Jorge

Oi gente!

Essa semana esfriou em Curitiba. E como guerreiros que somos, fomos obrigados a adaptar nossos corpos de uma temperatura média de 30ºC para 3ºC em mais ou menos 24 horas. Sim! De um dia para o outro... pirlimpimpim! Claro que nós curitibanos já estamos acostumados a isso e já foram criadas até piadas que viraram clichês, como aquela que "ontem tomei sorvete, hoje tomei sopa".

Enfim, a parte séria é que é impossível nessas horas não pensarmos nos moradores de rua. Pois é. Porque se é difícil para nós, portadores de um teto, um chuveiro quente e um edredon fofinho, será que temos ideia do que significa o frio para essas pessoas? Eu não tenho a mínima ideia e tenho certeza que muitos que estão lendo esta postagem também não. Mas dias atrás li uma história, e puxando o gancho, posso garantir que o protagonista dela tem muita ideia do que é passar frio na rua. Seu nome é Jorge e sim, ele foi um morador de rua. Esse é o livro de hoje.


O livro do Jorge chegou em minhas mãos através do Projeto Pegaí Leitura Grátis, emprestado aos voluntários para motivação e inspiração. E eu acrescento: para reflexão. Porque a história de Jorge em um primeiro momento pode parecer uma história triste. Mas quando olhamos para todo o contexto, ações e reações, escolhas, empatias, relacionamentos, ela transforma-se em uma história admirável. Jorge é o exemplo vivo do jargão que diz mais ou menos assim: "seja como o bambu, vergue-se até o chão, mas resista firme e supere as dificuldades". Foi exatamente isso que ele fez.


Jorge passou sua infância, adolescência e juventude, em condições extremas de pobreza e abandono. Por várias vezes, sentiu sua insistência com a vida ser provada e desafiada. Por muitas vezes pensou em desistir, em uma delas tentou. Mas sua força interior provou-se desmedida e, embora o maior mérito seja dele, as raras pessoas que o ajudaram, conseguiram enxergar nele muito além do que a maioria. E isso não me surpreendeu, porque acredito que todos temos "tesouros" que cruzam nosso caminho em algum momento da vida, que nos enxergam além das aparências, com a alma e o coração. Porque por maior que seja sua força, ninguém faz nada sozinho. Na minha opinião, reconhecer isso é uma atitude de fé e de humildade. E Jorge reconhece. Hoje Jorge é empresário, escritor, editor, ator. E tenho certeza, será mais do que vier e o fizer sentir-se útil ao mundo e ao próximo.


Li, refleti, aprendi muito com a história de Jorge. E ao final do livro descobri que "Meu nome é Jorge" não é uma apresentação, mas uma doação. A doação de uma pessoa que lutou pela sua vida e pelo seu futuro, lutou contra todas as tentações e armações possíveis. Lutou inclusive, contra ele mesmo. Lutou e ganhou seu lugar no mundo. Para hoje, como um vencedor, importar-se em dividi-lo com o próximo, fechando assim um maravilhoso ciclo de aprendizado e retribuição.

Temos o feio costume de nos vitimizar em algum momento da nossa vida. Quem nunca? Eu, por exemplo, não acho que minha vida foi fácil. O que conquistei, foi persistido, trabalhado, suado. Mas eu tive a benção de ter o amor dos meus pais, que fez toda a diferença. Então, como esse livro foi para mim, será para você. Se você acha que sua vida foi difícil, leia "Meu nome é Jorge". Eu recomendo mil vezes!

Beijos!

28 de abril de 2016

Eu li #62 - Paris é uma festa

Oi gente!

Hoje vou mostrar um livro, resultado de uma troca no Encontro Literário que organizei no meu aniversário. Não foi o título que me atraiu, mas o autor. Depois que li "O Velho e o Mar", de Hemingway, estou com uma lista de livros do autor para ler. Estou apaixonada por sua escrita direta e sem rodeios. E nesse livro, "Paris é uma festa", ele escreve sobre um período da sua vida em que morou em Paris, entre 1921 e 1926. Na verdade foi o resultado de uma mala encontrada por ele mesmo em um portão, muito tempo depois, em 1956, que continha anotações de várias passagens pelos anos em Paris. Então ele transcreveu as anotações e em 1964 (três anos após a sua morte), o livro, que é quase uma auto-biografia, surgiu nas prateleiras. Eu defini o livro como "Memórias de Hemingway em Paris", pois em alguns momentos pareceu-me um diário do autor.


