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29 de maio de 2022

Um retorno para relembrar minhas artes!

Oi gente!

Eu sei que tem gente por aqui que me acompanha desde sempre. Esse blog foi criado em 2004, como um espaço para eu escrever minhas ideias. Mas em 2008 comecei a fazer um curso de pintura em madeira, depois parti para o scrapbook e o blog passou a ser o espaço onde eu mostrava meus trabalhos. Aí comecei a mostrar minhas poesias junto com as artes e fui muito motivada por aqui a publicar meus escritos. Foi quando decidi, em 2012, publicar meu primeiro livro. De lá para cá, o blog focou mais nos meus trabalhos literários e resenhas de livros. 

Mas a verdade é que comecei a sentir muita falta de fazer umas artinhas aqui e acolá. E do ano passado para cá, resgatei alguns materiais e venho me dedicando a evoluir nas colagens. Treino elas no meu bullet journal e também em alguns caderninhos por aqui, mas por enquanto só mostrei no meu Instagram.

Bom, venho fazendo uma limpa nos arquivos do meu computador, porque olha, é muita vida para guardar...rs. E com isso, andei limpando também várias fotos das artes antigas que eu tinha. Guardei algumas dos trabalhos que mais gostei de fazer e decidi deixar aqui no blog, arquivado como um álbum de fotografias ou memórias. Quem sabe para inspirar alguém que procure algo similar no Google, sei lá. Se elas se perderem por aqui, ficarão apenas no registro da minha memória, mas essa também é a poesia né?

Vou começar com as caixinhas de madeira decoradas, porque foi o impulso para os demais trabalhos. Essas são só algumas, as que mais marcaram meu trabalho, inclusive algumas encomendas que recebi. No total foram muitas, desde as mais simples até as mais elaboradas, a maioria está hoje guardando memórias de alguém. =)














Eu também curtia muito reaproveitar material, fiz vários trabalhos com reaproveitamento, principalmente CDs. Também criei mini álbuns, cartões e marcadores de páginas. Aqui algumas fotos que restaram.










E claro, ainda faltaram as páginas de scrapbook. Aquelas que me proporcionaram amizades que tenho até hoje, troquinhas de mimos que me fizeram muito feliz em momentos difíceis e memórias registradas em álbuns que tenho por aqui. Mas isso fica para outra hora. 

Ótimo domingo para todos!

10 de janeiro de 2022

Como andam os planejamentos para 2022 ?

Oi gente!

Ando meio sumida das redes, mas é proposital. Como comentei, estou cuidando da minha saúde que deu uma balançada por conta dos intensos últimos anos e também tentando priorizar algumas coisas, deixar de lado outras, entender que não sou mais a mesma menina de quinze anos atrás que dava conta de meia dúzia de coisas ao mesmo tempo.

Por outros motivos também, mas basicamente por este, não fiz muitos planos para 2022. Estou aprendendo enfim a ser menos aquariana, pensar menos no futuro e viver o presente. O dia mais importante da nossa vida: o hoje. É um treinamento e tanto para a mente, um dia por vez. Mas já tive algum progresso.

Não são promessas porque há alguns anos não me cobro mais, talvez sejam metas se elas também não trouxerem cobranças . Acho que perspectivas também pesa um pouco, visto dinamismo cada vez maior em nossos dias, diante de tantas mudanças no mundo. Então escolhi esperanças, naquele sentido tão moderno de "esperançar", um bonito e poético sinônimo para "animar".

No início de 2021, logo após a partida da mãezinha, por sugestão do meu psicólogo, fiz um balanço dos meus trabalhos de escritora nos últimos dez anos. Em dez postagens, descrevendo ano a ano, desde 2011, contei sobre minhas conquistas e frustrações. Para quem quiser conferir, a série de postagem está nesse link. Foi muito proveitoso esse exercício, porque consegui visualizar muito mais conquistas do que frustrações. Porém, o ano passado me trouxe um bloqueio criativo tremendo, que está demorando para ir embora. A alegria do ano é que, embora não tenha produzido quase nada, as produções anteriores me trouxeram um convite e tanto: fui admitida na Academia de Letras José de Alencar, aqui em Curitiba. Foi o que bastou para eu tirar a coragem lá de dentro, combater o bloqueio e ao menos parar de pensar em desistir. 

