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13 de abril de 2024

EU LI: Os Manuscritos Perdidos (Charlotte Brontë)

Oi gente!

Tem um livro que fez parte das minhas leituras de 2021 mas acho que vale registrar aqui.


"Os Manuscritos Perdidos" contém quatro ensaios de pesquisadoras e especialistas nas obras das Bronte sobre a história de um livro da família que ficou escondido com colecionadores por mais de duzentos anos.

Tudo teve início em 1810, quando Maria Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens que naufragaram em um navio. O livro foi recuperado intacto e tornou-se precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu pai, Patrick. O ensaio que trata sobre como o livro inspirou Emily a escrever sua obra-prima "O Morro dos Ventos Uivantes" é sensacional.

Para quem gosta das vidas e obras das Bronte, é um livro riquíssimo de informações.

Boa leitura!

17 de abril de 2020

EU LI: O Castelo de Papel (Mary del Priore)

Oi gente!

Como estão todos? Hoje passei para comentar uma leitura recente, "O Castelo de Papel", da historiadora Mary del Priore. Os livros da Mary abordam muito da História do Brasil e só por isso já são motivos para dividir opiniões. Foi minha primeira experiência com a autora.


"O Castelo de Papel" mistura romance com fatos históricos, baseados principalmente em pesquisas das cartas da Princesa Isabel e seu esposo Conde D'Eu, tornando o livro quase uma biografia do casal. Aliás, foi um dos aspectos que gostei, conhecer melhor este personagem que até então me era desconhecido, tanto quanto o fato de que Isabel casou-se com um estrangeiro, pois o Conde era neto do rei deposto da França, Luis Felipe I. O livro nos conta então sobre sua formação, seu papel na Guerra do Paraguai (que é bem contraditório com outras fontes que pesquisei), sua relação com o sogro (D. Pedro I), focando na relação conjugal com a Princesa.

O recurso que a autora usou foi demonstrar estes fatos de forma a humanizar os personagens. Temos aquelas impressões sobre o Segundo Reinado dos livros de História, ou artigos em linguagem acadêmica, mas aqui ela traça os perfis psicológico dos personagens com maior naturalidade. A própria Princesa Isabel é retratada diferente do que conhecemos, uma mulher típica do século XIX, que sonhava com uma família, era religiosa e preferia o refúgio de sua casa em Petrópolis às reuniões políticas.

Conhecemos então, através de uma narrativa fluída, a vida do casal desde o casamento arranjado que acabou se transformando em um amor sólido e companheiro, em paralelo com as transformações que o Brasil passava com os movimentos abolicionista e republicano. Dom Pedro nos é apresentado com uma personalidade egocêntrica e sisuda, sempre evitando envolver o casal nas decisões (o Conde por ser estrangeiro e Isabel por ser mulher), deixando-os responsáveis apenas em caso de ausências ou doença. Também acompanhamos a Condessa de Barral, mulher muito à frente da época, sempre influente e aconselhando o jovem casal.


O mais curioso para mim no livro, foi a desmistificação da Princesa Isabel como a salvadora dos escravos, ou "A Redentora", como é definida em vários livros de História. Pela visão da autora, a libertação dos escravos foi mais o resultado inevitável de anos de luta dos abolicionistas, do que a decisão pontual de uma mulher que, aproveitando uma viagem de Dom Pedro I, colocou a mão na consciência e decidiu por fim à escravidão no país. Segundo o livro e também em algumas cartas, a impressão é de que Isabel não queria governar, não tinha interesse em assuntos políticos e não foi preparada de forma alguma por seu pai para tal função. Fatos que indicam os motivos de tudo ter culminado para a exílio da família real e a Proclamação da República. Obviamente não deixamos de perceber as heranças que pairam no Brasil até hoje: maracutaias políticas, troca de favores e mudanças repentinas favorecidas por interesses do momento. Isto é nítido principalmente depois da queda da monarquia.



Temos em "O Castelo de Papel" um romance baseado em fatos pesquisados nas cartas dos protagonistas, mas também fiquei com a impressão de que a autora foi um pouco tendenciosa em sua narrativa. Além do protagonismo do Conde D'Eu na Guerra do Paraguai, que descobri gerar muitas controvérsias que discutem, ora uma participação positiva, ora negativa, há também esse aspecto sobre a Princesa Isabel abordado no parágrafo anterior. Existe uma carta da Princesa Isabel destinada ao Visconde Santa Victória, que era sócio do Barão de Mauá. Devem existir outros documentos arquivados na Biblioteca Nacional, mas esta carta percorreu alguns sites e blogs nas redes sociais, e eu a encontrei em uma matéria do Jornal de Brasília, de 2017. Nesta carta se percebe muito interesse da Princesa em amparar os escravos libertados, que estavam em situação de pobreza e sem perspectiva, inclusive citando que seu próximo passo era se dedicar a libertação das mulheres "dos grilhões do cativeiro doméstico". Essa afirmação no mínimo vai na contramão da personalidade de Isabel exposta em "O Castelo de Papel". Fica aqui o link caso queiram conferir, só clicar aqui.

