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8 de setembro de 2019
5 HQs/Graphics mais bonitas da estante | Portão Literário
Já que as leituras estão devagar, deixei um vídeo no canal com uma seleção de 5 HQs/Graphic Novels que considero as mais bonitas da nossa estante. Vem conferir!
19 de setembro de 2018
EU LI: Ima - Sempre em Frente (Eric Peleias)
Oi gente!
Conheci o autor Eric Peleias na
Bienal de Quadrinhos 2018, aqui em Curitiba. Parei no estande dele porque bati
o olho no seu novo trabalho, “Até o Fim”, que já é bem comentado positivamente nas
redes sociais.
Mas conversando com o Eric, ele me
contou como foi que surgiu “Ima - Sempre em Frente”. A HQ é um trabalho
biográfico em volume único, escrito e ilustrado pelo Eric, que conheceu a
protagonista pessoalmente e decidiu contar para nós a sua história. Ali eu não tive
mais dúvidas que era a Ima que eu levaria para casa. =)
O prefácio é do ator Dan Stulbach
e na história vamos conhecer uma personagem real, a Julia, que após a invasão
da Áustria pelos alemães em 1938, foi enviada por seus pais aos EUA, para fugir
do Holocausto. Julia saiu do seu país sozinha, com uma mochila e o coração
aterrorizado.
*pausa para me encantar mais uma vez com essa dedicatória tão especial: "Siga sempre em frente"! E quem me conhece não sabe meu lema? "Devagar e sempre". Né?
Abri a HQ já com o coração na mão,
porque eu sabia que me emocionaria. Para amplificar minha leitura, descubro que
eu e Julia temos em comum nossa data de aniversário: 15 de fevereiro. Pode
parecer bobagem mas para uma leitora como eu, que gosta de vivenciar a leitura,
foi bem intenso. Como toda a história a seguir, uma jornada linda, inspiradora,
tocante e contada pelo Eric da maneira mais suave e linda que já li em qualquer
outra narrativa sobre o tema.
A história é triste? Claro que é. Nenhuma história nessa
temática é gostosa de se ler. Mas a história da Julia tem tanta esperança e
coragem, que não tem como não se alegrar junto com ela, conforme a narrativa vai
avançando.
Recomendo para quem gosta da temática e também para quem está iniciando na leitura de quadrinhos, pois a narrativa é linear e as imagens são limpas e delicadas. Destaco uma particularidade da HQ, as cores claras ajudam o leitor a valorizar o lado belo da história e não as atrocidades.
Ao fechar a HQ, meu sentimento era indescritível. Tão bom saber que em meio a tantos horrores na história da humanidade, sempre existiram e sempre existirão sobreviventes para nos deixar exemplos de fé, força e garra. Nas últimas páginas o Eric nos presenteia com fotos e depoimentos da família, deixando aquela vontade de apertar a Julia bem forte e dizer no seu ouvido: Muito obrigada por compartilhar a sua história!
Ah! E o título IMA significa? Leia e emocione-se com ele também. ;-)
Ah! E o título IMA significa? Leia e emocione-se com ele também. ;-)
Boa leitura!
17 de agosto de 2018
EU LI: Angola Janga (Marcelo D'Salete)
Oi gente!
Na semana passada eu li essa HQ maravilhosa que comprei para compor os títulos do meu projeto África lá do canal. Nem todos eu consigo fazer vídeo, mas no final do ano pretendo compilar todos os links de resenhas em vídeos e escritas em uma única postagem. E também acho que algumas obras, como essa aqui, são melhor mostradas no formato escrito, com algumas fotos das páginas internas.
Vamos então falar dessa graphic novel linda que é Angola Janga - Uma história de Palmares, de Marcelo D'Salete! \o/
Vamos então falar dessa graphic novel linda que é Angola Janga - Uma história de Palmares, de Marcelo D'Salete! \o/
O Marcelo é quadrinista e mestre em história da arte pela USP - Universidade de São Paulo. Angola Janga é o produto de 11 anos de pesquisa sobre o mais conhecido movimento de resistência negra da época do Brasil Colônia. Já o título da graphic origina-se da língua quimbundu e quer dizer "pequena Angola", assim chamada a região de Palmares pelos negros que lá habitavam.
O bacana da obra é que o autor une ficção com realidade e reconta a história do principal líder do Quilombo dos Palmares, o Zumbi dos Palmares, que a gente sempre lembra de ter visto nos livros da escola. Só que diferente do que aprendemos nos livros da escola sobre Palmares (que aliás é muito pouco), em Angola Janga nós repassamos os acontecimentos pelos olhos das pessoas que estavam lá. Isso mesmo, pelos olhos dos negros nós imaginamos como eram suas vidas, já que os únicos registros documentados na história foram escritos por governantes e soldados, cujos interesses eram destruir os locais de resistência.
Como leitora, senti a essência dos fatos, mesmo que possam não ter sido exatamente assim!
Marcelo também cita outros personagens importantes como Ganga Zumba, Ganga Zona e Antonio Soares. Com muita criatividade desenvolve outros personagens e leva o leitor a aprofundar-se nas suas trajetórias, sempre tentando conectá-los com alguns fatos registrados, como uma das tentativas de acordo de paz entre a Coroa Portuguesa e o quilombo.
Eu curti muito a leitura! Achei que o autor conseguiu passar sua vontade de entregar uma releitura da história de Palmares, partindo do olhar dos protagonistas negros. A cada virada de página, encontramos pessoas buscando a liberdade, o controle de suas vidas. Conhecemos seus medos particulares, seus conflitos familiares, seus anseios em entender qual era seu papel no mundo, além das correntes a que eram submetidos.
