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8 de abril de 2021

Uma viagem à Índia (Gonçalo M. Tavares)

Oi gente!

Hoje encerro as postagens das aulas da matéria do mestrado. Fecho com chave de ouro, comentando um pouco sobre o livro que tive o prazer de escolher como meu tema de apresentação e que me trouxe uma gratificante experiência de análise e leitura: "Uma Viagem à Índia", de Gonçalo M. Tavares.


Falando um pouco do autor, Tavares nasceu em 1970 em Angola, já foi premiado e seus livros foram traduzidos para vários idiomas. Um de seus livros mais renomados, "Uma Viagem à Índia" trata-se de um romance escrito de forma epopeica, dividido em dez cantos, sendo que cada um divide-se em estrofes, que também podem ser lidas de forma aleatória e separada. Sim, é uma experiência incrível!

O livro conta-nos a história de Bloom que após uma série de acontecimentos trágicos que serão contados durante o decorrer da ação, decide partir de Portugal para a Índia, pensando em adquirir sabedoria e libertar-se do passado. Bloom acredita que é impossível viajar à Índia sem passar por diversos lugares antes de alcança-la. Para ele, a Índia não é uma mera localização geográfica, mas sim um estado de espírito.

O livro faz um paralelo com "Os Lusíadas" de Luis Vaz de Camões e também com "Ulisses" de James Joyce, onde ele vai buscar o nome do personagem. Mas apesar das referências, é uma obra original e muito bem escrita. Bloom tem sua inspiração maior em "Ulisses", de James Joyce, porém ao invés de concentrar a sua "odisséia" em um só dia, a faz durar meses, se metendo em confusões e encrencas.

Este Bloom de Tavares, que vive em 2003, parte e volta sozinha de sua viagem física e mental. Ele viaja para esquecer o passado e viver o presente sem laços. Ao fazer o personagem demorar-se em cada paragem, nunca revelando pressa, Tavares manifesta a sua posição em relação ao excesso de velocidade a que opera o mundo no século XXI. Excesso este responsável pelo tédio nas sociedades dos dias de hoje. No presente ambiente de excesso de consumismo (senso) e de experiências instantâneas, o homem procura constantemente novas sensações, viajando entre emoções na esperança de se sentir alguma espécie de felicidade, ainda que transitória e passageira.

O maravilhoso do livro não é a história, mas sim o personagem e sua caminhada. Bloom não é um herói, é um ser humano como todos nós, com mágoas e alegrias do passado, buscando respostas para construir um futuro melhor. Nesse caso o caminho físico nada mais é do que um deslocamento interno pelo sentimento de culpa, tédio, fuga e busca da sabedoria. Imaginação não é distante da realidade. Quem imagina também parte de elementos do mundo.

Em "Uma viagem à Índia", Bloom também se entrega a essas alegrias passageiras para escapar ao tédio que o domina durante a viagem, particularmente no seu regresso da Índia, depois de descobrir, ou melhor, depois de confirmar que tudo o que acreditou ser aquele país mágico e místico não passava de uma mentira.

A viagem termina precisamente com aquilo que fez com o que protagonista iniciasse a sua fuga - um assassinato, que significa que nada deu resultado, tudo voltou ao mesmo, à semelhança do que aconteceu com o tédio, a indiferença. "Chega à Lisboa, nenhum ódio o recebe e nenhum amor". Mas essa libertação temporária que sentiu não dura muito, dando lugar ao pânico e ao medo que o levam a regressar, agora com pressa, à Lisboa, onde apenas encontra o vazio.

O final da aventura de Bloom é melancólico e nele se revelam finalmente, de forma bastante intensa e profunda, todo o desencanto e todo o tédio que o acompanham ao longo de seu percurso. Uma mensagem de que preocupamo-nos muito com o que é a vida, com a busca da felicidade, com grandes acontecimentos, e acabamos paralisados de tanto pensar, não percebendo que a cada dia a vida passa, e somos nós que não damos peso ao que nos acontece.

Garanto a você que a leitura da apopéia de Bloom marcará para sempre sua experiência como leitor!

Boa leitura!

