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13 de janeiro de 2020
O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux) | Portão Literário
Uma experiência de leitura um tanto controversa para mim, com pontos positivos e negativos. Hoje deixo minhas impressões sobre "O Fantasma da Ópera", nesta nova edição linda da Zahar.
Mais uma leitura com os amigos booktubers!
7 de julho de 2019
A Inquilina de Wildfell Hall (Anne Brontë) | Portão Literário
Mais uma leitura da Anne Brontë! E gente, que livro! Hoje minhas impressões sobre "A Inquilina de Wildfell Hall", a maior denúncia que já li em um romance sobre a submissão da mulher no século XIX (e que infelizmente permanece até hoje, mas como naquela época, só as "Annes" escancaram os bastidores).
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26 de março de 2019
O Vento da Noite (Emily Brontë) | Portão Literário
Poesia é o tema do vídeo de hoje! Mas não qualquer poesia, as poesias de Emily Brontë! Grande escritora do século XIX, que nos deixou, além da obra incomparável "O Morro dos Ventos Uivantes", um legado de poesias que mostravam muito da sua personalidade. Confiram no vídeo a tão elogiada tradução de Lúcio Cardoso, publicada pela Civilização Brasileira.
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8 de setembro de 2018
EU LI: As Aventuras do Sr. Pickwick (Charles Dickens)
Oi gente!
Dá para rir um bocado com o Sr. Pickwick e seus amigos! No vídeo de hoje minhas impressões sobre a primeira obra de Dickens, publicada em 1836 nos folhetins de Londres.
Dá para rir um bocado com o Sr. Pickwick e seus amigos! No vídeo de hoje minhas impressões sobre a primeira obra de Dickens, publicada em 1836 nos folhetins de Londres.
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31 de julho de 2018
EU LI: "Um Apólogo" (Machado de Assis)
Oi gente!
Sou adepta do "tudo tem seu tempo" e acho que isso se aplica inclusive às leituras machadianas. Tive a oportunidade de conhecer uma obra de Machado de Assis na escola, mas diferente de poucos que conseguiram captar a essência da obra desde muito cedo e seguir acompanhando as leituras, eu não me interessei muito na época e só li mesmo por obrigação.
Há alguns anos, na faculdade de Letras precisei reler Dom Casmurro, e qual foi minha surpresa, me encantei com Machado! Passei a ler outros trabalhos do autor e continuo seguindo a conhecer seu legado de obras maravilhosas. Tardiamente, mas com maior bagagem literária e por isso aproveitando muito mais.
Devido a essa experiência pessoal, em meus trabalhos de divulgação literária apoio muito as adaptações de clássicos, para o público infantojuvenil, ilustradas, em quadrinhos e etc. A cada dia o mercado editorial vem trazendo tantas novidades bacanas e eu acho super válido! Certamente se eu tivesse lido uma adaptação na escola, não teria ficado afastada de Machado por tantos anos.
Por isso hoje quero mostrar essa edição, que não é bem um adaptação, mas uma versão ilustrada de "Um Apólogo", de Machado de Assis! Para quem não sabe o que é um apólogo, o dicionário define como um ensinamento moral em forma de fábula. Nesse apólogo de Machado, a linha e a agulha travam uma intrigante discussão para decidir qual das duas tem mais importância na costura de um vestido.
O que me chamou a atenção foram as possibilidades de interpretação, li por duas vezes e a segunda leitura me trouxe complementos de interpretação que não obtive na primeira. Essa é uma das mágicas da obra machadiana! O texto é curto, não dá para falar da história, se você não leu, recomendo!
Pelas fotos dá para ver que a edição é bem atrativa né? As ilustrações de Ana Raquel são belas e originais. Também faço menção à escritora Susam Blum Moura, que foi quem me indicou essa leitura valiosa. E caso você se interesse pela história mas não queira adquirir em edição impressa, com certeza encontrará versões gratuitas na internet. =)
Boa leitura!
25 de julho de 2018
EU LI: Dom Quixote de La Mancha
2018 será um ano literário marcado por essa leitura. O ano em que li Dom Quixote de La Mancha! \o/
Deixo aqui na postagem os dois vídeos sobre a obra. No vídeo 2 para deixar além das minhas impressões, outras leituras que agregaram (e muito!) minha experiência com esse clássico!
Só clicar nas fotos para assistir:
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20 de setembro de 2016
Eu li #84 - Rainha Vitória
Oi gente!
Hoje tem impressões de leitura mas lá no canal! Um vídeo que amei fazer, onde converso um pouquinho sobre a influência da Era Vitoriana nas obras literárias da época. E claro, das Irmãs Brontë, motivo pelo qual atrelei a leitura ao projeto. Vem conferir!
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Beijos!
14 de junho de 2016
Eu li #72 - O Livro da Selva
Oi gente!
Enfim! Enfim! Enfim! O vídeo do Mogli saiu! Hahaha! E minha animação não é para menos, porque eu me diverti muito, não só lendo esse clássico de Rudyard Kipling e fazendo o vídeo, como relembrando os gibis do Mogli que lia na década de 80, o desenho, o filme, até as contações de histórias para meus sobrinhos. Acha pouco? Então acompanhe também um depoimento do Richard Rasmussen, apresentador do programa Mundo Selvagem, contando para nós um pouquinho do seu amor pela natureza e pelos animais. Assista tudinho clicando aqui ou na foto abaixo.
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Beijos!
13 de junho de 2016
Segundica Literária #16 - Irmãs Brontë
Oi gente!
