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13 de abril de 2021

EU LI: A TERRÍVEL MISSÃO DE JUDITE EVANS (Frankcimarks Oliveira)

Oi gente!

Hoje vou falar sobre um belíssimo trabalho que já deveria estar publicado aqui desde o ano passado, mas vocês já sabem como foi meu 2020 né? Mas antes tarde do que nunca!

Apresento a vocês mais uma participação na literatura dos colegas escritores. Fui convidada para escrever a apresentação e fazer a leitura crítica do livro de estreia do autor paraibano Frankcimarks Oliveira, "A Terrível Missão de Judite Evans". Um trabalho que me trouxe, além da alegria em fazer parte deste projeto, uma experiência intensa de leitura.

SINOPSE

Aos treze anos de idade, Judite Evans muda-se com a tia para o orfanato São Jerônimo no pequeno distrito de Capela Branca. Lá ela conhece Monique Anderson, uma anciã misteriosa que a fará descobrir os poderes ocultos de sua fé. A amizade com Monique é um refrigério para a menina que testemunha os mais horrendos tipos de abusos dentro da instituição onde vive. Os órfãos correm perigo. Judite sente-se impotente diante dos fatos. Entretanto, seus traumas despertam um dom. O que Judite fará com ele?


Só a sinopse já dá aquela vontade de ler né? Além do título e da capa super atrativos e que deixam o leitor muito curioso. Apesar do livro abordar uma temática pesada, mas não menos importante de ser divulgada, que é o drama da violência infantil, a história é recheada de fantasia e realismo mágico.

A protagonista da história, Judite, é uma menina de treze anos que vive em um orfanato. E lá presencia uma série de abusos, principalmente por parte de sua tia Margot, acostumada a maltratar as crianças. Esse fato que torna o semblante de Judite triste, além de sua personalidade desconfiada e de pouca fé. Além da tia Margot, alguns padres também ajudam a ampliar o problema, se afastando de sua principal função de ajudar ao próximo.

É aí que Judite, já sem esperanças, se aproxima de uma vizinha, a velha Monique, que tenta ajuda-la através de um enigmático livro, que contém mistérios de magia advindos de uma filosofia que mostra um lado sombrio do poder da religião. Nossa protagonista, sedente por conhecimento, memoriza os encantamentos e tenta com eles solucionar os problemas do orfanato.

"A Terrível Missão de Judite Evans" é uma narrativa que prende o leitor do início ao fim pelo tom de suspense e mistério, além de escrita em linguagem de fácil compreensão. O tempo todo torcemos para que Judite tenha um final feliz e livre as crianças daquela situação catastrófica, que sabemos existir fora da ficção. Por isso, também valorizo o livro como uma denúncia aos abusos cometidos contra crianças, no mundo inteiro.

O escritor, que é paraibano da cidade de Patos, concedeu uma entrevista sobre seu lançamento para a Folha Patoense, você pode conferir clicando aqui:

http://www.folhapatoense.com/2020/05/09/escritor-patoense-lanca-livro-de-ficcao-e-fantasia-na-internet/

Você pode adquirir “A terrível missão de Judite Evans”, no Kindle Unlimited ou em qualquer dispositivo móvel, basta clicar no livro e será direcionado ao site da Amazon:


Boa leitura!

25 de junho de 2019

EU LI: Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Oi gente!

Quando "Incidente em Antares" foi sorteado para o meu desencalha do mês, eu fiquei tão feliz! Há tempos queria fazer essa leitura, mas acabava deixando de lado. Tenho uma edição antiga da Editora Globo e a única leitura que tinha feito do Érico Veríssimo foi "Olhai os lírios do campo", que confesso, não lembro de nada! Só lembro que foi uma leitura que me marcou muito na época.


Já de início lembrei muito de Macondo, a cidade fictícia de Gabriel García Márquez em seu clássico "Cem anos de solidão". Assim como Macondo, a cidade gaúcha de Antares, situada na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, é palco de estranhos acontecimentos, misturados com fatos históricos que o autor insere magistralmente na história. O ano é 1963, meses antes do Golpe Militar e a primeira parte do livro traz todo esse resgate histórico de questões políticas nacionais que influenciaram a cidade, além de abordar questões atemporais como racismo, por exemplo. Também apresenta a origem da cidade, marcada pela disputa de terras entre duas famílias rivais, os Campolargos e os Vacarianos.

Já a segunda parte vai contar sobre o incidente que dá nome ao livro, um fato estranho que acontece em uma sexta 13, em meio a uma greve geral dos trabalhadores. Sete pessoas da cidade falecem por motivos variados, mas nos cortejos descobrem que os coveiros também aderiram à greve. Os defuntos são abandonados na porta do cemitério, para aguardarem o final da greve, o que não acontece, pois resolvem levantar e "tocar o horror" pela cidade, em todos os sentidos. Os mortos não só assustam as pessoas como resolvem "lavar roupa suja", expondo a intimidade de vários cidadãos.

Cena da minissérie "Incidente em Antares", transmitida pela Rede Globo em 1994.