Qual a versão correta da Princesa e demais personagens eu não sei dizer, não sou historiadora e não me compete opinar além das minhas impressões de leitura. Se você ficou curioso, sugiro que leia e tire suas próprias reflexões, ou conclusões. Gostei do livro, da narrativa acessível, das informações novas para mim. Inclusive já estou com outro livro da autora aqui para ler. De qualquer forma, livros que nos suscitam questionamentos e nos trazem releituras da História do Brasil, são sempre bem-vindos por aqui. Me ajudam a entender muito do comportamento atual, seja dos governantes ou do próprio povo brasileiro. 

Boa leitura!

5 de janeiro de 2020

5 livros sobre mulheres escritos por mulheres | Portão Literário

Levanta a mão quem gosta de biografias romanceadas? o/
Mesmo que contenham muita informação ficcional? o/
Eu não ligo, adoro! Gosto de analisar como os escritores e escritoras imaginaram a vida do personagem na época em que viveram. Além de conter informações sobre o contexto histórico, estes cinco livros mostram as duras imposições sociais que mulheres corajosas enfrentaram ao longo da história.

Clique para assistir

29 de agosto de 2019

EU LI: Sra. Poe (Lynn Cullen)

Oi gente!

Eis que aos quarenta e cinco do segundo tempo, venho deixar uma postagem para o mês de agosto. Um mês sufoco por aqui, mas aos poucos retomando os rumos. E vamos falar do que? Desencalha! Surpreendentemente, uma das leituras com menos expectativas criadas, foi uma das melhores do mês: Sra. Poe, da autora Lynn Cullen (até então desconhecida para mim).


Tudo bem que é um livro que tratava de Edgar Allan Poe, motivo este que me fez comprar na livraria. Mas não esperava que me surpreendesse tanto. Descobri que gosto de biografias romanceadas, daquelas que você não sabe direito qual parte é fato ou não. É o caso de "Sra. Poe", uma mistura fr realidade com ficção, que durante a leitura nos transporta para a vida dos personagens e após a leitura nos deixa com gostinho de quero mais. Com vontade de fuçar, pesquisar, ler sobre o tema, tudo e mais um pouco.

Vamos aos fatos! É fato que Edgar Allan Poe casou-se com uma prima em primeiro grau, Virginia Clemm, que tinha treze anos na ocasião do casamento (Poe tinha 27!). Anos após o casamento, ela contraiu tuberculose e morreu com apenas 24 anos. Durante esse período, uma poeta chamada Frances Osgood conviveu com pessoas do meio artístico e literário, juntamente com Poe. Separada do marido, Frances aproximou-se de Poe, que a motivava a escrever. 

O que me parece que a história não comprova é se os dois tiveram realmente um relacionamento amoroso. Porém, a autora de "Sra. Poe" acredita nisso e romanceou suas pesquisas realizadas através de cartas e documentos, na história do livro: um triângulo amoroso com a mesma atmosfera gótica dos escritos de Edgar Allan Poe!

A história é narrada em primeira pessoa, pela própria Frances Osgood, apaixonada perdidamente por Poe, que a acolhe e transmite um grande interesse em ascender a poeta no mundo literário. Ao mesmo tempo em conflito por Poe ser um homem casado e que não o bastante, ainda tenta a aproximar da esposa. Aliás, a esposa de Poe foi a personagem que mais me surpreendeu!! Aff!!

Gostei do livro por vários motivos, não só por conhecer um pouco mais dos detalhes da vida e personalidade de Edgar Allan Poe, mas também porque a autora me transportou para o universo da época, quando descreve os saraus literários da sociedade de 1845, seus costumes e "bafos" (rs). Também me agradou muito a autora conseguir inserir em uma história de amor, ainda que na maior parte inventada, o suspense e (sim!) o terror que Poe inseria em suas histórias. Isso para mim foi o melhor do livro. Me prendeu e me surpreendeu. Foram 400 lidas com vontade! Destaque para as cartas de amor trocadas, também presentes na história. Por fim, arrisco dizer que este livro daria um filme maravilhoso!

Edgar Allan Poe já foi tema da série Personalidades. Só clicar aqui para ler a postagem.

Boa leitura!

18 de fevereiro de 2019

EU LI: O Jogo do Destino (Nagib Mahfuz) | Portão Literário

Mais uma leitura do autor egípcio Nagib Mahfuz! No vídeo de hoje minhas impressões sobre "O Jogo do Destino", livro sorteado para a leitura do mês do projeto Nobel de Literatura e que também entrou para o projeto Egito.