Hoje a Segundica comporta não só uma dica, mas um convite! No vídeo do Portão, onde falei sobre minhas aquisições de maio, introduzi um projeto pessoal que estava em pauta e fiquei muito feliz com a repercussão! Vendo a animação de várias amigas para me acompanhar nesse projeto, resolvi deixá-lo como Segundica também e veremos no que vai dar! Então, vamos ler Irmãs Brontë? =) \o/
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| Foto: huffingtonpost.co.uk |
Vou contextualizar um pouco, para quem não conhece a história da vida e obra dessas três irmãs talentosas e guerreiras (porque ser escritora mulher naquela época não era fácil!), depois falo sobre o projeto ok? Afinal, as obras das Brontë não só são considerados clássicos da literatura mundial como influenciaram outros escritores e diretores de teatro, cinema e televisão. As três irmãs conquistaram o sucesso no universo literário no século XIX, na Inglaterra, não sem superarem inúmeros obstáculos, como dificuldades financeiras e a perda da mãe, fato que repercutiu diretamente na qualidade da educação das moças. Além disso, para que suas obras fossem aceitas, elas precisaram lançar seus poemas e romances com pseudônimos masculinos. E finalmente, contrariando todas as expectativas, elas mostraram a que vieram e se tornaram mitos, produzindo obras lidas e admiradas até hoje.
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| Marie-France Pisier, Isabelle Adjani e Xavier Depraz, em produção cinematográfica de 1979 sob direção de André Téchiné. |
A mãe das Brontë faleceu em 1821 e logo depois, em 1825, as duas irmãs mais velhas, Maria e Elizabeth, também faleceram vítimas de tuberculose. Os quatro sobreviventes (Charlotte, Emily, Anne e o irmão Bradwell) foram morar com uma tia. Charlotte e Emily frequentaram a escola por um tempo, mas depois voltaram para a casa do pai e seu único aprendizado foi através dos livros do pai e jornais. Mais tarde as duas fundaram uma escola de meninas e aprenderam línguas. Enquanto Charlotte ensinava inglês, Emily ensinava música. O irmão Patrick Brandwell tornou-se alcóolatra e terminou adoecendo e falecendo. As três irmãs também tiveram uma vida relativamente curta, pois todas faleceram entre os 28 e 39 anos de idade, vítimas de tuberculose. Porém, sua vida curta não as impediu de deixar um legado literário para a humanidade. Vamos passar rapidamente pelas suas obras principais e as que usarei no projeto de leitura.
"Jane Eyre" foi escrito pela irmã mais velha, Charlotte Brontë e é mais extensa do que a das suas irmãs. Charlotte viveu uma experiência pessoal, tentando ser professora no exterior e inseriu essa experiência na composição da sua obra. Por isso considera-se que "Jane Eyre" possui alguns traços biográficos da autora. A protagonista da obra é uma orfã que, após muito sofrer em sua infância, precisa correr atrás do seu sustento. Para isso, trabalhou como professora e depois como governanta na casa do Sr. Rochester, o homem por quem se apaixonaria e viveria um amor proibido.
"O Morro dos Ventos Uivantes", única obra escrita pela irmã do meio, Emily Brontë, já trata-se de um livro mais frio e rude. Porém, é considerado único na literatura universal, sendo impossível compará-lo a outras obras. Um dos motivos são as características sombrias de seus personagens.
Apesar da obra "A Moradora de Wildfell Hall" ser citada por muitos como a obra mais importante da irmã caçula, Anne Brontë, eu escolhi outra que é muito citada também: "Agnes Grey". A obra contém uma protagonista similar à de Jane Eyre, a jovem Agnes, que também busca seu sustento trabalhando como enfermeira.
E é tudo que sei dessas obras das irmãs Brontë gente! Como não li nenhuma, me deleguei um projeto pessoal, que servirá não só para conhecer as obras, mas tentar com meu olhar de leitora, conhecer as particularidades da escrita de cada uma, para comentar depois. Já tem uma introdução do cronograma lá no Portão Literário. Então fica aqui o convite e sugestão de leitura! =)
Beijos!
2 de março de 2016
Dom Quixote de La Mancha em versão antiga!
Oi gente!
Hoje é a vez daquelas postagens que eu me empolgo para fazer! Quando alguma pessoa ou ocasião me proporciona o prazer de folhear uma obra literária rara. Foi o que aconteceu nesse caso. A amiga Luciana Yaros fez uma doação de livros para o projeto de leitura grátis. E foi a Sra. Doação! A Lu é formada em Letras e tinha vários livros utilizados na faculdade, a maioria clássicos! E no meio da caixa, eis que encontro essa raridade aí, uma versão da obra de Cervantes em dois volumes, publicada em 1955. Um achado hein? Tanto que solicitei a autorização para a Lu para doar esses dois volumes para minha professora de Linguística, que também ama livros e restaura essas raridades para compor sua biblioteca particular, que é aberta ao público e impecavelmente organizada. Após restaurar os livros que precisam de reparos ela cataloga as obras e as registra nelas o nome dos doadores. =)
Claro que antes de direcionar os livros eu precisava fotografar para mostrar a vocês! Vamos lá?
Eu tenho a maior vergonha em confessar que conheço a história de Dom Quixote mas ainda não li a obra integralmente. Está na lista de 2016 então logo teremos resenha por aqui. =)
Beijos!
23 de fevereiro de 2016
Eu li #48 - Madame Bovary
Oi gente!
Enfim, enfim, enfim. A tão pedida resenha de Madame Bovary! Como o encontro do Clube do Livro aconteceu no sábado e já comentamos sobre o livro das férias, agora posso registrar as minhas impressões por aqui. E olha só! Que livro polêmico!
Vamos por partes, porque sinceramente, não consigo dizer que gostei, mas também não consigo dizer que não gostei. Difícil! Acho que a melhor afirmação sobre meu sentimento é que foi uma leitura diferente e única! E só por isso, valeu a pena. Meu exemplar é uma edição pocket da L&PM, o que imagino ser um dos motivos da leitura arrastada. Mas ainda assim, eu tenho muito a contar sobre a leitura de janeiro que levou mais tempo para ser concluída (rs).
