Mostrando postagens com marcador Literatura Nacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Nacional. Mostrar todas as postagens

2 de dezembro de 2021

TEMPO DE ROBÔS (Coletânea organizada por Valter Cardoso, Ale Dossena e Rafael Duarte)

Oi gente!

E chegou a hora de divulgar mais uma produção em meio à pandemia: a coletânea "Tempo de Robôs", organizada por mim, junto com Valter Cardoso e Rafael Duarte. Ela faz parte de um projeto que idealizamos, a coleção "Tempos", que começou com a temática "Tempo de Dragões" e depois trouxe "Tempo de Exploradores".

A seleção foi feita como nas anteriores, garantindo uma obra diferenciada não só no aspecto literário, mas em revisão, apresentação e projeto gráfico. Seguindo os padrões do NLCAC, além da revisão gramatical, todos os contos foram analisados com profundidade, quanto a criatividade, narrativa, desenvolvimento dos personagens e demais detalhes que os tornem obras literárias de grande apreço. 

A parceria com a artista plástica Ales de Lara continua e ela foi responsável pela capa. 


Convidamos para prefaciar o livro Edson Pedro Ferlin, renomado professor atuante em Curitiba e que foi meu professor na faculdade de Sistemas de Informação. O currículo do Ferlin é tão extenso que tivemos dificuldades de incluir tudo no banner, então aqui vai o complemento:

Ferlin também é escritor e empresário, autor e co-autor de mais de uma centena de trabalhos técnicos-científicos, publicados em congressos e periódicos nacionais e internacionais.  Tem livros, capítulos de livros publicados e diversas produções técnicas-científicas. Publicou trabalhos em anais de eventos nacionais e internacionais e recebeu diversos prêmios e/ou homenagens. Membro e Conselheiro da ABENGE (Associação Brasileira de Ensino de Engenharia) e do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná). Coordenador da Câmara Técnica de Smart Cities do IEP (Instituto de Engenharia do Paraná). Revisor de periódicos internacionais (IEEE Transactions on Very Large Scale Integration (VLSI) Systems, The Journal of Supercomputing e outros) e também de congressos nacionais e internacionais. Avaliador de projetos para Agências de Fomento. Avaliador para Reconhecimento de Cursos de Engenharia e de Computação do INEP/MEC. Palestrante nas áreas de Educação, Tecnologia e Engenharia. 


Nós, organizadores, também contribuímos com histórias sobre robôs. Para mim, especialmente, foi um grande desafio escrever sobre um tema que não domino, em um ano de bloqueio criativo. Mas saiu. Abaixo uma breve sinopse dos nossos contos.

Sinopse: Um casal foge de animais que os perseguem e se refugiam numa construção ancestral que guarda segredos com os quais eles jamais sonhariam.

Sinopse: Um robô questionador desenvolve habilidades de pesquisa e escrita e, enquanto lê aventuras descobre que sua busca vai muito além do que o mundo tecnológico proporciona.

Sinopses:
TECMAG: Um androide parte numa missão de resgate e descobre um mundo paralelo onde a tecnologia é uma rara exceção.
PRIMEIRO ENCONTRO: Quando se conhece alguém pela Internet, nunca é possível saber se quem está do outro lado do monitor é realmente quem diz ser. Haitta era exatamente quem dizia ser. Ou será que não?

E agora vamos conhecer os autores selecionados, com seus respectivos contos? Percorram os banners individuais com as informações do autor e uma breve sinopse na descrição da imagem. 

Sinopse: Serena Dama é uma senhora de quase 90 anos que tem Rebeca como cuidadora, uma robô fabricada especialmente para a função. As duas moram sozinhas e tem uma rotina regrada e calma. Até que problemas funcionais começam a aparecer...


Sinopse: O que garante a “humanidade” de alguém? O fato de ser de carne e osso? As atitudes? Sentimentos? Storge era um androide criado para se auto desenvolver e criar sentimentos. Seria isso bom ou mau? E a falta de humanidade de alguns humanos?

Sinopse: Uma cidade habitada por robôs é invadido por militares humanos armados. Depois de um conflito inicial, os humanos são detidos e as duas partes tentam negociar: queriam levar de volta para a sociedade humana a cientista responsável pela tecnologia da cidade e sua filha. Os robôs, por outro lado, têm seus próprios planos e, mais importante, a filha da cientista também.