Pouco antes de chegar em Paris, ele casa com a primeira esposa, Hadley Richardson. O motivo da mudança para lá é que ele se torna correspondente na Europa para o jornal canadense Toronto Star. Nesse período, eles viviam com o pouco dinheiro que essa função rendia, mas isso não os impediu de aproveitar bons momentos. "Paris é uma festa" descrevem vários locais em seus capítulos, mas foca nos cafés e restaurantes, porque eram os pontos de encontro dos escritores e pessoas ligadas à Literatura. E ele, como assíduo frequentador, acaba se relacionando com várias personalidades, que hoje também são conhecidos mundialmente, como F. Scott Fitzgerald, James Joyce e Ezra Pound.


Ele enfatiza muito a relação com F. Scott Fitzgerald (para quem não sabe o autor de "O Grande Gatsby"), que percebi ter sido o seu colega mais próximo, chegando a confidente. Hemingway conta detalhes da vida do amigo, como o fato da esposa de Scott ter muito ciúme do seu trabalho e atrapalhar muito sua rotina de escritor, o levando a beber e desconcentrar-se de seus objetivos. São recorrentes em "Paris é uma festa", as reflexões e opiniões de Hemingway sobre essas grandes personalidades que com ele conviveram. Isso me prendeu no livro, foi muito legal me sentir próxima a ele, pois na época ele estava em formação, não era conhecido e ainda estava trilhando o caminho.


"Paris é uma festa" é um livro especial a nós escritores. Ler memórias dessa rotina de um autor tão renomado, comprovando que sua trajetória não foi um mar de rosas e que no final das contas, ele era uma pessoa como nós, com medos, conflitos e paixões, é muito legal! Em alguns trechos ele inclusive narra sobre seu o processo criativo. Além disso, cita locais, obras e autores que com certeza agregam muito a quem escreve. Acabei descobrindo a escritora inglesa Marie Lowndes, que não conhecia e que produziu vários romances desde 1904 até sua morte. Hemingway a lia e agora também quero ler! Se alguém já leu algo dela, comenta e me indica!

Beijos!

12 de fevereiro de 2016

Eu li #46 - Saí da Microsoft para mudar o mundo

Oi gente!

A resenha de hoje é especial. Uma leitura tocante e inspiradora. Um livro de não ficção que deixa um gostinho surreal. Mas ele é bem real! Um livro que me contou, além da história de um homem, situações e encaixes perfeitos que, como mágica, reforçaram uma de minhas crenças: - De que todo o bem que você deseja e esforça-se por fazer, transforma-se em energia transmutadora que move o universo para lhe ajudar. =)

Na minha opinião, foi o que aconteceu com John Wood, o autor de "Saí da Microsoft para mudar o mundo". Um dos livros mais emocionantes que já li.



Primeiro vou contar como o livro chegou em minhas mãos. Porque livros assim, são aqueles que nos encontram, através de outras pessoas, de coincidências ou situações, onde no final das contas, quando menos esperamos, está ali, escancarando suas palavras aos nossos olhos. Eu já li vários em minha vida. Esse eu ganhei do professor Idomar Cerutti, idealizador do projeto Pegaí de Leitura Grátis, do qual sou voluntária. No final do ano passado, nos encontramos para eu entregar uma grande doação de livros que havia recebido, e na ocasião, o presenteei com um exemplar da Lirityl, e ganhei o do John Wood, distribuído pelo Pegaí (em parceria com Editora Sextante) para inspirar pessoas. Um livro que deve circular, passar de mão em mão, que não deve parar em estantes!

Créditos da foto: Projeto Pegaí Leitura Grátis

Esse livro não só me inspirou, como me deu o impulso para continuar firme no meu propósito em ajudar a construir um país de leitores. A história do Joh, a princípio, é parecida com a de muitos de nós, preocupados em fazer algo pelo mundo, mesmo que seja uma gotinha no oceano. Mas ele foi ousado e fez mais. Deixou seu cargo de alto executivo na Microsoft, para ajudar crianças carentes a ler e escrever. Mas o que o levou a abandonar a carreira de fama e fortuna para construir escolas e bibliotecas pelo mundo? O que o impulsionou? É essa, sua história de coragem e força de vontade, que John nos conta no livro. 