O autor da obra, Gustave Flaubert, nasceu na cidade de Rouen, na França, em 12 de dezembro de 1821 e faleceu em 8 de maio de 1880. Ele dedicou cinco anos para terminar seu romance de estreia, "Madame Bovary", escrevendo e reescrevendo as palavras até que soassem como queria, sempre muito preocupado com a forma de sua escrita. Seu processo criativo envolvia várias versões e uma incansável busca pela "palavra exata". Pudera, o resultado desse empenho é uma obra indicada como um dos melhores romances já escritos na história da literatura. Li depoimentos que afirmam serem problemas com as traduções que fazem a qualidade da obra se perder em muitos casos.
Gustave Flaubert é considerado um dos principais representantes do Realismo. Sua obra "Madame Bovary" contradiz com o romantismo, que era o estilo literário da época, e ao invés de uma história linda de heróis e heroínas com finais felizes, aponta uma visão realista da sociedade, através de uma dura crítica sobre os valores burgueses. O livro foi tão polêmico que Flaubert foi acusado pelo governo francês, por atentar contra a moral e os bons costumes, e criticar a burguesia e o clero. Quando os juízes lhe perguntaram no julgamento do caso, em 1856, quem teria sido o modelo da sua personagem, Flaubert respondeu: "Madame Bovary sou eu." Alguns críticos acreditam que realmente o autor ridicularizou no livro a sua própria condição social, já que era filho de um médico rico e viveu de rendas na propriedade do pai até a fase adulta. Seja como for, Gustave Flaubert foi absolvido em fevereiro de 1857 pela Corte do Tribunal do Sena, em Paris. E todo esse "bafafá" deu ao livro ainda mais visibilidade, óbvio desde que o mundo é mundo (rs). ^^
A história começa com a apresentação de Charles Bovary, ainda criança. Um garoto que cresce tímido, torna-se médico e se casa com uma mulher mais velha. Então ele conhece Emma, filha de um paciente, se apaixona e, como sua mulher falece pouco tempo depois, a toma como esposa. O casal passa a morar em uma cidade no interior da França.
Emma, a princípio empolgada com sua nova vida de casada, com o tempo passa a sentir-se infeliz. Na verdade ela foi criada em um convento e sonhava em viver um amor como aqueles dos romances que tanto lia. Ela viu no casamento com Charles essa oportunidade. Porém, ao mesmo tempo, era egoísta e ambiciosa, queria uma vida cheia de glamour e riquezas. Constantemente entrava em crises existenciais, até que Charles resolve se mudar. Mas ela não se contenta, deslumbra-se com o novo e logo se entedia. Até que seus desejos ficam mais ousados e Emma começa a se encantar por outros homens. Se apaixona, se decepciona, entra em depressão, se apaixona de novo, se decepciona, entra em depressão. Nesse ciclo infinito aí (rs).
Emma não consegue enxergar felicidade em nada real, sempre e somente em algo que ela projeta. Esse tédio da personagem vai muito além do seu insonso casamento. Porque ela é vaidosa, cheia de vontades, amante do luxo. De repente está exaltante, depois em terrível depressão. Dá a impressão que ela precisa do extremo para sentir-se viva. Nem mesmo o nascimento da sua filha a torna plena de amor. Muito pelo contrário, ela renega carinho e ignora a menina na maioria das situações. Suas traições começam a ser percebidas pelas pessoas, porque ela começa a perder a noção da realidade e procura emoções cada vez mais arrebatadoras. Não dá para descrever mais da história sem deixar spoleirs, só posso dizer que Emma Bovary certamente é uma personagem que desperta no leitor contradições de sentimentos. Ora estamos torcendo para que ela realize seus sonhos, ora nos irritamos com a vaidade excessiva e sua imaturidade. Mas é indiscutível na minha opinião o quanto Emma foi corajosa em lutar contra a submissão, tão imposta na mulher da época.
Entretanto, confesso que não tive paciência para compreendê-la em algumas situações. Talvez não tenha conseguido ler o livro totalmente com olhos no contexto da época. Mas teve um lado de Emma que me chamou a atenção. Todo seu comportamento foi decorrente de ela ter sido, no convento, uma leitora assídua. E nós leitores sabemos o que é sentir tédio de certas coisas do "mundo real", não é mesmo? Assim era Emma, ela se apegava a sensação de que a vida não poderia ser "só isso". E idealizava um outro caminho, não aquele que a sociedade a preparava para trilhar. Aí me irritava o fato de que ela não sabia a hora de colocar os pés no chão.
Mas logo após eu me perguntava: - E como? Se naquela época a mulher era praticamente empurrada para casar? Era dominada, subjugada e obrigada aos rótulos da sociedade, que não eram pouco exigentes? Emma vivia em um constante conflito entre seus sonhos e a realidade conservadora e burguesa em que vivia. Mas agiu sim em algumas situações, na minha opinião, com maldade, frieza e outros atributos nada simpáticos (rs). Percebem como é difícil chegar a uma opinião uniforme? O enredo e as ações da personagem nos levam a muitas reflexões.
"Madame Bovary" é um livro de poucos diálogos, outro motivo que fez minha leitura ser mais arrastada. A narração é em terceira pessoa e as cenas são descritas e, importante ressaltar, extremamente detalhadas, do ponto de vista dos personagens e não do narrador. Isso ajuda a perceber as analogias que Flaubert fez entre os personagens e características da época. Por exemplo, Charles é o conformismo em pessoa. Rodolphe (um dos amantes) era o retrato da decadência da nobreza. Já Homais, o farmacêutico, representava a ciência se sobrepondo à religião, que já estava em crise. E Emma, obviamente, um retrato fiel de uma sociedade em conflito, tentando encontrar um lugar, sem importar-se muito com a moral.