20 de março de 2021

O Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)

Oi gente!

Vamos hoje comentar sobre mais uma das aulas da matéria do mestrado que fiz em 2017. Uma das mais complexas, daquelas que fazem surgir assunto para um mestrado inteiro. Falamos sobre o "Livro do Desassossego", uma das mais belas e importantes obras do poeta português Fernando Pessoa, que aparece no livro sob o heterônimo de Bernardo Soares, um ajudante de guarda-livros que mora em Lisboa.


"Livro do Desassossego" começou a ser escrito em 1913 e foi publicado em 1929. Inicialmente foi escrito com o heterônimo de Vicente Guedes para depois Pessoa decidir por Bernardo Soares. Segundo ele, é um fragmento dele mesmo. A obra foi escrita em cartas sem nenhum tipo de norma ou organização. Uma das complicações do livro é que é impossível desmembrar ou estudar um parágrafo isolado, pois Bernardo Soares escreve em um nível de autoanálise que resulta em "estou em um estado triste", já abaixo da minha consciência.

A obra é permeada por temas como metafísica e história, mas também retrata a condição humana, as angústias do ser e o tédio como uma sensação de inutilidade. Em meio à prosa poética, se destacam novos rumos de pensamento e reflexões, trazendo ao leitor uma identificação com as dores e confissões expostas. Uma frase do prólogo diz que: "A palavra desassossego refere-se não tanto a uma perturbação existencial no homem como à inquietação e incerteza inerentes em tudo e agora destiladas no narrador retórico. Mas a força dum outro desassossego - mais íntimo e profundo - impõe-se pouco a pouco, e o livro assume dimensões inesperadas". Diz-se que a obra contém uma espécie de biografia do autor, contendo todo o essencial da sua diversidade heteronímica. Bernardo Soares mistura objetividade e subjetividade, quando declara que "o universo não é meu: sou eu".

Fernando Pessoa, em toda a sua obra, refugiou-se em personalidades inventadas. Há muitos estudos envolvendo esse tema e muitas explicações já registradas. Assim como todos nós, o autor muda durante a vida, sua realidade não é imutável, e suas obras acompanham esses ciclos através de seus heterônimos. Seria como se o autor se metamorfoseasse em vários livros e diferentes autores. A todo momento do livro em que novas sensações e reflexões afloram, os pensamentos tomam um novo rumo. Dizem que "O Livro do Desassossego" é um livro interminável, uma leitura que deve ser feita sem pressa e sem ordem, para uma melhor experiência e percepção da inquietação que o autor pretendeu passar ao leitor.

Em "Pensamento e Imaginação", por exemplo, de Alberto Caiero, o próprio Pessoa conta sobre sua "pequena humanidade imaginária", mas em nenhum momento menciona o termo "imaginação". Caiero é considerado o mestre dos heterônimos de Pessoa, pois é ele quem revela a "realidade", que de certa forma é sentida. Álvaro de Campos diz que o mestre Caiero foi o poeta mais sincero do mundo. A forma dele escrever é uma forma livre, não segue modelos.

Já "Poemas Inconjuntos" foi escrito em forma de diário durante a evolução da doença que o matou. Alberto Caiero morreu em 1915, deixando o diário para Ricardo Reis publicar postumamente. Questiona-se o motivo do pensamento ser um problema para Caiero e a resposta está em que cada pensamento gera uma realidade e as pessoas não aceitam a realidade do outro. Caiero abomina crenças e esperanças. Nesse momento, é interessante pensar na relação paradoxal entre a personagem Madame Bovary de Flaubert e as afirmações de Caiero sobre sentir em primeiro lugar sem racionalizar. Pois ao racionalizar você perde a capacidade de sentir o mundo, como o fez Bovary.

Ainda que analisando outras obras de Pessoa, percebemos que a prosa poética do "Livro do Desassossego" demonstra, para além da invenção dos nomes e biografias, que essa diversidade é um movimento próprio da escrita de Pessoa, que permeia toda a sua obra. 

"Porque eu não sou nada, eu posso imaginar-me a ser qualquer coisa".

Boa leitura!