Neste ano pretendo buscar algumas paixões que andavam esquecidas. Uma delas são as minhas amadas fadas, que juntando com temas de natureza e botânica que me acalmaram nos últimos tempos, farão uma combinação e tanto! Para alimentar esse resgate, fiz uma coisa boba, simples, mas que ajudou. Comprei um calendário importante com ilustrações da sueca Elsa Bescow. Se você não conhece tem uma postagem aqui no blog sobre ela e suas maravilhosas histórias e ilustrações.



Essa ilustração abaixo é uma das minhas preferidas e está lá na postagem. A história trata de uma fada que encontrou uma laranja e achou que era um ovo do Sol. As coisas simples que me encantavam há alguns anos quando minha inspiração brotava do nada e que deixei de lado, sejam pelas tribulações da vida, pelas decepções com pessoas e métodos no mundo literário, ou porque sou mesmo assim, inconstante. Preciso me perder para me encontrar novamente? Vai saber!



Não curto muito essa ideia das estações nos hemisférios. Tipo esse janeiro de inverno sueco aí. Mas faz parte. O fato é que esse calendário lúdico e maravilhoso já está aqui, encantando meu escritório e espero que ele me traga boas inspirações para escrever em 2022. Também devo continuar alimentando o blog e o canal, com menos frequência. Fundei um Clube de Leitura que promete momentos agradáveis e continuo organizando as coletâneas da coleção Tempo. Ah! E seu tudo der certo e o ânimo voltar, há possibilidades de eu lançar esse ano meu livro de contos solo. Se essas rápidas pretensões se realizarem, já ficarei bem feliz! Torçam por mim!

Obrigada pela companhia e um maravilhoso 2022 para todos!

13 de abril de 2021

EU LI: A TERRÍVEL MISSÃO DE JUDITE EVANS (Frankcimarks Oliveira)

Oi gente!

Hoje vou falar sobre um belíssimo trabalho que já deveria estar publicado aqui desde o ano passado, mas vocês já sabem como foi meu 2020 né? Mas antes tarde do que nunca!

Apresento a vocês mais uma participação na literatura dos colegas escritores. Fui convidada para escrever a apresentação e fazer a leitura crítica do livro de estreia do autor paraibano Frankcimarks Oliveira, "A Terrível Missão de Judite Evans". Um trabalho que me trouxe, além da alegria em fazer parte deste projeto, uma experiência intensa de leitura.

SINOPSE

Aos treze anos de idade, Judite Evans muda-se com a tia para o orfanato São Jerônimo no pequeno distrito de Capela Branca. Lá ela conhece Monique Anderson, uma anciã misteriosa que a fará descobrir os poderes ocultos de sua fé. A amizade com Monique é um refrigério para a menina que testemunha os mais horrendos tipos de abusos dentro da instituição onde vive. Os órfãos correm perigo. Judite sente-se impotente diante dos fatos. Entretanto, seus traumas despertam um dom. O que Judite fará com ele?


Só a sinopse já dá aquela vontade de ler né? Além do título e da capa super atrativos e que deixam o leitor muito curioso. Apesar do livro abordar uma temática pesada, mas não menos importante de ser divulgada, que é o drama da violência infantil, a história é recheada de fantasia e realismo mágico.

A protagonista da história, Judite, é uma menina de treze anos que vive em um orfanato. E lá presencia uma série de abusos, principalmente por parte de sua tia Margot, acostumada a maltratar as crianças. Esse fato que torna o semblante de Judite triste, além de sua personalidade desconfiada e de pouca fé. Além da tia Margot, alguns padres também ajudam a ampliar o problema, se afastando de sua principal função de ajudar ao próximo.

É aí que Judite, já sem esperanças, se aproxima de uma vizinha, a velha Monique, que tenta ajuda-la através de um enigmático livro, que contém mistérios de magia advindos de uma filosofia que mostra um lado sombrio do poder da religião. Nossa protagonista, sedente por conhecimento, memoriza os encantamentos e tenta com eles solucionar os problemas do orfanato.