Uma das reflexões que a obra me deixou diz respeito ao conceito da felicidade. A eterna pergunta que não se cala: - O que faz você feliz? E porque, até hoje, é comum encontrarmos pessoas que só enxergam a felicidade em algo que não tem, ou pior, que nunca alcançarão? Mais de um século e meio depois da obra, as noções de consumismo e futilidades em prol da concepção de felicidade de muitos, são facilmente percebidas na escrita crítica de Flaubert.
Para mim, "Madame Bovary" foi uma leitura cansativa e em alguns trechos, chegou a ser deprimente, mas sem dúvida é uma obra incomparável pelo contexto e estilo de escrita. Não é à toa que trouxe um novo estilo literário e se tornou um dos grandes clássicos na história da literatura.
Beijos!
Gustave Flaubert é considerado um dos principais representantes do Realismo. Sua obra "Madame Bovary" contradiz com o romantismo, que era o estilo literário da época, e ao invés de uma história linda de heróis e heroínas com finais felizes, aponta uma visão realista da sociedade, através de uma dura crítica sobre os valores burgueses. O livro foi tão polêmico que Flaubert foi acusado pelo governo francês, por atentar contra a moral e os bons costumes, e criticar a burguesia e o clero. Quando os juízes lhe perguntaram no julgamento do caso, em 1856, quem teria sido o modelo da sua personagem, Flaubert respondeu: "Madame Bovary sou eu." Alguns críticos acreditam que realmente o autor ridicularizou no livro a sua própria condição social, já que era filho de um médico rico e viveu de rendas na propriedade do pai até a fase adulta. Seja como for, Gustave Flaubert foi absolvido em fevereiro de 1857 pela Corte do Tribunal do Sena, em Paris. E todo esse "bafafá" deu ao livro ainda mais visibilidade, óbvio desde que o mundo é mundo (rs). ^^
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| Illustrations de A. Fourié, gravées à l'eau-forte par E. Abot et D. Mordant, Paris, A. Quantin, 1885. |
A história começa com a apresentação de Charles Bovary, ainda criança. Um garoto que cresce tímido, torna-se médico e se casa com uma mulher mais velha. Então ele conhece Emma, filha de um paciente, se apaixona e, como sua mulher falece pouco tempo depois, a toma como esposa. O casal passa a morar em uma cidade no interior da França.
Emma, a princípio empolgada com sua nova vida de casada, com o tempo passa a sentir-se infeliz. Na verdade ela foi criada em um convento e sonhava em viver um amor como aqueles dos romances que tanto lia. Ela viu no casamento com Charles essa oportunidade. Porém, ao mesmo tempo, era egoísta e ambiciosa, queria uma vida cheia de glamour e riquezas. Constantemente entrava em crises existenciais, até que Charles resolve se mudar. Mas ela não se contenta, deslumbra-se com o novo e logo se entedia. Até que seus desejos ficam mais ousados e Emma começa a se encantar por outros homens. Se apaixona, se decepciona, entra em depressão, se apaixona de novo, se decepciona, entra em depressão. Nesse ciclo infinito aí (rs).
Emma não consegue enxergar felicidade em nada real, sempre e somente em algo que ela projeta. Esse tédio da personagem vai muito além do seu insonso casamento. Porque ela é vaidosa, cheia de vontades, amante do luxo. De repente está exaltante, depois em terrível depressão. Dá a impressão que ela precisa do extremo para sentir-se viva. Nem mesmo o nascimento da sua filha a torna plena de amor. Muito pelo contrário, ela renega carinho e ignora a menina na maioria das situações. Suas traições começam a ser percebidas pelas pessoas, porque ela começa a perder a noção da realidade e procura emoções cada vez mais arrebatadoras. Não dá para descrever mais da história sem deixar spoleirs, só posso dizer que Emma Bovary certamente é uma personagem que desperta no leitor contradições de sentimentos. Ora estamos torcendo para que ela realize seus sonhos, ora nos irritamos com a vaidade excessiva e sua imaturidade. Mas é indiscutível na minha opinião o quanto Emma foi corajosa em lutar contra a submissão, tão imposta na mulher da época.
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| Algumas das capas da obra e pintura de Jean Honoré Fragonard. |
Entretanto, confesso que não tive paciência para compreendê-la em algumas situações. Talvez não tenha conseguido ler o livro totalmente com olhos no contexto da época. Mas teve um lado de Emma que me chamou a atenção. Todo seu comportamento foi decorrente de ela ter sido, no convento, uma leitora assídua. E nós leitores sabemos o que é sentir tédio de certas coisas do "mundo real", não é mesmo? Assim era Emma, ela se apegava a sensação de que a vida não poderia ser "só isso". E idealizava um outro caminho, não aquele que a sociedade a preparava para trilhar. Aí me irritava o fato de que ela não sabia a hora de colocar os pés no chão.
Mas logo após eu me perguntava: - E como? Se naquela época a mulher era praticamente empurrada para casar? Era dominada, subjugada e obrigada aos rótulos da sociedade, que não eram pouco exigentes? Emma vivia em um constante conflito entre seus sonhos e a realidade conservadora e burguesa em que vivia. Mas agiu sim em algumas situações, na minha opinião, com maldade, frieza e outros atributos nada simpáticos (rs). Percebem como é difícil chegar a uma opinião uniforme? O enredo e as ações da personagem nos levam a muitas reflexões.