Sinopse: Benjen é o melhor funcionário de uma empresa que caça androides através de simulações virtuais de encontros românticos. É sua função descobrir quem são os verdadeiros humanos, e quem são os robôs que fingem ser humanos, com um experimento simples, que detecta se a pessoa sabe que está em uma simulação ou não. Porém, tudo muda quando uma funcionária nova, Lara, tenta alertá-lo sobre seu verdadeiro papel ali. Afinal, será que ele mesmo consegue reconhecer o que é simulação e o que é real?


Sinopse: Aurora não teve amigos, pelo menos não amigos humanos, o metal frio que lhe dava colo tinha nome, mas também tinha sonhos. Ela cresceu cercado por máquinas, em um mundo que aprendeu a temê-las, robôs seriam permitidos apenas se não imitassem humanos, se não fossem capazes de pensar sozinhos... mas Aurora não via o mundo sob o mesmo véu do medo que cobria os olhos da multidão.


Sinopse: Em um futuro próximo, a irmã do protagonista aposta que ele não vai conseguir cuidar de um bebê, e deixa sob seus cuidados um bebê robótico que simula um real.


Sinopse: Depois que os humanos foram extintos por conta de um vírus, os últimos robôs começaram a parar de funcionar e a natureza se apossou da Terra novamente. O último remanescente, é Mark, um autômato que vaga pelo mundo buscando entender a si mesmo e sobreviver um dia após o outro para cumprir seu ritual anual, uma simples ação que pode ser a mais importante de sua existência.


Sinopse: Com o advento das viagens e comunicação intergalácticas, a humanidade passa a enviar naves inteligentes com robôs colonizadores para todos os cantos do universo afim de encontrar um novo e compatível lar. A mais bem sucedida destas empreitadas entra em um estado de estagnação por vários ciclos. Um robô é escolhido e enviado em uma pequena nave para entender e corrigir o problema.


Sinopse: Um robô de uma classe especial de soldado faz um relatório de uma luta contra um inimigo dos humanos ocorrida num campo de batalha assombroso, com um resultado surpreendente.


Sinopse: Apenas um trabalho extra: recuperar três robôs que deixaram de se comunicar com a base na Terra, enquanto procuravam por sinais de vida alienígena na superfície do planeta Luminus V. O que poderia dar errado?

O processo de diagramação já está em andamento e logo poderemos viajar nessas histórias tecnológicas e futuristas. Acompanhem as notícias em nossas redes sociais e não percam as postagens de lançamento. Teremos o lançamento do e-book pela Amazon e na sequência o lançamento da versão física. 

Até mais!

26 de janeiro de 2021

TEMPO DE EXPLORADORES (Coletânea organizada por Valter Cardoso, Ale Dossena e Rafael Duarte)

Oi gente!

Chegou a hora de divulgar a coletânea "Tempo de Exploradores", organizada por mim, junto com Valter Cardoso e Rafael Duarte. Ela faz parte de um projeto que idealizamos, a coleção "Tempos", que começou com a temática "Tempo de Dragões", só clicar aqui para obter mais detalhes.

A seleção também foi feita como na anterior, garantindo uma obra diferenciada não só no aspecto literário, mas em revisão, apresentação e projeto gráfico. Seguindo os padrões do NLCAC, além da revisão gramatical, todos os contos foram analisados profundamente, quanto a criatividade, narrativa, desenvolvimento dos personagens e demais detalhes que os tornem obras literárias de grande apreço. 




A parceria com a artista plástica Ales de Lara continua e ela foi responsável pela capa. 



No meio do caminho, uma surpresa boa! Recebemos o apoio da Anita Zippin, Presidente da Academia de Letras José de Alencar (ALJA), que nos convidou para utilizar o selo da Academia em nossas coletâneas. Felizes com o reconhecimento, a convidamos para escrever o prefácio da coletânea, ao que ela prontamente aceitou. 



Nós, organizadores, também contribuímos com histórias sobre exploradores. Abaixo uma breve sinopse dos nossos contos.

Ser uma exploradora polar era seu sonho, mas quando um grande projeto dá errado, ela já não responde mais por seus atos e em consequência recebe um destino mais terrível que a morte.

O achado de um manuscrito maia leva um arqueólogo e sua esposa a uma aventura em busca de ruínas num local improvável, muito distante dos domínios conhecidos desse povo pré-colombiano: a floresta amazônica. Esperavam encontrar ruínas de uma construção sagrada, mas o que descobrem é muito mais do que imaginavam: é seu próprio destino.