"A Terrível Missão de Judite Evans" é uma narrativa que prende o leitor do início ao fim pelo tom de suspense e mistério, além de escrita em linguagem de fácil compreensão. O tempo todo torcemos para que Judite tenha um final feliz e livre as crianças daquela situação catastrófica, que sabemos existir fora da ficção. Por isso, também valorizo o livro como uma denúncia aos abusos cometidos contra crianças, no mundo inteiro.

O escritor, que é paraibano da cidade de Patos, concedeu uma entrevista sobre seu lançamento para a Folha Patoense, você pode conferir clicando aqui:

http://www.folhapatoense.com/2020/05/09/escritor-patoense-lanca-livro-de-ficcao-e-fantasia-na-internet/

Você pode adquirir “A terrível missão de Judite Evans”, no Kindle Unlimited ou em qualquer dispositivo móvel, basta clicar no livro e será direcionado ao site da Amazon:


Boa leitura!

25 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #10 - Minha trajetória (2020 - Reflexão)

Oi gente!

Eis que chegamos ao final das postagens #TBT da minha trajetória na escrita e essa será a mais difícil de escrever. Gostaria de terminar contando muitas coisas felizes, mas o ano de 2020 ficará marcado como um dos mais tristes em minha vida. Por tudo que aconteceu, os trabalhos com a escrita também quase pararam e foi o ano que eu menos produzi.


Até comecei o ano bem animada, produzindo meus vídeos do Divã de Escrita e dando continuidade com as vendas do Donatelo e as produções das coletâneas que organizei com a Lu Evans. Também aceitei o convite dos colegas Valter Cardoso e Rafael Bertozzo Duarte do NLCAC e iniciamos nossa série de coletâneas da coleção "Tempo", a primeira entitulada "Tempo de Dragões".

Mas aí veio a pandemia e bem no meio dela minha mãezinha adoeceu. No feriado de 1º de maio ela foi internada às pressas com muita falta de ar e baixa saturação. Como os sintomas eram de COVID não me deixaram ficar com ela na emergência e quando recebi a notícia ela já estava sedada e entubada. Após dois dias o diagnóstico: não era COVID, mas houve um acúmulo de água no pulmão devido à insuficiência cardíaca e hipertensão. De qualquer forma, não nos foi permitido visitá-la na UTI e depois de sete dias ela saiu da sedação e conseguimos vê-la em vídeo. Depois de dez dias ela foi para o quarto e aí devido a sua idade me permitiram ficar com ela.

"Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo." (Clarice Lispector)

Ela teve alta do hospital no dia 17 de maio, mas não conseguia mais andar, ficou muito fraquinha. Fazia fisioterapia três vezes por semana mas o corpo não ajudava. Cuidei dela revezando com minha sobrinha e depois com uma cuidadora de maio até julho, porém estava muito complicado conciliar com minha rotina, então decidimos nos mudar de emergência para o condomínio dela. Alugamos um apartamento no bloco ao lado, assim eu poderia ficar mais perto e contratamos outra cuidadora.


Devido a esse arranjo consegui conciliar tudo e até me animei a fazer alguns vídeos na nova casa. Dava conta do meu trabalho oficial e acompanhava de perto as cuidadoras, que tivemos sorte de serem muito amorosas e queridas com a mãezinha. Mas as correrias eram muitas, a mãe não conseguiu mais comer nada sólido depois que saiu da UTI e toda semana precisava comprar legumes para sopa, fraldas (ela não saiu mais da cama) e remédios necessários a cada complicação que vinha pelo caminho. Em meio à pandemia, tudo ficou mais difícil. 


Assim foi o segundo semestre do ano, até que em novembro mamãe piorou. O pulmão voltou a acumular água, mas como a pandemia estava novamente no auge, com a ajuda dos médicos e plano de saúde conseguimos conter a infecção em casa. Porém, no final de novembro, no final de semana do seu aniversário de 83 anos, ela sentiu dores abdominais e precisou ser internada novamente. Não vou conseguir detalhar como foi esse processo, pois ainda é muito doloroso para mim. Com tudo lotado, ela ficou um dia inteiro no pronto atendimento, com o diagnóstico de infecção urinária e intestinal, para ser liberada com medicação oral. Passou mais um dia em casa, não melhorou e levamos novamente. Mais um dia inteiro com dor no pronto atendimento, quase sendo enviada para casa novamente, implorei para que fosse internada. Uma médica anjo que chegou no novo plantão conseguiu uma vaga para ela. Depois de dois dias internadas, no dia 5 de dezembro, ela partiu.

