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28 de novembro de 2021

EU LI: O castelo do homem sem alma (A. J. Cronin)

Oi gente!

Fiquei um tempinho sem postar aqui, mas tenho revisto para descontinuar algumas coisas em 2022, objetivando sobrar mais tempo para escrever aqui. Afinal, é meu meio mais antigo de divulgação do meu trabalho e o mais visitado! Obrigada a todos por estarem sempre por aqui!

Hoje quero falar sobre uma leitura peculiar que fiz no mês de novembro. Enfim conheci a obra de A. J. Cronin! Minha sogra, fã do autor há muitos anos, tem uma coleção rara da década de 60 e há tempos insistia para eu ler. Bom, esse momento chegou. Eu escolhi o primeiro livro que ela leu dele, e que a fez ler todos os outros: O CASTELO DO HOMEM SEM ALMA. 



A coleção é da José Olympio e a publicação do livro é de 1968 com tradução de Rachel de Queiroz. E já fico me perguntando porque o autor não foi mais publicado no Brasil. Archibeld Joseph Cronin (1896 - 1981) foi um escritor escocês, formado em Medicina, que escreveu vários romances. Sua temática predominante era, sem dúvida, a medicina, mas também as críticas sociais. Dizem os críticos que "A Cidadela", de sua autoria, junto com "O Físico", de Noah Gordon (maravilhoso!) e "Quando Nietzsche Chorou", de Irvin D. Yalom (preciso ler!), formam o trio dos grandes romances médicos na literatura universal. 


"O castelo do homem sem alma" (ou Castelo do Chapeleiro pois o título original é Hatter's Castle) possui sim um personagem médico, mas que não é o centro da trama, embora tenha uma participação importante do meio para o final do livro. O principal personagem é esse chapeleiro, que aliás, se tornou para mim o pior personagem que já li. Tirou o posto do Ernesto Vidal de "O Labirinto do Fauno".

Essa pessoa vive em Levendorf, uma cidadezinha inglesa que ao seu entender, não chega nem aos pés da importância da sua família. James Brodie, patriarca da família, não se misturava porque mantinha a certeza de que era parente de um conde, devido ao nome que trazia ou a motivos que nem me detive, porque eram óbvios que foram criados por sua imaginação doentia. 

Sua esposa Margareth, seus filhos Matt, Mary e Nessie e sua mãe idosa que com eles morava, eram vítimas diárias da sua personalidade egocêntrica, mesquinha e dominadora. Só "gostava" mesmo da sua filha caçula, pois a achava inteligente e fez dela uma muleta para seu tão sonhado sucesso, já que ela estudava para concorrer a um concurso importante. Considerava seu primogênito Matt um "estragado" pela mãe e proibiu sua filha Mary de casar com um rapaz decente e trabalhador, apenas porque ele era filho de um comerciante, a quem ele chamava "taverneiro".

Esse episódio de Mary traz um choque ao leitor antes da metade do livro e como disse minha sogra, "em um ponto você acha que o livro acaba, mas é aí que ele começa!". Não tem como não se envolver com a família Brodie e sofrer com as consequências causadas pelo patriarca tirano. Chegou um momento que deu vontade de largar o livro, tanto era a raiva dessa pessoa. Mas não tem como largar, impossível não querer chegar ao final, mesmo trilhando situações tristes ao extremos ao longo da história.

Já aviso. Há tempos uma leitura não me agarrava tanto. Li em cinco dias as 400 páginas do livro, esperando um final completamente feliz, mas ele não veio. Há sim, boas surpresas no final mas a ttrma é marcante e inesquecível. Daqueles desfechos que há alguns anos, se eu lembrar do livro, lembrarei com detalhes do final. Só indo até o fim para saber se haverá ou não a ruína de James Brodie, ou se o patriarca machista, preconceituoso e orgulhoso enfim vai se redimir de suas faltas.


Mas como não só de trechos ruins é feito um livro sofrível, há também muitas passagens bonitas, retratando a união das duas irmãs e principalmente, a garra e coragem de Mary para sobreviver ao acontecimento do início do livro, em uma sociedade da época com um pai machista e hipócrita. Para mim, a melhor personagem da história.

Também uma curiosidade histórica, que ainda não tinha visto retratada em nenhum livro. Naquele momento que contei que parece que o livro acaba, um dos personagens é vítima do desastre da ponte Tay, um fato real que ocorreu durante uma tempestade em 28 de dezembro de 1879, quando um trem que percorria o trecho entre Burntisland para Dundee, na Inglaterra, a fez desabar, matando todos que estavam a bordo.

Então pense bem, porque apesar do protagonista odioso, a história tem muita coisa boa e foi escrita por um autor que já me conquistou. Já estou com "A Cidadela" aqui para ler.

Beijos!

19 de julho de 2021

EU LI: O Primo Basílio (Eça de Queirós)

Oi gente!

Nosso processo de mudança está quase lá! Estamos no auge das reformas e se tudo der certo, mais uns quinze dias estamos mudando em definitivo. Mas agora é a fase mais trabalhosa, correrias mil e tá bem difícil gravar vídeo. Então, decidi deixar aqui no blog as minhas impressões da leitura de junho do nosso grupo com o Carlos do canal Livros &Ebooks: O PRIMO BASÍLIO de Eça de Queirós.


Acho legal comentar que a escolha do livro foi uma consequência da leitura de maio, que foi Madame Bovary do Flaubert e tem vídeo no canal. Quando comentado no grupo que a literatura de Flaubert foi inspiração para muitos escritores, inclusive para o Eça escrever "O Primo Basílio", batemos o martelo com o intuito de não só conhecer a história, mas comparar as obras e identificar paralelos entre uma e outra. Isso porque o tema central das duas obras foca foi um tema bem comum na chamada vanguarda realista: o adultério. 

Publicado pela primeira vez em 1878, "O Primo Basílio" é ambientado na sociedade urbana de Lisboa e percebe-se um intuito muito grande do autor em criticar o romantismo e analisar a moral da classe burguesa em Portugal na época. Além de  "Madame Bovary", o romance português também dialoga com o russo "Anna Karenina" e o brasileiro "Dom Casmurro", cujo autor aliás, nosso grande Machado, era crítico ferrenho da obra de Eça. Mas isso dá "pano prá manga" e seria assunto para outro post.

