8 de abril de 2021

Uma viagem à Índia (Gonçalo M. Tavares)

Oi gente!

Hoje encerro as postagens das aulas da matéria do mestrado. Fecho com chave de ouro, comentando um pouco sobre o livro que tive o prazer de escolher como meu tema de apresentação e que me trouxe uma gratificante experiência de análise e leitura: "Uma Viagem à Índia", de Gonçalo M. Tavares.


Falando um pouco do autor, Tavares nasceu em 1970 em Angola, já foi premiado e seus livros foram traduzidos para vários idiomas. Um de seus livros mais renomados, "Uma Viagem à Índia" trata-se de um romance escrito de forma epopeica, dividido em dez cantos, sendo que cada um divide-se em estrofes, que também podem ser lidas de forma aleatória e separada. Sim, é uma experiência incrível!

O livro conta-nos a história de Bloom que após uma série de acontecimentos trágicos que serão contados durante o decorrer da ação, decide partir de Portugal para a Índia, pensando em adquirir sabedoria e libertar-se do passado. Bloom acredita que é impossível viajar à Índia sem passar por diversos lugares antes de alcança-la. Para ele, a Índia não é uma mera localização geográfica, mas sim um estado de espírito.

O livro faz um paralelo com "Os Lusíadas" de Luis Vaz de Camões e também com "Ulisses" de James Joyce, onde ele vai buscar o nome do personagem. Mas apesar das referências, é uma obra original e muito bem escrita. Bloom tem sua inspiração maior em "Ulisses", de James Joyce, porém ao invés de concentrar a sua "odisséia" em um só dia, a faz durar meses, se metendo em confusões e encrencas.

Este Bloom de Tavares, que vive em 2003, parte e volta sozinha de sua viagem física e mental. Ele viaja para esquecer o passado e viver o presente sem laços. Ao fazer o personagem demorar-se em cada paragem, nunca revelando pressa, Tavares manifesta a sua posição em relação ao excesso de velocidade a que opera o mundo no século XXI. Excesso este responsável pelo tédio nas sociedades dos dias de hoje. No presente ambiente de excesso de consumismo (senso) e de experiências instantâneas, o homem procura constantemente novas sensações, viajando entre emoções na esperança de se sentir alguma espécie de felicidade, ainda que transitória e passageira.

O maravilhoso do livro não é a história, mas sim o personagem e sua caminhada. Bloom não é um herói, é um ser humano como todos nós, com mágoas e alegrias do passado, buscando respostas para construir um futuro melhor. Nesse caso o caminho físico nada mais é do que um deslocamento interno pelo sentimento de culpa, tédio, fuga e busca da sabedoria. Imaginação não é distante da realidade. Quem imagina também parte de elementos do mundo.

Em "Uma viagem à Índia", Bloom também se entrega a essas alegrias passageiras para escapar ao tédio que o domina durante a viagem, particularmente no seu regresso da Índia, depois de descobrir, ou melhor, depois de confirmar que tudo o que acreditou ser aquele país mágico e místico não passava de uma mentira.

A viagem termina precisamente com aquilo que fez com o que protagonista iniciasse a sua fuga - um assassinato, que significa que nada deu resultado, tudo voltou ao mesmo, à semelhança do que aconteceu com o tédio, a indiferença. "Chega à Lisboa, nenhum ódio o recebe e nenhum amor". Mas essa libertação temporária que sentiu não dura muito, dando lugar ao pânico e ao medo que o levam a regressar, agora com pressa, à Lisboa, onde apenas encontra o vazio.

O final da aventura de Bloom é melancólico e nele se revelam finalmente, de forma bastante intensa e profunda, todo o desencanto e todo o tédio que o acompanham ao longo de seu percurso. Uma mensagem de que preocupamo-nos muito com o que é a vida, com a busca da felicidade, com grandes acontecimentos, e acabamos paralisados de tanto pensar, não percebendo que a cada dia a vida passa, e somos nós que não damos peso ao que nos acontece.

Garanto a você que a leitura da apopéia de Bloom marcará para sempre sua experiência como leitor!

Boa leitura!

25 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #10 - Minha trajetória (2020 - Reflexão)

Oi gente!

Eis que chegamos ao final das postagens #TBT da minha trajetória na escrita e essa será a mais difícil de escrever. Gostaria de terminar contando muitas coisas felizes, mas o ano de 2020 ficará marcado como um dos mais tristes em minha vida. Por tudo que aconteceu, os trabalhos com a escrita também quase pararam e foi o ano que eu menos produzi.