Uma caçadora de meteoritos é envolvida por engano em uma filmagem de reality show. Em meio a um elenco atrapalhado e um diretor desesperado para tirar sua empresa do buraco, ela precisa provar a todos a importância do que está a descobrir.


E agora vamos conhecer os autores selecionados, com seus respectivos contos? Percorram os banners individuais com as informações do autor e uma breve sinopse na descrição da imagem.

Em uma cidadezinha, as lendas urbanas falam do casarão da família Mattos, e o tesouro que ninguém conseguiu resgatar dela. O desafio era simples — bastava descer a escadaria até o porão —, mas de algum modo, ninguém nunca conseguiu. Com a casa prestes a ser demolida, dois jovens decidem se arriscar em uma expedição, mas logo descobrem que nada é tão simples, e que a escadaria, além de aparentemente desafiar as leis da física, logo faz com que questionem a própria sanidade.

A ilha dos carneiros: Ao descobrir estranhos vestígios arqueológicos na Ilha de Boipeba, Bahia, uma firma de exploradores com tecnologia de viagem no tempo contrata um estudante-pesquisador para descobrir o que aconteceu com o navio que desapareceu sem deixar vestígios durante a viagem da esquadra de Pedro A. Cabral, que ‘descobriu’ o Brasil. O estudante embarca, então, numa viagem de exploração e descobertas que o conduzirá a um final inesperado e surpreendente.
Todos esses mundos: Uma tripulação embarca em um pequeno protótipo inovador de nave, capaz de galgar distâncias intergalácticas em poucos meses, para uma missão de estudo e exploração do insondável vazio entre a Via Láctea e a galáxia da Grande Nuvem de Magalhães. Só que uma surpresa os espera no meio do caminho. Uma surpresa que mudará tudo o que os seres humanos pensam sobre serem os primogênitos de nossa galáxia. Algo que poderá mudar para sempre o futuro da humanidade.

Um casal de irmãos adolescentes sai do seu vilarejo isolado tentando encontrar um lago mítico com a ajuda de um mapa de madeira, legado por um viajante há muitos anos. Viajando pelas montanhas, brigam bastante entre eles, encontram um puma, sofrem com a sede e se deparam com um estranho objeto voador. Por fim, chegam ao cume da montanha onde deve estar o lago, mas este não é bem como esperavam. Felizmente, o engenho voador – com seus estranhos tripulantes – volta a surgir em cena no momento mais oportuno. 

Kaluanã é um garoto indígena que vive com sua família na ilha de Cotinga, perto de Paranaguá, na tribo indígena dos Mbyá-Guarani, que liberta um pássaro (Uiraçu) com habilidades mágicas que estava preso em uma pedra. Ambos formam uma amizade, passando a explorar o mundo e adquirir conhecimentos novos. Sua primeira aventura é salvar as habilidades mágicas de Uiraçu. 


Bruno sempre sonhou em explorar a Rússia, mas sua esposa Lúcia, que desconhece o país, prefere ir para a Disney. Porém, a jovem, ao entrar em contato com a com a cultura e a literatura daquele povo, criará uma paixão inesperada pela terra dos czares.

Após ter sido dado como morto, James, um famoso explorador, aparece para sua antiga namorada Nika, uma renomada egiptóloga, e pede sua ajuda para encontrar as lendárias Tábuas de Esmeralda que supostamente foram criadas pelo deus Thoth e contêm todos os segredos do universo. Juntos, eles embarcam para o Egito em busca do tesouro.


Ilídio, um senhor curioso, saiu para dar uma volta pelos campos e encontra um túnel desconhecido. Ao descer pelo túnel, encontra uma caverna e outros mistérios que marcam o passeio inusitado para sempre em sua memória.

O conto é um relato pelos olhos de José, um mulato que se infiltrou na bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, que tinha o objetivo de encontrar novas riquezas pelo sertão do Brasil. Caminharam por terras desconhecidas e inóspitas até que encontraram com os índios goyazes, habitantes do sertão que alguns diziam que comiam gente. Lá, numa noite sem lua, um evento mágico salvou a tropa de um ataque surpresa. Depois disso, e com uma demonstração na própria aldeia dos Goyazes, Bartolomeu Bueno ganhou o apelido de Anhanguera e o acesso ao ouro do estado de Goiás.