Em resumo e sem spoilers, a história mostra um lar aparentemente feliz, onde vivem Jorge e Luísa. Jorge é um engenheiro e marido dedicado, enquanto Luísa é uma vítima de fantasias românticas (como Bovary). Essa alienação da realidade a leva ao adultério, enxergando em seu primo Basílio a realização dos seus sonhos românticos. Já Basílio, que é irresponsável e conquistador, aproveita-se da situação e exerce tamanho poder em Luísa, que a torna incapaz de discernir seus valores morais. Inconsequente e apaixonada, durante uma viagem de Jorge a trabalho, ela se rende aos encantos do primo. Nessa apresentação de personagens e início da história notei um paralelo de Jorge com Charles Bovary, no sentido de ser acomodado, quando Luísa lamenta não poder viajar ou conhecer lugares porque "o marido era tão caseiro", e Eça aproveita para alfinetar sua gente completando a fala de Luísa: "...tão lisboeta"!

Temos outros dois personagens importantes na história: Juliana e Sebastião. Juliana é empregada doméstica da casa e não se entende com Luísa de jeito nenhum. Luísa é impositiva o tempo todo, alimentando em Juliana, que já se apresenta com caráter duvidoso, o desejo de vingança. Já Sebastião é amigo de Jorge desde criança, com laços fraternos e indissolúveis. Conformado por seus planos de ser sócio de Sebastião terem minguado, agora atua como um sombra do casal, ajudando Jorge nos agrados com a esposa. Além dos personagens centrais, temos também a beata Dona Felicidade, o fofoqueiro Senhor Paula, o empregado Julião e Castro, que tem uma paixão platônica pela Luísa. 


Em meio aos personagens e enredo, temos uma Juliana frustrada com sua vida solitária, que canaliza sua raiva em Luísa pelos maus tratos e abraça a oportunidade de vingar-se e beneficiar-se com os segredos que descobre. O final do livro remete ao que deveria ser o final para os padrões da época, mas muito triste, como em Madame Bovary. Enfim, era o que eu esperava levando em conta o autor, época e escola literária. Gostei da leitura, exceto pelo que me irritou um pouco, o excesso de diminutivos utilizados pelo autor ao se referir às características, ações ou sentimentos de Luisa (pensamentozinhos, pezinhos, rendazinhas do vestido...), ou descrição de locais (canteirinhos, terraçozinho), mas imagino que foi proposital.


"O Primo Basílio" foi adaptado para o cinema e televisão. A Globo lançou a sua versão em 1988, escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, que também assinou a adaptação de 2007. Há também uma versão portuguesa dirigida por Antônio Lopes Ribeiro e recentemente, o ator londrino Ben Kingsley anunciou que a sua produtora, a Lavender Productions, em parceria com a Nevision, faria uma adaptação televisiva para o romance reconhecido mundialmente. A obra já está em domínio público e pode ser acessada por esse link aqui


Boa leitura!

7 de setembro de 2020

EU LI: O Cortiço (Aluísio Azevedo)

Oi gente!

Ainda não tô conseguindo gravar vídeos, mas acho que é uma questão de dias (eu espero!). Por enquanto, vou comentando por aqui sobre minhas leituras mais impactantes. Como foi o caso de "O Cortiço", de Aluísio Azavedo, que li no mês passado junto com o Carlos, do canal @livroseebooks. Sempre tive receio de ler essa obra, lembro que tinha uma edição antiga que até doei sem me encorajar em fazer a leitura. Até que consegui essa edição moderna e comentada da Panda Books (que aliás tem uma coleção de clássicos neste formato e tô bem animada para ler alguns!), agora foi!


"O Cortiço" foi publicado em 1890 e é uma das obras nacionais que mais representam o naturalismo. A história é um retrato das condições de vida das classes mais baixas no Rio de Janeiro da época. Acompanhando o dia a dia dos moradores do cortiço, 


O principal personagem é João Romão, que construiu o cortiço após receber uma quantia de um português, para o qual trabalhou muito. Morava com Bertoleza, uma ex-escrava que fugiu dos seus antigos donos e até então João não tinha muitas preocupações além de aumentar seu capital. Até a chegada de Miranda, seu vizinho, que lhe despertava inveja pelo status e títulos que possuía, vindo a tornar-se seu maior rival. 

"O Cortiço" é narrado de forma linear, em terceira pessoa como narrador onisciente. Além da ambientação do cortiço, são apresentados ao leitor cenas da história que se passam na pedreira e na taverna, também são propriedades de João Romão, que na história simboliza o capitalismo desenfreado, pois usa de muitas artimanhas, inclusive explorar e enganar pessoas, para obter lucros e riquezas. O romance tem muitas descrições, explorando características e comportamentos dos personagens, cujas vidas são retratadas a cada capítulo, entrelaçando-se para enfrentar a pobreza, abandono e maldades.



No Brasil, "O Cortiço" é a obra mais emblemática do movimento literário naturalista. Por isso, a história mostra muito da degradação social dos moradores do cortiço, bem como sua animalização, em muitas partes marcadas pela violência e instintos sexuais. Segundo o naturalismo, o meio influencia diretamente o comportamento das pessoas, então não vemos muitos desfechos "felizes" na história. Em vários núcleos são ressaltadas a desigualdade social, ambição, promiscuidades, entre outros. 

A obra retrata muito bem a sociedade brasileira do século XIX e se apresenta bem atemporal em alguns aspectos, como comportamentos em busca da ascensão social, tão bem representado no protagonista João Romão. Muitos outros personagens sejam importantes na trama, como Jerônimo, o português que administra a pedreira, e Rita Baiana, uma mulata toda sedutora que a princípio tem um caso com Firmo que representam a mistura de raças. 

Um detalhe interessante em "O Cortiço" é a característica marcante e presente nas obras naturalistas, onde o cortiço em muitos trechos é personificado, como personagem principal, enquanto os personagens humanos são animalizados. Este trecho é um exemplo da personificação do cortiço: Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da ultima guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.” Já a aproximação do homem com o animalesco pode ser observada em várias metáforas utilizadas pelo autor, comparando os personagens com animais selvagens ou até mesmo plantas.