Até comecei o ano bem animada, produzindo meus vídeos do Divã de Escrita e dando continuidade com as vendas do Donatelo e as produções das coletâneas que organizei com a Lu Evans. Também aceitei o convite dos colegas Valter Cardoso e Rafael Bertozzo Duarte do NLCAC e iniciamos nossa série de coletâneas da coleção "Tempo", a primeira entitulada "Tempo de Dragões".

Mas aí veio a pandemia e bem no meio dela minha mãezinha adoeceu. No feriado de 1º de maio ela foi internada às pressas com muita falta de ar e baixa saturação. Como os sintomas eram de COVID não me deixaram ficar com ela na emergência e quando recebi a notícia ela já estava sedada e entubada. Após dois dias o diagnóstico: não era COVID, mas houve um acúmulo de água no pulmão devido à insuficiência cardíaca e hipertensão. De qualquer forma, não nos foi permitido visitá-la na UTI e depois de sete dias ela saiu da sedação e conseguimos vê-la em vídeo. Depois de dez dias ela foi para o quarto e aí devido a sua idade me permitiram ficar com ela.

"Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo." (Clarice Lispector)

Ela teve alta do hospital no dia 17 de maio, mas não conseguia mais andar, ficou muito fraquinha. Fazia fisioterapia três vezes por semana mas o corpo não ajudava. Cuidei dela revezando com minha sobrinha e depois com uma cuidadora de maio até julho, porém estava muito complicado conciliar com minha rotina, então decidimos nos mudar de emergência para o condomínio dela. Alugamos um apartamento no bloco ao lado, assim eu poderia ficar mais perto e contratamos outra cuidadora.


Devido a esse arranjo consegui conciliar tudo e até me animei a fazer alguns vídeos na nova casa. Dava conta do meu trabalho oficial e acompanhava de perto as cuidadoras, que tivemos sorte de serem muito amorosas e queridas com a mãezinha. Mas as correrias eram muitas, a mãe não conseguiu mais comer nada sólido depois que saiu da UTI e toda semana precisava comprar legumes para sopa, fraldas (ela não saiu mais da cama) e remédios necessários a cada complicação que vinha pelo caminho. Em meio à pandemia, tudo ficou mais difícil. 


Assim foi o segundo semestre do ano, até que em novembro mamãe piorou. O pulmão voltou a acumular água, mas como a pandemia estava novamente no auge, com a ajuda dos médicos e plano de saúde conseguimos conter a infecção em casa. Porém, no final de novembro, no final de semana do seu aniversário de 83 anos, ela sentiu dores abdominais e precisou ser internada novamente. Não vou conseguir detalhar como foi esse processo, pois ainda é muito doloroso para mim. Com tudo lotado, ela ficou um dia inteiro no pronto atendimento, com o diagnóstico de infecção urinária e intestinal, para ser liberada com medicação oral. Passou mais um dia em casa, não melhorou e levamos novamente. Mais um dia inteiro com dor no pronto atendimento, quase sendo enviada para casa novamente, implorei para que fosse internada. Uma médica anjo que chegou no novo plantão conseguiu uma vaga para ela. Depois de dois dias internadas, no dia 5 de dezembro, ela partiu.

As últimas 24 horas que passei com ela no hospital, nunca esquecerei. Ela estava morrendo e eu estava no limite das minhas forças. Me senti perdida e atrapalhada. Mas agradecida por ela ter descansado, estava sofrendo demais. 

Nem preciso dizer que durante esses últimos meses não produzi nada na escrita, não tive vontade, nem inspiração. Ainda estou em processo de cura emocional, mas já conseguindo planejar e seguir adiante com meus trabalhos na escrita. Afinal, ela tinha tanto orgulho!

Sei que esse post foi mais um desabafo, mas tudo fez parte da minha trajetória também, e com certeza o aprendizado ajudará a lapidar meus próximos trabalhos e me trará força para novos planejamentos.

Obrigada a você que acompanhou as postagens. Até breve!

20 de março de 2021

O Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)

Oi gente!

Vamos hoje comentar sobre mais uma das aulas da matéria do mestrado que fiz em 2017. Uma das mais complexas, daquelas que fazem surgir assunto para um mestrado inteiro. Falamos sobre o "Livro do Desassossego", uma das mais belas e importantes obras do poeta português Fernando Pessoa, que aparece no livro sob o heterônimo de Bernardo Soares, um ajudante de guarda-livros que mora em Lisboa.