Agora, estamos ansiosos aguardando o lançamento. O processo de diagramação já está adiantado e logo poderemos degustar todas estas belas e inusitadas histórias de exploradores. Acompanhem as notícias em nossas redes sociais e não percam as postagens de lançamento. Teremos o lançamento do e-book pela Amazon e na sequência o lançamento da versão física. 

Até mais!

26 de setembro de 2020

Divã de Escrita 2020 #7 (A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa) - Um desafio à interpretação do leitor | Portão Literário

Oi gente!

Mais uma leitura para o projeto "ler contos, para melhor escrever contos"! Também faz parte da listagem que divulguei no primeiro vídeo do ano. Desta vez, o desafiador "A terceira margem do rio", do escritor mineiro João Guimarães Rosa. Desafiador porque além de ser um conto que pode ter vários significados e interpretações, foi escrito, como toda a obra do autor, cheia de neologismos. Então, "bora lá", que temos muito a falar sobre ele!


"A terceira margem do rio" faz parte da obra "Primeiras Estórias" (que de primeiras só tem no título, porque não se tratam dos primeiros contos do autor), que foi publicada em 1962. A coletânea reúne 21 contos do escritor Guimarães Rosa e é considerada uma obra modernista. Bem resumido (se você não leu, sugiro fazer a leitura na íntegra): O conto é narrado pelo filho, que não entende (nem aceita) o fato de que seu pai, de repente, resolve construir uma canoa e parte nela para não mais voltar. Mas ele não some, fica lá ilhado, no meio do rio, sozinho, enquanto os anos passam. O filho, por compaixão, lhe deixa escondido roupas e mantimentos na beira do rio, mas sem sucesso de presenciar o seu retorno. A família vai vivendo com sua ausência, porém cada um segue seu rumo. A irmã se casa, o irmão se muda para a cidade, a mãe vai morar com a filha. Mas o filho, narrador da história, decide permanecer perto do pai. Até que muito depois, quando já velho, o filho toma coragem e da beira do rio grita para o pai que aceita trocar de lugar com ele, que ele já está velho demais. E surpreendentemente, o pai aceita a sugestão do filho, que desesperado, volta atrás e foge. 

E aí, conto terminado, vem as perguntas: qual foi o destino do pai? e do filho? por que o pai abandonou tudo para viver em uma canoa? por que só o filho narrador não seguiu sua vida? E a principal: Afinal, o que significa a terceira margem do rio? Pois é, Guimarães Rosa faz isso com o leitor. Com uma narrativa breve faz uma obra-prima que não permite, em momento nenhum, que o leitor defina respostas únicas para os questionamentos que ela deixou. O conto apresenta, desde o título, inúmeras possibilidades interpretativas. Junto com o filho narrador, nós leitores aguardamos por respostas, o tempo todo.

Guimarães Rosa utiliza em "A terceira margem do rio" uma característica muito valiosa para o gênero conto: é chamada de "sequestro momentâneo". Como leitores, nos sentimos sequestrados para essa "terceira margem", mesmo sabendo que no mundo material só existem duas margens possíveis. Então, o que seria, ou onde estaria a terceira margem: no mundo metafísico, talvez? Nesta busca de respostas, permanecemos presos ao conto e além dele. O autor consegue isso com recursos linguísticos e estilísticos. Um exemplo. No início do conto a mãe diz ao pai, quando ele se despede para embarcar na canoa: "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!". Percebem como ele consegue, com a dilatação do pronome "você', dar a ideia do distanciamento? Genial!

O conto todo é de uma riqueza dialógica de tirar o chapéu. Ao longo da leitura, ficamos procurando, interpretando, tentando decifrar as alegorias. Para terminar a leitura com a desconfiança de que a intenção do autor foi justamente essa: não encontrar uma explicação fechada. É uma experiência de leitura. Como algo que ainda está oculto, intangível. Não seria tão bom, se não fosse assim.

Boa leitura!

7 de setembro de 2020

EU LI: O Cortiço (Aluísio Azevedo)

Oi gente!