As personagens femininas marcantes da obra me chamaram a atenção. Temos a Piedade, a típica representante dos valores europeus da época, esposa recatada de Jerônimo. Temos a Pombinha, que leva algum tempo para se descobrir mulher, até deixar a pureza de lado e se tornar prostituta. A Estela, esposa infiel que levou o Miranda a mudar-se para o bairro do cortiço. Mas nenhuma merece tanto destaque como a Rita Baiana, representante fiel do imaginário da mulher brasileira: alegre, sensual, fogosa, dançante e fã dos pagodes e rodas de samba. Sempre otimista apesar das mazelas. Na minha opinião Rita Baiana é a personagem mais popular da história, que se destaca independente das suas participações na trama (até porque eu não concordaria com algumas atitudes suas), pelo modelo de exaltação da mulher que ela nos passa. Os capítulos com a Rita Baiana são cheios de brasileirismo, alegria, positividade, apesar da pobreza ambientada ao seu redor.


"O Cortiço" leva ao leitor muitos acontecimentos que marcaram a época retratada. Trabalho assalariado, desenvolvimento de setores secundários, novas categorias sociais, chegada de imigrantes, mescla de raças, descobertas na área científica e escravidão. Ambientação inspirada nos cortiços da época, espaços demarcados por construções precárias e sufocantes. Uma importante fonte literária para entendermos nosso Brasil antigo e fazermos uma análise social para infelizmente percebermos que muitas coisas ainda não mudaram em nada.

Estudiosos apontam como principal inspiração para Aluísio Azevedo escrever "O Cortiço", a obra do francês Émile Zola, "Germinal", que também usou seus personagens para gravitar em torno da narrativa, de modo a expor as questões naturalistas. Sabendo disso, a curiosa aqui resolveu então conhecer a obra de Zola, e enquanto publico esta postagem, devo estar já na parte dois ou três do livro. E já posso adiantar que sim, tem muitas semelhanças com a obra de Aluísio. Mas isso é assunto para outra postagem, ou vídeo. Logo volto com as atividades no canal!

Beijos!

17 de abril de 2020

EU LI: O Castelo de Papel (Mary del Priore)

Oi gente!

Como estão todos? Hoje passei para comentar uma leitura recente, "O Castelo de Papel", da historiadora Mary del Priore. Os livros da Mary abordam muito da História do Brasil e só por isso já são motivos para dividir opiniões. Foi minha primeira experiência com a autora.


"O Castelo de Papel" mistura romance com fatos históricos, baseados principalmente em pesquisas das cartas da Princesa Isabel e seu esposo Conde D'Eu, tornando o livro quase uma biografia do casal. Aliás, foi um dos aspectos que gostei, conhecer melhor este personagem que até então me era desconhecido, tanto quanto o fato de que Isabel casou-se com um estrangeiro, pois o Conde era neto do rei deposto da França, Luis Felipe I. O livro nos conta então sobre sua formação, seu papel na Guerra do Paraguai (que é bem contraditório com outras fontes que pesquisei), sua relação com o sogro (D. Pedro I), focando na relação conjugal com a Princesa.

O recurso que a autora usou foi demonstrar estes fatos de forma a humanizar os personagens. Temos aquelas impressões sobre o Segundo Reinado dos livros de História, ou artigos em linguagem acadêmica, mas aqui ela traça os perfis psicológico dos personagens com maior naturalidade. A própria Princesa Isabel é retratada diferente do que conhecemos, uma mulher típica do século XIX, que sonhava com uma família, era religiosa e preferia o refúgio de sua casa em Petrópolis às reuniões políticas.

Conhecemos então, através de uma narrativa fluída, a vida do casal desde o casamento arranjado que acabou se transformando em um amor sólido e companheiro, em paralelo com as transformações que o Brasil passava com os movimentos abolicionista e republicano. Dom Pedro nos é apresentado com uma personalidade egocêntrica e sisuda, sempre evitando envolver o casal nas decisões (o Conde por ser estrangeiro e Isabel por ser mulher), deixando-os responsáveis apenas em caso de ausências ou doença. Também acompanhamos a Condessa de Barral, mulher muito à frente da época, sempre influente e aconselhando o jovem casal.


O mais curioso para mim no livro, foi a desmistificação da Princesa Isabel como a salvadora dos escravos, ou "A Redentora", como é definida em vários livros de História. Pela visão da autora, a libertação dos escravos foi mais o resultado inevitável de anos de luta dos abolicionistas, do que a decisão pontual de uma mulher que, aproveitando uma viagem de Dom Pedro I, colocou a mão na consciência e decidiu por fim à escravidão no país. Segundo o livro e também em algumas cartas, a impressão é de que Isabel não queria governar, não tinha interesse em assuntos políticos e não foi preparada de forma alguma por seu pai para tal função. Fatos que indicam os motivos de tudo ter culminado para a exílio da família real e a Proclamação da República. Obviamente não deixamos de perceber as heranças que pairam no Brasil até hoje: maracutaias políticas, troca de favores e mudanças repentinas favorecidas por interesses do momento. Isto é nítido principalmente depois da queda da monarquia.



Temos em "O Castelo de Papel" um romance baseado em fatos pesquisados nas cartas dos protagonistas, mas também fiquei com a impressão de que a autora foi um pouco tendenciosa em sua narrativa. Além do protagonismo do Conde D'Eu na Guerra do Paraguai, que descobri gerar muitas controvérsias que discutem, ora uma participação positiva, ora negativa, há também esse aspecto sobre a Princesa Isabel abordado no parágrafo anterior. Existe uma carta da Princesa Isabel destinada ao Visconde Santa Victória, que era sócio do Barão de Mauá. Devem existir outros documentos arquivados na Biblioteca Nacional, mas esta carta percorreu alguns sites e blogs nas redes sociais, e eu a encontrei em uma matéria do Jornal de Brasília, de 2017. Nesta carta se percebe muito interesse da Princesa em amparar os escravos libertados, que estavam em situação de pobreza e sem perspectiva, inclusive citando que seu próximo passo era se dedicar a libertação das mulheres "dos grilhões do cativeiro doméstico". Essa afirmação no mínimo vai na contramão da personalidade de Isabel exposta em "O Castelo de Papel". Fica aqui o link caso queiram conferir, só clicar aqui.

