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5 de maio de 2016

Eu li #65 - Emma

Oi gente!

Vamos para mais uma longa conversa sobre Jane Austen. Adoro! E o livro comentado de hoje é Emma, nossa última leitura do grupo "Heroínas de Jane Austen". O que falar de Emma? Muito! Mas para mim é impossível falar de Emma sem falar de Jane Austen. Porque eu acho que entendo melhor os personagens quando conheço quem os escreveu. De qualquer forma, por mais fãs que sejamos da autora, acho difícil alguém surpreender-se de maneira positiva com a obra Emma.

Para começar não falta na história os traços principais nas obras de Austen: sarcasmo e ironia! Nesse caso em particular, comparando com as obras anteriores, Emma é a primeira protagonista de Austen que não tem problemas financeiros, e ela deixa claro que esse é o motivo de não querer casar-se. O que já era uma afronta à sociedade inglesa da época, então defeitos à parte, ao menos coragem ela tinha...rs. E o resto? Aí complica!


No início parece que a intenção de Emma era fazer os outros felizes, então ela decide que não quer casar mas que é a pessoa perfeita para arranjar casamento para os outros. Só que não. Imagine que a própria Jane Austen, que escreveu a personagem, certa vez disse aos seus leitores que "Emma é o tipo de heroína que nem ela própria iria gostar muito". Isso resume tudo. Ela se achava a última bolacha do pacote e por isso, achava que estava acima dos sentimentos alheios e poderia decidir pela vida dos outros. É aí que ela desgosta o leitor. E confesso que dá mesmo muito raiva da Emma em alguns momentos. Para mim ficou nítido que sua vida é resumida em futilidades e ela se utiliza da desculpa de ser casamenteira para manipular as pessoas, apenas em função de alimentar seu próprio ego. 


Mas o problema não pára em Emma. A obra é composta de outros personagens irritantes. O pai de Emma por exemplo, é volúvel e pessimista, chega a ser hilário. E o tal do Frank? Até disfarça que é charmoso e conquistador, mas eu não gostei dele. Para mim só se salvou o Mr. Knightley que posso confessar? Ficou ali no páreo com o Mr. Darcy...hahaha! Ué, eu gostei dos modos dele com Emma e ponto. Acho até que a evolução dela como pesonagem dependeu muito dele. Inclusive posso falar porque não é spoiler, achei que Emma amadurece muito no decorrer da história, aliás eu acho que é o objetivo do livro, e também me salta aos olhos a genialidade de Austen em descrever essa transição! Só por isso não posso dizer que não gostei do livro. Não gostei de Emma (argh!) mas o livro... =)

Uma das versões cinematográficas de Emma, protagonizada por Gwyneth Paltrow
Emma teve várias adaptações para o cinema e televisão. A versão que eu vi foi a de 1996, com a Gwyneth Paltrow, que eu amei! Aliás, recomendo para quem não teve coragem de ler (o livro tem 605 páginas nessa versão que li) ou não teve paciência para terminar. Apesar da característica peculiar de Austen, não deixa de ser um romance de época muito bem detalhado (seja no livro ou na tela). Também tem resenha de Emma na Casinha de Livro da Pati Dias e no canal Livros e Scrap da Leila Cardoso. Sugiro a visita para saberem suas opiniões!

Beijos!

11 de janeiro de 2016

Eu li #41 - Mansfield Park

Oi gente!

Hoje vou falar de outra obra de Jane Austen, cuja leitura terminei em dezembro e estava inclusa nas metas de leitura do grupo Heroínas de Jane Austen, que faço parte junto com outras amigas fãs da autora. E ainda que sejamos fãs de Austen e suas obras, confesso que iniciar até mesmo a releitura de um de seus livros é sempre uma expectativa. Nesse caso, a minha duplicou pois Mansfield Park era uma das histórias que eu ainda não conhecia. Escolhi essa linda edição da Penguin. O número de páginas assusta um pouco, 608! Mas para quem gosta de Austen, a leitura flui que é uma beleza!