Ainda não tô conseguindo gravar vídeos, mas acho que é uma questão de dias (eu espero!). Por enquanto, vou comentando por aqui sobre minhas leituras mais impactantes. Como foi o caso de "O Cortiço", de Aluísio Azavedo, que li no mês passado junto com o Carlos, do canal @livroseebooks. Sempre tive receio de ler essa obra, lembro que tinha uma edição antiga que até doei sem me encorajar em fazer a leitura. Até que consegui essa edição moderna e comentada da Panda Books (que aliás tem uma coleção de clássicos neste formato e tô bem animada para ler alguns!), agora foi!


"O Cortiço" foi publicado em 1890 e é uma das obras nacionais que mais representam o naturalismo. A história é um retrato das condições de vida das classes mais baixas no Rio de Janeiro da época. Acompanhando o dia a dia dos moradores do cortiço, 


O principal personagem é João Romão, que construiu o cortiço após receber uma quantia de um português, para o qual trabalhou muito. Morava com Bertoleza, uma ex-escrava que fugiu dos seus antigos donos e até então João não tinha muitas preocupações além de aumentar seu capital. Até a chegada de Miranda, seu vizinho, que lhe despertava inveja pelo status e títulos que possuía, vindo a tornar-se seu maior rival. 

"O Cortiço" é narrado de forma linear, em terceira pessoa como narrador onisciente. Além da ambientação do cortiço, são apresentados ao leitor cenas da história que se passam na pedreira e na taverna, também são propriedades de João Romão, que na história simboliza o capitalismo desenfreado, pois usa de muitas artimanhas, inclusive explorar e enganar pessoas, para obter lucros e riquezas. O romance tem muitas descrições, explorando características e comportamentos dos personagens, cujas vidas são retratadas a cada capítulo, entrelaçando-se para enfrentar a pobreza, abandono e maldades.



No Brasil, "O Cortiço" é a obra mais emblemática do movimento literário naturalista. Por isso, a história mostra muito da degradação social dos moradores do cortiço, bem como sua animalização, em muitas partes marcadas pela violência e instintos sexuais. Segundo o naturalismo, o meio influencia diretamente o comportamento das pessoas, então não vemos muitos desfechos "felizes" na história. Em vários núcleos são ressaltadas a desigualdade social, ambição, promiscuidades, entre outros. 

A obra retrata muito bem a sociedade brasileira do século XIX e se apresenta bem atemporal em alguns aspectos, como comportamentos em busca da ascensão social, tão bem representado no protagonista João Romão. Muitos outros personagens sejam importantes na trama, como Jerônimo, o português que administra a pedreira, e Rita Baiana, uma mulata toda sedutora que a princípio tem um caso com Firmo que representam a mistura de raças. 

Um detalhe interessante em "O Cortiço" é a característica marcante e presente nas obras naturalistas, onde o cortiço em muitos trechos é personificado, como personagem principal, enquanto os personagens humanos são animalizados. Este trecho é um exemplo da personificação do cortiço: “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.” Já a aproximação do homem com o animalesco pode ser observada em várias metáforas utilizadas pelo autor, comparando os personagens com animais selvagens ou até mesmo plantas.



As personagens femininas marcantes da obra me chamaram a atenção. Temos a Piedade, a típica representante dos valores europeus da época, esposa recatada de Jerônimo. Temos a Pombinha, que leva algum tempo para se descobrir mulher, até deixar a pureza de lado e se tornar prostituta. A Estela, esposa infiel que levou o Miranda a mudar-se para o bairro do cortiço. Mas nenhuma merece tanto destaque como a Rita Baiana, representante fiel do imaginário da mulher brasileira: alegre, sensual, fogosa, dançante e fã dos pagodes e rodas de samba. Sempre otimista apesar das mazelas. Na minha opinião Rita Baiana é a personagem mais popular da história, que se destaca independente das suas participações na trama (até porque eu não concordaria com algumas atitudes suas), pelo modelo de exaltação da mulher que ela nos passa. Os capítulos com a Rita Baiana são cheios de brasileirismo, alegria, positividade, apesar da pobreza ambientada ao seu redor.


"O Cortiço" leva ao leitor muitos acontecimentos que marcaram a época retratada. Trabalho assalariado, desenvolvimento de setores secundários, novas categorias sociais, chegada de imigrantes, mescla de raças, descobertas na área científica e escravidão. Ambientação inspirada nos cortiços da época, espaços demarcados por construções precárias e sufocantes. Uma importante fonte literária para entendermos nosso Brasil antigo e fazermos uma análise social para infelizmente percebermos que muitas coisas ainda não mudaram em nada.