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| Illustrations de A. Fourié, gravées à l'eau-forte par E. Abot et D. Mordant, Paris, A. Quantin, 1885. |
Uma das reflexões que a obra me deixou diz respeito ao conceito da felicidade. A eterna pergunta que não se cala: - O que faz você feliz? E porque, até hoje, é comum encontrarmos pessoas que só enxergam a felicidade em algo que não tem, ou pior, que nunca alcançarão? Mais de um século e meio depois da obra, as noções de consumismo e futilidades em prol da concepção de felicidade de muitos, são facilmente percebidas na escrita crítica de Flaubert.
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| Mia Wasikowska interpretando Emma Bovary, na mais atual versão cinematográfica da obra, de 2015. |
Beijos!
17 de fevereiro de 2016
Eu li #47 - O Velho e o Mar
Oi gente!
Seguindo firme na proposta de conhecer escritores que ganharam o Nobel de Literatura, há algum tempo queria ler Heminway, até que no mês passado a amiga Lu Yaros deixou lá em casa uma caixa de livros para doação. E no meio deles, uma edição de "O Velho e o Mar"! É uma edição antiga, da Editora Civilização Brasileira, com uma apresentação do editor Ênio Silveira, que já de cara o classifica como uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Já adianto. Não é para menos.
Claro que lá fui eu intercalá-lo entre minhas leituras. Devorei o livro em duas horas, em uma de minhas leituras noturnas. E não acredito que alguém largue esse livro depois de ler as primeiras páginas gente. A leitura flui muito rapidamente. Na minha edição, foram aproximadamente 120 páginas, com letras grandes e ilustrações, de um romance curto e sem muitas tramas. Mas a escrita de Heminway prende a gente de um jeito que só experimentando para saber. Suas palavras tem o dom de despertar sentimentos profundos em nós.
"O Velho e o Mar" foi indicado para o Nobel de Literatura no ano de 1954 e é uma das obras mais famosas de Ernest Heminway. Foi publicado em 1952 e até hoje as opiniões sobre ele se dividem. Foi a última obra de ficção de Heminway publicada em vida e permanece como referência aos seus livros.
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| Ilustração de "O Velho e o Mar" |
O livro conta a história de um velho pescador, o Santiago. Ele se encontra em uma "maré de azar", como as pessoas de seu vilarejo denominam. Há 84 dias sem pescar absolutamente nada. E de todas as pessoas, apenas um único amigo o incentiva a não desistir. Manolim, um garoto que era seu aprendiz, mas cujos pais o probiram de o acompanhar ao mar, é quem fica ao seu lado, o ajudando na humilde rotina de pescador, solitária, sem ter o que comer e dormindo em jornais.
No 85º. dia, Santiago vai ao mar novamente em busca de uma esperança. E encontra nada mais do que um espadarte gigante, tão grande que ele mesmo nunca tinha visto. Aí começa a saga do velho no mar, sua batalha contra o peixe, que é forte o bastante para levá-lo ao alto mar por vários dias. Será que o velho resistirá? Nessa hora percebemos que a batalha não será só contra o peixe. Por trás da luta entre o homem e a natureza, também existe uma batalha contra si mesmo.
A história é narrada em terceira pessoa e gira em torno dessa situação. A escrita da obra é bem direta. E ao mesmo tempo, mostra muita expressão. A escrita é dura, mas a mensagem é perfeita. O livro não trata só da história de um pescador, abrange metáforas referentes ao orgulho, esperança, perseverança. Quando o velho Santiago se agarra àquele peixe, fica claro que a batalha só terminará com a morte de um dos dois. E nesse meio tempo, quanta história em tão pouca escrita! Eu viajei com Heminway e me senti lá, em alto mar, junto com Santiago, sofrendo e me alegrando com ele.
A obra já tem duas versões cinematográficas, uma de 1958 e outra de 2000, que ganhou o Oscar. Não conheço nenhuma, mas estou curiosa. Ainda assim, recomendo o livro antes, é uma leitura única na vida. Heminway é brilhante! O livro me empolgou demais. Na minha opinião, "O Velho e o Mar' é uma leitura obrigatória. Não tem grandes reviravoltas na trama, mas é tocante no que se refere a mensagens de auto-conhecimento, desafios, superação, entre outros.
"O Velho e o Mar"trata de muitos temas universais que geram reflexão, então acredito que a excelência dessa obra de Heminway é justamente deixar um tom pessoal para cada leitor. Acho que cada um que ler o livro, absorverá de uma forma mais intensa um pedacinho da história. Não se trata apenas da história do pescador, mas do que se absorve dela.
Sendo assim, o exemplar agora volta para a caixa de doações para outro leitor felizardo. =)
Beijos!
Sendo assim, o exemplar agora volta para a caixa de doações para outro leitor felizardo. =)
Beijos!
11 de janeiro de 2016
Eu li #41 - Mansfield Park
Oi gente!
Hoje vou falar de outra obra de Jane Austen, cuja leitura terminei em dezembro e estava inclusa nas metas de leitura do grupo Heroínas de Jane Austen, que faço parte junto com outras amigas fãs da autora. E ainda que sejamos fãs de Austen e suas obras, confesso que iniciar até mesmo a releitura de um de seus livros é sempre uma expectativa. Nesse caso, a minha duplicou pois Mansfield Park era uma das histórias que eu ainda não conhecia. Escolhi essa linda edição da Penguin. O número de páginas assusta um pouco, 608! Mas para quem gosta de Austen, a leitura flui que é uma beleza!
Mansfield Park é a terceira das seis obras publicadas de Jane Austen. O livro nos conta a história de Fanny Price, filha de pais humildes e com muitos filhos, que foi acolhida generosamente na casa de seus tios, Lady Bertram e Sir Thomas Bertram, quando tinha dez anos. Embora criada em um ambiente familiar e finos costumes, junto aos filhos do casal (Maria, Julia, Tom e Edmund) nunca a deixam esquecer do favor que lhe fazem e o quanto custa financeiramente para mantê-la na casa.