"Saí da Microsoft para mudar o mundo" é praticamente uma biografia. Não só de John Wood, mas da Room to Read, sua ONG que já construiu 765 escolas e 7168 bibliotecas, distribuiu 7132 bolsas de estudos para meninas e 5.7 milhões de livros. John começa relatando onde tudo começou, em uma viagem de férias para o Nepal, onde planejou fazer uma trilha de 18 dias para o ponto mais longínquo do Himalaia, porque ele achava que lá não ouviria seu chefe gritando (rs). Mas ao visitar uma escola, onde haviam aproximadamente vinte livros para centenas de crianças, cujos volumes não eram infantis e eram considerados tão raros que ficavam intocáveis fechados em uma estante, ele sente que sua vida muda completamente.

"Os que dizem que não pode ser feito não deviam criticar quem está fazendo." (John Wood)

John cita em outro trecho do livro que "O trabalho na Microsoft era financeiramente compensador, mas cheio de pressão e estresse. Era como se meu mantra fosse: Você pode dormir quando estiver morto e enterrado." E conta que sair do seu estilo de vida consumista foi o menor dos problemas. Porque havia uma vontade maior, levar educação a quem não tem oportunidades.

E nesse contexto, sua experiência na Microsoft foi apenas um impulso para a missão que ele escolheu. Além da empresa ter proporcionado a ele independência financeira, também inchou sua bagagem profissional com técnicas de administração e negociação. Seu aprendizado na carreira foi extremante útil e decisivo na construção da "Room to Read", que hoje leva esperança a países como Nepal, Camboja, Índia, Sri Lanka, Laos, África do Sul, Zâmbia e Bangladesh.

John nos conta no livro diversas situações em que moveu amigos para ousadas arrecadações de livros, pessoas que conheceu pelo caminho e que o tentaram desanimar, e claro, pessoas que entraram na sua vida para ajudar, compartilhando dos seus sonhos e ideias. Algumas situações inusitadas, em que John, na rotina de seu dia, foi gentil. E sem nenhum pretensão, a sua simples cordialidade gerou benefícios imensos em prol do seu projeto. Gentileza gera gentileza!



E aí alguns leitores podem pensar coisas do tipo: "Obviamente seu sonho deu certo, ele tinha muito dinheiro". Ou então: "Desse jeito é fácil, ele conhecia muita gente". Mas depois de ler o livro será difícil pensar assim. John saiu da Microsoft com dinheiro para seu sustento, mas não para sustentar uma ONG. Embora não há como negar que sua situação era "confortável", na minha opinião John foi corajoso ao extremo! Ele lutou com todas as forças pelo que acreditava e corajosamente, fez o que muitos não conseguem: largar a segurança de um trabalho assalariado para se jogar em um mundo que pode engolir seus sonhos (e seus recursos) em muito pouco tempo. E ganhou meu respeito, pois me ensinou muito sobre não desistir e continuar acreditando que o mundo pode ter jeito sim, mesmo que a gente precise usar as técnicas mais contraditórias, como o mundo corporativo ao qual pertencemos.

"Educar as crianças é o primeiro passo para mudar o mundo" (assinatura de e-mail da Room to Read)

"Saí da Microsoft para mudar o mundo" é um livro apaixonante e inspirador. Uma aula de empreendedorismo social e um impulso para seguir tentando retribuir ao universo todas as nossas conquistas. Porque na minha opinião, sempre podemos devolver ao mundo algo melhor. Se você faz parte desse time, recomendo a leitura. Vai lhe dar uma injeção de ânimo!

E se você não faz parte desse time, acha tudo isso uma "balela ideológica", recomendo ler também. Vai sentir-se, no mínimo, intrigado com os números e estatísticas mostrados no livro. E quem sabe, pode entender que, mesmo longe de tomar uma decisão assim, esteja onde estiver, pode dar sua contribuição, seja financeira ou não, para a construção de um mundo melhor.

Termino a postagem com uma entrevista do canal "Sempre um papo", com John Wood. Embora não atual (de 2008), dá para conhecer mais detalhes do seu livro e do feliz encontro com o nepalês que o inspirou a projetar, construir e realizar seu sonho de levar a leitura aos que não tem acesso.



Espero que essa postagem também inspire vocês! Deixo o link para o site do Projeto Pegaí Leitura Grátis e para o site da Room to Read, de John Wood, caso se interessem por mais detalhes.

Pegaí Leitura Grátis >>>> site oficial

Room to Read >>>>>> site oficial

Beijos!

19 de janeiro de 2016

Eu li #43 - Kurt Cobain Fragmentos de uma autobiografia

Oi gente!

