21 de julho de 2020

EU LI: As cinco pessoas que você encontra no céu (Mitch Albom)

Oi gente!

Já passou da hora de comentar sobre essa história por aqui. Desde que comecei o canal no You Tube, "As cinco pessoas que você encontra no céu", do autor Mitch Albom, já foi citado em vários vídeos sobre leituras da vida. Embora eu tenha conhecido a adaptação antes, já fiz leitura e releitura dessa obra tão significativa para mim.


"As cinco pessoas que você encontra no céu" é um daqueles livros que afaga meu coração, por isso reli recentemente para enfrentar algumas dificuldades por aqui. Meu primeiro contato com a história já fazem alguns bons anos, foi assistindo a adaptação de 2004, dirigida por Lloyd Kramer. A dica foi do meu sobrinho, que sempre me indica ótimos livros e filmes, por termos alguns gostos em comum.



Um dos motivos para não ter feito ainda uma postagem sobre ele é que, seja lendo o livro ou vendo o filme, me preencho de uma vontade de falar muito sobre, porém quando tento as palavras somem. Desenvolvi uma teoria para isso. Essa história me desperta muitos sentimentos, sensações profundas difíceis de serem traduzidas em palavras. Agora decidi tentar.

A história é sobre Eddie, um senhor que trabalha em um parque de diversões, como responsável pela manutenção dos brinquedos. Conhecido pelas crianças como "Eddie Manutenção", o conteúdo do seu crachá de identificação. Eddie é um idoso sério, um tanto amargurado, mas que leva sua profissão com toda a responsabilidade, sempre preocupado em checar os brinquedos para garantir a segurança de todos. Algo acontece (e é algo que faz relação com a mensagem do livro) e um dos brinquedos acusa uma falha, em funcionamento. Tentando salvar a vida de uma criança, Eddie morre.

Então você me pergunta: - Mas morre assim, logo no início do livro?

Sim. Porque a jornada de Eddie vai começar após a sua morte. Quando ele encontra suas cinco pessoas. 

Então você me pergunta de novo: - Como assim, cinco pessoas?

A história usa como simbolismo as cinco pessoas, para explicar como as vidas terrenas são entrelaçadas, independente das pessoas se conhecerem ou não. E o principal e o que mais me toca: como uma pessoa pode impactar na vida de outra, seja de forma positiva ou negativa, muitas vezes sem nem saber disso! Como um pequeno gesto pode transformar sua vida para sempre.

Você entenderá isso melhor acompanhando o passado de Eddie, desde sua infância. Conhecerá durante a narrativa seus sonhos de menino, suas decisões na juventude, suas conquistas e fracassos. Tudo que o tornou o homem que era antes de morrer, sua frustração por achar que sua vida não valeu à pena, porque abriu mão do sonho de ser engenheiro para lutar na guerra. Enquanto tenta descobrir se conseguiu salvar a menina no parque de diversões, Eddie encontra suas cinco pessoas e com cada uma delas aprende uma lição. Inclusive a de que nada existe por acaso e que estamos todos ligados uns aos outros. 



É obviamente este um dos motivos deste livro me tocar tanto. Porque compartilha com o que acredito. E sempre que sinto vontade de pensar sobre o legado da minha vida, retorno à história de Eddie. "As cinco pessoas que você encontra no céu" é um livro para se ler nos momentos em que nos sentimos fracos e inúteis. Ele nos lembra que em momento algum desperdiçamos nossa vida e que pequenos gestos podem mudar o destino de outras pessoas para sempre. Um gesto de bondade pode ser nada para você, mas pode ser decisivo na vida de outra pessoa. O livro também nos alerta para o efeito negativo. O quanto nossa impulsividade e egoísmo momentâneos também interferem em outras vidas.

Para quem acredita na continuidade da vida após a morte, a leitura é um prato cheio. Principalmente porque temos sempre aquela impressão que reencontraremos as pessoas mais próximas, os entes amados ou familiares. Na história de Eddie, as coisas não são bem assim. E minhas crenças fazem com que eu trilhe junto com Eddie sua trajetória, me surpreendendo, me assustando, me emocionando.