Mansfield Park é a terceira das seis obras publicadas de Jane Austen. O livro nos conta a história de Fanny Price, filha de pais humildes e com muitos filhos, que foi acolhida generosamente na casa de seus tios, Lady Bertram e Sir Thomas Bertram, quando tinha dez anos. Embora criada em um ambiente familiar e finos costumes, junto aos filhos do casal (Maria, Julia, Tom e Edmund) nunca a deixam esquecer do favor que lhe fazem e o quanto custa financeiramente para mantê-la na casa. 


Apesar de ser tratada com indiferença pela maioria dos familiares, Fanny se esforça para agradar a todos. Diferencia-se pelo seu comportamento reservado e, enquanto Tom, o filho mais velho, esbanja o dinheiro dos pais, e as irmãs Maria e Julia empolgam-se com futilidades, nutre um grande carinho por seu primo Edmund, que sempre zelou por ela de maneira especial. O comportamento cuidadoso e ajuizado de Edmund, tranforma o sentimento de Fanny com o passar dos anos em um grande amor.

A partir daí, grande parte dos eventos da história giram em torno da chegada dos Irmãos Crawford, que tornam-se vizinhos dos Bertram. Então começam as "paixonites", sonhos e desilusões à moda Austeniana (rs). E em Mansfield Park, Jane Austen não economiza ênfase nos defeitos de seus personagens, expondo sem dó a arrogância, o desprezo, a irresponsabilidade, a inveja, a futilidade, a insegurança, entre outros, construídos em cima de contrastes de personalidades. Mais uma vez, Austen cria personagens queridos, mas também alguns bem detestáveis.


Procurei uma versão cinematográfica da obra e encontrei "O palácio das ilusões", filmado em 1999 e dirigido por Patricia Rozema. Não é fiel à obra pois Fanny no filme é uma mistura da personagem com a autora (ela é destacada no filme por seu dom da escrita), mas completa a leitura pelo requinte de detalhes e costumes da época. 

A atriz Frances O'Connor consegue representar muito bem a personalidade de Fanny, que na minha opinião, é sem graça e irritante em alguns momentos. E aí começa minha crítica ao livro que menos gostei até agora. Achei Mansfield Park uma boa história e claro que recomendo a todos os fãs de Jane Austen e de romances de época. Porém, não me senti tão envolvida como nos anteriores, "Razão e Sensibilidade" e "Orgulho e Preconceito". Primeiro, pelo fato de que achei Fanny muito apagada para uma protagonista. E também porque em alguns momentos, a trama me deixou confusa, diante de tantas desconfianças de uns com relação ao caráter de outros, um exagero de suposições.

Jonny Lee Miller e Embeth Davidtz, interpretando respectivamente, Edmund Bertram e Mary Crawford.
Em se falando de Jane Austen, minha humilde opinião de leitora não conta tanto, porque Mansfield Park foi apontado pelos críticos como a obra mais complexa de Jane Austen. E concordo nesse ponto, pelo enorme número de personagens que no começo da história até escondem a protagonista, pela pegada ideológica e moralista e pela sempre lindíssima escrita de Jane Austen. 

Mas enfim, preciso ser sincera e dizer que "Mansfield Park" não será meu preferido. Apesar de toda essa complexidade e da narrativa onisciente que consegue nos adentrar nos pensamentos de Fanny, sua personalidade exageradamente introspectiva e vulnerável decididamente não me conquistou. Mas recomendo a leitura sim! Porque me encantei igualmente com os diálogos e ambientes que nada deixaram a desejar comparado aos outros livros da autora que li.

Beijos!

17 de dezembro de 2015

Jane Austen Day 2015! #postagem coletiva

Oi gente!