Apesar de ser tratada com indiferença pela maioria dos familiares, Fanny se esforça para agradar a todos. Diferencia-se pelo seu comportamento reservado e, enquanto Tom, o filho mais velho, esbanja o dinheiro dos pais, e as irmãs Maria e Julia empolgam-se com futilidades, nutre um grande carinho por seu primo Edmund, que sempre zelou por ela de maneira especial. O comportamento cuidadoso e ajuizado de Edmund, tranforma o sentimento de Fanny com o passar dos anos em um grande amor.
A partir daí, grande parte dos eventos da história giram em torno da chegada dos Irmãos Crawford, que tornam-se vizinhos dos Bertram. Então começam as "paixonites", sonhos e desilusões à moda Austeniana (rs). E em Mansfield Park, Jane Austen não economiza ênfase nos defeitos de seus personagens, expondo sem dó a arrogância, o desprezo, a irresponsabilidade, a inveja, a futilidade, a insegurança, entre outros, construídos em cima de contrastes de personalidades. Mais uma vez, Austen cria personagens queridos, mas também alguns bem detestáveis.
Procurei uma versão cinematográfica da obra e encontrei "O palácio das ilusões", filmado em 1999 e dirigido por Patricia Rozema. Não é fiel à obra pois Fanny no filme é uma mistura da personagem com a autora (ela é destacada no filme por seu dom da escrita), mas completa a leitura pelo requinte de detalhes e costumes da época.
A atriz Frances O'Connor consegue representar muito bem a personalidade de Fanny, que na minha opinião, é sem graça e irritante em alguns momentos. E aí começa minha crítica ao livro que menos gostei até agora. Achei Mansfield Park uma boa história e claro que recomendo a todos os fãs de Jane Austen e de romances de época. Porém, não me senti tão envolvida como nos anteriores, "Razão e Sensibilidade" e "Orgulho e Preconceito". Primeiro, pelo fato de que achei Fanny muito apagada para uma protagonista. E também porque em alguns momentos, a trama me deixou confusa, diante de tantas desconfianças de uns com relação ao caráter de outros, um exagero de suposições.
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| Jonny Lee Miller e Embeth Davidtz, interpretando respectivamente, Edmund Bertram e Mary Crawford. |
Em se falando de Jane Austen, minha humilde opinião de leitora não conta tanto, porque Mansfield Park foi apontado pelos críticos como a obra mais complexa de Jane Austen. E concordo nesse ponto, pelo enorme número de personagens que no começo da história até escondem a protagonista, pela pegada ideológica e moralista e pela sempre lindíssima escrita de Jane Austen.
Mas enfim, preciso ser sincera e dizer que "Mansfield Park" não será meu preferido. Apesar de toda essa complexidade e da narrativa onisciente que consegue nos adentrar nos pensamentos de Fanny, sua personalidade exageradamente introspectiva e vulnerável decididamente não me conquistou. Mas recomendo a leitura sim! Porque me encantei igualmente com os diálogos e ambientes que nada deixaram a desejar comparado aos outros livros da autora que li.
Beijos!
8 de janeiro de 2016
Eu li #40 - Por que ler os clássicos
Oi gente!
Hoje eu trago a primeira resenha do ano! Eba! As leituras estão a todo vapor na verdade, o novo canal literário às vésperas de estrear e continuo empenhada na finalização do meu novo livro. Então achei muito pertinente iniciar as resenhas do ano com Ítalo Calvino e sua obra "Por que ler os clássicos". Esse livro foi indicado pela minha professora de literatura no ano passado, mas não conseguia encontrar e acabou que iniciei a leitura no final do ano e terminei agora. De certa forma, eu me encantei tanto com os clássicos que li para a faculdade que nem precisava ler esse para me convencer, mas valeu muito a pena, para quem deseja se aprofundar em literatura super indico!
O meu exemplar foi publicado em 2007 pela Editora Companhia de Bolso. Além do livro, foi também nas aulas de literatura e linguística que conheci a história do autor. Ítalo Calvino foi um dos mais importantes escritores italianos do século XX. Nasceu em Cuba mas sua família retornou à Itália logo após o seu nascimento. Formou-se em Letras e além de suas produções literárias, deixou um imenso legado para a literatura mundial, em termos de diversidade em estilo e inovação nos caminhos literários. E é ele que tenta nos convencer da importância dos clássicos que, segundo ele mesmo, "servem para entender quem somos e aonde chegamos". Profundo.
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| Ítalo Calvino (1923 - 1985) |
E porque ele afirma isso? Eu entendi seu ponto de vista lendo alguns clássicos em 2014 e, confesso, minha visão literária mudou completamente! Uma das coisas que o autor aponta é a diferença de uma experiência de leitura enquanto nós leitores jovens e quando maduros. Bom, eu reli em minha vida alguns livros que nem eram clássicos e já senti diferença fazendo uma releitura após alguns anos. Imagine os clássicos que são atemporais! Com certeza algo que já tem conteúdo acrescentará muito mais após adicionarmos novas experiências e diferentes reflexões em nossa vida. Outra definição bem conhecida sobre os livros clássicos: É aquele livro sobre o qual você normalmente escuta as pessoas dizendo "estou relendo", e não "estou lendo". =)
A obra "Por que ler os clássicos" é dividida em duas partes. A primeira tem explicações e conceitualizações do autor, como o exemplo que citei acima. E na segunda ele aborda obras e autores famosos, com resenhas de vários clássicos da literatura. Nomes como Voltaire e Ernest Hemingway e títulos como Madame Bovary e Moby Dick são alguns exemplos. Aqui embaixo uma parte da resenha de "Robinson Crusoe", o romance de Daniel Defoe que marcou época e obviamente, tornou-se um dos maiores clássicos da literatura, até hoje sucesso com leitores de todas as idades.