"As cinco pessoas que você encontra no céu" certamente nos mostra uma forma diferente de entender a vida e a morte. Não precisamos de nada grandioso para deixar um bom legado. Tudo está conectado e temos diariamente o poder de impactar vidas. Que o façamos de maneira positiva!

Boa leitura!

20 de junho de 2020

Divã de Escrita 2020 #5 - Um conto com múltiplas versões | Portão Literário

Oi gente!

Como combinado, dando continuidade ao Divã de Escrita aqui pelo blog, enquanto não consigo retomar o canal. Se você chegou agora e não entendeu nada, pode se atualizar lendo a postagem anterior. Hoje vou deixar minhas impressões sobre mais um dos contos listados para o projeto, que me proporcionou conhecer a literatura de um grande contista japonês: Ryünosuke Akutagawa.


Embora o conto que dá título ao livro também seja ótimo e muito comentado, vou me concentrar nas impressões do conto citado no projeto, "Dentro de um bosque", e que basicamente dá ao leitor uma reconstituição do assassinato de um samurai em sete versões diferentes. Duvida que um escritor faça isso? O Akutagawa fez! Então antes de falar do conto, vamos falar um pouco sobre o autor.

Ryūnosuke Akutagawa (1892 - 1927)
Ryünosuke Akutagawa nasceu em Tóquio no ano de 1892. Não escreveu nenhum romance mas foi um grande contista japonês, deixando mais de 150 contos durante sua curta vida (cometeu suicídio aos 35 anos). Ficou famoso pelo estilo e riqueza de detalhes nas suas histórias, considerado por isso o "pai do conto japonês". Acredita-se que o sentimento de solidão por ser abandonado pela mãe, que enloqueceu logo após seu nascimento, tenha sido um dos combustíveis para sua literatura. Apesar de ter sido adotado pelo tio, ele cresceu em um ambiente empobrecido, cujo isolamento fazia parte da rotina e incorporando-se ao seu trabalho. Seu conto "Dentro de um bosque" foi publicado em 1922 e é um dos contos mais reconhecidos da literatura japonesa, inclusive serviu como uma das inspirações para o filme "Rashõmon", clássico de 1950 do diretor Akira Kurosawa (que eu preciso ver!). 

A construção do conto, que tem uma essência sombria, envolve o leitor de uma forma única. Sua narrativa compreende os relatos de sete personagens que tentam explicar como foi o assassinato de um homem, cujo cadáver foi encontrado em um bambuzal. A vitima viajava com sua esposa, quando foram abordados por um ladrão que lhe rouba a espada, o arco, as flechas e estupra sua mulher, sem que ele consiga reagir. 

O autor constrói um enredo similar a uma história policial e o curioso é que mais de um personagem assume a responsabilidade pelo ato, mas a cereja do bolo é que no final das contas, ele não entrega ao leitor qual dos depoimentos é o verdadeiro e quem realmente é o assassino. 

É extremamente intrigante a leitura deste conto. Os relatos mostram divergências, um último relato surpreende mas deixa dúvidas da mesma forma por ser "terceirizado", digamos assim. Ainda que exista essa estrutura fragmentada, o conto é coerente e compreensível. E para mim, o melhor, nos faz refletir como uma mesma situação pode ser encarada por diferentes visões e experiências de cada um. Deixamos nos levar por cada testemunho, cogitando se realmente o personagem acredita no que está expondo ou se mente por vontade própria. Para mim, um dos pontos marcantes do conto foi o depoimento do ladrão, que depois de confessar o crime, deixa ao policial uma reflexão acompanhada de um sorriso irônico, que sugere claramente uma crítica ao Estado.  

