27 de fevereiro de 2020

EU LI: Teoria do Medalhão (Machado de Assis)


Oi gente!

A postagem de hoje é especial. Vamos falar sobre um conto de Machado de Assis, que li para o projeto literário do Divã de Escrita e coincidiu com a temática que estudei durante o mês de fevereiro (li o conto na edição da foto - "50 Contos de Machado de Assis", da Companhia das Letras). O plano inicial era gravar com o vídeo do mês do Divã, mas decidi deixar minhas impressões do conto aqui no blog, porque fica mais detalhado. Tenho outras coisas para falar no vídeo e dicas de livros para mostrar, está programado para o próximo final de semana.



Então começo com a coincidência que comentei. No mês de fevereiro me aprofundei um pouco no estudo da escrita de diálogos. Li o “Como Escrever Diálogos”, da autora Silvia Adela Kohan e um dos capítulos de “Para Ler Como um Escritor” da Francine Prose era só sobre diálogos. Fiquei bem feliz quando percebi que o conto “Teoria do Medalhão” de Machado de Assis, escolhido para um dos meses do projeto, era composto de um diálogo entre pai e filho, sem narrador. Maravilha não? O universo da Literatura conspirando a favor de quem estuda. =)

O conto “Teoria do Medalhão foi publicado pela primeira vez na Gazeta de Notícias, em 1881. Depois foi integrado ao livro “Papéis Avulsos”, uma coletânea de contos do autor. Machado de Assis construiu muitos personagens que se acham intelectuais, mas que no fundo são perfeitos idiotas. Ele fazia isso para inserir sua crítica social, mostrando a intelectualidade medíocre dos brasileiros da época. Com o conto “Teoria do Medalhão” não foi diferente. O diferencial é que ele conseguiu fazer isso inserindo todas as ideias em um diálogo entre pai e filho.

Após o jantar de aniversário em que o filho completa sua maioridade (21 anos), seu pai inicia com ele uma conversa de aconselhamento. Os conselhos? Basicamente servem para que o filho alcance prestígio em uma sociedade que vive de aparências. Claro que com todo o cinismo, humor e ironia que Machado, apresentando-se como escritor realista na época, sabia muito bem como escrever. Então ele inicia a conversa dizendo que, mesmo que o filho conquista um diploma e uma carreira profissional, gostaria que realizasse seu sonho: se tornar um Medalhão. Para ele significava um homem chegando à maturidade após adquirir fama na sociedade.

Imagine um pai aconselhando o filho a abster-se de ideias próprias e evita-las exercendo atividades como jogos de bilhar. Ou seja, o mesmo que em pleno século XXI, dizer: - Filho, não leia tantos livros que te fazem pensar, se previna gastando seu tempo com realities shows na TV! Ou então: - Esteja sempre acompanhado porque a solidão dá margens a ideias! Ou pior (e essa é do Machado adaptada por mim): - Se for a uma livraria, vá só para bater papo ou contar piadas, isso vai ajudar a reduzir seu intelecto.

E por aí vai o conto. O pai ensinando algumas citações que o filho pode empregar em discursos prontos, como fazer marketing pessoal sem esforço intelectual ou como entrar na política da forma mais neutra possível, sem adotar novas ideias e apenas discursar sobre assuntos que incitem discussões e debates. Sem imaginação, sem reflexão, sem filosofia. Até na área do humor ele arrisca uns conselhos escrupulosos.

“Teoria do Medalhão” é desenvolvida em forma de crítica em torno do comportamento de alguns membros da sociedade, em uma época em que no Brasil ainda imperava uma economia agrícola, com o Rio de Janeiro como principal exportador de café. As falas do pai são uma ironia direta aos que prezam o parecer acima de ser e que obtêm ascensão social sem nada de esforço.

Ao ler os conselhos do pai, conseguimos identificar como são construídos os “medalhões”, que esquecem sua essência para viverem de aparência. Afinal, um medalhão não é isso? Tem um belo, adornado, reluzente, visto e admirado por todos, e outro oculto, sem nenhum atrativo e que fica sempre virado para dentro.

“Teoria do Medalhão” é um conto satírico, muito bem escrito no formato de um diálogo, contendo todos os ingredientes da estética machadiana, que nos permite uma reflexão sobre a mediocridade da sociedade brasileira da época (porém um conto atemporal!). A propósito, preciso ler Voltaire, pois me contaram que seus escritos contêm essa ironia filosófica que pode ter inspirado Machado de Assis.

Boa leitura!