Essa postagem deveria acontecer ontem, mas devido a alguns imprevistos não consegui soltar. Mas antes tarde do que nunca né? Ontem foi aniversário da nossa querida escritora Jane Austen! Sim, ela nasceu em 16 de dezembro de 1775, na Inglaterra e é lembrada até hoje como um dos maiores nomes da literatura inglesa. Sou muito fã dela e de suas obras!!

Meu acervo Jane Austen - Algumas obras e livros e filmes inspirados nelas.

É claro que a data merecia uma postagem especial. Então aceitamos o convite da amiga Pati Dias e com as demais amigas do Heroínas, embarcamos no mundo austiniano e destacamos um personagem para comentar. E a mim foi sorteada a Jane Bennet, da obra Orgulho e Preconceito!

Rosamund Pike interpretando Jane Bennet na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006.

Jane Bennet é a mais velha e a mais bonita das irmãs Bennet. E, ao contrário de sua irmã Lizzie Bennet (a protagonista do livro), ela é calma, ponderada, atenciosa e gentil. Ela aparece no início do livro, quando a Sra. Bennet informa ao marido que Charles Bingley, um jovem rico e bonito, está chegando para passar alguns dias em sua casa de campo. Esse jovem será o objeto de consumo de Jane, que apaixona-se à primeira vista, mas principalmente da interesseira mãe dela, que a fez aceitar um convite da irmã do pretendente para jantar em sua casa, planejando um banho de chuva e um belo resfriado para ela, assim ficaria hospedada alguns dias por lá. Pode? Hahaha!

Keira Knightley interpretando Lizzie, a irmã de Jane na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006.

Podemos dizer que o plano deu certo, porque Jane e Bingley se tornaram ainda mais ligados em sentimento do que antes. Mas depois de um plano ardiloso da irmã dele (sim, a mesma que a convidou para jantar - mulheres! rs), decepciona-se e tenta esquecê-lo. Mas são tantos desenrolares (Jane Austen sendo Jane Austen!!) que no final, obviamente, tudo dá certo. Como não é a protagonista da história, até some em algumas partes do livro, para depois aparecer como portadora de alguma notícia. Mesmo de maneira secundário, Jane é envolvida em alguns trechos decicivos para o desfecho do livro, como o caso da fuga da irmã Lydia.

Simon Woods interpretando o Sr. Bingley na versão cinematográfica de O&P, dirigida por Joe Wright em 2006.
Posso descrever Jane como uma "moça doce". Ela fala mansamente e é adorável em qualquer situação. Seu mundo é cor-de-rosa e ela sempre vê o melhor em tudo e em todos. Por ser (ou demonstrar-se) tão submissa e compreensiva, ela é considerada a mulher perfeita para a sociedade da época. No fundo, ela é tão sensível quanto Lizzie, mas não corajosa a ponto de defender-se e impor seu ponto de vista. Apenas no final do livro é que ela desperta um pouco e reconhece que nem sempre determinadas pessoas agem por motivos nobres.


A obra é uma das preferidas dos fãs, o romance da irmã de Jane (Lizzie) com o Sr. Darcy é um dos mais comentados da literatura. Mas Jane Bennet, apesar de sua doçura e beleza, não se destaca. Não seria diferente, como personagem coadjuvante. Eu particularmente não me identifico em nada, acho ela "certinha" demais...rs. Mas admiro seu sentimento pelo Sr. Bingley, que embora a tenha decepcionado no início por artimanhas de terceiros, não se apagou com o tempo, permitindo a ela um final feliz. =)

Beijos!

7 de outubro de 2015

Eu li #28 - Orgulho e Preconceito

Oi gente!

Depois de mergulharmos nas profundenzas "kafkanianas" da última postagem que tal tratarmos de um tema mais leve? Porque nem mesmo os leitores mais viciados são de ferro né? (rs) Então hoje retornaremos com Jane Austen e seu queridinho "Orgulho e Preconceito". O que falar de uma obra tão conhecida, comentada, lida e assistida no mundo inteiro? Minha impressão é da maioria, uma das mais belas histórias de amor da literatura inglesa.