Antes da resenha de hoje, vou falar um pouquinho sobre música. Sabe, na minha vida sempre fui bem eclética com relação a música, assim como sou com a literatura. O que acontece é que, e confesso que isso foi um erro, muitas vezes me anulei em função do gosto de outras pessoas. Então, quando adolescente, lembro que era bem ligada ao rock. Não só com música, mas também adorava cores sóbrias e roupas com umas caveirinhas desenhadas (rs). Era um pouco de influência do meu irmão mais velho, que curte rock até hoje.

Porém, com o passar dos anos, minhas companhias de trabalho e faculdade não eram simpatizantes de rock, então acabei me afastando e curtindo outros estilos. Que aliás, não foram poucos, variaram da música clássica até o sertanejo. Não me arrependo, acho que a gente vive de momentos, e os meus momentos musicais deixaram boas lembranças. Alguns gostos duram até hoje, outros não consigo ouvir mais (rs). Aí que em 2014 conheci meu atual marido, e ele, roqueiro invicto, resgatou meus gostos antigos me apresentando a várias bandas que desconhecia ou conhecia superficialmente. Hoje escuto minha dose de rock diariamente e já tenho algumas bandas preferidas. E é sobre uma delas, ou melhor, o ex-integrante dela, que vou falar hoje: Kurt Cobain!


Eis que o marido, ao me converter para o rock, saiu gravando muita boa música em pen drives (faz isso até hoje!), para eu ouvir no carro. Começou me conquistando com The Doors e Johnny Cash, depois as bandas mais atuais. Nirvana foi uma das bandas, cujas músicas me envolveram. Uma das bandas mais importantes dos anos 90, surgiu no final de 1987 com a união dos amigos Kurt Cobain, Krist Novoselic e Aaron Burckhard. Além do som fantástico, descobri que deixou seu nome na história, então para variar, saí pesquisando a história da banda e suas composições, inclusive lendo o livro acima. Uma análise dos álbuns do Nirvana, escrita e organizada pelo jornalista Marcelo Orozco.

Banda Nirvana, composta por Aaron Burckhard, Kurt Cobain e Krist Novoselic.
O livro é perfeito para quem se interessa pelo som da banda e quer saber um pouco mais das composições. O autor não se aprofunda em filosofias ou polêmicas, apenas transita entre estudar a arte musical e contar um pouco da biografia do compositor. No início do livro ele conta sobre a formação do Nirvana e monta uma cronologia dos acontecimentos marcantes na carreira da banda. Depois ele analisa álbum por álbum, todas as músicas, contando como foi composta e gravada. Inclusive o repertório de músicas que só foram tocadas ao vivo ou gravadas em fitas e não saíram nos álbuns. O autor faz com que o leitor, que conhece um pouco da história de Kurt e seus conflitos, perceba no contexto das composições o quanto carregam dos sentimentos e experiências dele.

Kurt na gravação do "MTV Unplugged" em 1993
Um pouco de Kurt para deixar registrado? Kurt Donald Cobain nasceu em Aderdeen em 20 de fevereiro de 1967 e faleceu em Seattle, em 5 de abril de 1994. Cantor e compositor desde muito jovem, foi o fundador, vocalista e guitarrista da banda Nirvana. Sua composição "Smells Like Teen Spirit" foi responsável pelo início do sucesso da banda, popularizando um subgênero do rock alternativo que passou a chamar-se grunge. A carreira da banda foi curta (7 anos) e durante os últimos anos da banda, Kurt lutou contra o vício em heroína e depressão, mas as pressões impostas pela fama e imagem pública, somada ao seu conturbado casamento com a cantora Courtney Love, o levaram ao suicídio (que ainda hoje é questionado). Na verdade as circunstâncias da sua morte tornaram-se tema para grandes debates.

Gente, eu sou suspeita para falar de Kurt. Sua história é controversa, complicada e obscura. Mas em algum momento, me identifiquei com sua música. Me toca muito! Então, não cabe a mim julgar. Ele fez escolhas erradas? Na minha opinião sim. Mas isso não anula seu talento e a contribuição que ele deixou para a história da música. 

Kurt Cobain e Courtney Love via tumblr.com
A vida do cantor já foi retratada no cinema, na literatura e na TV. Aqui no livro, Orozco obviamente não traz as respostas para tantas perguntas em torno do "mito Kurt Cobain", como alguns definem. Mas certamente faz um trabalho excelente em reunir informações que no mínimo, nos permitem juntar os "fragmentos de uma autobiografia", levando-nos a reflexões profundas e interessantes. Para os fãs ou interessados, recomendo demais a leitura!

E já que mencionei no início do post, se você curte Johnny Cash, recomendo ver esse post aqui.

Beijos!