As últimas 24 horas que passei com ela no hospital, nunca esquecerei. Ela estava morrendo e eu estava no limite das minhas forças. Me senti perdida e atrapalhada. Mas agradecida por ela ter descansado, estava sofrendo demais. 

Nem preciso dizer que durante esses últimos meses não produzi nada na escrita, não tive vontade, nem inspiração. Ainda estou em processo de cura emocional, mas já conseguindo planejar e seguir adiante com meus trabalhos na escrita. Afinal, ela tinha tanto orgulho!

Sei que esse post foi mais um desabafo, mas tudo fez parte da minha trajetória também, e com certeza o aprendizado ajudará a lapidar meus próximos trabalhos e me trará força para novos planejamentos.

Obrigada a você que acompanhou as postagens. Até breve!

18 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #9 - Minha trajetória (2019 - Transformação)

Oi gente!

Bora prosseguir com o #TBT da minha trajetória na escrita, contando sobre 2019, um ano de transformações. Depois dos "tropeços" do ano anterior, que me fizeram enxergar o ambiente cultural e literário com olhos da profissional que sou, responsável, empreendedora, criativa e ética, decidi encarar as coisas do meu jeito e não ser "maria vai com as outras". Pois deu super certo! Consegui me inserir em grupos que realmente me agregavam e me aproximar de pessoas que me ajudavam a produzir meu trabalho e não o trabalho alheio.


E foi assim que, em abril de 2019, eu lancei meu quinto livro: "Donatelo, O Dragão Amarelo". Embora já quase decidida a não continuar na literatura infantil, como comentei em postagens anteriores, eu tinha um sonho de ver um livro meu ilustrado profissionalmente, nas prateleiras das livras e distribuído para todo o Brasil. Na prática não foi bem assim, mas deixa para lá.


Depois do lançamento tratei de divulgar meu dragãozinho e fiquei surpresa em como ele conquistou os leitores! Em 2019 meu tempo já estava ficando limitado pois minha mãezinha nos deu alguns sustos, estava a cada dia mais debilitada. Mesmo assim, consegui participar de vários eventos com o Donatelo, como: Feira do SESC, Casa da Bruxa no Bosque Alemão, SESC do Paço (com a Lilian contadora de histórias), FARESC, Grupo Escoteiro Colégio Medianeira (com a Mayara contadora de histórias), SESC da Esquina (com o escritor Márcio Garcia), na Lapa com escolas. E outros que não registrei em foto! Foi lindo!


Mas eu confesso que estava cansada dessa história de "eventos". Nunca tive muita paciência e ficar muitas vezes em pé o dia todo para vender dois ou três livros, desculpa. Não é minha praia. Ou não tenho mais idade para isso né? (rs). Na verdade nunca me importei muito com fotos e notícias, meu maior intuito sempre foi levar minhas histórias ao máximo possível de leitores. E para mim ficou mais que provado que não é participando de um evento local que consigo isso, se não for uma escritora já conhecida. 

Então tive uma ideia que mudou tudo: se eu trabalhei tantos anos no ambiente corporativo, porque não oferecer meus livros para meus colegas empresários, ex-colegas de empresa, ex-chefes, amigos da faculdade, e etc, para que eles promovam ação social indireta? A proposta era a compra de lotes de livros (5, 10, 15, 20) e eu doaria esses livros patrocinados para ONGs, projetos comunitários, escolas públicas. 

E não é que deu certo? Foram centenas de livros espalhados por Curitiba e Região Metropolitana. E o melhor de tudo, para um público que não é dos eventos, meus livros foram direcionados para os leitores que eu mais queria atingir, crianças que não tem recursos financeiros para adquirir livros. Porque a história do Donatelo ressalta o poder da amizade e a importância da autoceitação. Através da jornada dos personagens, o pequeno leitor poderá perceber a possibilidade de transformar sentimentos e superar traumas.