Gostei muito da segunda parte, pela mistura que autor desenvolve entre o realismo fantástico, porém inserido em nossa própria realidade. Me chamou a atenção a reflexão sobre o "cair das máscaras", sinalizando que depois da morte nada mais temos a esconder. Sobre a temática política, certamente eu teria gostado muito mais se fosse uma pessoa mais atuante nesse âmbito, mesmo assim recomendo muito a leitura, dado o nosso momento político no país. Utilizando-se da ficção, o autor denuncia extremismos e absurdos que são feitos em nome de um ideal, seja ele de qualquer lado.

Achei a primeira parte um pouco cansativa, mas admito que é necessária para o entendimento da história. Faz toda a diferença, enquanto leitura da segunda parte, sabermos qual é o contexto em que o sociedade estava inserida e quais os motivos levaram à greve. Os personagens são bem construídos e fiquei me perguntando como o autor conseguiu publicar esse livro em épocas de regime militar. Bom, ainda bem que conseguiu! Certamente um clássico da literatura brasileira!

Boa leitura!

30 de janeiro de 2019

EU LI: Trilogia "Os Nossos Antepassados" (Ítalo Calvino)

Oi gente!

Hoje a postagem é sobre uma trilogia maravilhosa que li entre o final de 2018 e início de 2019! A trilogia de Ítalo Calvino chamada "Os Nossos Antepassados", que é composta dos livros abaixo. E já adianto, um melhor que o outro!


Ítalo Calvino foi um dos mais importantes escritores italianos do Século XX e é famoso entre os leitores pelo realismo mágico de suas obras. Na trilogia "Os Nossos Antepassados", que também possui publicação pela Companhia das Letras em um único volume, com a capa abaixo, o autor não mediu esforços para nos divertir e ao mesmo tempo, nos chocar com seus protagonistas.


"O Visconde partido ao meio" foi publicado em 1952 e é narrado pelo sobrinho do visconde Medardo di Terralba, que vai à guerra e leva um tiro de canhão. Pronto, é partido em duas partes iguais. Uma delas sobrevive após o trabalho da equipe médica e assim Medardo, meio colado e meio remendado, volta para casa incomodando a todos. Isso porque o seu lado sobrevivente era seu lado mau. Tudo parece sem salvação, quando sua outra metade resolve aparecer. Mas sua metade boa também confunde as pessoas e inclusive o leitor. Me senti julgando, analisando, avaliando cada uma das porções do nosso personagem para chegar a uma conclusão: Calvino criou um protagonista muito próximo a nós, com toda nossa incompletude. Achei que a narração por uma criança deu um tom de aventura na narrativa, deixando-a mais prazerosa.


O segundo livro chama-se "O barão nas árvores" e foi de longe o meu preferido! Publicado originalmente em 1957, a história agora é do Cosme Chuvasco de Rondó, um menino de doze anos que é primogênito do barão de Rondó. Exatamente em 15 de junho de 1767 (rs) o menino se rebela contra os pais porque não queria comer escargots e sobe às árvores, para de lá nunca mais descer. Sim, isso mesmo. Surreal? Muito! Mas é essa a grande genialidade de Calvino na minha opinião. Trazer reflexões reais com histórias surreais. Quem narra esta história é o irmão mais novo, o Biágio, que também torna a narrativa divertida. O final do livro é maravilhoso e obrigo-me a citar duas partes que achei que representam muito a maestria de Calvino com as palavras:

“As bolhas de sabão chegavam-lhe até o rosto, e ela ao respirar fazia com que estourassem, e sorria. Uma bolha chegou-lhe aos lábios e permaneceu intacta. Inclinamo-nos sobre ela. Cosme deixou cair a tigela. Estava morta”.


“Conheceram-se. Ele a conheceu e a si próprio, pois na verdade jamais soubera quem fosse. E ela o conheceu e a si própria, pois, mesmo já se conhecendo, nunca pudera se reconhecer assim”.


E então vem o terceiro livro, não menos importante mas o que ganhou meu bronze: "O cavaleiro inexistente", publicado em 1959. Agora a história é de Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, um cavaleiro que se destaca por conta da sua imponente e impecável armadura branca. E também por outro fato: o de não existir. Pois é! E quem narra sua história é uma freira, a irmã Teodora, confinada em um convento. Embora essa narradora cause surpresas ao leitor mais para o final do livro, nesse momento ela tem como penitência escrever sobre os ocorridos.

Agilulfo precisa iniciar uma aventura para recuperar sua honra e Calvino, escrevendo divinamente, nos permite imaginar sensações físicas para um ser não fisico, nos fazendo até lembrar de Sartre, que deu o pontapé no existencialismo como movimento filosófico. Muito bom!


E assim as três obras se completam, com a objetividade (a última mencionada tem apenas 136 páginas) e ao mesmo tempo os devaneios criados pela genialidade do autor. Ítalo Calvino, na minha opinião, é leitura obrigatória. Encontre o título que mais lhe atrai, e tente! Eu tenho inclusive uma postagem sobre um não ficção bem conhecido dele, "Porque ler os clássicos". Muito bom!

Boas leituras!