14 de janeiro de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita - Minha trajetória (2011 - Despertar)

Oi gente!

Nesse ano de 2021, completam-se 10 anos do meu despertar oficial para a escrita. Denomino assim porque não é novidade que sempre gostei de escrever, desde a adolescência. Mas só criei coragem para publicar meus escritos em 2012. E considero o ano de 2011 como um despertar. Em 2011, meus cabelos estavam bem diferentes do que estão hoje! Mas não só os cabelos. Eu mudei interiormente, e que bom que nós mudamos (melhoramos) com o passar do tempo né? Senão de que valeria a nossa existência? 

Então, para relembrar essa trajetória, inauguro hoje uma série de 10 postagens, contando sobre minhas conquistas e meus tropeços, os responsáveis pelos maiores aprendizados nos últimos dez anos.

No Parque Ibirapuera em SP (quando fui para o 9º Scrapbooking Show)

Em fevereiro de 2011 eu completava 37 anos e terminava minha pós-graduação em Administração, depois de duas faculdades na área de exatas, trabalhava em uma multinacional e era vista como uma workaholic, além de começar a questionar um relacionamento complicado. Naquela época era inimaginável para mim tudo que sou agora. Eu nem sonhava que hoje, em 2021, teria 5 livros publicados e participação em quase 50 coletâneas. Também nem imaginava que me formaria em Letras, que teria um canal literário, isso sem contar da vida pessoal: como estar casada e perder minha mãe em meio a uma pandemia, por exemplo. Bem, vou focar na parte escritora pois como tudo é muito recente, decidi que não vou inserir nessa série de postagens fotos com minha mãe, para não interferir no meu processo de cura emocional. Importa apenas deixar registrado que minha mãe sempre me apoiou em tudo, mesmo insegura quando disse a ela que publicaria meu primeiro livro, pois morria de medo de que eu largasse meu emprego (rs), até inflada de tão orgulhosa quando nos últimos anos assistia comigo alguns vídeos do canal.

Antes de uma reunião corporativa na multinacional onde trabalhei por 22 anos

Iniciei 2011 estabilizada emocionalmente, super bem no meu emprego e achando que meu relacionamento seria para a vida toda, mas foi justamente os questionamentos em relação a ele que me fizeram tomar alguns rumos e resgatar hábitos que estavam esquecidos. Nas horinhas de folga, para apaziguar as dúvidas e questionamentos, eu me enfiava no scrapbook, arte que me interessou depois que aprendi a fazer caixas decoradas. Na época, foi uma moda o tal do scrapbook e a internet pipocou de blogs, grupos e aulas sobre a arte composta de técnicas de recorte e colagem para guardar suas recordações mais preciosas em álbuns, mas que se ramificou em cartões, caixas, quadros decorativos, entre outros. Eu tinha um blog antigo (Blog da Ale), criado em 2004, por incrível que pareça, para escrever. Na época era uma espécie de diário, mas os textos eram tão "toscos" que eu tinha deletado tudo. Mas aproveitei o endereço válido e iniciei um blog novo para postar as minhas "artinhas", como eu chamava. 

Algumas das minhas "artinhas"

O scrapbook me ajudou muito na época. Fiz amizades, cursos e até viajei para o 9º Scrapbooking Show em São Paulo, o maior evento anual de scrapbook no Brasil (acho que não existe mais). O fato é que naqueles momentos em que eu escolhia uma foto, uma gravura, um papel decorado, para combinar com fitas, botões, tintas e adesivos, eu esquecia das angústias e entrava em um mundo colorido que era só meu e me fazia tão bem (aliás, era criticada por isso, por “fugir” da realidade). E para falar a verdade, essa sensação eu só lembrava de ter em minha vida com as leituras e com a escrita. Era assim que na adolescência eu esquecia os conflitos internos e a baixa autoestima e me sentia melhor: escrevendo.

Sempre questionadora e buscando respostas...

Foi assim que terminei o ano de 2011. Ainda empolgada com a arte do scrapbook, mas sentindo uma vontade imensa de retomar algo que por tantos anos ficou perdido. Foi então que comecei a resgatar meus escritos engavetados e guardados no computador. Iniciei 2012 publicando no meu blog, junto com as minhas artes, as poesias que escrevi dos doze aos trinta anos de idade. E foi em 2012 que eu decidi compilar essas poesias e transformá-las em um livro. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

Espero você no próximo TBT Especial do Divã de Escrita!

O Palhaço e sua Filha | Halide Edib Adivar

Oi gente!

Enquanto tento colocar o emocional nos eixos, as leituras vão fluindo. Comecei o ano literário conhecendo esse clássico da literatura turca, da escritora Halide Edib Adivar.