A partir daí, consegui enfim me dar por cumprida minha história com a literatura infantil. Por outros motivos complementares aos que já comentei, mas que também é melhor deixar como está, decidi então que não publicaria mais nenhum livro infantil com qualquer percentual de recursos próprios, exceto se uma editora algum dia quiser me bancar. Continuei vendendo meus livros dessa forma indireta e segui meu ano atribulado, pois minha mãezinha ficava cada vez mais dependente. Ainda assim, mesmo com meu trabalho oficial consegui manter os vídeos no canal e retornar para a escrita de contos, que foi como tudo começou em 2012, conto tudo lá na postagem.



Durante o ano, eu e a escritora Lu Evans nos aproximamos pela internet. Uma acompanhava o canal da outra no YouTube, começamos a trocar experiências e ela me convidou para fazer parte da organização de coletâneas de conto pelo seu selo editorial Nebula. Iniciamos com a coletânea Féericas (que também teve participação como organizadora da Graci Rocha) e foram várias outras entre 2019 e 2020. 


Eu também estava empolgada com os contos, porque trabalhamos neles nas oficinas do NLCAC e escrevi vários ao longo do ano. Também fui convidada para ser jurada na categoria literatura geek do Prêmio Cubo de Ouro, a primeira premiação brasileira a celebrar diversas vertentes do universo geek. Foi uma experiência muita bacana e gratificante, me senti reconhecida no meio literário não só como escritora, mas como leitora crítica também.

Evento do Prêmio Cubo de Ouro 2019

E é isso gente! Minha trajetória de dez anos está acabando, o próximo post vai ser bem difícil de escrever pois foi o ano em que menos produzi. Na próxima semana venho contar para vocês.

Beijos!

11 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #8 - Minha trajetória (2018 - Decepção)

Oi gente!

Continuando o #TBT da minha trajetória na escrita, vamos falar do ano de 2018, um dos piores (ou não), dependendo do ponto de vista. Em matéria de trabalho as coisas não foram ruins, estavam fluindo bem. Mas considero o ano da decepção e do cair das fichas com o ambiente cultural e literário. Mas os babados eu conto lá para o final do post tá? (rs)

Vale registrar que depois de um ano longe do ambiente corporativo, senti saudades do que foi meu principal ofício ao longo da vida e também da estabilidade financeira, então entrei o ano trabalhando! A diferença é que agora eu fazia home office, em horário reduzido e flexível. Um ex-colega da empresa em que trabalhei me contratou, como produtora de conteúdo e gestora de mídias sociais. Sua empresa também é de auditoria e consultoria, com matriz em São Paulo e escritórios em várias capitais. Esse trabalho tem me realizado, juntou minhas duas áreas de conhecimento, as primeiras formações mais a formação de Letras, pois estou diariamente produzindo conteúdo escrito. Além disso, tenho flexibilidade para manter minhas rotinas de escritora (curiosamente esse ex-colega de trabalho, agora meu líder, foi uma das raras pessoas que me apoiava na escrita enquanto estive na multinacional). 


Eu também conseguia fazer outros trabalhos em paralelo, como revisões de trabalhos acadêmicos, por exemplo. Trabalhei alguns meses organizando a Biblioteca do Instituto Serendipe, um local maravilhoso (foto acima), cujos proprietários são minha ex-professora de linguística e seu esposo. Tive contato com várias obras raras e um aprendizado incrível. Também atuei um tempo como gestora das redes sociais da Editora Máquina de Escrever, que publicaria o meu livro "Donatelo, O Dragão Amarelo" em 2019.

Colônia de Férias na Casa Cultural Belaboni

E já que falamos em Donatelo, depois do depoimento da postagem anterior, vocês podem me perguntar: "- Mas não estava pensando em desistir da literatura infantil"? Pois é, lembrem que eu estava "confusa", mas com a possibilidade de publicar um livro com uma editora maior, ter seu livro diagramado, revisado e ilustrado por profissionais, distribuído para o Brasil, era algo que sempre sonhei. E eu tinha a história do Donatelo, que é uma das minhas queridinhas. Então sim, eu não sabia se teria continuidade, mas eu queria o Donatelo publicado. Por isso também continuei fazendo alguns eventos infantis.