Qual a versão correta da Princesa e demais personagens eu não sei dizer, não sou historiadora e não me compete opinar além das minhas impressões de leitura. Se você ficou curioso, sugiro que leia e tire suas próprias reflexões, ou conclusões. Gostei do livro, da narrativa acessível, das informações novas para mim. Inclusive já estou com outro livro da autora aqui para ler. De qualquer forma, livros que nos suscitam questionamentos e nos trazem releituras da História do Brasil, são sempre bem-vindos por aqui. Me ajudam a entender muito do comportamento atual, seja dos governantes ou do próprio povo brasileiro. 

Boa leitura!

12 de fevereiro de 2020

O Amor de Mítia (Ivan Búnin) + MEUS (poucos) LIDOS DA LITERATURA RUSSA | Portão Literário

Oi gente! Acho que este é o primeiro vídeo sobre o tema no canal. Porque realmente não sou entendida no assunto e ainda li muito pouco de literatura russa. Mas decidi registrar os títulos que já passaram por aqui, junto com minha mais recente leitura russa, "O Amor de Mítia" de Ivan Búnin.

Clique para assistir

10 de novembro de 2019

Adeus às armas (Ernest Hemingway) | Portão Literário

Oi gente!

Hoje encerro os vídeos do projeto #nobeldeliteratura de 2019, com mais uma obra de Hemingway, um romance um tanto autobiográfico, que conta a história de amor entre o tenente Frederic Henry e a enfermeira Catherine, durante a Primeira Guerra Mundial. Vale conferir!

Clique para assistir

29 de agosto de 2019

EU LI: Sra. Poe (Lynn Cullen)

Oi gente!

Eis que aos quarenta e cinco do segundo tempo, venho deixar uma postagem para o mês de agosto. Um mês sufoco por aqui, mas aos poucos retomando os rumos. E vamos falar do que? Desencalha! Surpreendentemente, uma das leituras com menos expectativas criadas, foi uma das melhores do mês: Sra. Poe, da autora Lynn Cullen (até então desconhecida para mim).


Tudo bem que é um livro que tratava de Edgar Allan Poe, motivo este que me fez comprar na livraria. Mas não esperava que me surpreendesse tanto. Descobri que gosto de biografias romanceadas, daquelas que você não sabe direito qual parte é fato ou não. É o caso de "Sra. Poe", uma mistura fr realidade com ficção, que durante a leitura nos transporta para a vida dos personagens e após a leitura nos deixa com gostinho de quero mais. Com vontade de fuçar, pesquisar, ler sobre o tema, tudo e mais um pouco.

Vamos aos fatos! É fato que Edgar Allan Poe casou-se com uma prima em primeiro grau, Virginia Clemm, que tinha treze anos na ocasião do casamento (Poe tinha 27!). Anos após o casamento, ela contraiu tuberculose e morreu com apenas 24 anos. Durante esse período, uma poeta chamada Frances Osgood conviveu com pessoas do meio artístico e literário, juntamente com Poe. Separada do marido, Frances aproximou-se de Poe, que a motivava a escrever. 

O que me parece que a história não comprova é se os dois tiveram realmente um relacionamento amoroso. Porém, a autora de "Sra. Poe" acredita nisso e romanceou suas pesquisas realizadas através de cartas e documentos, na história do livro: um triângulo amoroso com a mesma atmosfera gótica dos escritos de Edgar Allan Poe!

A história é narrada em primeira pessoa, pela própria Frances Osgood, apaixonada perdidamente por Poe, que a acolhe e transmite um grande interesse em ascender a poeta no mundo literário. Ao mesmo tempo em conflito por Poe ser um homem casado e que não o bastante, ainda tenta a aproximar da esposa. Aliás, a esposa de Poe foi a personagem que mais me surpreendeu!! Aff!!

Gostei do livro por vários motivos, não só por conhecer um pouco mais dos detalhes da vida e personalidade de Edgar Allan Poe, mas também porque a autora me transportou para o universo da época, quando descreve os saraus literários da sociedade de 1845, seus costumes e "bafos" (rs). Também me agradou muito a autora conseguir inserir em uma história de amor, ainda que na maior parte inventada, o suspense e (sim!) o terror que Poe inseria em suas histórias. Isso para mim foi o melhor do livro. Me prendeu e me surpreendeu. Foram 400 lidas com vontade! Destaque para as cartas de amor trocadas, também presentes na história. Por fim, arrisco dizer que este livro daria um filme maravilhoso!

Edgar Allan Poe já foi tema da série Personalidades. Só clicar aqui para ler a postagem.

Boa leitura!

14 de julho de 2019

Juncos ao Vento (Grazia Deledda) | Portão Literário

Aquele vídeo que amo gravar. Aquela leitura que me transporta para o cenário do livro. Confesso que depois da leitura, coloquei a Ilha da Sardenha na minha lista de lugares desejados a visitar. Mais um que entrou para os melhores do ano.

7 de julho de 2019

A Inquilina de Wildfell Hall (Anne Brontë) | Portão Literário

Mais uma leitura da Anne Brontë! E gente, que livro! Hoje minhas impressões sobre "A Inquilina de Wildfell Hall", a maior denúncia que já li em um romance sobre a submissão da mulher no século XIX (e que infelizmente permanece até hoje, mas como naquela época, só as "Annes" escancaram os bastidores).

Clique para assistir

25 de junho de 2019

EU LI: Incidente em Antares (Érico Veríssimo)

Oi gente!

Quando "Incidente em Antares" foi sorteado para o meu desencalha do mês, eu fiquei tão feliz! Há tempos queria fazer essa leitura, mas acabava deixando de lado. Tenho uma edição antiga da Editora Globo e a única leitura que tinha feito do Érico Veríssimo foi "Olhai os lírios do campo", que confesso, não lembro de nada! Só lembro que foi uma leitura que me marcou muito na época.


Já de início lembrei muito de Macondo, a cidade fictícia de Gabriel García Márquez em seu clássico "Cem anos de solidão". Assim como Macondo, a cidade gaúcha de Antares, situada na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, é palco de estranhos acontecimentos, misturados com fatos históricos que o autor insere magistralmente na história. O ano é 1963, meses antes do Golpe Militar e a primeira parte do livro traz todo esse resgate histórico de questões políticas nacionais que influenciaram a cidade, além de abordar questões atemporais como racismo, por exemplo. Também apresenta a origem da cidade, marcada pela disputa de terras entre duas famílias rivais, os Campolargos e os Vacarianos.