Outro argumento interessante abordado pelo autor e algo que também comprovei em minhas aventuras pelos clássicos nas leituras do ano passado, é a bagagem que eles carregam com relação ao contexto histórico e costumes da época/local em que foram escritos. Não só absorvemos o enredo, mas aprendemos muito, principalmente quando pesquisamos a fundo algumas particularidades e a história do escritor. Achei que os clássicos sempre surpreendem de alguma forma, independente do tema. Mas também acredito que tudo a seu tempo, livros clássicos devem ser lidos com vontade e não por obrigação. Eu comecei a ler porque quis e hoje vejo uma evolução imensa em meu gosto literário.
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| Quem também tem o costume de guardar flores e folhas dentro dos livros? |
Mas nem por isso me afastei das obras contemporâneas! Aliás, Ítalo Calvino também aborda a importância de intercalar as leituras (clássicos e contemporâneos) para que o leitor não se perca em uma "nuvem atemporal". Até porque, eu como escritora não posso desvalorizar as obras contemporâneas né? Mas que Calvino tem razão quando disse que "ler os clássicos é melhor do que não ler os clássicos", ele sabia das coisas!
No final das contas, "Por que ler os clássicos" é basicamente um compilado de textos do autor. Não é didático como eu pensei, nem fornece respostas prontas. Melhor do que isso, o livro instiga, argumenta, motiva, abre um leque de possibilidades literárias. Para o leitor que busca isso, é perfeito!
Beijos!
17 de dezembro de 2015
Jane Austen Day 2015! #postagem coletiva
Oi gente!
Essa postagem deveria acontecer ontem, mas devido a alguns imprevistos não consegui soltar. Mas antes tarde do que nunca né? Ontem foi aniversário da nossa querida escritora Jane Austen! Sim, ela nasceu em 16 de dezembro de 1775, na Inglaterra e é lembrada até hoje como um dos maiores nomes da literatura inglesa. Sou muito fã dela e de suas obras!!
É claro que a data merecia uma postagem especial. Então aceitamos o convite da amiga Pati Dias e com as demais amigas do Heroínas, embarcamos no mundo austiniano e destacamos um personagem para comentar. E a mim foi sorteada a Jane Bennet, da obra Orgulho e Preconceito!
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| Meu acervo Jane Austen - Algumas obras e livros e filmes inspirados nelas. |
É claro que a data merecia uma postagem especial. Então aceitamos o convite da amiga Pati Dias e com as demais amigas do Heroínas, embarcamos no mundo austiniano e destacamos um personagem para comentar. E a mim foi sorteada a Jane Bennet, da obra Orgulho e Preconceito!
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| Rosamund Pike interpretando Jane Bennet na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006. |
Jane Bennet é a mais velha e a mais bonita das irmãs Bennet. E, ao contrário de sua irmã Lizzie Bennet (a protagonista do livro), ela é calma, ponderada, atenciosa e gentil. Ela aparece no início do livro, quando a Sra. Bennet informa ao marido que Charles Bingley, um jovem rico e bonito, está chegando para passar alguns dias em sua casa de campo. Esse jovem será o objeto de consumo de Jane, que apaixona-se à primeira vista, mas principalmente da interesseira mãe dela, que a fez aceitar um convite da irmã do pretendente para jantar em sua casa, planejando um banho de chuva e um belo resfriado para ela, assim ficaria hospedada alguns dias por lá. Pode? Hahaha!
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| Keira Knightley interpretando Lizzie, a irmã de Jane na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006. |
Podemos dizer que o plano deu certo, porque Jane e Bingley se tornaram ainda mais ligados em sentimento do que antes. Mas depois de um plano ardiloso da irmã dele (sim, a mesma que a convidou para jantar - mulheres! rs), decepciona-se e tenta esquecê-lo. Mas são tantos desenrolares (Jane Austen sendo Jane Austen!!) que no final, obviamente, tudo dá certo. Como não é a protagonista da história, até some em algumas partes do livro, para depois aparecer como portadora de alguma notícia. Mesmo de maneira secundário, Jane é envolvida em alguns trechos decicivos para o desfecho do livro, como o caso da fuga da irmã Lydia.
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| Simon Woods interpretando o Sr. Bingley na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006. |
Posso descrever Jane como uma "moça doce". Ela fala mansamente e é adorável em qualquer situação. Seu mundo é cor-de-rosa e ela sempre vê o melhor em tudo e em todos. Por ser (ou demonstrar-se) tão submissa e compreensiva, ela é considerada a mulher perfeita para a sociedade da época. No fundo, ela é tão sensível quanto Lizzie, mas não corajosa a ponto de defender-se e impor seu ponto de vista. Apenas no final do livro é que ela desperta um pouco e reconhece que nem sempre determinadas pessoas agem por motivos nobres.
A obra é uma das preferidas dos fãs, o romance da irmã de Jane (Lizzie) com o Sr. Darcy é um dos mais comentados da literatura. Mas Jane Bennet, apesar de sua doçura e beleza, não se destaca. Não seria diferente, como personagem coadjuvante. Eu particularmente não me identifico em nada, acho ela "certinha" demais...rs. Mas admiro seu sentimento pelo Sr. Bingley, que embora a tenha decepcionado no início por artimanhas de terceiros, não se apagou com o tempo, permitindo a ela um final feliz. =)
Beijos!
Beijos!
3 de dezembro de 2015
Eu li #36 - Contos de Machado de Assis
Oi gente!