Em 2018 eu estava muito empolgada com meu canal no You Tube, mas fiz algumas mudanças significativas. Lembram das decepções? Uma delas foi o quanto me dediquei em 2016/2017 para divulgar livros de outros escritores, sem ganhar um tostão, a ponto de minhas redes sociais se transformarem em outdoor alheio e eu perder meu próprio espaço de divulgação. Parece absurdo, mas teve gente que sequer compartilhou meu vídeo em suas redes, ao menos para me ajudar com a divulgação do canal. Descaso total. Comecei a perceber o interesse de certas pessoas ao me procurarem, passei a tentar discernir e filtrar o que chegava até mim. Foi um aprendizado incrível e senti que comecei a valorizar mais o meu tempo, prestigiando e me aproximando de quem também valorizava meu trabalho e me enxergava como a profissional experiente que sou, independente da entrada tardia no mundo literário.

    Foto1: Lançamento do livro "Lagartas e Borboletas", da Ana Rapha Nunes.
    Foto 2: Lançamento da coletânea "Passageiros do Desconhecido", do  NLCAC.
    Foto 3: Evento do Pegaí Leitura Grátis (do qual fui voluntária por 5 anos), com Idomar Cerutti
    e a escritora Marina Colasanti.
    Foto 4: Lançamento de "O Papiro de Wadjet", da escritora Nicole Sigaud.

As participações nas reuniões do Núcleo de Literatura me fizeram ver o quanto eu ainda tinha a aprender, mas que deveria escolher bem onde e com quem aprender. Depois de cursos decepcionantes, de presenciar egos inflados e até competições entre colegas (acreditem no bafo: eu vi uma escritora escondendo o livro da coleguinha na prateleira de uma feira!!), escolhi estar entre poucos e valorizar "meu" tempo divulgando "meu" trabalho. Parece egoísta né? Mas depois de tantas coisas que vi nesse meio, estou bem tranquila.

No painel "Divulgadores Literários" da Literatiba 2018, com os colegas Patrícia Dias do blog Casinha de Livro, Juliana Poggi do canal JotaPluft e Henrique Duarte, escritor e colunista do Crônicas Fantásticas.

A minha participação na Literatiba 2018 foi um dos momentos especiais do ano. Fui convidada para coordenar os painéis literários e isso me proporcionou, além de rever pessoas queridas, fazer novos contatos.

Foto 1: Com a escritora Jaqueline Conte.
Foto 2: Com a escritora Ana Lúcia Merege.
Foto 3: Com Leo e Rosana (escritora e colega do NLCAC).
Foto 4: Com Rubens Faria Gonçalves e Francisco Souto Neto (NLCAC).

E assim terminamos 2018, já recolocada profissionalmente, sem deixar os trabalhos literários e principalmente, mais pé no chão para discernir entre a ilusão e a realidade, entre apoiadores e interesseiros, usando meu valioso tempo a meu favor.

E no próximo #TBT Divã de Escrita, falaremos como foi a publicação do meu quinto livro e meu último percurso na literatura infantil.

Até lá!

6 de março de 2021

Defesas da Poesia (Sir Philip Sidney & Percy Bysshe Shelley)

Oi gente!

Hoje trago mais uma aula da matéria do mestrado que estava em minhas anotações. Estudamos a obra "Defesas da Poesia", publicada em 1585 e que contém dois ensaios dos autores Sir Philip Sidney e Percy Bysshe Shelley (sim, o esposo da nossa queridinha Mary Shelley, autora de Frankestein!). 

Com cerca de 240 anos de intervalo, duas clássicas "Defesas da Poesia": a de sir Philip Sidney (1554-1586) e a de Percy Shelley (1792-1822) empenharam-se em responder ao famoso anátema de Platão. A editora Iluminuras, em colaboração com a FAPESP, reúne os dois textos num único volume, com tradução de Enid Abreu Dobránszky, que também assina um extenso, erudito e importante ensaio introdutório.