26 de março de 2019

O Vento da Noite (Emily Brontë) | Portão Literário

Poesia é o tema do vídeo de hoje! Mas não qualquer poesia, as poesias de Emily Brontë! Grande escritora do século XIX, que nos deixou, além da obra incomparável "O Morro dos Ventos Uivantes", um legado de poesias que mostravam muito da sua personalidade. Confiram no vídeo a tão elogiada tradução de Lúcio Cardoso, publicada pela Civilização Brasileira.

Clique para assistir

8 de agosto de 2016

Segundica Literária #18 - Eventos culturais (Literarte em Curitiba)

Oi gente!

É com a maior alegria do mundo que hoje posto essa Segundica Literária! Porque ela reforça minha opinião de que os eventos culturais são uma das melhores apostas para aproximar pessoas. Seja pela arte, pela música ou pela literatura, os encontros são sempre prazerosos, divulgam nosso trabalho e nos presenteiam com pessoas que, muitas vezes, ficam para sempre! Vamos comprovar?

Na última Segundica eu deixei aqui uma postagem que escrevi para o site do escritor, indicando alguns locais em Curitiba para quem curte literatura, pois recebi a notícia de que receberia uma homenagem da Literarte - Associação Internacional de Escritores e Artistas, que estaria fazendo seu evento de premiação anual por aqui e traria consigo escritores e artistas de várias partes do país. E assim foi. O evento aconteceu nesse último final de semana e só tenho coisas boas para contar.

Eu e o sapo Tonico em lançamento oficial na abertura do evento Literarte.
A abertura do evento aconteceu na tarde de sexta-feira, 05/08, no Palacete Wolf, com um Café Literário e lançamento de livros. A emoção já correu solta porque quem me acompanhou lembra, foi lá que fiz o lançamento do meu primeiro livro! Dessa vez o lançamento foi coletivo, mas não menos emocionante. Izabelle Valladares, escritora e presidente da Literarte, com seu profissionalismo admirável e sempre motivadora, abriu o evento falando um pouco de cada escritor e do seu trabalho.

Izabelle Valladares, escritora e presidente da Literarte, abrindo o evento.
Foi muito especial lançar o sapo Tonico oficialmente em um evento da Literarte, contando com a presença de outros renomados escritores, acompanhados de tantas pessoas amáveis e interessadas. No final do evento consegui alguns minutos com a Izabelle, que conversou conosco em vídeo e logo estará marcando presença lá no Portão Literário, motivando novos escritores!

Mais uma com o meu xodó do momento. =)

O evento contou com a sensibilidade e o talento de Luiz Poeta.

Com a escritora Maria Luiza Vargas Ramos, simpatia em pessoa!

Com a escritora Renata da Silva de Barcellos, cujo livro será presente para minha professora!

Com Dinorá Couto Cançado, escritora e educadora.

Com o escritor Marcos Filho e sua mãe Sueli. Muito inspiradora a sintonia dos dois!
Momento dedicatória. Amo!

A noite de sexta foi reservada para homenagens e muita diversão! Os vencedores do Festival de Contos receberam sua premiação, seguidos dos homenageados com a medalha Fernando Pessoa de Honra ao Mérito. Nesse evento também contamos com a apresentação musical de Maurício Paranaguá (tivemos a honra de dividir com ele e seus familiares a mesa no jantar, sua esposa Selma, seu filho Maurício, sua nora Camilla e a mãe dela Marcia - daquelas famílias que dá vontade de passar um dia inteiro junto e ainda falta tempo para conversar!) e depois de um animado sorteio de brindes o microfone foi aberto para todos os músicos, artistas e poetas presentes. Uma pena que não deu para ficarmos até o final devido a outros compromissos, porque pelas fotos e vídeos vi que foi só diversão!

Prêmio Fernando Pessoa de Honra ao Mérito. Certificado e medalha, mais uma conquista!

Fui homenageada juntamente com vários artistas e a noite foi maravilhosa!

Na foto com Izabelle e Izadora Valladares, mãe e filha juntas trabalhando pela cultura!