Como é um livro pouco conhecido, deixei um vídeo gravado com as minhas impressões.

Clique para assistir


3 de novembro de 2020

25 de outubro de 2020

Histórias de Fantasmas (Charles Dickens) | Portão Literário

 #victober #victoberbrazil

Dickens é muito lembrado por uma escrita que denuncia os problemas sociais advindos da Revolução Industrial, mas também usou a temática sobrenatural em outras narrativas, como, por exemplo, o conto intitulado “O Sinaleiro”, que faz parte da coletânea de contos "Histórias de Fantasmas".

15 de outubro de 2020

Divã de Escrita 2020 #8 (O Gato Preto, de Edgar Allan Poe) - Um conto autobiográfico? | Portão Literário

Oi gente!

Vamos para mais uma leitura de contos comentada, seguindo com o projeto "lendo contos, para melhor escrever contos". E nada melhor do que aproveitar o mês de Halloween para ler "O Gato Preto" (1843), um dos contos mais famosos de Edgar Allan Poe, escritor norte-americano reconhecido como um dos precursores das narrativas fantásticas de terror.

Muito se comenta que "O Gato Preto" seja um conto autobiográfico, visto as coincidências com a vida boêmia do protagonista, que no decorrer da história, aos poucos vai mergulhando na insanidade. Poe de certa forma, também teve uma vida rodeada de mistérios. Ficou órfão muito cedo e sempre apresentou um comportamento estranho, refletido em sua obra marcada pelo amor, pessimismo e morbidade.

Falando um pouco do conto, o gato preto era o animal doméstico do protagonista narrador, que antes de iniciar suas confissões macabras, se defende justificando ao leitor que amava os animais. Recurso utilizado pelo autor, na minha opinião, para tentar a simpatia do leitor, antes de contar seus terríveis feitos. Poe também escolheu apropriadamente o tipo de animal, já que sua intenção era contar uma história macabra. Afinal, porque seu animal doméstico não poderia ser um cão ou um gatinho branco né?

Acontece que devido ao consumo desregrado do álcool, o protagonista muda seus modos no tratamento do bichano e após essa mudança, Pluto (o gato) se torna um dos personagens mais expressivos, senão outro protagonista da história. Durante o conto, o narrador confessa atitudes horrendas e quando inicia essas confissões, o clima da narrativa pesa de vez. O gato é maltratado ao extremo (pessoas sensíveis aos animais não devem ler) e morre. Porém, outro gato com as mesmas características volta para, desconfia-se, vingar-se do seu carrasco. É outro gato, mas possui marcas das maldades impostas ao Pluto e (para mais uma vez tentar a simpatia do leitor) o narrador o adota e trata com carinho, aquele que agora passará a persegui-lo. Incomodado, o narrador tenta repetir a crueldade de antes, mas é impedido por sua mulher. Dominado pelo ódio devido a interferência da mulher, o narrador a mata e a empareda na adega da casa. O final continua macabro e vou deixar para o leitor descobrir se afinal, o gato foi vingado ou não.

Percebem-se muitos símbolos no conto de Poe, a começar com o gato preto já comentado, incêndio (no dia em que mata o gato a casa pega fogo), subterrâneo (o lugar que escolha para emparedar a mulher), entre outros. Toda essa mistura inserida pelo autor, cria um clima mórbido e obscuro. Embora o narrador confesse o uso do álcool como responsável pelos crimes, a história também oscila com o sobrenatural e fantástico. Em certos momentos do conto, o autor nos deixa dúvidas de se o narrador está sendo manipulado por forças sobrenaturais ou suas ações eram simplesmente efeito dos seus vícios.

"O Gato Preto" passa ao leitor toda uma reflexão sobre a culpa, já que é narrado por um assassino, cuja mente doentia tenta usar argumentos para diminuir sua responsabilidade sobre os acontecimentos. Poe consegue escrever algo através de símbolos que levam o leitor a, intuitivamente, tentar entender os conflitos internos do personagem. É interessante observar como no início o narrador deixa claro que "não espera que os leitores lhe deem crédito", inserindo uma dúvida de que ele mesmo sente-se envergonhado, mas ao mesmo tempo, assombrado com os fatos. 

Na vida real, os vícios de Poe causaram-lhe muitos transtornos, como perder uma vaga na Universidade de Virgínia e causar sua demissão de algumas editoras. Mas esse seu estilo inconstante e boêmio, por outro lado, foi sua principal fonte de inspiração para escrever. E em "O Gato Preto" é mais nítida a impressão da sua intimidade com narrativas macabras. 

Boa leitura!