"Livro do Desassossego" começou a ser escrito em 1913 e foi publicado em 1929. Inicialmente foi escrito com o heterônimo de Vicente Guedes para depois Pessoa decidir por Bernardo Soares. Segundo ele, é um fragmento dele mesmo. A obra foi escrita em cartas sem nenhum tipo de norma ou organização. Uma das complicações do livro é que é impossível desmembrar ou estudar um parágrafo isolado, pois Bernardo Soares escreve em um nível de autoanálise que resulta em "estou em um estado triste", já abaixo da minha consciência.

A obra é permeada por temas como metafísica e história, mas também retrata a condição humana, as angústias do ser e o tédio como uma sensação de inutilidade. Em meio à prosa poética, se destacam novos rumos de pensamento e reflexões, trazendo ao leitor uma identificação com as dores e confissões expostas. Uma frase do prólogo diz que: "A palavra desassossego refere-se não tanto a uma perturbação existencial no homem como à inquietação e incerteza inerentes em tudo e agora destiladas no narrador retórico. Mas a força dum outro desassossego - mais íntimo e profundo - impõe-se pouco a pouco, e o livro assume dimensões inesperadas". Diz-se que a obra contém uma espécie de biografia do autor, contendo todo o essencial da sua diversidade heteronímica. Bernardo Soares mistura objetividade e subjetividade, quando declara que "o universo não é meu: sou eu".

Fernando Pessoa, em toda a sua obra, refugiou-se em personalidades inventadas. Há muitos estudos envolvendo esse tema e muitas explicações já registradas. Assim como todos nós, o autor muda durante a vida, sua realidade não é imutável, e suas obras acompanham esses ciclos através de seus heterônimos. Seria como se o autor se metamorfoseasse em vários livros e diferentes autores. A todo momento do livro em que novas sensações e reflexões afloram, os pensamentos tomam um novo rumo. Dizem que "O Livro do Desassossego" é um livro interminável, uma leitura que deve ser feita sem pressa e sem ordem, para uma melhor experiência e percepção da inquietação que o autor pretendeu passar ao leitor.

Em "Pensamento e Imaginação", por exemplo, de Alberto Caiero, o próprio Pessoa conta sobre sua "pequena humanidade imaginária", mas em nenhum momento menciona o termo "imaginação". Caiero é considerado o mestre dos heterônimos de Pessoa, pois é ele quem revela a "realidade", que de certa forma é sentida. Álvaro de Campos diz que o mestre Caiero foi o poeta mais sincero do mundo. A forma dele escrever é uma forma livre, não segue modelos.

Já "Poemas Inconjuntos" foi escrito em forma de diário durante a evolução da doença que o matou. Alberto Caiero morreu em 1915, deixando o diário para Ricardo Reis publicar postumamente. Questiona-se o motivo do pensamento ser um problema para Caiero e a resposta está em que cada pensamento gera uma realidade e as pessoas não aceitam a realidade do outro. Caiero abomina crenças e esperanças. Nesse momento, é interessante pensar na relação paradoxal entre a personagem Madame Bovary de Flaubert e as afirmações de Caiero sobre sentir em primeiro lugar sem racionalizar. Pois ao racionalizar você perde a capacidade de sentir o mundo, como o fez Bovary.

Ainda que analisando outras obras de Pessoa, percebemos que a prosa poética do "Livro do Desassossego" demonstra, para além da invenção dos nomes e biografias, que essa diversidade é um movimento próprio da escrita de Pessoa, que permeia toda a sua obra. 

"Porque eu não sou nada, eu posso imaginar-me a ser qualquer coisa".

Boa leitura!

18 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #9 - Minha trajetória (2019 - Transformação)

Oi gente!

Bora prosseguir com o #TBT da minha trajetória na escrita, contando sobre 2019, um ano de transformações. Depois dos "tropeços" do ano anterior, que me fizeram enxergar o ambiente cultural e literário com olhos da profissional que sou, responsável, empreendedora, criativa e ética, decidi encarar as coisas do meu jeito e não ser "maria vai com as outras". Pois deu super certo! Consegui me inserir em grupos que realmente me agregavam e me aproximar de pessoas que me ajudavam a produzir meu trabalho e não o trabalho alheio.


E foi assim que, em abril de 2019, eu lancei meu quinto livro: "Donatelo, O Dragão Amarelo". Embora já quase decidida a não continuar na literatura infantil, como comentei em postagens anteriores, eu tinha um sonho de ver um livro meu ilustrado profissionalmente, nas prateleiras das livras e distribuído para todo o Brasil. Na prática não foi bem assim, mas deixa para lá.