Já a segunda parte vai contar sobre o incidente que dá nome ao livro, um fato estranho que acontece em uma sexta 13, em meio a uma greve geral dos trabalhadores. Sete pessoas da cidade falecem por motivos variados, mas nos cortejos descobrem que os coveiros também aderiram à greve. Os defuntos são abandonados na porta do cemitério, para aguardarem o final da greve, o que não acontece, pois resolvem levantar e "tocar o horror" pela cidade, em todos os sentidos. Os mortos não só assustam as pessoas como resolvem "lavar roupa suja", expondo a intimidade de vários cidadãos.

Cena da minissérie "Incidente em Antares", transmitida pela Rede Globo em 1994.

Gostei muito da segunda parte, pela mistura que autor desenvolve entre o realismo fantástico, porém inserido em nossa própria realidade. Me chamou a atenção a reflexão sobre o "cair das máscaras", sinalizando que depois da morte nada mais temos a esconder. Sobre a temática política, certamente eu teria gostado muito mais se fosse uma pessoa mais atuante nesse âmbito, mesmo assim recomendo muito a leitura, dado o nosso momento político no país. Utilizando-se da ficção, o autor denuncia extremismos e absurdos que são feitos em nome de um ideal, seja ele de qualquer lado.

Achei a primeira parte um pouco cansativa, mas admito que é necessária para o entendimento da história. Faz toda a diferença, enquanto leitura da segunda parte, sabermos qual é o contexto em que o sociedade estava inserida e quais os motivos levaram à greve. Os personagens são bem construídos e fiquei me perguntando como o autor conseguiu publicar esse livro em épocas de regime militar. Bom, ainda bem que conseguiu! Certamente um clássico da literatura brasileira!

Boa leitura!

29 de maio de 2019

EU LI: O som da montanha (Yasunari Kawabata)

Oi gente!

Eis que meu livro sorteado para o projeto Nobel de maio foi do vencedor do Nobel de Literatura em 1968, o japonês Yasunari Kawabata. Na verdade é minha segunda leitura do autor, a primeira foi "A casa das belas adormecidas" e eu também fiz uma postagem aqui no blog sobre as impressões de leitura, só clicar aqui para ler. Aliás, A Casa é um livro que divide opiniões, eu gostei na época mas acho que agora entendo algumas impressões diversas, principalmente depois da leitura de "O som da montanha". 



A obra conta a história de Shingo Ogata, que já em uma idade avançada, sofre crises de perda de memória e vê-se diante de vários problemas familiares. Sua filha separa-se do marido e volta a morar em sua casa com duas crianças. Seu filho tem uma amante. O próprio Shingo no passado era apaixonado por uma moça mas acabou casando-se com a irmã dela. Olhando assim parece um belo melodrama, mas não, o realismo presente na obra é uma das características da escrita do autor.

"O som da montanha" é basicamente um retrato da vida cotidiana no Japão, ao final dos anos 60, em um período pós-guerra em que o país tentava renascer. Um paralelo com a luta diária de Shingo, que além de aprender a conviver com a velhice, tenta entender o colapso de sua família, enquanto nutre sentimentos pela sua nora Kikuko. E aí entram meus comentários sobre a semelhança com "A casa das belas adormecidas" e a estranheza que certos aspectos da história causa em alguns leitores, assim como causou em mim.

No decorrer da história, enquanto se compadece da sua nora que está sendo traída pelo marido, Shingo a trata com sentimentos exagerados, quase beirando a um relacionamento romântico. Sua justificativa (em pensamentos) é de que ela é muito parecida com seu amor da juventude, mas dá para perceber que ele também gosta de imaginar moças novas e paixões que já não consegue mais sentir, inclusive tem sonhos com isso. Em "A casa das belas adormecidas", o autor também insere um personagem de idade avançada em uma casa (bordel?) onde jovens moças, sob o efeito de entorpecentes, são observadas por homens como ele. Estranho né?

Eu concluí que alguns sentimentos inseridos nas histórias são inerentes ao autor. Sua vida foi cheia de perdas. A história de Kawabata começa com seu pai morrendo de tuberculose quando ele tinha dois anos. Logo depois perdeu sua mãe e sua irmã. Ainda jovem, perdeu o avô que o adotou. Dá para sentir nas suas obras que ele procura por figuras maternas, por amores impossíveis, por uma juventude feliz. 

E através dessa análise, continuo gostando das obras do autor. Não podemos esquecer também da cultura japonesa, tão distante de nós ocidentais, que por si só nos causam estranheza. E na minha opinião, apesar da tristeza embutida nas histórias e de alguns hábitos grotescos, Kawabata mescla sensibilidade e poesia na sua maneira de escrever. "O som da montanha" nos faz lembrar os famosos haicais japoneses, dadas às constantes mudanças de estações inseridas na obra e metáforas com a natureza na descrição dos sentimentos.

Posso estranhar e não concordar com a maneira como a mulher foi colocada nos dois livros que li de Kawabata, mas não posso deixar de afirmar que ele tem um estilo único, que consegue inserir com maestria nos períodos vividos pela história do Japão e que não tem medo de juntar em suas obras o belo e o feio, construindo uma narrativa melancólica, porém poética.

Boa leitura!

2 de maio de 2019

Oliver Twist (Charles Dickens) | Portão Literário

Mais um Dickens pra conta! No vídeo de hoje comento sobre a obra, uma adaptação infantojuvenil e adaptação cinematográfica.

Clique para assistir

16 de abril de 2019

EU LI: Sopa de Pedras (Rosana Vinguembah)

Oi gente!

Em março minhas leituras foram só de autoras mulheres! Uma delas foi "Sopa de Pedras", o livro de estreia da autora Rosana Vinguembah, uma mineira muito simpática que ama livros e já nos conhecíamos pelo canal e redes sociais, inclusive me enviou alguns livros de presente antes do seu. Mas pensem o quanto fiquei feliz, incentivadora de novos autores que sou, quando fiquei sabendo que a Rô estava lançando seu primeiro livro!