Na aula focamos no primeiro ensaio, cujo contexto histórico e autor eu descrevo abaixo.


Foi no reinado de Elizabeth I que surgiram na Inglaterra vários escritores que deixaram seu nome na história da literatura, entre eles Shakespeare e Ben Johson. Entre eles, embora longe das ruas e teatros pois vivia na corte, estava Sir Philip Sidney, um jovem poeta aristocrata e sobrinho de Sir Robert Dudley, um dos pretendentes à mão da rainha. Sidney nasceu em Kent, em 1554 e em 1572 viajou para a França com a embaixada que negociaria o casamento entre Elizabeth I e o Duque D'Alençon. Percorreu a Europa por vários anos, passando pela Alemanha, Itália, Polônia e Áustria e conhecendo intelectuais e políticos da época.

Em suas andanças, Sidney se incomodou com acusações feitas por puritanos, de que a poesia incitava à imoralidade, e em resposta, escreveu "Defence of Poetry", que dois séculos mais tarde, Shelley usava como inspiração para escrever sua defesa também, agora para responder a acusações de irrelevância da literatura dentro de uma era de progressos científicos. Hoje, os ensaios publicados postumamente adquiriram grande importância nos estudos da língua inglesa e na crítica literária ocidental.

Voltando à Sidney e sua defesa, cujo texto insiste no caráter edificante da poesia, o autor usa de vários argumentos e considera que os historiadores estão presos ao que aconteceu, enquanto que os poetas imaginam o que vai acontecer. Para ele poesia é a "arte da imitação" da natureza. Na época, para os classicistas, "imitar" (inclusive um autor) era um grande valor, diferente de hoje que beira a ofensa. 

"A poesia é, pois, uma arte de imitação, uma vez que Aristóteles a define pela palavra "mímeses", isto é, uma representação, uma simulação, ou figuração - para falar metaforicamente, uma imagem eloquente -cuja finalidade é ensinar e dar prazer". (Página 98) 

No texto Sidney parece que não querer banalizar a literatura, sequer se colocando como poeta. Embora defenda a poesia, a defende para os sábios. Segundo ele, o poeta é um "filósofo popular", ou seja, chega às massas. Em Poética, de Aristóteles, não havia espaço para a liberdade de escrita. Ex.: Quero falar de tragédia preciso falar dos nobres. Se quero falar das classes baixas, preciso escrever comédia. Havia regras, que só se extinguiram com o romancismo. Sidney atuou antes de Shakespeare, que inclusive teve muitos problemas com os neoclassicistas por chegar a misturar comédia com tragédia. Segundo ele, o poeta inspira ao que é valor, princípios, verdade. Ex.: Hércules, Áquiles, Enéas.

"...nem serdes mortos pelos encantamentos da poesia, ... ainda assim vos envio esta maldição, em nome de todos os poetas: que enquanto viverdes apaixonados e nunca sereis correspondidos porque vos faltará o talento para compor um soneto e quando morrerdes, ... vossa memória será varrida da terra por falta de um epitáfio".

Sidney tornou-se um dos mais importantes poetas do Reino Unido, chegando a conhecer Giordano Bruno em 1584, que a ele dedicou dois livros. Como protestante, participou de várias batalhas contra tropas espanholas e holandesas, até que em 1586, na Batalha de Zutphen, foi atingido e faleceu vinte e seus dias depois. 

O texto de Sidney nos traz uma análise da literatura da época e do quanto esforço houve para rebater os que a consideravam mentirosa e fútil. Talvez hoje tenhamos nos distanciado muito do puritanismo e do espírito de cobrança política a que esses dois textos, cada qual com o vocabulário próprio de seu tempo, procuram responder. Mas é interessante acompanhar os movimentos e como a literatura mudou sua forma ao longo dos séculos.

Boa leitura!

4 de março de 2021

#TBT Especial Divã de Escrita #7 - Minha trajetória (2017 - Confusão)

Oi gente!