Depois do lançamento tratei de divulgar meu dragãozinho e fiquei surpresa em como ele conquistou os leitores! Em 2019 meu tempo já estava ficando limitado pois minha mãezinha nos deu alguns sustos, estava a cada dia mais debilitada. Mesmo assim, consegui participar de vários eventos com o Donatelo, como: Feira do SESC, Casa da Bruxa no Bosque Alemão, SESC do Paço (com a Lilian contadora de histórias), FARESC, Grupo Escoteiro Colégio Medianeira (com a Mayara contadora de histórias), SESC da Esquina (com o escritor Márcio Garcia), na Lapa com escolas. E outros que não registrei em foto! Foi lindo!


Mas eu confesso que estava cansada dessa história de "eventos". Nunca tive muita paciência e ficar muitas vezes em pé o dia todo para vender dois ou três livros, desculpa. Não é minha praia. Ou não tenho mais idade para isso né? (rs). Na verdade nunca me importei muito com fotos e notícias, meu maior intuito sempre foi levar minhas histórias ao máximo possível de leitores. E para mim ficou mais que provado que não é participando de um evento local que consigo isso, se não for uma escritora já conhecida. 

Então tive uma ideia que mudou tudo: se eu trabalhei tantos anos no ambiente corporativo, porque não oferecer meus livros para meus colegas empresários, ex-colegas de empresa, ex-chefes, amigos da faculdade, e etc, para que eles promovam ação social indireta? A proposta era a compra de lotes de livros (5, 10, 15, 20) e eu doaria esses livros patrocinados para ONGs, projetos comunitários, escolas públicas. 

E não é que deu certo? Foram centenas de livros espalhados por Curitiba e Região Metropolitana. E o melhor de tudo, para um público que não é dos eventos, meus livros foram direcionados para os leitores que eu mais queria atingir, crianças que não tem recursos financeiros para adquirir livros. Porque a história do Donatelo ressalta o poder da amizade e a importância da autoceitação. Através da jornada dos personagens, o pequeno leitor poderá perceber a possibilidade de transformar sentimentos e superar traumas.



A partir daí, consegui enfim me dar por cumprida minha história com a literatura infantil. Por outros motivos complementares aos que já comentei, mas que também é melhor deixar como está, decidi então que não publicaria mais nenhum livro infantil com qualquer percentual de recursos próprios, exceto se uma editora algum dia quiser me bancar. Continuei vendendo meus livros dessa forma indireta e segui meu ano atribulado, pois minha mãezinha ficava cada vez mais dependente. Ainda assim, mesmo com meu trabalho oficial consegui manter os vídeos no canal e retornar para a escrita de contos, que foi como tudo começou em 2012, conto tudo lá na postagem.



Durante o ano, eu e a escritora Lu Evans nos aproximamos pela internet. Uma acompanhava o canal da outra no YouTube, começamos a trocar experiências e ela me convidou para fazer parte da organização de coletâneas de conto pelo seu selo editorial Nebula. Iniciamos com a coletânea Féericas (que também teve participação como organizadora da Graci Rocha) e foram várias outras entre 2019 e 2020. 


Eu também estava empolgada com os contos, porque trabalhamos neles nas oficinas do NLCAC e escrevi vários ao longo do ano. Também fui convidada para ser jurada na categoria literatura geek do Prêmio Cubo de Ouro, a primeira premiação brasileira a celebrar diversas vertentes do universo geek. Foi uma experiência muita bacana e gratificante, me senti reconhecida no meio literário não só como escritora, mas como leitora crítica também.

Evento do Prêmio Cubo de Ouro 2019

E é isso gente! Minha trajetória de dez anos está acabando, o próximo post vai ser bem difícil de escrever pois foi o ano em que menos produzi. Na próxima semana venho contar para vocês.

Beijos!

11 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #8 - Minha trajetória (2018 - Decepção)

Oi gente!

Continuando o #TBT da minha trajetória na escrita, vamos falar do ano de 2018, um dos piores (ou não), dependendo do ponto de vista. Em matéria de trabalho as coisas não foram ruins, estavam fluindo bem. Mas considero o ano da decepção e do cair das fichas com o ambiente cultural e literário. Mas os babados eu conto lá para o final do post tá? (rs)

Vale registrar que depois de um ano longe do ambiente corporativo, senti saudades do que foi meu principal ofício ao longo da vida e também da estabilidade financeira, então entrei o ano trabalhando! A diferença é que agora eu fazia home office, em horário reduzido e flexível. Um ex-colega da empresa em que trabalhei me contratou, como produtora de conteúdo e gestora de mídias sociais. Sua empresa também é de auditoria e consultoria, com matriz em São Paulo e escritórios em várias capitais. Esse trabalho tem me realizado, juntou minhas duas áreas de conhecimento, as primeiras formações mais a formação de Letras, pois estou diariamente produzindo conteúdo escrito. Além disso, tenho flexibilidade para manter minhas rotinas de escritora (curiosamente esse ex-colega de trabalho, agora meu líder, foi uma das raras pessoas que me apoiava na escrita enquanto estive na multinacional). 