Estudiosos apontam como principal inspiração para Aluísio Azevedo escrever "O Cortiço", a obra do francês Émile Zola, "Germinal", que também usou seus personagens para gravitar em torno da narrativa, de modo a expor as questões naturalistas. Sabendo disso, a curiosa aqui resolveu então conhecer a obra de Zola, e enquanto publico esta postagem, devo estar já na parte dois ou três do livro. E já posso adiantar que sim, tem muitas semelhanças com a obra de Aluísio. Mas isso é assunto para outra postagem, ou vídeo. Logo volto com as atividades no canal!

Beijos!

2 de junho de 2020

TEMPO DE DRAGÕES (Coletânea organizada por Valter Cardoso, Ale Dossena e Rafael Duarte)

Oi gente!

Hoje é dia de divulgar os detalhes da coletânea "Tempo de Dragões", organizada por mim, junto com Valter Cardoso e Rafael Duarte, amigos escritores do NLCAC - Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro. Os contos recebidos nos surpreenderam não só pela quantidade, como também pela qualidade! Desde o planejamento da coletânea, estipulamos uma quantidade aproximada de contos a ser publicada, para garantir uma obra diferenciada não só no aspecto literário, mas em revisão, apresentação e projeto gráfico.

Seguindo os padrões do NLCAC, além da revisão gramatical, todos os contos foram analisados profundamente, quanto a criatividade, narrativa, desenvolvimento dos personagens e demais detalhes que os tornem obras literárias de grande apreço. Apesar de trabalhoso, tivemos uma deliciosa experiência, conhecendo dragões dos mais diversos tipos e locais do mundo. Nossa coletânea ganhou até uma participação internacional!


No meio do projeto, uma surpresa boa. Firmamos uma parceria com a artista plástica Ales de Lara, que foi responsável pelas artes internas e pela capa. Agora, além da diagramação caprichada que planejamos, cada conto terá uma imagem exclusiva.


Uma participação muito especial foi a do escritor Christopher Kastensmidt, que fez o prefácio da coletânea.



Nós, organizadores, também contribuímos com histórias sobre dragões. E eu confesso que foi um dos contos que mais gostei de escrever. Abaixo uma breve sinopse dos nossos contos.

Sr. Henry, proprietário de um antiquário na Inglaterra, atende seus clientes com atenção e cordialidade. Mas nem imagina que um dos objetos nas suas prateleiras, revela uma trágica história de amor do passado.

O dia a dia em uma produção cinematográfica de baixo orçamento revela uma enorme e perigosa oportunidade para o ambicioso diretor durante os testes para o elenco.

Uma fada, para salvar sua tutora e amiga de um envenenamento, precisa buscar um conhecimento esquecido há muitos séculos. Só alguém muito longevo pode lembrar-se dessa sabedoria ancestral, mas há um grande perigo envolvido na procura.

E agora vamos conhecer os autores selecionados, com seus respectivos contos? Percorram os banners individuais com as informações do autor e uma breve sinopse na descrição da imagem.

Dragões geralmente remetem ao imaginário de uma Europa Medieval, com castelos, cavaleiros e princesas. Mas como seriam em outros lugares? Como seriam os dragões de um Brasil na época colonial? Como seria seu combate com índios tupis e bandeirantes, ao invés de cavaleiros com armaduras brilhantes? É o quadro que este conto tenta pintar, trazendo a cultura de dragões às terras tupiniquins e mostrando que aqui também há espaço para lendas destas gigantescas criaturas.

Após séculos de animosidade, o Povo Dragão do Principado de Skamandra finalmente enviou um embaixador para negociar um tratado de amizade com a cidade de Flândria. Hospedado no palácio do governo, ele se mostra muito amável, mas seus constantes rugidos e agitação deixam todos nervosos. Também inquieta, mas empenhada antes de tudo em garantir o bem-estar do hóspede, Yolanda, a governanta do palácio, acaba por descobrir algo sobre os dragões que escapa ao conhecimento dos maiores estudiosos de Flândria.

Há quinhentos anos, aventureiros invadiam os covis de dragões que aterrorizavam a população para roubar seus tesouros. Mas, hoje em dia, dragões trocaram suas cavernas por arranha-céus, e usam seguranças particulares e cofres de última geração. As coisas ficaram bem mais difíceis. Difíceis, mas, como três audaciosos ladrões vão provar, não impossíveis.