Estudos apontam que Akutagawa, ao escrever "Dentro de um bosque", inspirou-se em narrativas clássicas da literatura japonesa, que fazem parte de uma coletânea chamada "Konjaku Monogatarishû", composta de anedotas de cunho budista, compiladas no século XII. São histórias que registram novos valores de uma época, a sociedade de guerreiros simbolizada pelos samurais e um momento de tranformações políticas, culturais e sociais. Tanto que a personagem feminina do conto é o oposto do que era o tradicional na literatura da época, mulheres passivas, submissas e invisíveis. Basta ler seu depoimento para o leitor reparar que os papeis sociais do marido e esposa estão completamente invertidos para os padrões sociais da época.

"Dentro de um bosque" é um conto direto e minimalista (característica do autor), em que o leitor é apresentado apenas aos depoimentos, sem situar-se em um contexto ou local, antes ou depois dos acontecimentos. Sequer existem conexões gramaticais ligando os depoimentos, os fatos são desencadeados e o último depoimento coloca fim à narrativa. Simples assim. E simples assim, muito bem escrito! Assim como Tchekhov, citado no último Divã de Escrita, também não encontrei apelos moralistas nos contos de Akutagawa, o que me satisfaz como leitora, por sentir-me liberta a construir minha própria interpretação.  
Vale também citar que o Prêmio Akutagawa, um dos prêmios literários mais cobiçados do Japão, foi criado em 1935, em homenagem ao autor. 
Recomendo aos contistas de plantão que conheçam o trabalho de Ryünosuke Akutagawa, mais uma aula para nós!
Até!

5 de junho de 2020

Divã de Escrita 2020 #4 - Aprendendo com os melhores | Portão Literário

Oi gente!

Para quem não acompanhou, estou em pausa dos trabalhos literários devido ao internamento da minha mãe, desde 01/05/2020, por problemas advindos da insuficiência cardíaca. Minha mãezinha tem 82 anos e está bem fraquinha, saiu da UTI e já está em casa, mas bem debilitada e estamos priorizando nosso tempo para os cuidados com ela. <3 p="">

Bem, claro que é uma pausa parcial, apesar das leituras diminuírem muito, sempre que sobra um tempinho eu alento meu coração nos livros. Escrever não tô conseguindo, por enquanto, mas estou sentindo que quando essa fase passar, a escrita fluíra aos montes. Vivências profundas e delicadas despertam inspirações que nem sabemos que existiam. 

Decidi publicar o Divã de Escrita aqui no blog, já que não estou conseguindo gravar para o canal, pois sei que tem várias pessoas acompanhando e assim como eu, adoram conversar sobre suas produções. Então, para quem está chegando agora, melhor assistir ao primeiro vídeo do ano, lá eu falo como está funcionando meu projeto de ler contos, para melhor escrever contos. Só clicar aqui.

Depois do vídeo introdutório, publiquei mais dois vídeos. Um em março, conversando sobre Diálogos e um livro bem didático que li sobre o tema. Além de falar aqui no blog sobre o conto "Teoria do Medalhão", de Machado de Assis, que é basicamente escrito através de um diálogo. Em abril o Divã foi um pouco diferente, através de uma leitura maravilhosa do livro "Atitude Empreendedora - Descubra com Alice seu País das Maravilhas", abordei alguns aspectos do Empreendedorismo Cultural e percepções vindas da minha bagagem corporativa de mais de vinte anos.

E a sequência seria ler os contos de Tchekhov e falar sobre eles no próximo vídeo, mas... Então, vamos continuar por aqui nossos Divãs até as coisas se acalmarem? A proposta do projeto do Divã era ler um dos contos mais famosos dele: "A Dama do Cachorrinho". Mas eu curti tanto que devorei dois livros inteiros do autor.


"A Dama do Cachorrinho" conta a história de duas pessoas que não eram felizes em seus casamentos, até que certo dia se conhecem em um balneário na Crimeia. No início sentem que a inspiração para viver retorna em seus corações mas com o tempo vem o sofrimento por estarem deixando suas famílias de lado. No século 19, o divórcio era absolutamente inimaginável, então o conflito interior dos personagens é gigantesco e o autor utiliza do conto para expressar muito do sentimento humano.