"Orgulho e Preconceito" é a segunda obra publicada por Jane Austen. Eu adquiri uma edição moderna, da Editora Martin Claret com tradução de Roberto Leal Ferreira, que possui uma diagramação linda! Cada início de capítulo é um encanto e a capa de uma delicadeza sem igual. O livro é narrado em terceira pessoa e o enredo é basicamente fiel ao título, exibindo exageramente dois sentimentos comuns no ser humano: orgulho e preconceito.

Matthew MacFayden e Keira Knightley interpretando Sr. Darcy e Elizabeth Bennet, na versão cinematográfica
de Orgulho e Preconceito, dirigida por  Joe Wright em 2005

De um lado o Sr. Darcy e de outro Elizabeth Bennet, dois jovens que se inquietam com seus sentimentos mútuos, mas se deixam levar por estes dois sentimentos e precisam aprender a contorná-los, se realmente almejam a felicidade. A família de Elizabeth não tem uma condição social muito favorável, fazendo com que o Sr. Darcy se mostre preconceituoso ao conhecê-la. Ela, inteligente e nem um pouco ingênua, o considera o pior homem do mundo por suas atitudes e decide "fazer jogo duro". 

Laurence Olivier e Greer Garson interpretando Sr. Darcy e Elizabeth Bennet, na versão cinematográfica
de Orgulho e Preconceito, dirigida por  Robert Z. Leonard em 1940
.

Eu particularmente considero maravilhosa a forma como o amor entre dois vai surgindo, no tempo certo, entre situações adversas, encontros familiares, aprendizados coletivos. O talento de Jane Austen é incontestável no desenvolvimento dessa história que já completou 200 anos.

As irmãs Bennet na versão cinematográfica de Orgulho e Preconceito, dirigida por  Joe Wright em 2005.

Mas o conteúdo não pára só nos dois. Jane Austen construiu personagens completos, cada um com seus sentimentos e histórias. Além de Lizzy, mais quatro irmãs pertencem a família Bennet: Jane (a mais sensata e pela qual Elizabeth conhece Darcy), Mary (a estudiosa), Kitty e Lydia (as fúteis). A mãe dedica sua vida a casar as filhas e o pai é um homem muito reservado. Assim que conhecem o Sr. Bingley, jovem rico e solteiro que chega a cidade com seu amigo Darcy (ainda mais rico...rs), a mamãe Bennet move mundos e fundos para casar uma de suas filhas. O cupido dá uma ajudinha e apaixona Jane e Bingley, fazendo com que a história dos dois movimente o par protagonista.

Ilustração de Hugh Thomson.

Me reservo ao direito de me estender para falar sobre Elizabeth Bennet. Porque me identifico um pouco com algumas características da sua personalidade. Enquanto todas as moças ao seu redor estão preocupadas em arranjar casamento, ela aproveita sua vida tranquilamente, sem ceder as pressões sociais. Tem uma força incrível para lidar com os problemas de família e conflitos em seus sentimentos, porém é extremamente precipitada e teimosa em algumas ações, muitas vezes até desfavorecendo ela mesma com isso. Já o Sr. Darcy, apesar de grosseiro no início, revela-se um perfeito cavalheiro depois de assumir seus sentimentos e justificar suas atitudes, tanto que até hoje é um dos personagens literários "sonho de consumo" feminino (rs).

Elizabeth Bennet em uma das cenas da versão cinematográfica de Orgulho e Preconceito, dirigida por  Joe Wright em 2005.
Uma particularidade que vejo nessa obra. Como tem personagens detestáveis! A começar com a Sra. Bennet, Lady Catherine e a irmã do Sr. Bingley (a pior na minha opinião!). A minha impressão era de que Jane Austen queria descrever pessoas que ela conhecia e transformar em personagens, visto a ênfase nos detalhes destas pessoas sem noção! Imagino isso porque às vezes me ocorre fazer isso em meus livros...hahaha! É o que mais caracteriza as obras da autora, reunir ao romance, a ironia e o sarcasmo, alfinetando o comportamento dos ingleses da época, através de críticas muito bem escritas nas entrelinhas dos diálogos e descrições dos personagens.