Clique para assistir

20 de setembro de 2016

Eu li #84 - Rainha Vitória

Oi gente!

Hoje tem impressões de leitura mas lá no canal! Um vídeo que amei fazer, onde converso um pouquinho sobre a influência da Era Vitoriana nas obras literárias da época. E claro, das Irmãs Brontë, motivo pelo qual atrelei a leitura ao projeto. Vem conferir!

Clique para assistir o vídeo
Beijos!

28 de julho de 2016

Eu li #78 - Cartas para Julieta

Oi gente!

Hoje vou falar de um livro que me conquistou, desde que o encontrei perambulando por um sebo de Curitiba. Há alguns anos conheci o filme "Cartas para Julieta" e me derreti. Já assisti muitas vezes e não deixo passar quando mudo o canal e o encontro. Não sei se é o enredo, minha paixão por Shakespeare ou a ótima atuação dos protagonistas, não enjoo desse filme! E achei que o livro contaria sobre o romance que inspirou o filme, mas me enganei. Foi o filme que inspirou o livro, que na verdade é um documentário histórico, escrito pelas irmãs Friedman, sobre o Club di Giulietta, um grupo de pessoas amantes da história trágica que se voluntariam a responder todas as cartas que chegam para ela. E no decorrer das páginas passamos a conhecer a história por trás da história, como o clube surgiu, suas transformações e tudo que ele inspira na cidade de Verona. Amei!



O livro já começa com um dado interessante, que eu desconhecia. Informa que a história de Romeu e Julieta não foi originalmente contada por Shakespeare. O autor já inspirou-se em histórias mais antigas para escrevê-la, porém foram suas palavras que deram notoriedade a ela. As primeiras páginas nos contam sobre outras versões da história e depois passa a nos guiar pela cidade de Verona, nos pontos principais que remetem à história, incuindo as casas de Romeu e Julieta. 


Aí descobrimos porque Verona hoje é uma espécie de refúgio dos românticos incorrigíveis. Tudo lá lembra Romeu e Julieta e tem gente que até celebra seu casamento no túmulo dela para simbolizar sorte. Oi? (rs). Inclusive outro dado interessante que o livro conta fala sobre muitas adaptações e transferências que foram feitas no túmulo de Julieta, para atender justamente essa demanda turística e também necessidades administrativas.




E o Club di Giulietta? No livro conta como começou, como a Casa de Julieta foi criada e como a cidade aproveitou esse nicho para se tornar um dos altos pontos turísticos da Itália. Conta quem foi o primeiro presidente, denominado "secretário de Julieta" e como a equipe foi montada ao longo do tempo para responder as cartas deixadas no muro de Julieta ou recebidas pelo correio. Hoje o Clube tem voluntários em algumas partes do mundo, para que seja possível responder cartas em diversas linguagens, porque acreditem, até cartas em braille eles já receberam!


A propósito, falando em cartas, taí um dos pontos altos do livro, na minha opinião. Podermos ter acesso aos mais variados textos, escritos nas cartas recebidas. Desde adolescentes desesperados pelo amor não correspondido, até idosos contando sobre sua vida com seu amor, digna de contos de fadas. Cartas sensíveis, lindas, surpreendentes, engraçadas e emocionantes. Algumas solitárias e algumas tristes como a história! Mas todas com um tema em comum: o amor! Confesso que me emocionou perceber tantas pessoas, do mundo inteiro, dos mais variados lugares e mais distintas culturas, com um mesmo propósito e um mesmo sentimento unindo-as. Incrível o poder que a história tem!


E se você preferir como eu, começar pelo filme, garanto mais surpresas com a encantadora história de Sophie, uma aspirante a escritora que viaja para a Itália ao lado do noivo Victor, mas que justamente na cidade mais romântica do mundo, percebe que seu noivo está mais interessante no restaurante que vai inaugurar do que nela. Então, em busca de aventura e histórias para contar em seu livro, ela descobre as secretárias de Julieta e aí... assista! Cartas para Julieta (Letters to Juliet) é um filme norte-americano, dirigido por Gary Winick e estrelado por Amanda Seyfried (adoro ela!) e Chris Egan.


Agora, se você quer logo deixar a ficção de lado e mergulhar em um documentário recheado de fotos históricas, leia "Cartas para Julieta". Além de uma leitura diferente, o livro é lindo. Daqueles que dá gosto deixar na estante! Ah, e se você gostou da proposta e quer mandar uma carta para Julieta também (eu já estou preparando a minha!), seja para pedir um conselho ou contar a sua história, o Clube tem um site oficial. Basta clicar aqui para conhecê-lo e como eu, se inspirar no poder do amor!

Beijos!