Lendo Tchekhov percebi como alguns autores desenvolvem tão bem a escrita de contos. Partindo do fato de que um conto precisa ser objetivo, ter poucos personagens, um clímax e detalhes que prendam o autor do início ao fim, nem todo escritor consegue sucesso nessa empreitada. Um dos traços que achei marcantes nos contos de Tchekhov é que ele não é aquele autor chato e moralista. Sempre deixa um espaço para que o leitor tire suas próprias conclusões, permitindo inclusive várias interpretações, sem impor suas crenças e ideologias. Só quem escreve sabe como é difícil ser imparcial!

A edição da L&PM Pocket me surpreendeu muito! Tchekhov tem um humor inteligente, que nos faz rir dos outros, mas percebendo que também cometemos os mesmos tropeços. Seus contos de humor tem a capacidade de ironizar atitudes humanas, trazendo ao mesmo tempo reflexões de nossas próprias atitudes.

Além do aprendizado com tantas leituras, também encontrei algumas dicas que o autor deixou para escritores, acho que vale transcrever algumas que achei tão valiosas:

Algumas dicas de Anton Tchekhov

  1. Não me permita Deus julgar ou falar aquilo que não sei e não entendo.
  2. Não retoques, não buriles demais, sê estouvado e audacioso. A brevidade é irmã do talento.
  3. Corto sem dó. Tudo o que leio, seja meu ou de outrem, parece que nunca é curto o suficiente.
  4. Na esfera da psique também são os detalhes que contam. O melhor de tudo é evitar descrever o estado de espírito das personagens; deve-se fazer com que ele seja apreendido a partir de suas ações...
  5. Sobrenomes supérfluos só atravancam
Mas para mim, a maior dica de todas e que é mencionada em muitos cursos de escrita, é a chamada "Arma de Tchekhov". Trata-se de uma técnica que afirma serem necessários todos os elementos colocados em uma história. O autor exemplificava: "Se você diz, no primeiro ato, que um rifle está pendurado na parede, no segundo ou terceiro ato ele deve, impreterivelmente, ser disparado. Se não será usado, não deveria esta lá". 

Percebo muito disso na literatura contemporânea. Elementos desnecessários no texto, que só servem para "encher linguiça" e avolumar obras. Li em algum site um bom exemplo atual do uso da "Arma de Tchekhov" em Harry Potter, escrito por J. K. Rowling. No segundo volume da série, "Harry Potter e a Câmara Secreta", alguém comenta no início da trama que o veneno do Basilisco era muito poderoso. No final, Harry lembra desse comentário e utiliza uma presa do Basilisco para matar uma Horcrux. Taí! Se você insere um elemento, precisa utilizá-lo, principalmente em contos!

Por fim, preciso registrar que me tornei fã do autor e concordo que é um dos maiores escritores de todos os tempos. Seus contos são aulas e suas dicas são atemporais e agregam muito em nossos trabalhos com a escrita. Já está na minha lista de leituras seu livro "A Ilha de Sacalina", um trabalho corajoso do autor, que já tuberculoso, viajou pela Sibéria até a Ilha, na época lugar que acolhia prisioneiros exilados. Seu trabalho de não ficção sobre o local é sempre indicado nas listas de literatura russa.

Boa leitura!

2 de junho de 2020

TEMPO DE DRAGÕES (Coletânea organizada por Valter Cardoso, Ale Dossena e Rafael Duarte)

Oi gente!

Hoje é dia de divulgar os detalhes da coletânea "Tempo de Dragões", organizada por mim, junto com Valter Cardoso e Rafael Duarte, amigos escritores do NLCAC - Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro. Os contos recebidos nos surpreenderam não só pela quantidade, como também pela qualidade! Desde o planejamento da coletânea, estipulamos uma quantidade aproximada de contos a ser publicada, para garantir uma obra diferenciada não só no aspecto literário, mas em revisão, apresentação e projeto gráfico.

Seguindo os padrões do NLCAC, além da revisão gramatical, todos os contos foram analisados profundamente, quanto a criatividade, narrativa, desenvolvimento dos personagens e demais detalhes que os tornem obras literárias de grande apreço. Apesar de trabalhoso, tivemos uma deliciosa experiência, conhecendo dragões dos mais diversos tipos e locais do mundo. Nossa coletânea ganhou até uma participação internacional!