No sábado aconteceu a Premiação Literarte 2016 no imponente Memorial de Curitiba, porém não foi possível eu participar desse evento, mas acompanhei tudinho pelas redes sociais, inclusive o City Tour que o pessoal fez pela cidade durante o dia. Muito legal ver a animação do povo em Curitiba, que inclusive trouxeram lindos momentos ensolarados na sexta e no sábado para nós!!

Porém, o domingo amanheceu nublado (Curitiba né?) mas logo que todos chegaram na Feira do Poeta, no Largo da Ordem, nem o sol resistiu a tanta animação e nos deu o ar da graça novamente. Durante a manhã nós escritores ganhamos um espaço para a venda dos livros e usamos as camisetas que foram confeccionadas com nossas palavras e com as reproduções das obras dos artistas plásticos. Esse momento foi muito legal para interação de todos e foi ali que tive a oportunidade de conhecer mais de perto outros escritores e conversar com os que eu já conhecia.

Trecho da minha poesia "Amigos Silenciosos", estampada na camiseta usada na Feira do Poeta.

"Sonhando & Poetizando" e "O sapo Tonico e sua descoberta", duas de minhas publicações na Feira do Poeta.

O sapo Tonico viajou com a Izabelle Valladares também!

Rai d´Lavor e Charles Simões, dois talentosos escritores que eu já conhecia de eventos passados. Muito bom revê-los!

Com o escritor J. O. Rocha, autor do livro "O Poder do Bastão", literatura fantástica que estou ansiosa para ler!

Com Luiz Carlos Brizola, coordenador da Feira do Poeta. 

Com Rejane Martins Pires, autora do livro "O balde vermelho". No vídeo contarei a história do balde!
Isso mesmo gente! Estou preparando um vídeo para o canal com o saldo do final de semana. Nele mostrarei todos os livros que adquiri, que ganhei, que troquei e um pouco mais dos autores (suas cidades e trabalho), fiquem ligados lá no Portão!

Terminado o evento na Feira do Poeta, houve o encerramento dos eventos na Churrascaria Nova Estrela, onde mais uma vez a animação tomou conta do lugar. E como eu imaginava, foi só a "comitiva" de artistas entrar no ônibus e pegar a estrada, a chuva chegou e a temperatura caiu. Por isso, convido a Literarte e aos colegas talentosos que nos visitem muitas vezes mais!!!


E claro, eu não poderia terminar essa postagem sem agradecer ao marido André por ter me acompanhado em todo o evento, pela ajuda com as fotos e filmagens e pelo apoio constante. Esse livro do sapo em especial, não teria nascido se não fosse por ele, porque no meio do processo pensei em desistir algumas vezes. Ele me deu a mão, me ergueu e me convenceu a continuar. Sempre com entendimento, gentileza e carinho. Te amo marido!

Beijos!

14 de março de 2016

Segundica Literária #8 - Cinco dicas poéticas

Oi gente!

Então eis que a semana começa poética! A data 14 de março foi declarada Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao grande poeta brasileiro Castro Alves. Não podemos negar a triste realidade que na atualidade em que vivemos, a poesia não é um hábito de leitura e o gênero está perdendo influência na vida dos leitores. Eu escrevo poesias, embora não seja meu foco. Porém, os poemas foram meus primeiros registros como escritora na adolescência e até hoje acredito que a poesia é uma das mais intensas formas de expressar e transmitir sentimentos, pensamentos e emoções. Quer tentar? Então hoje eu deixo cinco dicas para todas as idades penetrarem no mundo lírico da poesia!

Vamos começar em grande estilo e incentivando nossa criançada a ler poesia. =)

Ou Isto ou Aquilo - Cecília Meireles (publicado em 1964)

Há cinco décadas de sucesso, o livro é considerado um divisor de águas entre dois períodos da produção poética para crianças no Brasil. Utilizando vários recursos e alternâncias vocálicas, a autora toca o olhar e o sentimento infantil, ensinando que a vida é feita de escolhas e nossa vivência é marcada por dúvidas, tomadas de decisões e problemas de difícil resolução. 


Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda (publicado em 1959)

Dividido em quatro partes (Manhã, Meio-Dia, Tarde e Noite), o livro expressa todo o significado e conteúdo da palavra amor. Possui cem sonetos, todos relacionados ao romantismo e escritos pelo autor para sua esposa e amada Matilde. Talvez por isso seja considerado por muitos leitores, o livro de mais alta expressão de sentimento já publicado. Os poemas são descritos conforme a parte em que é contido. Assim, as poesias da "Manhã" traduzem frescor, as do "Meio-Dia" calor, por exemplo. Neruda abusa dos elementos da natureza em seus poemas e para quem gosta e sente poesia, é um prato cheio para emocionar-se. Pablo Neruda recebeu o Nobel de Literatura em 1971.


A Arca de Noé - Vinicius de Moraes (publicado em 1970)

Ah Vinicius! Como não amar? Quem não conhece o maravilhoso "Soneto de Fidelidade"? Mas a dica aqui também é para crianças (vamos fazer os pequenos tomar gosto pela poesia)! O clássico infantil "A Arca de Noé" já fez e continua fazendo parte da vida de muitos leitores, inclusive os adultos, porque as poesias remetem à infância e carregam muitas descobertas. As poesias são ricas em musicalidade, também conhecidas nas vozes de Chico Buarque, Milton Nascimento, Toquinho, Marina Lima e Ney Matogrosso. Vinicius escreveu as poesias para seus filhos Suzana e Pedro. Antes de virarem livro, elas já eram conhecidas pelo disco gravado para as crianças.


Eu passarinho - Mario Quintana (publicado em 2006)

Eu sou suspeita para falar de Quintana, pois é um dos meus poetas preferidos. O que mais admiro em sua poesia é a capacidade em descrever a simplicidade com tanta maestria. Seus versos, além de divertidos, tem um olhar sensível para as coisas do cotidiano. Essa antologia foi uma de suas obras que li e ela aborda justamente isso, mas em torno da carreira do autor e suas obras. Uma riqueza poética sem igual entre temas e conteúdos. Sem dúvida, para os fãs de Quintana, é um livro de leitura obrigatória.


Alice no País da Poesia - Elias José (publicado em 2009)

E por último, mais uma dica para a incentivar a criançada na poesia. Para quem curte o tema Alice então, é item para se ter na estante. Eu comprei o meu no evento da Alice que fizemos no ano passado, tem postagem mostrando mais sobre ele aqui. No livro, a personagem Alice de Lewis Carrol, vive no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto estava no País das Maravilhas. Os poemas escritos por Elias José remetem a grandes livros clássicos, como Peter Pan e Dom Quixote. Fala de fadas, feiticeiras, duendes, sereias, reis e rainhas. Todo o universo mágico da infância, em forma de poesia. Eu recomendo!



Confesso que me deu dor no coração fazer essa postagem. Porque sei que deixei de fora grandes poetas da Literatura Mundial, inclusive o próprio Castro Alves. Além de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Cora Coralina, Manuel Bandeira, Olavo Bilac, Camões, Paulo Leminski, entre outros. E com certeza devo ter esquecido vários!

Então, finalizo expressando minha homenagem a TODOS os poetas, inclusive eu, você e tantos anônimos que ainda não publicaram mas tem suas palavras engavetadas por aí. E viva a poesia!

Beijos!

9 de março de 2016

Personalidades #14 - Cora Coralina

Oi gente!

Ontem foi Dia da Mulher e quem representou a data por aqui foi nossa eterna Clarice Lispector. Mas decidi me estender porque a história da literatura brasileira tem várias mulheres guerreiras e talentosas. Por isso, hoje o blog homenageia a inesquecível Cora Coralina! Um dos maiores exemplos femininos da Literatura Brasileira! Uma mulher guerreira, que superou todas as adversidades da sua época para, aos 75 anos, publicar seu primeiro livro e iniciar sua carreira de escritora, imortalizando seus sentimentos na literatura.



Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nasceu em Goiás, em 20 de agosto de 1889. Não teve oportunidade de estudar, apenas concluiu o primário entre os anos de 1899 e 1901. Em 1908, aos dezenove anos, junto com duas amigas, criou um jornal de poemas femininos chamado "A Rosa". Em 1910 publicou seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", que falava sobre a rotina simples da vida no interior de Goiás. Esses registros desmistificam os comentários frequentes de que Cora Coralina ingressou tarde no mundo das letras. Pelo contrário, ela escrevia desde muito cedo, porém o reconhecimento é que chegou quando já tinha setenta anos. Cora casou-se e mudou para São Paulo, onde morou por quarenta anos. Depois, com a morte do marido, passou por muitas dificuldades para criar seis filhos. Fez de tudo um pouco, vendeu desde livros até linguiça caseira e banha de porco que ela mesma fazia. Mas seu dom, além de escrever, era ser doceira.


A poeta e contista Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina) entre os frequentadores do Gabinete Literário Goiano
Foto: Museu Casa de Cora Coralina
Somente em 1956 ela retornou para Goiás e enquanto esteve na luta, sempre escreveu. Contos, poemas, poesias e até literatura infantil, além de colaborações para jornais. "Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais" foi seu primeiro livro publicado, aos 75 anos, Editora José Olympio em 1965. O livro foi enviado por ela para vários escritores, inclusive Carlos Drummond de Andrade, que a ajudou na projeção nacional, pois se encantou com a mulher idosa que escrevia versos tão bonitos e sem técnicas da escrita. Suas obras receberam influências no nosso folclore e de grandes escritores como Camões, Gregório de Matos e Olavo Bilac.


Crônica escrita por Drummond - "Cora Coralina, de Goiás - Jornal do Brasil.

Cora Coralina tinha um estilo único e seu. Vivia alheia a modismos e nunca se filiou a correntes literárias. Mas foi uma grande contadora de histórias e poetizou lindamente em suas obras causos do cotidiano e as inquetações da vida humana.

“Nós temos dentro de nós um porãozinho. Ele abre e fecha automaticamente. E as coisas caíram dentro do meu porão. E o porão se fechou. E ficou fechado durante quarenta e cinco anos. O tempo todo que eu estive fora da minha cidade. E eu senti a necessidade de abrir esse porão voltando. Lá não. Tinha que voltar para abrir o porão. Aqui é que o meu porão tinha que ser aberto soltando as coisas de dentro. Soltando o passado de dentro.” - Cora Coralina

Algumas das obras de Cora Coralina.

A Casa Velha da Ponte, onde viveu Cora Corallina na Cidade de Goiás - via Wikipedia

Cora recebeu vários prêmios e homenagens em vida, entre os anos de 1962 e 1985. E mesmo após sua morte, em 10 de abril de 1985, ela continou recebendo. Nesse mesmo ano foi criada a Casa Cora Coralina em Goiás e a Biblioteca Infanto-Juvenil de Guaianases também recebeu seu nome. A Velha Casa da Ponte também foi transformada no Museu de Cora Coralina, que guarda diversos de seus escritos, objetos pessoais e cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade, que tornou-se seu amigo pessoal.

Um dos cadernos da poetiza Cora Corallina - via cultura estadão
Cora Coralina não somente escreveu sobre o seu tempo, mas também para as gerações futuras. Suas palavras merecem nossa gratidão, nosso interesse e leitura, pois além de deixar seu legado para a literatura nacional, foi um grande exemplo de mulher e está eternizada em cada poesia que traduz simplicidade para o mundo literário.

Beijos!

26 de outubro de 2015

Sobre emoções literárias...

Oi gente!

Que tal começarmos a semana com um tema leve e envolvente? É, porque semana passada as postagens de halloween foram "barra pesada" né? Mas elas não acabaram, ainda tem uma postagem especial aguardando para ser apreciada (rs). Por enquanto, vamos curtir a simplicidade e doçura de uma das maiores escritoras da literatura brasileira: Cecília Meireles! E falar sobre as emoções que nos trazem os amigos literários...

No ano passado, um desses amigos que é colecionador e tem um acervo literário maravilhoso, me apresentou para duas raridades que ele adquiriu. Uma delas foi um exemplar de Beatrix Potter, a postagem sobre o livro está aqui. Na semana passada, ele me mostrou sua nova aquisição, um exemplar de Cecília Meireles, com a dedicatória da própria autora, datada de 1949. 