24 de fevereiro de 2020

10 livros que comprei pela capa e gostei! | Portão Literário

O bom de foliar em casa é que dá até para se fantasiar com o penduricalho da parede! 🤣🤣🤣
Ainda tem restinho de feriado para quem quiser curtir umas dicas de leitura. Acabei de publicar no canal um vídeo com 10 dicas de livros que comprei pela capa e gostei da leitura.

12 de fevereiro de 2020

O Amor de Mítia (Ivan Búnin) + MEUS (poucos) LIDOS DA LITERATURA RUSSA | Portão Literário

Oi gente! Acho que este é o primeiro vídeo sobre o tema no canal. Porque realmente não sou entendida no assunto e ainda li muito pouco de literatura russa. Mas decidi registrar os títulos que já passaram por aqui, junto com minha mais recente leitura russa, "O Amor de Mítia" de Ivan Búnin.

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23 de janeiro de 2020

EU LI: Noite do Oráculo (Paul Auster)

Oi gente!

Quando ganhei de presente da Eli Trevellin o “Noite do Oráculo”, há mais de dois anos, não me empolguei tanto para a leitura, apesar de ouvir que ele é perfeito para quem gosta de escrever. Agora, chegou a vontade e após a leitura a confirmação: Realmente, é um livro que todo escritor deveria ler.

Dizem os críticos que Paul Auster tem talento para histórias que parecem um labirinto, assim como Borges (que vergonhosamente ainda não li). Em “Noite do Oráculo” ele aborda a questão da identidade, porém de forma extremamente criativa, entrelaçando várias histórias e deixando nós, leitores, decidirmos em qual delas (ou em todas), mergulhamos.

O livro de Auster tem três histórias, uma se encaixando na outra, sem falar nos paralelos que fazemos com a vida do autor, enquanto corre a leitura. Começamos conhecendo o personagem Sidney Orr, que é escritor, porém se recupera de uma doença que o deixou inativo por muito tempo. Ao animar-se em voltar à ativa, entra em uma estranha papelaria no Brooklyn e compra um caderninho de anotações, com capa azul e importado de Portugal. E de forma surreal, ao começar a escrever no caderno, sua criatividade aflora novamente e as anotações tomam um rumo inesperado, que surpreendentemente se misturam com a vida do autor.

Agora entendo porque o livro divide opiniões. “Noite do Oráculo” exige do leitor redobrada concentração e a mente aberta para descobrir suas camadas e perder-se propositalmente e positivamente no cruzamento das histórias.

Só para deixar um gostinho a mais, a história que Sidney começa a escrever no caderninho azul é sobre um editor chamado Bowen, que após receber o original de um romance para analisar, salva-se milagrosamente de um acidente na rua e decide largar sua vida e fugir para longe. Pega o primeiro avião que encontra, rumo a Kansas e, chegando lá, descobre que sua mulher, ao saber do desaparecimento e por medidas de segurança, cancela seus cartões de crédito. Sem dinheiro, pede apoio a um recente conhecido, que é ex-combatente da Segunda Guerra e mantém um espaço subterrâneo escondido, onde guarda segredos. Nesse meio tempo, começa a ler o manuscrito do romance, que conta sobre um soldado que fica cego durante a Primeira Guerra Mundial e ganha poder de ver o futuro. Ufa!

Então, basicamente estas são as três histórias que se misturam. Mas não espere um desfecho normal para elas (acho que é isso que irrita muitos leitores), porque o que você vai encontrar nelas é algo bem diferente: uma complexa alegoria sobre o poder das palavras!

Será que os escritores têm o poder da premonição? São capazes de escrever o futuro ou determinar situações reais?

Personagens não faltam e cada um deles vai permear um pouco do desfecho do livro, seja o chinês MR Chang, que é o dono da papelaria, ou John Trause, grande amigo de Sidney e sua esposa, que também guarda segredos do passado, ou Sylvia Maxwell, neta da autora do manuscrito que é entregue à Bowen. É por isso que, se o leitor tentar ler as histórias como independentes e não se render ao cruzamento delas, não vai mesmo achar graça no livro e não vai captar o que define o rumo da história. Eu recomendo o desafio. Se você não gostar, abandona e tá tudo bem.

Boa leitura!

19 de janeiro de 2020

Morte na Praia (Agatha Christie) | Portão Literário

Vamos agitar este domingão de janeiro com uma leitura ambientada na praia, com pessoas hospedadas em um luxuoso hotel localizado em uma ilha repleta de paz e relaxamento? Só que não! Com Agatha Christie dificilmente a história é serena né? Mais uma leitura para o projeto Agatha!

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