No meio do projeto, uma surpresa boa. Firmamos uma parceria com a artista plástica Ales de Lara, que foi responsável pelas artes internas e pela capa. Agora, além da diagramação caprichada que planejamos, cada conto terá uma imagem exclusiva.


Uma participação muito especial foi a do escritor Christopher Kastensmidt, que fez o prefácio da coletânea.



Nós, organizadores, também contribuímos com histórias sobre dragões. E eu confesso que foi um dos contos que mais gostei de escrever. Abaixo uma breve sinopse dos nossos contos.

Sr. Henry, proprietário de um antiquário na Inglaterra, atende seus clientes com atenção e cordialidade. Mas nem imagina que um dos objetos nas suas prateleiras, revela uma trágica história de amor do passado.

O dia a dia em uma produção cinematográfica de baixo orçamento revela uma enorme e perigosa oportunidade para o ambicioso diretor durante os testes para o elenco.

Uma fada, para salvar sua tutora e amiga de um envenenamento, precisa buscar um conhecimento esquecido há muitos séculos. Só alguém muito longevo pode lembrar-se dessa sabedoria ancestral, mas há um grande perigo envolvido na procura.

E agora vamos conhecer os autores selecionados, com seus respectivos contos? Percorram os banners individuais com as informações do autor e uma breve sinopse na descrição da imagem.

Dragões geralmente remetem ao imaginário de uma Europa Medieval, com castelos, cavaleiros e princesas. Mas como seriam em outros lugares? Como seriam os dragões de um Brasil na época colonial? Como seria seu combate com índios tupis e bandeirantes, ao invés de cavaleiros com armaduras brilhantes? É o quadro que este conto tenta pintar, trazendo a cultura de dragões às terras tupiniquins e mostrando que aqui também há espaço para lendas destas gigantescas criaturas.

Após séculos de animosidade, o Povo Dragão do Principado de Skamandra finalmente enviou um embaixador para negociar um tratado de amizade com a cidade de Flândria. Hospedado no palácio do governo, ele se mostra muito amável, mas seus constantes rugidos e agitação deixam todos nervosos. Também inquieta, mas empenhada antes de tudo em garantir o bem-estar do hóspede, Yolanda, a governanta do palácio, acaba por descobrir algo sobre os dragões que escapa ao conhecimento dos maiores estudiosos de Flândria.

Há quinhentos anos, aventureiros invadiam os covis de dragões que aterrorizavam a população para roubar seus tesouros. Mas, hoje em dia, dragões trocaram suas cavernas por arranha-céus, e usam seguranças particulares e cofres de última geração. As coisas ficaram bem mais difíceis. Difíceis, mas, como três audaciosos ladrões vão provar, não impossíveis.

Um nobre franzino e obcecado pela glória de seu antepassado fará de tudo para demonstrar seu heroísmo. Até tentar matar um dragão, com a ajuda de seu fiel e fortíssimo criado Teleguim.

Erick está perdendo algo de valor: seu humano de estimação. Sem rumo, ele busca a ajuda do único que pode curá-lo, seu tio Shiukan. No entanto, ao invés de ajudá-lo, Shiukan mostra a Erick que a morte está mais próxima do que ele imagina. Em meio ao desespero, Erick recebe do seu tio mais do que simples conselhos e descobre o que realmente tem valor e faz valer a pena viver.

Juquinha e Alcides amanhecem num sábado esquisito, com ar cheirando a mofo. Nesse dia, as comunicações não funcionam e ambos perambulam pelas cercanias, encontrando vários ninhos de ovos esverdeados e malcheirosos. Quando os ovos se quebram, surgem muitos filhotes de dragão, que vão aterrorizar a cidade. Dirigindo-se à prefeitura, vão descobrir que a humanidade está sem saída e que foi dominada por reptilianos que se aliaram aos dragões. 