Algumas capas de "Orgulho e Preconceito"

Bom, achei que pouco teria para falar de "Orgulho e Preconceito", já que é uma obra tão famosa, mas justamente por isso, sempre há algo a mais a dizer. E finalizo reafirmando que todo leitor deveria ter ao menos uma obra de Jane Austen em seu currículo, e se gostasse, deveria mergulhar em todas elas sem medo de ser feliz. Se você quiser mais sobre o tema Jane Austen, clique aqui.

Beijos!

21 de agosto de 2015

Eu li #20 - Razão e Sensibilidade

Oieeee!

Finalizando a semana dos livros! Foi um post atrás do outro e ainda tem muita coisa para registrar aqui. E como no grupo Heroínas de Jane Austen estamos finalizando a leitura do segundo livro (Orgulho e Preconceito), hoje vou falar um pouquinho sobre o primeiro, que já tinha mostrado no meu post do mini-álbum. Meu exemplar de "Razão e Sensibilidade", também traduzido como "Razão e Sentimento", é esse aqui. Uma edição comemorativa ilustrada de capa dura. Linda!



Bom, eu sou suspeita para falar de Jane Austen. Primeiro porque dificilmente recuso a leitura de um clássico. A classificação já diz tudo, um livro clássico é aquele que marcou época e eternizou-se na história. Só pode ser um bom livro né? Para mim é aquele que sempre pede para voltarmos a ele. E assim acontece com os clássicos da escritora inglesa Jane Austen, que tinha como principal característica, imprimir em suas obras a posição da mulher no século XVIII. Seus livros são tão lidos no mundo todo que existe uma diversidade enorme para cada obra, desde as capas, traduções, ilustrações, até livros contemporâneos que exploram os seus temas.

Algumas capas da obra "Razão e Sensibilidade"

A obra "Razão e Sensibilidade" conta a história das irmãs Dashwood, Elinor e Marianne, que vivem com a mãe e a irmã mais nova após a morte do pai, obrigadas a mudarem para um chalé mais humilde, por generosidade do meio irmão. Naquela época as mulheres não tinham direito a herança, dependiam dos irmãos até casarem, isso explica porque haviam tantos casamentos arranjados. Em suas novas vidas, as dores e alegrias de Elinor e Marianne são contados a partir de então, de acordo com suas características marcantes e personalidades contrastantes.

Ilustração de Hugh Thomson
O que falar de Elinor e Marianne? Eu terminei o livro sem saber se gostei mais de uma ou de outra, até porque elas se modificam no decorrer do livro. Elinor é sensata e paciente. Começa sua história reservada, conservadora, julgando as pessoas e sempre escondendo seus sentimentos e usando a razão. Em contrapartida, é admirável o seu autocontrole e altruísmo. Já Marianne é impetuosa, mostra uma postura irresponsável e imatura, mas típica dos adolescentes e de certo modo, também admirada pela determinação e defesa da sua opinião. Ela se mostra como é. E desse jeito cada uma lidava com as situações a sua maneira e, embora tão diferentes, nutriam uma pela outra um amor incondicional.

Marianne e Elinor com a irmã mais nova, em uma cena do filme na versão de 1995, do diretor Ang Lee.
Mas o livro não fica por aí não. Jane Austen expressa essa característica em seus livros, usando muitos personagens secundários. Acontece até dela mencionar alguns e eles nunca aparecerem de fato. Mas também existem os mais importantes, dos quais a gente sempre escolhe um para preferir né? Em Razão e Sensibilidade, me despertou a curiosidade o Coronel Brandon. Confesso que seu personagem me atraiu, principalmente depois de saber sua história completa.