Entendo que as fotos não traduzem, para quem ama livros, toda a emoção que a gente sente "vendo com as mãos", mas eu precisava dividir com vocês ao menos um pouquinho do que eu chamo de "emoção literária". E essa, é daquelas que provam que afinidades são impulsos para surpresas e alegrias, porque esse amigo colecionador sabe o quanto gosto de livros, por isso o vejo tão alegre em mostrar-me suas aquisições. E eu torço para que venham muitas!

Falando em amizade, a amiga Nice Sestari do Ipsis Litteris, tem uma postagem maravilhosa contando um pouco sobre Cecília Meireles. Clique aqui para ler. 

Beijos!

3 de setembro de 2015

Alice no País da Poesia

Oi gente!

Já estou com saudades das postagens da Alice, tenho muita coisa para mostrar ainda mas algumas precisam ser fotografadas e aí falta tempo. O que trouxe hoje foi uma aquisição que fiz na Livraria Café com Letras, na data do encontro de fãs da Alice. Quando olhei para o livro me apaixonei pelo título, pois amo os dois temas: Alice e Poesia. 

Neste livro do mineiro Elias José, Alice descobre o mundo das palavras e dá origem a muitos outros poemas que remetem aos clássicos contos de fadas. Ele menciona Peter Pan, Dom Quixote, além das fadas, bruxas, duendes, príncipes e princesas. Todos aqueles personagens que faz com que nós, fãs do tema, apreciem com o maior entusiasmo!








A edição é muito caprichada! Gostei do formato, das ilustrações, do papel em que foi impresso, sem falar das poesias que são lindas. E olha que coincidência, lembram dessa foto nas minhas postagens da Bienal do Livro em 2014? Este foi um dos estandes que mais chamou minha atenção, pela organização e o colorido disposto. E o livro "Alice no País da Poesia" é de lá, da Editora Peirópolis. Novamente de parabéns pelo capricho!

Beijos!

21 de março de 2014

2012: Lançamento do livro Sonhando & Poetizando

Oie!!

Como estou trazendo os assuntos do blog de escritora para cá, não poderia deixar de compor as postagens de sexta-feira com a primeira, a mais emocionante, a maior de todas as conquistas! Porque sem o ponto de partida, nenhuma das outras conquistas teria acontecido né?

Foi assim, que em 8 de dezembro de 2012, eu lancei meu primeiro livro. A coletânea de poesias que escrevi ao longo da vida, desde a adolescência até os dias atuais. Temas românticos, infantis, líricos, históricos, divertidos, regionais, tem de tudo lá. Para todos os gostos!

Tem várias notícias espalhadas sobre esse evento. Aqui no blog quando anuncei uma pausa devido aos preparativos, nesse post aqui. E também um álbum de fotos na fan page do facebook.

Mas eu tenho mais fotos para mostrar, e algumas dessas nunca foram publicadas. Vamos relembrar comigo um dos momentos mais importantes da minha vida?

Registro maravilhoso: O primeiro autógrafo do evento!

Foi um dia inesquecível, cheio de carinho e emoções. Tantos abraços recebidos!

Caderno lindo de assinaturas: presente de Rô Miqueletto!

Minha linda amiga Vera Kovalski, trazendo lembranças da adolescência!

Trabalhos das amigas do Crop Literário, com fotos minhas, acompanhados de trechos do livro.

A amiga Margarete, sempre comigo, nos momentos importantes, torcendo pelo meu sucesso!

Porque uns quitutes sempre são bem-vindos! Tudo perfeitamente arrumado pela Carol Zacachuka!

Amiga scrapper e literária, querida Stella, sempre dando um jeitinho de estar comigo!

A talentosa scrapper e também amiga literária Gi Cavassin, ao lado da minha mana querida, Carmen Dossena.
E foi assim que eu iniciei minha carreira oficial de escritora. E depois o lançamento do segundo livro que ainda vou postar. Mas percebo que não importam quantos livros, quantos lançamentos, quantos prêmios ou eventos. Esse dia sempre será especial e único, como o desabrochar de um longo caminho tão sonhado!

Beijos!