Claro que fiquei curiosa, pois já sabia que era um romance que se passava em Minas Gerais e envolvia mineração, um dos setores básicos da economia nacional desde o tempo de colônia e tão explorado por lá. Mas não imaginava que a autora conseguiria inserir na história tanto da cultura e tradições do lugar. Foi o que me conquistou!

A história basicamente narra o cotidiano de uma família, que vive em uma pequena propriedade rural às margens do Rio Triunfo. O Sr. Leôncio conduzia uma equipe no garimpo e era com esse trabalho que sustentava sua família. Além deles, a autora insere outros personagens que compõem a vizinhança e os entrelaça buscando uma mesma questão: o que faremos sem o garimpo? Isso porque naquela época a atividade já estava em decadência.

Achei o romance bem construído, embora sem um ápice, pois a problemática citada acima permeia toda a história, fazendo com que eu tenha sentido a narrativa com o mesmo ritmo do início ao fim. Porém, o mais legal para mim e isso tornou minha leitura incrível, foram os elementos regionais adicionados na história. A autora me passou muita segurança ao inserir elementos da vida dessas pessoas, as dificuldades enfrentadas diariamente, rotinas do cotidiano rural, o árduo trabalho realizado pelas pessoas de cidades do interior. Aprendi em detalhes por exemplo, como as mulheres mineiras do interior faziam o famoso "sabão de cinzas", que é praticamente a primeira espécie de sabão que existiu.

Tem minha admiração os autores que contam essas histórias regionais, que muitas vezes não perpetuam diante do esquecimento e desvalorização da oralidade!

A leitura da obra da Rosana também me trouxe uma recordação de infância. Alguém lembra daquela história que os livros de Língua Portuguesa continham na década de 80, chamada "Sopa de Pedra", que contava sobre um monge que ensinava a fazer literalmente uma sopa de pedras? Essa história é conhecida como sendo uma lenda portuguesa, porém eu descobri que ela foi contada muito antes por um ganhador do Nobel de Literatura. Dá para acreditar? É a mágica da Literatura!

Mas essa é uma história para outro post...

Beijos!

20 de setembro de 2016

Eu li #84 - Rainha Vitória

Oi gente!

Hoje tem impressões de leitura mas lá no canal! Um vídeo que amei fazer, onde converso um pouquinho sobre a influência da Era Vitoriana nas obras literárias da época. E claro, das Irmãs Brontë, motivo pelo qual atrelei a leitura ao projeto. Vem conferir!

Clique para assistir o vídeo
Beijos!

28 de julho de 2016

Eu li #78 - Cartas para Julieta

Oi gente!

Hoje vou falar de um livro que me conquistou, desde que o encontrei perambulando por um sebo de Curitiba. Há alguns anos conheci o filme "Cartas para Julieta" e me derreti. Já assisti muitas vezes e não deixo passar quando mudo o canal e o encontro. Não sei se é o enredo, minha paixão por Shakespeare ou a ótima atuação dos protagonistas, não enjoo desse filme! E achei que o livro contaria sobre o romance que inspirou o filme, mas me enganei. Foi o filme que inspirou o livro, que na verdade é um documentário histórico, escrito pelas irmãs Friedman, sobre o Club di Giulietta, um grupo de pessoas amantes da história trágica que se voluntariam a responder todas as cartas que chegam para ela. E no decorrer das páginas passamos a conhecer a história por trás da história, como o clube surgiu, suas transformações e tudo que ele inspira na cidade de Verona. Amei!



O livro já começa com um dado interessante, que eu desconhecia. Informa que a história de Romeu e Julieta não foi originalmente contada por Shakespeare. O autor já inspirou-se em histórias mais antigas para escrevê-la, porém foram suas palavras que deram notoriedade a ela. As primeiras páginas nos contam sobre outras versões da história e depois passa a nos guiar pela cidade de Verona, nos pontos principais que remetem à história, incuindo as casas de Romeu e Julieta. 


Aí descobrimos porque Verona hoje é uma espécie de refúgio dos românticos incorrigíveis. Tudo lá lembra Romeu e Julieta e tem gente que até celebra seu casamento no túmulo dela para simbolizar sorte. Oi? (rs). Inclusive outro dado interessante que o livro conta fala sobre muitas adaptações e transferências que foram feitas no túmulo de Julieta, para atender justamente essa demanda turística e também necessidades administrativas.




E o Club di Giulietta? No livro conta como começou, como a Casa de Julieta foi criada e como a cidade aproveitou esse nicho para se tornar um dos altos pontos turísticos da Itália. Conta quem foi o primeiro presidente, denominado "secretário de Julieta" e como a equipe foi montada ao longo do tempo para responder as cartas deixadas no muro de Julieta ou recebidas pelo correio. Hoje o Clube tem voluntários em algumas partes do mundo, para que seja possível responder cartas em diversas linguagens, porque acreditem, até cartas em braille eles já receberam!


A propósito, falando em cartas, taí um dos pontos altos do livro, na minha opinião. Podermos ter acesso aos mais variados textos, escritos nas cartas recebidas. Desde adolescentes desesperados pelo amor não correspondido, até idosos contando sobre sua vida com seu amor, digna de contos de fadas. Cartas sensíveis, lindas, surpreendentes, engraçadas e emocionantes. Algumas solitárias e algumas tristes como a história! Mas todas com um tema em comum: o amor! Confesso que me emocionou perceber tantas pessoas, do mundo inteiro, dos mais variados lugares e mais distintas culturas, com um mesmo propósito e um mesmo sentimento unindo-as. Incrível o poder que a história tem!


E se você preferir como eu, começar pelo filme, garanto mais surpresas com a encantadora história de Sophie, uma aspirante a escritora que viaja para a Itália ao lado do noivo Victor, mas que justamente na cidade mais romântica do mundo, percebe que seu noivo está mais interessante no restaurante que vai inaugurar do que nela. Então, em busca de aventura e histórias para contar em seu livro, ela descobre as secretárias de Julieta e aí... assista! Cartas para Julieta (Letters to Juliet) é um filme norte-americano, dirigido por Gary Winick e estrelado por Amanda Seyfried (adoro ela!) e Chris Egan.


Agora, se você quer logo deixar a ficção de lado e mergulhar em um documentário recheado de fotos históricas, leia "Cartas para Julieta". Além de uma leitura diferente, o livro é lindo. Daqueles que dá gosto deixar na estante! Ah, e se você gostou da proposta e quer mandar uma carta para Julieta também (eu já estou preparando a minha!), seja para pedir um conselho ou contar a sua história, o Clube tem um site oficial. Basta clicar aqui para conhecê-lo e como eu, se inspirar no poder do amor!

