11 de março de 2016

Eu li #53- A casa das belas adormecidas

Oi gente!

Para encerrar a semana das mulheres, hoje vou falar sobre o título que li recentemente como parte do meu projeto pessoal de autores que ganharam o Prêmio Nobel de Literatura. Essa leitura também faz parte do projeto "Tem que ler mesmo?" do blog Ipsis Litteris, que contemplava a leitura de um autor asiático. Estou falando do livro "A casa das belas adormecidas", do escritor japonês Yasunari Kawabata. Um livro polêmico e de opiniões bem contraditórias, que para mim foi uma leitura única e diferente. Tenho muito a escrever! Vamos lá!


Quando afirmo que o livro é polêmico, não exagero. Posso garantir que, dependendo da personalidade do leitor, vai trazer muitos sentimentos à tona. Mas para o leitor mente aberta, que não tem medo de despertar sensações, sentimentos e reflexões, é um prato cheio. No decorrer da leitura pensei tantas coisas! Achei o livro excêntrico, belo, em alguns momentos até pervertido (rs). Para no final concluir que a obra se resume em uma prosa poética de muita qualidade. Porque tudo isso?

"A casa das belas adormecidas" conta a história do velho Eguchi. Ele tem 67 anos e descobre, por um amigo também sexagenário, que existe uma casa onde paga-se para dormir ao lado de jovens mulheres virgens. O detalhe peculiar é que elas permaneciam nuas, adormecidas todo o tempo. Mas a casa tinha regras rígidas. As meninas tomavam um sonífero, já eram encontradas dormindo e nunca acordavam antes do cliente sair do quarto. E aos clientes não era permitido de forma alguma corromper a virgindade das garotas com relações mais íntimas. Eles poderiam tocá-las e admirá-las, e no final das contas era apenas isso que os clientes da casa queriam. Aos velhos cuja virilidade já havia se esgotado, a alegria de sentir-se jovem por estar ao lado de uma bela mulher, sem que ela o visse para não envergonhá-lo pela sua condição, era o ápice do seu prazer.

Pintura de Damião Martins

Mas Eguchi ainda sentia sua masculinidade e com essa experiência vê despertar um turbilhão de memórias em sua mente. Lembranças profundas o deixam triste, excitado, irritado e feliz ao mesmo tempo. Em suas quatro visitas à casa, cada uma das meninas deixou-lhe uma marca diferente e ao longo de todo o livro, enquanto rememora as mulheres de sua vida, ele encontra-se verdadeiramente com a alma feminina.

É nesse ponto que para mim o livro deixou de ser somente um conto erótico e passou a ser um tributo à mulher. Porque Eguchi não lembra só das mulheres com quem namorou ou da sua esposa. Também entram em seus pensamentos sua mãe e sua filha. Cheiros e sensações acendem em sua memória momentos únicos de sua vida, fazendo-o repensar além de atitudes, seus sentimentos.

 freebie via Freepik
Por isso, embora tenha acompanhado opiniões contrárias, eu gostei muito do livro. A leitura soa estranho no início sim, devido a ambientação. Eu me questionei que tipo de erotismo era aquele, me questionei sobre as mulheres parecerem estar sendo tratadas como objeto, me questionei até sobre as ideias daquele senhorzinho que queria "apavorar" em certos momentos (rs). Mas nada disso persistiu em minha mente de leitora e finalizei o livro com a opinião pessoal de que a obra é uma declaração de amor às mulheres! Sim! A poesia nas descrições e elogios que Kawabata faz com relação ao corpo da mulher, seus movimentos, suas sensações, para mim foi de uma sensibilidade incrível.

Yasunari Kawabata ganhou o Nobel de Literatura em 1968. Sua personalidade introspectiva fez com que vivesse solitário. A morte e o erotismo feminino são as principais características abordadas em "A casa das belas adormecidas", dizem que também são em suas outras obras. E embora ele tenha cometido suicídio quatro anos depois de ganhar o prêmio, depois de ler esse livro, acredito que ele mostrou em seu trabalho que os japoneses não entendem só de mangás não, também fazem Literatura de altíssima qualidade.

Yasunari Kawabata (1899 - 1972)

Descobri que muitos escritores japoneses tem o autor como referencial, e não pára por aí. "A casa das belas adormecidas" em específico, foi inspiração para o escritor colombiano Gabriel García Márquez produzir o tão conhecido "Memórias de minhas putas tristes". Ainda não li mas ouvi algumas opiniões de que o livro é ótimo, mas ele não chegou nem perto de Kawabata. Por aí vocês imaginam o que é essa leitura? Eu fiquei curiosa tanto para ler Gabo como para ler pelo menos mais um livro de Kawabata, tentar formar uma opinião sobre o autor e se todas as suas obras são intensas como essa.

Beijos!

2 comentários:

Lolô Artesanato disse...

Livro polêmico? fora da caixa? já gostei, kkkkk
Meu carrinho da Amazon já está cheio, mas ficou salvo para uma próxima comprinha, heheh!
bjsss

gildett marillac disse...

Impossível não ficar com vontade de ler este livro depois do seu comentário. Li o livro de Gabriel Garcia Marques (aliás sou admiradora dos livros dele, tenho quase todos), terminei com um sentimento enorme de tristeza, agora fiquei curiosa... Obrigada por mais essa, beijos!