E minha saga Machadiana continua! Não vou descansar enquanto não gostar um pouquinho de Machado, é uma questão de honra! Hahaha! De um lado, os amigos que amam. Do outro, os demais vem em minha defesa dizendo que só o fato de eu amar Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Jane Austen, Andersen, Marion Z. Bradley, Kafka, Tolkien (só alguns exemplos) e não gostar de Machado não quer dizer que meu gosto literário é ruim. Obviamente, não penso nisso. Aliás, gosto literário não se discute, em primeiro lugar! Leitura é um prazer e cada um lê o que gosta! Mas como estou na fase dos clássicos, sinto-me incompleta sem Machado de Assis, se é que me entendem (rs).
Mas hoje trago uma boa notícia! Seguindo conselho das amigas resolvi comprar um livro de contos (porque até então só tinha tentado Dom Casmurro por três vezes). Escolhi uma edição bem linda da Melhoramentos, com 14 contos e com gravuras (estratégia!!). E não é que deu certo? Bom, não que eu tenha gostado assim com muito amor (rs), como elas previram. Mas sim, gostei do estilo da escrita, me surpreendeu, me divertiu, me apavorou. Identifiquei a tão comentada pluralidade dos temas que ele abordou em sua carreira.
Preciso destacar que essa edição é muito caprichada, tem ilustrações bacanas que ajudam a leitura a fluir melhor. Esteticamente é linda, porém dois pontos negativos. As páginas com fundo preto (nem todas são) me complicaram a leitura e não sei se é da edição ou do meu exemplar, algumas páginas soltaram no meio da leitura, mas nada que uma colinha não resolva.
Os contos de Machado também são encontrados em edições individuais, encontrei muitas capas antigas e inclusive, uma série de HQs de Literatura Brasileira, lançada pela Escala Educacional, que contém alguns contos que li também. Achei uma proposta bem bacana para incentivar os jovens.
O Alienista: Dr. Simão Bacamarte dedica-se ao estudo da neurologia e investiga a sanidade humana. Cria a Casa Verde para abrigar os loucos da região e estudá-los. Mas com o tempo, acha qualquer motivo para internar as pessoas, para depois liberar todos e rever sua teoria. Isso causa algumas viradas surpreendentes e um final esquisito. Mas achei fantástico! Como Machado consegue, com tanta perfeição, descrever sarcasticamente o comportamento das pessoas e ironizar o modo como os estudiosos tentavam "entender" a loucura? Afinal, o que separa a loucura da normalidade? =)
Os contos de Machado também são encontrados em edições individuais, encontrei muitas capas antigas e inclusive, uma série de HQs de Literatura Brasileira, lançada pela Escala Educacional, que contém alguns contos que li também. Achei uma proposta bem bacana para incentivar os jovens.
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| Algumas capas dos contos de Machado de Assis. |
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| Contos de Machado de Assis em quadrinhos, lançado pela Escala Educacional. |
Bom, voltando para a resenha do livro, os contos que mais gostei em ordem de preferência:
O Alienista: Dr. Simão Bacamarte dedica-se ao estudo da neurologia e investiga a sanidade humana. Cria a Casa Verde para abrigar os loucos da região e estudá-los. Mas com o tempo, acha qualquer motivo para internar as pessoas, para depois liberar todos e rever sua teoria. Isso causa algumas viradas surpreendentes e um final esquisito. Mas achei fantástico! Como Machado consegue, com tanta perfeição, descrever sarcasticamente o comportamento das pessoas e ironizar o modo como os estudiosos tentavam "entender" a loucura? Afinal, o que separa a loucura da normalidade? =)
O Espelho: Debates metafísicos e filosóficos. Só aí já resume porque gostei! Basicamente cinco amigos falando no assunto, quando o mais calado resolve contar sua história para embasar a opinião de que todos tem duas almas. Achei um suspense bem intrigante e me senti dentro do conto.
A Cartomante: Um triângulo amoroso, composto de dois amigos e a esposa de um deles, é permeado por inseguranças. Com um ar de mistério e magia, Machado nos envolve com as pessoas e nos deixa uma grande lição sobre traição e sobre "acreditar em tudo que ouve". Achei um dos contos mais fluidos e cativantes do livro.
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| Ilustração do conto "A Cartomante" da edição da Melhoramentos. |
A Sereníssima República: Que máximo! Imagine um homem descobrindo uma sociedade de aranhas falantes, que se comunicam acerca de decidir quem ficará com o poder na nova República. Claro que esse conto é uma crítica muito bem elaborada de Machado para criticar os métodos de poder, processo eleitoral e corrupções.
Conto Alexandrino: O último conto do livro e também um dos meus preferidos. Dois filósofos na antiga Alexandria, Stroibus e Pítias, acreditam que a essência humana encontra-se nos animais e estão dispostos a provar sua teoria com ratos. Achei fantástica uma de suas afirmações, de que "os bichos eram palavras soltas e o ser humano era a sintaxe". Olha só, Machado citando linguística em seus contos! Achei a trama bem legal, o final surpreendente e percebi a ironia com a ciência e seus métodos toscos em busca das verdades universais. Muito bom!
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| Ilustração do conto "Conto Alexandrino" da edição da Melhoramentos. |
Além dos citados, também gostei muito de "Noite de Almirante", "Uns braços" e "Um homem célebre". Foram poucos os que não consegui entender o sentido ou não gostei da trama. Só posso dizer que o livro foi uma excelente experiência para conhecer melhor o estilo de Machado de Assis, que ao menos com seus contos, conseguiu diminuir a "aversão" que eu sentia...rs. Agora quero tentar outro título dele, mas vamos dar um tempinho né? Hahaha!
Beijos!
Beijos!
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