Nesse conto, que mistura episódios históricos, lendas e fantasia, o leitor conhece o dragão Gregório, o inusitado guardião do Santo Graal. Para desempenhar a importante função, Gregório finge ser uma estátua no topo de uma antiga igreja. Seu tempo de serviço está quase terminando e logo será substituído por outro guardião. Ele relembra aventuras e faz planos para o futuro, mas, no final, nem tudo sai como programado.

Devido ao seu poder destrutivo, os dragões foram colocados em uma cúpula interdimensional. Mas em uma excursão proibida dentro da cúpula, Eliana encontra um dragãozinho que a segue até seu mundo. Em vez de denunciar sua presença, Eliana torna-se amiga do Fofinho. Até ele crescer e trazer terríveis consequências...

Sir Edward, um cavaleiro, se aventura até um castelo perdido onde pretende matar um dragão e salvar a princesa. Mas ao chegar lá percebe que a princesa não se encontra no recinto. Mas o dragão sim. Ao invés de um combate feroz como o de costume, os improváveis amigos debatem sobre o machismo estrutural, sobre como princesas não precisam esperar serem salvas e que cavaleiros podem seguir seus corações e sentimentos.

Quando as Sombras do Grande Feiticeiro Necromante chegam ao Submundo, a dragão Ágama é obrigada a deixar seu lar e ser carcereira de uma princesa em um castelo. O que o Necromante não poderia prever era a amizade que nasceria entre as duas, menos ainda que uma única escama poderia ser a grande ameaça ao seu reinado de horror.

O planeta Terra vive dias escuros, e uma grande guerra, planejada por seres de outra dimensão, promove o caos à nossa civilização. Quando os combates chegam ao Japão, um querubim e o dragão protetor daquele povo precisam da ajuda de um monge budista para prender um dos anjos caídos e mudar o destino do orbe.

Enquanto duas crianças descobrem como lidar com a difícil separação dos pais, um avô descendente de poloneses e residente de uma cidade em algum lugar da região sul do Brasil reconta aos netos uma lenda da terra de seus antepassados. Trata-se da história de Krakow, o dragão negro, e como ele foi derrotado, não pelos mais valente entre os guerreiros, mas por um simples jovem apaixonado. Sem que as crianças percebam, a história do avô é um rito de passagem importante para que eles entendam o verdadeiro poder das histórias de dragões na vida adulta.

E por enquanto é isso! Agora, estamos todos ansiosos aguardando o lançamento. O processo de diagramação já está adiantado e logo poderemos degustar todas estas belas e inusitadas histórias de dragões. Importante destacar que também foi parte do nosso trabalho enviar feedback para todos os participantes, inclusive os não selecionados. Todos receberam algumas análises e sugestões de aprimoramento, conforme o padrão que usamos no NLCAC. Entendemos que as dicas poderão ser úteis aos projetos futuros dos autores.


Acompanhem as notícias em nossas redes sociais e não percam as postagens de lançamento. Teremos o lançamento do e-book pela Amazon e na sequência o lançamento da versão física. Todos torcendo para acabar a quarentena e podermos estar juntos novamente, em eventos presenciais, falando de literatura!

Até mais!

17 de abril de 2020

EU LI: O Castelo de Papel (Mary del Priore)

Oi gente!

Como estão todos? Hoje passei para comentar uma leitura recente, "O Castelo de Papel", da historiadora Mary del Priore. Os livros da Mary abordam muito da História do Brasil e só por isso já são motivos para dividir opiniões. Foi minha primeira experiência com a autora.


"O Castelo de Papel" mistura romance com fatos históricos, baseados principalmente em pesquisas das cartas da Princesa Isabel e seu esposo Conde D'Eu, tornando o livro quase uma biografia do casal. Aliás, foi um dos aspectos que gostei, conhecer melhor este personagem que até então me era desconhecido, tanto quanto o fato de que Isabel casou-se com um estrangeiro, pois o Conde era neto do rei deposto da França, Luis Felipe I. O livro nos conta então sobre sua formação, seu papel na Guerra do Paraguai (que é bem contraditório com outras fontes que pesquisei), sua relação com o sogro (D. Pedro I), focando na relação conjugal com a Princesa.