Beijos!

24 de junho de 2016

Eu li #74 - Amor de Perdição

Oi gente!

Já estamos quase no final do mês dos namorados e eu aproveitei o tema para fazer algumas leituras estilo "Romeu e Julieta" (rs). E vamos combinar, impossível não comparar "Amor de Perdição" com a tragédia de Shakespeare né? Nem me preocupo com esse comentário parecer spoiller porque em primeiro lugar, acho que sou uma peça rara por não ter lido essa obra-prima de Camilo Castelo Branco. E em segundo lugar, não é preciso percorrer muitas páginas para saber que esse amor tinha tudo para ser triste! Minha nossa! Eu li nessa edição aí e a capa já diz tudo (rs).


A leitura é lenta por conta da linguagem arcaica, mas eu estava no embalo da literatura portuguesa na faculdade e, embora esse título não fizesse parte do escopo do semestre, incluí por conta. E não me arrependo, que história gente! Esse livro foi escrito em 1862 e fez parte da escola literária do Romantismo. Nessa época, o amor era escrito sempre carregado de dor e sofrimento. Para encorpar ainda mais isso, "Amor de Perdição" foi escrito em poucos dias, enquanto o autor estava na cadeia, e conta uma saga acontecida em sua família.

Algumas capas de "Amor de Perdição"

Simão e Teresa são os protagonistas. Dois jovens cujas famílias se odiavam (tá vendo?). Simão era metido a valentão, vivia da mesada dos pais e Teresa era a cara da mulher do século XIX. Esperava alguém para levá-la ao altar, mas nesse caso com uma particularidade: tinha que ser Simão ou mais ninguém. Nem quando o seu primo Baltazar, a personificação do noivo perfeito, a corteja, ela esquece seu primeiro amor. Simão e Tereza trocam cartas às escondidas e sofrem, e sofrem, e sofrem! Simão tem suas impulsividades e com elas se complica a cada dia, então sofre ainda mais! Tereza prefere ir para um convento a desistir de amar Simão, até que seu pai acata a ideia e aí ela sofre ainda mais! Gente, não é exagero. O livro é assim! Os pais dos infelizes, principalmente o de Tereza, fazem birra em nome da honra e levam o amor de seus filhos à loucura. 

Amor de Perdição na versão cinematográfica de 1979, dirigida pelo português Manoel de Oliveira.

No decorrer da história aparece João da Cruz, extremamente grato ao pai de Simão por um favor do passado, com sua filha Mariana, que acaba se apaixonando pelo moço. Passamos então a ler a história de três pessoas que amam demais, e sofrem! Então sim, é uma história sofrida, mas MUITO BEM ESCRITA! Uma linda história de amor proibido, cativante e envolvente!

Beijos!

22 de junho de 2016

Eu li #73 - O Bangalô

Oi gente!

Estou atrasadíssima com essa resenha! "O Bangalô" foi o livro indicado pela Lu Yaros para a leitura do Clube do Livro de abril! Eu li durante o mês mas ainda não tinha registrado minhas impressões. E isso é bem ruim, porque depois de um tempo da leitura, muitos detalhes se perdem se não anotamos. Mas acho que consigo dar conta e deixar alguns sentimentos que essa leitura me trouxe, principalmente a sensibilidade incrível com que ela foi escrita.


"O Bangalô" vai contar sobre Anne Calloway, uma moça que deixa a família e o noivo em Seattle para embarcar, junto com a amiga Kitty, para Bora Bora, para trabalhar como enfermeira na recuperação dos feridos da Segunda Guerra. Chegando lá, enquanto vivencia o contraste dos horrores da guerra com as maravilhas de um lugar exótico e paradisíaco, conhece Westry Green, um soldado gentil que destoava da maioria. O resultado disso vocês já sabem né? E obviamente, nem seria preciso comentar, o bangalô é o lugar onde eles vivem sua história de amor.

Ilha de Bora Bora

Só que o livro não começa assim, contando sobre a ida de Anne para Bora Bora. Ele começa com Anne idosa, recebendo uma carta das mãos da sua neta, que a incentiva a voltar à ilha para buscar respostas referentes a perguntas de uma vida inteira. A carta era de uma moradora da ilha e faz Anne rememorar acontecimentos importantes, principalmente o assassinato que presenciou em uma de suas idas ao bangalô romântico, e que nunca havia comentado com ninguém. Elas acabam viajando para lá e Anne enfim consegue libertar-se de seus sentimentos e buscar a justiça.

Gostei muito do estilo da autora. Embora, na minha opinião, faltaram mais detalhes sobre a guerra, já que era o pano de fundo da história, achei que ela criou bons personagens e desenvolveu o relacionamento entre eles de maneira incrível. O livro inteiro é feito de incertezas em torno deles e foi esse aspecto que mais me prendeu. O entrelaçamento entre uma carta e um passado nebuloso complementaram uma bela história de amor com uma instigante trama. Recomendo!

Beijos!

13 de junho de 2016

Segundica Literária #16 - Irmãs Brontë

Oi gente!

Hoje a Segundica comporta não só uma dica, mas um convite! No vídeo do Portão, onde falei sobre minhas aquisições de maio, introduzi um projeto pessoal que estava em pauta e fiquei muito feliz com a repercussão! Vendo a animação de várias amigas para me acompanhar nesse projeto, resolvi deixá-lo como Segundica também e veremos no que vai dar! Então, vamos ler Irmãs Brontë? =) \o/

Foto: huffingtonpost.co.uk
Vou contextualizar um pouco, para quem não conhece a história da vida e obra dessas três irmãs talentosas e guerreiras (porque ser escritora mulher naquela época não era fácil!), depois falo sobre o projeto ok? Afinal, as obras das Brontë não só são considerados clássicos da literatura mundial como influenciaram outros escritores e diretores de teatro, cinema e televisão. As três irmãs conquistaram o sucesso no universo literário no século XIX, na Inglaterra, não sem superarem inúmeros obstáculos, como dificuldades financeiras e a perda da mãe, fato que repercutiu diretamente na qualidade da educação das moças. Além disso, para que suas obras fossem aceitas, elas precisaram lançar seus poemas e romances com pseudônimos masculinos. E finalmente, contrariando todas as expectativas, elas mostraram a que vieram e se tornaram mitos, produzindo obras lidas e admiradas até hoje.