Coronel Brandon em cena da minissérie produzida pela BBC inglesa em 2008

Achei que em um contexto geral, a autora quis demonstrar as vantagens e desvantagens de ações guiadas pela razão e/ou pela emoção. É um livro que conta paixões, decepções, alegrias e surpresas, mas principalmente, o amadurecimento das duas personagens. Foi o que mais me agradou no livro. A maneira como as duas se modificaram, buscando um equilíbrio em suas personalidades, refletido nos acontecimentos em suas vidas, que não foram poucos! Só lendo para saber.


Por isso o estilo de Jane Austen me encanta, como a muitos leitores pelo mundo inteiro. Encontramos nas suas palavras sentimentos profundos e complexos, traduzidos de forma simples, mas que nos convencem e enchem o coração de emoção junto com os personagens. Realmente, como muitos avaliam, a escrita de Austen na maior parte representa a escrita da Inglaterra Georgiana, com termos formais e colocadas de maneira divergente de nossa realidade atual. Concordo que essa característica torna a leitura mais difícil, para alguns até chata, mas eu particularmente gosto. E como gosto!

Beijos!

11 de agosto de 2015

Personalidades #9 - Jane Austen

Oi gente!

Depois de mostrar o início do mini-álbum do post anterior, era para eu começar a publicar as resenhas das obras de Jane Austen, mas então reparei que ainda não falei sobre ela aqui no blog. Sem chances né? Embora ela seja velha conhecida de muitos leitores, principalmente das mulheres que não abrem mão de uma boa história romântica, eu não me permito falar das obras sem antes falar dessa escritora que me inspira muito.

Jane Austen (1775 - 1817)
Jane Austen é um dos maiores nomes da literatura inglesa, assim como Shakespeare. Ao longo dos seus 41 anos de vida, ela escreveu seis romances, que hoje são conhecidos e algumas vezes, repetidamente "saboreados" por leitores do mundo inteiro (me incluo! rs). Também escreveu dois livros menores e dois romances inacabados. Com as metas de leitura do grupo "Heroínas de Jane Austen" que estou participando, resenharei todos eles aqui, além de outros autores cujas obras são inspiradas nela.

Foi em uma zona rural na Inglaterra que Jane Austen cresceu. Nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Severton, Hampshire, na casa da paróquia, pois seu pai era pastor. Ela tinha seus irmãos e uma irmã mais velha, a Cassandra, sua praticamente melhor amiga. A ligação das duas era tanta, que em alguns livros identifica-se uma analogia entre personagens, que remetem a ela e sua irmã. Inclusive, só temos um único retrato de Jane Austen, esse publicado acima, que foi melhorado a partir desse esboço em aquarela, feito pela própria Cassandra. 

Aquarela feita por Cassandra (hoje encontra-se na Galeria Nacional de Arte em Londres).

A família toda mudou-se para Bath em 1801 e quando seu pai morreu em 1805, ela com sua irmã e a mãe foram para Chawton, propriedade cedida por seu irmão. Uma curiosidade da época é que pela lei inglesa, às mulheres não era permitido herdar os bens da família. Isso explica o motivo de tantos casamentos arranjados (e ainda dizem que o romantismo era muito mais presente naquela época! só se fosse nos livros de Austen!!). Para uma mulher naquela época, ficar "para titia" era catastrófico. Mas não para Jane Austen, que nunca se casou. 

Casa onde Jane Austen viveu seus últimos anos hoje é um museu.
É isso mesmo. Austen, ao contrário de suas personagens não teve um final romanticamente feliz. Isso porque tinha apenas vinte anos quando flertou com um rapaz chamado Tom Lefroy, que estava de passagem por Steventon. Não existem evidências que houve algo sério e talvez pelo fato de que Lefroy não era de família rica, além das dificuldades financeiras de ambos, não houve apoio das famílias. Ele acabou se casando com outra, embora mais tarde admitisse ter amado Jane. O romance deles é retratado no filme "Amor e Inocência", de 2007, cuja direção foi de Julian Jarrold. Lindo filme, recomendo!