O recurso que a autora usou foi demonstrar estes fatos de forma a humanizar os personagens. Temos aquelas impressões sobre o Segundo Reinado dos livros de História, ou artigos em linguagem acadêmica, mas aqui ela traça os perfis psicológico dos personagens com maior naturalidade. A própria Princesa Isabel é retratada diferente do que conhecemos, uma mulher típica do século XIX, que sonhava com uma família, era religiosa e preferia o refúgio de sua casa em Petrópolis às reuniões políticas.

Conhecemos então, através de uma narrativa fluída, a vida do casal desde o casamento arranjado que acabou se transformando em um amor sólido e companheiro, em paralelo com as transformações que o Brasil passava com os movimentos abolicionista e republicano. Dom Pedro nos é apresentado com uma personalidade egocêntrica e sisuda, sempre evitando envolver o casal nas decisões (o Conde por ser estrangeiro e Isabel por ser mulher), deixando-os responsáveis apenas em caso de ausências ou doença. Também acompanhamos a Condessa de Barral, mulher muito à frente da época, sempre influente e aconselhando o jovem casal.


O mais curioso para mim no livro, foi a desmistificação da Princesa Isabel como a salvadora dos escravos, ou "A Redentora", como é definida em vários livros de História. Pela visão da autora, a libertação dos escravos foi mais o resultado inevitável de anos de luta dos abolicionistas, do que a decisão pontual de uma mulher que, aproveitando uma viagem de Dom Pedro I, colocou a mão na consciência e decidiu por fim à escravidão no país. Segundo o livro e também em algumas cartas, a impressão é de que Isabel não queria governar, não tinha interesse em assuntos políticos e não foi preparada de forma alguma por seu pai para tal função. Fatos que indicam os motivos de tudo ter culminado para a exílio da família real e a Proclamação da República. Obviamente não deixamos de perceber as heranças que pairam no Brasil até hoje: maracutaias políticas, troca de favores e mudanças repentinas favorecidas por interesses do momento. Isto é nítido principalmente depois da queda da monarquia.



Temos em "O Castelo de Papel" um romance baseado em fatos pesquisados nas cartas dos protagonistas, mas também fiquei com a impressão de que a autora foi um pouco tendenciosa em sua narrativa. Além do protagonismo do Conde D'Eu na Guerra do Paraguai, que descobri gerar muitas controvérsias que discutem, ora uma participação positiva, ora negativa, há também esse aspecto sobre a Princesa Isabel abordado no parágrafo anterior. Existe uma carta da Princesa Isabel destinada ao Visconde Santa Victória, que era sócio do Barão de Mauá. Devem existir outros documentos arquivados na Biblioteca Nacional, mas esta carta percorreu alguns sites e blogs nas redes sociais, e eu a encontrei em uma matéria do Jornal de Brasília, de 2017. Nesta carta se percebe muito interesse da Princesa em amparar os escravos libertados, que estavam em situação de pobreza e sem perspectiva, inclusive citando que seu próximo passo era se dedicar a libertação das mulheres "dos grilhões do cativeiro doméstico". Essa afirmação no mínimo vai na contramão da personalidade de Isabel exposta em "O Castelo de Papel". Fica aqui o link caso queiram conferir, só clicar aqui.

Qual a versão correta da Princesa e demais personagens eu não sei dizer, não sou historiadora e não me compete opinar além das minhas impressões de leitura. Se você ficou curioso, sugiro que leia e tire suas próprias reflexões, ou conclusões. Gostei do livro, da narrativa acessível, das informações novas para mim. Inclusive já estou com outro livro da autora aqui para ler. De qualquer forma, livros que nos suscitam questionamentos e nos trazem releituras da História do Brasil, são sempre bem-vindos por aqui. Me ajudam a entender muito do comportamento atual, seja dos governantes ou do próprio povo brasileiro. 

Boa leitura!