E nosso #TBT do Divã segue firme e forte. No final de 2016 vocês acompanharam o momento em que saí da empresa e isso fez com que eu iniciasse 2017 cheia de planos! Agora meu tempo seria mais flexível e eu poderia inclusive me dedicar a funções profissionais mais próximas ao mundo das letras e da escrita. E foi um ano bem diferente. Um ano de readaptação, descobertas e planejamento. 

Plaquinha maravilhosa da Casa Cultural Belaboni!

Mas todas essas mudanças também fizeram de 2017 um ano muito confuso para mim. O primeiro semestre foi bem complicado, não pela mudança financeira (eu sempre fui bem pé no chão e mantive planejamentos para isso), mas pela mudança de rotina. Eu estava acostumada desde meus 15 anos a acordar cedo, ir para o trabalho, depois para faculdade, horário de almoço, horário de entrada, horário de saída, horário para tudo. Com meus 43 anos completos, foi bem difícil me adaptar à rotina de gerenciar meus horários sozinha!

O ano foi confuso mas bem produtivo. Em maio fui selecionada para lecionar no CIEE para menores aprendizes, tarefa que cumpri até o final do ano. Também participei de eventos com o livro "O sapo Tonico e sua descoberta", na Casa Cultural Belaboni e na Biblioteca Pública do Paraná. Meu livro também foi lido em escolas e instituições de aulas de contraturno.


Todo esse contato com o público infantil e adolescente durante o ano foi proveitoso, pois comecei a questionar os trabalhos com as crianças. Percebi que adorava interagir com os maiorzinhos, mas não tinha muita paciência com os pequenos. Bom, eu não sou professora, acho que falta didática, até hoje não sei qual a carência, pois na família sou uma titia muito amada e sou louca pelas crianças. Além do mais, acreditem: eu cheguei a sofrer bullying do tipo: "Ela nem tem filhos, porque tá se metendo a escrever para crianças?". Como se uma coisa tivesse a ver com a outra né? E não foi uma vez só, isso me deixava muito desapontada. Lembrando que não tive filhos por opção, agora imagina uma mulher que não pode engravidar nessa situação, ouvindo esse tipo de absurdo! Aí comecei a me decepcionar com ambientes e trabalhos voltados para o público infantil. Meus contatos anteriores sempre foram nas ações sociais e desculpe a sinceridade, existe uma grande diferença entre pais de famílias carentes e pais de famílias abastadas. 



Mesmo assim, insisti. Publiquei a terceira edição de "O Diário de Lirityl"! Uma edição especial, com baixa tiragem, capa dura e encadernação artesanal. Especialmente para participar da 1ª Literatiba, uma feira literária em Curitiba, organizada pelo Valter Cardoso, que me convidou e que conheci pessoalmente no dia da feira. Valter também me levou ao Núcleo de Literatura e Cinema André Carneiro e hoje é um dos meus maiores incentivadores. Pessoa do bem, experiente nas Letras e um ótimo conselheiro e amigo.


As vendas da edição especial da Lirityl foram muito rápidas e então me empolguei a publicar meu quarto livro: A montanha dos brinquedos perdidos. Um dos contos de "O Diário de Lirityl" que ensina as crianças a doarem seus brinquedos quando não tem mais utilidade. Fiz uma parceria com a ilustradora Stella Rocker e essa foi a proposta: um livro de colorir! Também fez muito sucesso, vendi rapidamente os exemplares em um kit com caixa de lápis de cor.


O lançamento do meu quarto livro foi no final de 2017 e para finalizar esse ano tumultuado estava em final do curso de Letras. Encerrei o ano entregando meu TCC e feliz com mais uma conquista. Como eu já comentei, a faculdade de Letras não me ajudou quase nada com os trabalhos de escrita, mas abriu muitas portas para divulgar meu nome como escritora. 



Por isso considero 2017 como o ano da confusão. Tudo junto e misturado, eu tentava consolidar meus trabalhos na área de Letras, já fazia revisões e divulgações de livros pelo Portão Literário. Estava empolgada com os eventos, mas por outro lado questionando minha falta de afinidade (e experiência) com o público infantil. Terminei o ano ainda me adaptando às mudanças de rotina e pagando para ver o que seria de 2018. 

Mas o que foi de verdade vou contar no próximo "#TBT do Divã". Até lá!