Retrato de Tom Lefroy - 1798

Quanto ao talento para escrever de Jane Austen, esse sim esteve presente em sua vida até o final. As duas irmãs não completaram seus estudos por falta de recursos da família. Mas Austen, mesmo sem educação formal, continuou lendo e procurava aprender tudo, ainda que limitada a pequena sociedade em que vivia. Embora sem muitas pompas, a casa da família sempre estava repleta de pessoas, facilitando as reuniões sociais, incluindo músicas no piano e pequenas apresentações teatrais. Acredita-se que foram desses momentos que surgiu a característica irônica de Austen, sempre presente em suas obras e tão aclamada. Com 11 anos, já escrevia pequenos contos que foram publicados mais de 100 anos depois da sua morte, com o título de Juvenillia. Aos 17 anos escreveu Lady Susan, um romance epistolar, e após terminá-lo escreveu seu primeiro romance longo, com o título "Elinor & Marianne", que depois ela mesma modificou para "Razão e Sensibilidade". Mas foi o segundo livro que se tornou a obra mais conhecida e preferida até hoje, pela maioria dos leitores. "Orgulho e Preconceito" sem dúvida é a cereja do bolo de Jane Austen.

Ilustração de Hugh Thomson para "Orgulho e Preconceito

Henry, o irmão de Jane, foi quem a ajudou com a publicação da primeira obra, em 1811, cujo sucesso depois levou a publicação das próximas, até "Emma", o último publicado antes de sua morte. Duas delas foram fruto de publicações póstumas, e só então foi que Henry identificou sua irmã como autora das obras, em nota bibliográfica. É, uma mulher escritora naquela época era incomum e sabem o que era comum? As obras serem rejeitadas sem nenhuma observação do conteúdo, apenas pelo fato de serem escritas por mulheres. Pois é.

Mas desta vez o preconceito não ganhou a parada. Jane Austen morreu em Winchester, tornando-se após dois séculos, uma escritora eternizada como a primeira romancista moderna da literatura inglesa. Seus clássicos são reconhecidos pela linguagem de ironia sutil, encoberta pela leveza de uma percepção psicológica sem igual, que ela atingiu apenas com seu poder de observação. Jane Austen é um ícone da literatura romântica, inspira obras contemporâneas, ilustrações, estudos e até jogos.

Jogo para PC inspirado em "Orgulho e Preconceito"

Jogo para tabuleiro inspirado em "Orgulho e Preconceito"

Selos comemorativos dos 200 anos de publicação de "Orgulho e Preconceito"
Dá para reparar que o livro mais famoso de Jane Austen é "Orgulho e Preconceito" né? E coincidentemente, por ser o segundo em ordem de publicação, é o que estamos lendo no grupo. Então logo trago a resenha, mas não antes de publicar a resenha de "Razão e Sensibilidade". Além disso, além de outros escritos pela autora que não os principais, descobrimos vários livros inspirados em suas obras e em sua vida. Dá só uma olhada!

Alguns livros complementares de Jane Austen e/ou inspirados no tema.

É livro que não acaba mais hein? E a meta de leitura só aumenta! Então também declaro abertos aqui no blog os trabalhos literários com tema Jane Austen! Porque ler nunca é demais!

Beijos!

6 de agosto de 2015

Heroínas de Jane Austen

Oie!!!!

Estava esperando encerrar o mês de comemorações da Alice para mostrar o primeiro resultado de um convite que recebi em maio e que tem me inspirado muito. Como muitos já sabem, no ano passado minha vida virou do avesso, além de vários compromissos de escritora que tinha no segundo semestre. Com a vida bagunçada e sem tempo, nem muita vontade, para fazer scrapbook, acabei "dando um tempo" nas participações e atividades com todos os grupos de amigas arteiras. Como nada é por acaso, esse afastamento me fez perceber quem realmente me considerava. Resumindo, a quem minha amizade era importante não me esqueceu. E foi assim que, em maio, já me entendendo com a agenda novamente, fui surpreendida com um e-mail da Pati Dias, me convidando para participar com ela, junto com a Márcia Nogueira e a Nice Sestari, de um grupo de leitura focado nas obras de Jane Austen e a vasta literatura que envolve essa autora maravilhosa e seus clássicos. 