Um nobre franzino e obcecado pela glória de seu antepassado fará de tudo para demonstrar seu heroísmo. Até tentar matar um dragão, com a ajuda de seu fiel e fortíssimo criado Teleguim.

Erick está perdendo algo de valor: seu humano de estimação. Sem rumo, ele busca a ajuda do único que pode curá-lo, seu tio Shiukan. No entanto, ao invés de ajudá-lo, Shiukan mostra a Erick que a morte está mais próxima do que ele imagina. Em meio ao desespero, Erick recebe do seu tio mais do que simples conselhos e descobre o que realmente tem valor e faz valer a pena viver.

Juquinha e Alcides amanhecem num sábado esquisito, com ar cheirando a mofo. Nesse dia, as comunicações não funcionam e ambos perambulam pelas cercanias, encontrando vários ninhos de ovos esverdeados e malcheirosos. Quando os ovos se quebram, surgem muitos filhotes de dragão, que vão aterrorizar a cidade. Dirigindo-se à prefeitura, vão descobrir que a humanidade está sem saída e que foi dominada por reptilianos que se aliaram aos dragões. 

Nesse conto, que mistura episódios históricos, lendas e fantasia, o leitor conhece o dragão Gregório, o inusitado guardião do Santo Graal. Para desempenhar a importante função, Gregório finge ser uma estátua no topo de uma antiga igreja. Seu tempo de serviço está quase terminando e logo será substituído por outro guardião. Ele relembra aventuras e faz planos para o futuro, mas, no final, nem tudo sai como programado.

Devido ao seu poder destrutivo, os dragões foram colocados em uma cúpula interdimensional. Mas em uma excursão proibida dentro da cúpula, Eliana encontra um dragãozinho que a segue até seu mundo. Em vez de denunciar sua presença, Eliana torna-se amiga do Fofinho. Até ele crescer e trazer terríveis consequências...

Sir Edward, um cavaleiro, se aventura até um castelo perdido onde pretende matar um dragão e salvar a princesa. Mas ao chegar lá percebe que a princesa não se encontra no recinto. Mas o dragão sim. Ao invés de um combate feroz como o de costume, os improváveis amigos debatem sobre o machismo estrutural, sobre como princesas não precisam esperar serem salvas e que cavaleiros podem seguir seus corações e sentimentos.

Quando as Sombras do Grande Feiticeiro Necromante chegam ao Submundo, a dragão Ágama é obrigada a deixar seu lar e ser carcereira de uma princesa em um castelo. O que o Necromante não poderia prever era a amizade que nasceria entre as duas, menos ainda que uma única escama poderia ser a grande ameaça ao seu reinado de horror.

O planeta Terra vive dias escuros, e uma grande guerra, planejada por seres de outra dimensão, promove o caos à nossa civilização. Quando os combates chegam ao Japão, um querubim e o dragão protetor daquele povo precisam da ajuda de um monge budista para prender um dos anjos caídos e mudar o destino do orbe.

Enquanto duas crianças descobrem como lidar com a difícil separação dos pais, um avô descendente de poloneses e residente de uma cidade em algum lugar da região sul do Brasil reconta aos netos uma lenda da terra de seus antepassados. Trata-se da história de Krakow, o dragão negro, e como ele foi derrotado, não pelos mais valente entre os guerreiros, mas por um simples jovem apaixonado. Sem que as crianças percebam, a história do avô é um rito de passagem importante para que eles entendam o verdadeiro poder das histórias de dragões na vida adulta.

E por enquanto é isso! Agora, estamos todos ansiosos aguardando o lançamento. O processo de diagramação já está adiantado e logo poderemos degustar todas estas belas e inusitadas histórias de dragões. Importante destacar que também foi parte do nosso trabalho enviar feedback para todos os participantes, inclusive os não selecionados. Todos receberam algumas análises e sugestões de aprimoramento, conforme o padrão que usamos no NLCAC. Entendemos que as dicas poderão ser úteis aos projetos futuros dos autores.


Acompanhem as notícias em nossas redes sociais e não percam as postagens de lançamento. Teremos o lançamento do e-book pela Amazon e na sequência o lançamento da versão física. Todos torcendo para acabar a quarentena e podermos estar juntos novamente, em eventos presenciais, falando de literatura!

Até mais!