Eu também conseguia fazer outros trabalhos em paralelo, como revisões de trabalhos acadêmicos, por exemplo. Trabalhei alguns meses organizando a Biblioteca do Instituto Serendipe, um local maravilhoso (foto acima), cujos proprietários são minha ex-professora de linguística e seu esposo. Tive contato com várias obras raras e um aprendizado incrível. Também atuei um tempo como gestora das redes sociais da Editora Máquina de Escrever, que publicaria o meu livro "Donatelo, O Dragão Amarelo" em 2019.

Colônia de Férias na Casa Cultural Belaboni

E já que falamos em Donatelo, depois do depoimento da postagem anterior, vocês podem me perguntar: "- Mas não estava pensando em desistir da literatura infantil"? Pois é, lembrem que eu estava "confusa", mas com a possibilidade de publicar um livro com uma editora maior, ter seu livro diagramado, revisado e ilustrado por profissionais, distribuído para o Brasil, era algo que sempre sonhei. E eu tinha a história do Donatelo, que é uma das minhas queridinhas. Então sim, eu não sabia se teria continuidade, mas eu queria o Donatelo publicado. Por isso também continuei fazendo alguns eventos infantis.


Em 2018 eu estava muito empolgada com meu canal no You Tube, mas fiz algumas mudanças significativas. Lembram das decepções? Uma delas foi o quanto me dediquei em 2016/2017 para divulgar livros de outros escritores, sem ganhar um tostão, a ponto de minhas redes sociais se transformarem em outdoor alheio e eu perder meu próprio espaço de divulgação. Parece absurdo, mas teve gente que sequer compartilhou meu vídeo em suas redes, ao menos para me ajudar com a divulgação do canal. Descaso total. Comecei a perceber o interesse de certas pessoas ao me procurarem, passei a tentar discernir e filtrar o que chegava até mim. Foi um aprendizado incrível e senti que comecei a valorizar mais o meu tempo, prestigiando e me aproximando de quem também valorizava meu trabalho e me enxergava como a profissional experiente que sou, independente da entrada tardia no mundo literário.

    Foto1: Lançamento do livro "Lagartas e Borboletas", da Ana Rapha Nunes.
    Foto 2: Lançamento da coletânea "Passageiros do Desconhecido", do  NLCAC.
    Foto 3: Evento do Pegaí Leitura Grátis (do qual fui voluntária por 5 anos), com Idomar Cerutti
    e a escritora Marina Colasanti.
    Foto 4: Lançamento de "O Papiro de Wadjet", da escritora Nicole Sigaud.

As participações nas reuniões do Núcleo de Literatura me fizeram ver o quanto eu ainda tinha a aprender, mas que deveria escolher bem onde e com quem aprender. Depois de cursos decepcionantes, de presenciar egos inflados e até competições entre colegas (acreditem no bafo: eu vi uma escritora escondendo o livro da coleguinha na prateleira de uma feira!!), escolhi estar entre poucos e valorizar "meu" tempo divulgando "meu" trabalho. Parece egoísta né? Mas depois de tantas coisas que vi nesse meio, estou bem tranquila.

No painel "Divulgadores Literários" da Literatiba 2018, com os colegas Patrícia Dias do blog Casinha de Livro, Juliana Poggi do canal JotaPluft e Henrique Duarte, escritor e colunista do Crônicas Fantásticas.

A minha participação na Literatiba 2018 foi um dos momentos especiais do ano. Fui convidada para coordenar os painéis literários e isso me proporcionou, além de rever pessoas queridas, fazer novos contatos.

Foto 1: Com a escritora Jaqueline Conte.
Foto 2: Com a escritora Ana Lúcia Merege.
Foto 3: Com Leo e Rosana (escritora e colega do NLCAC).
Foto 4: Com Rubens Faria Gonçalves e Francisco Souto Neto (NLCAC).

E assim terminamos 2018, já recolocada profissionalmente, sem deixar os trabalhos literários e principalmente, mais pé no chão para discernir entre a ilusão e a realidade, entre apoiadores e interesseiros, usando meu valioso tempo a meu favor.

E no próximo #TBT Divã de Escrita, falaremos como foi a publicação do meu quinto livro e meu último percurso na literatura infantil.

Até lá!