A ideia do grupo e por sugestão das meninas, era a arte envolvendo o tema do livro da vez, juntamente com a troca de marcadores e cartas. Sim! Essa para mim foi a sugestão de ouro, porque trocar cartas escritas nos dias de hoje é como sentir-se a própria Jane Austen!!! Primeiro passo, separei vários itens em estilo vintage que eu poderia usar para começar minha arte. Encontrei este livro antigo, que estava desmontando e não tinha mais recursos. Me apaixonei pela capa e resolvi usá-lo.


O livro estava detonado mesmo, mas as páginas estou usando como fundo das páginas, dos marcadores e também envio para as amigas junto com os mimos, como material para elas utilizarem em seus trabalhos. Por enquanto a capa está assim gente, não tenho coragem de cobrir essa marca original do livro e sinceramente, ainda não me bateu inspiração. Mas preciso ao menos indicar que é referente às obras de Jane Austen. Aceito sugestões!!!


Eu optei por usar as argolas, primeiro porque não tinha condições de colar as capas, e segundo porque achei super prático para inserir páginas na ordem que eu quiser. Por exemplo, comecei com as páginas do primeiro livro, mas a ideia é começar com páginas referente a biografia da autora. Com certeza vai ser tema para outra postagem. Então, nós optamos por ler na ordem em que os livros foram escritos e o primeiro foi "Razão e Sensibilidade".


O livro conta a história das irmãs Elinor e Marianne, só para quem não leu entender o motivo das duas moças em quase todas as páginas. Sobre o conteúdo, logo resenho aqui no blog. Depois, veio a sinopse e a foto do meu exemplar. Mas cadê??? Hahaha. Pois é, ainda não revelei, então só deixei o fundo para inserir a foto depois.


A sinopse eu escrevi em um papel de carta, resgatada da minha pasta de papéis da adolescência (adorei ter um lugar para eternizá-los). Aí ela fica dobrada dentro do envelopinho, enfeitado com outra gravura também fazendo referência as duas irmãs.


Ali embaixo, mais uma página com destaque para as personagens principais do livro, com gravuras que simbolizam as personalidades de cada uma e que, aliás, são extremamente opostas. Também inseri algumas fotos dos filmes mais conhecidos sobre a obra e seus devidos anos de exibição.


Mais uma página refletindo o enredo do livro, até que olha o que apareceu! A cartinha que recebi  da Pati Dias, escolhida para me enviar nessa rodada. Eu enviei para a Márcia Nogueira, que por sua vez enviou para a Nice Sestari. 


A Pati é muito caprichosa, faz coisas lindas. Eu adorei tudo que ela mandou. Gostei tanto que além da carta utilizei algumas coisas no meu trabalho. Por exemplo, a página direita da foto abaixo, é parte do envelope onde ela guardou meus mimos. Como eu deixaria de lado algo tão lindo? Virou página. 


Outro exemplo é esta última página. Ela é um dos marcadores que a Pati me deu de presente. O laço lindo que agora compõe o trabalho como um todo também faz parte dele. Achei que era mimoso demais para ficar escondido dentro de um livro. Aqui não aparece, mas no rodapé eu anotei um detalhe contando sobre essa página frente e verso (envelope e marcador) e mencionando o link do blog da Pati. 


E por enquanto é isso gente. Meu trabalho está assim, mas ele fica me olhando diariamente da prateleira e esperando eu inserir mais material, mais cores, mais ilustrações e mais histórias!!



Beijos!