Marie-France Pisier, Isabelle Adjani e Xavier Depraz, em produção cinematográfica de 1979 sob direção de André Téchiné.
A mãe das Brontë faleceu em 1821 e logo depois, em 1825, as duas irmãs mais velhas, Maria e Elizabeth, também faleceram vítimas de tuberculose. Os quatro sobreviventes (Charlotte, Emily, Anne e o irmão Bradwell) foram morar com uma tia. Charlotte e Emily frequentaram a escola por um tempo, mas depois voltaram para a casa do pai e seu único aprendizado foi através dos livros do pai e jornais. Mais tarde as duas fundaram uma escola de meninas e aprenderam línguas. Enquanto Charlotte ensinava inglês, Emily ensinava música. O irmão Patrick Brandwell tornou-se alcóolatra e terminou adoecendo e falecendo. As três irmãs também tiveram uma vida relativamente curta, pois todas faleceram entre os 28 e 39 anos de idade, vítimas de tuberculose. Porém, sua vida curta não as impediu de deixar um legado literário para a humanidade. Vamos passar rapidamente pelas suas obras principais e as que usarei no projeto de leitura.


"Jane Eyre" foi escrito pela irmã mais velha, Charlotte Brontë e é mais extensa do que a das suas irmãs. Charlotte viveu uma experiência pessoal, tentando ser professora no exterior e inseriu essa experiência na composição da sua obra. Por isso considera-se que "Jane Eyre" possui alguns traços biográficos da autora. A protagonista da obra é uma orfã que, após muito sofrer em sua infância, precisa correr atrás do seu sustento. Para isso, trabalhou como professora e depois como governanta na casa do Sr. Rochester, o homem por quem se apaixonaria e viveria um amor proibido.


"O Morro dos Ventos Uivantes", única obra escrita pela irmã do meio, Emily Brontë, já trata-se de um livro mais frio e rude. Porém, é considerado único na literatura universal, sendo impossível compará-lo a outras obras. Um dos motivos são as características sombrias de seus personagens. 


Apesar da obra "A Moradora de Wildfell Hall" ser citada por muitos como a obra mais importante da irmã caçula, Anne Brontë, eu escolhi outra que é muito citada também: "Agnes Grey". A obra contém uma protagonista similar à de Jane Eyre, a jovem Agnes, que também busca seu sustento trabalhando como enfermeira. 

E é tudo que sei dessas obras das irmãs Brontë gente! Como não li nenhuma, me deleguei um projeto pessoal, que servirá não só para conhecer as obras, mas tentar com meu olhar de leitora, conhecer as particularidades da escrita de cada uma, para comentar depois. Já tem uma introdução do cronograma lá no Portão Literário. Então fica aqui o convite e sugestão de leitura! =)

Beijos!

5 de maio de 2016

Eu li #65 - Emma

Oi gente!

Vamos para mais uma longa conversa sobre Jane Austen. Adoro! E o livro comentado de hoje é Emma, nossa última leitura do grupo "Heroínas de Jane Austen". O que falar de Emma? Muito! Mas para mim é impossível falar de Emma sem falar de Jane Austen. Porque eu acho que entendo melhor os personagens quando conheço quem os escreveu. De qualquer forma, por mais fãs que sejamos da autora, acho difícil alguém surpreender-se de maneira positiva com a obra Emma.

Para começar não falta na história os traços principais nas obras de Austen: sarcasmo e ironia! Nesse caso em particular, comparando com as obras anteriores, Emma é a primeira protagonista de Austen que não tem problemas financeiros, e ela deixa claro que esse é o motivo de não querer casar-se. O que já era uma afronta à sociedade inglesa da época, então defeitos à parte, ao menos coragem ela tinha...rs. E o resto? Aí complica!


No início parece que a intenção de Emma era fazer os outros felizes, então ela decide que não quer casar mas que é a pessoa perfeita para arranjar casamento para os outros. Só que não. Imagine que a própria Jane Austen, que escreveu a personagem, certa vez disse aos seus leitores que "Emma é o tipo de heroína que nem ela própria iria gostar muito". Isso resume tudo. Ela se achava a última bolacha do pacote e por isso, achava que estava acima dos sentimentos alheios e poderia decidir pela vida dos outros. É aí que ela desgosta o leitor. E confesso que dá mesmo muito raiva da Emma em alguns momentos. Para mim ficou nítido que sua vida é resumida em futilidades e ela se utiliza da desculpa de ser casamenteira para manipular as pessoas, apenas em função de alimentar seu próprio ego. 


Mas o problema não pára em Emma. A obra é composta de outros personagens irritantes. O pai de Emma por exemplo, é volúvel e pessimista, chega a ser hilário. E o tal do Frank? Até disfarça que é charmoso e conquistador, mas eu não gostei dele. Para mim só se salvou o Mr. Knightley que posso confessar? Ficou ali no páreo com o Mr. Darcy...hahaha! Ué, eu gostei dos modos dele com Emma e ponto. Acho até que a evolução dela como pesonagem dependeu muito dele. Inclusive posso falar porque não é spoiler, achei que Emma amadurece muito no decorrer da história, aliás eu acho que é o objetivo do livro, e também me salta aos olhos a genialidade de Austen em descrever essa transição! Só por isso não posso dizer que não gostei do livro. Não gostei de Emma (argh!) mas o livro... =)

Uma das versões cinematográficas de Emma, protagonizada por Gwyneth Paltrow
Emma teve várias adaptações para o cinema e televisão. A versão que eu vi foi a de 1996, com a Gwyneth Paltrow, que eu amei! Aliás, recomendo para quem não teve coragem de ler (o livro tem 605 páginas nessa versão que li) ou não teve paciência para terminar. Apesar da característica peculiar de Austen, não deixa de ser um romance de época muito bem detalhado (seja no livro ou na tela). Também tem resenha de Emma na Casinha de Livro da Pati Dias e no canal Livros e Scrap da Leila Cardoso. Sugiro a visita para saberem suas opiniões!

Beijos!