Angola Janga foi publicado pela Editora Veneta e possui 432 páginas. Os traços da graphic nos transmitem os sentimentos colocados acima, parecem carregar o drama vivido na época. Ao final do livro encontramos também um material adicional sobre a cultura afro dos mocambos, a história dos Palmares, mapas e estimativas. Tem até glossário com termos encontrados na obra!
Acho que nem preciso dizer mais nada né? Graphic Novel super recomendada, até porque eu sou do time que defende a preservação da história, mas com todas as suas verdades. Negros e índios também construíram a História do Brasil e Angola Janga traz um novo olhar sobre Palmares.
Boa leitura!
10 de setembro de 2016
Eu li #82 - Watchmen (Edição Definitiva)
Oi gente!
Essa edição da HQ é maravilhosa! O processo de criação foi perfeito e as ilustrações são fantásticas. Show de bola!
Tentando colocar as resenhas em dia, aproveito os dias da Bienal de Quadrinhos aqui em Curitiba para deixar uma das leituras de HQs mais complexas dos últimos tempos! Também considerada por muitos uma das melhores, Watchmen me deixou sem fôlego, me deu trabalho, me desafiou e no finalmente, me fez gostar muito. Mais que o filme! Então vou contar um pouquinho sobre essa grande obra de Alan Moore que mais parece uma desordem ordenada (rs).
Tudo começa com os homens-minuto, um grupo de heróis dos anos 40 que caíram no esquecimento. Eis então que um deles, o Comediante, foi assassinado. O que fez Rorschach (outro membro da equipe) começar a investigar, temendo uma conspiração contra o grupo todo. Aliás, esse Rorschach se destaca por ter um raciocínio bem analítico das coisas e não sossega até chegar às respostas. Já ouvi que é um dos personagens mais apreciados pelos leitores. Discordo em partes, não fui fã. Achei ele bem sociopata. Mas com suas suspeitas, ele acaba incentivando a formação de uma nova equipe, com novos personagens, incluindo a filha da Espectral e o novo Coruja, que desenvolvem um romance no decorrer da trama.
Um detalhe que me chamou a atenção. Em Watchmen, Alan Moore mostra os personagens, não com os esteriótipos de super-heróis, mas como personagens com problemas psicológicos de diversos gêneros e fraquezas gritantes. Alguns são violentos, imorais e por isso excluídos da sociedade. Mas a história também inclui poderes extraordinários, como do Dr. Machattan, que após sofrer um acidente de laboratório, destacou-se ao impulsionar os EUA como a potência do mundo. Sim, como a maioria das HQs que eu li, os temas políticos são narrados com recorrência.
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| Detalhe no final cada capítulo: Um trecho de uma obra da literatura ou de um grande pensador. |
Não vou negar. Achei a leitura complexa e de longe é uma HQ para crianças. Os temas abordados são pesados, as histórias são entrelaçadas e não são apresentadas em ordem cronológica. Em meio às investigações, tem várias narrativas em flashbacks. Mas o desfecho para mim foi inesperado e embora eu tenha ficado no ar com algumas questões não respondidas (talvez por não conhecer a história de cada personagem a fundo), achei uma leitura incrível e desafiadora.
Ah! E uma sugestão para quem apenas viu o filme. Leia a HQ! Eu vi o filme e sinceramente, não gostei totalmente. É muita história para uma narrativa de cinema e não gostei das alterações feitas. Achei o filme confuso, embora tenha curtido a ambientação vintage.
Essa edição da HQ é maravilhosa! O processo de criação foi perfeito e as ilustrações são fantásticas. Show de bola!
Beijos!
11 de agosto de 2016
Eu li #80 - Coraline
Oi gente!
Vamos falar de uma HQ muito fofa que eu li na Maratona Literária de Férias? "Coraline" de Neil Gaiman! Bom, com esse título imagino que a maioria deva lembrar da animação de 2009, escrita e dirigida por Henry Selick, certo? E se eu disser que eu amei a versão animada, mas depois que ler a HQ achei muito, muito, muito mais legal? Pois é, então vou mostrar um pouquinho dessa obra publicada nos EUA no final de 2007, adaptada em textos e ilustrações por P. Craig Russel, que agora chegou ao Brasil mostrando a Coraline na literatura. =)
Um dado interessante sobre "Coraline" é a que história foi a responsável pelo reconhecimento do autor Neil Gailman, depois dele ter se dedicado por vinte anos à escrita. Tá vendo gente? Não é fácil ser escritor de sucesso! (rs). E seu primeiro livro (que foi classificado como infantil), foi lançado em 2002 para só em 2009 terem lançado a animação. E agora Russell mostra em todas as páginas seu talento, com seu estilo e traços perfeitos, que foram selecionados por ele dos trechos originais da obra de Gaiman. Conforme a história avança, o ritmo vai se tornando muito mais sombrio do que na animação, alguns capítulos ficam extensos e recheados de acontecimentos.
Para quem não conhece a história nem viu a animação, aí vai a sinopse: “ Coraline e seus pais mudam-se para uma antiga casa, com vizinhos velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas que encorajam a curiosidade e o instinto de exploração da menina. Numa tarde chuvosa e tediosa, Coraline consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e que revela (apenas para ela) um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do velho casarão. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. O mundo atrás da porta é mágico e sedutor. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado, além de “pais” muito atenciosos e uma comida maravilhosa. Porém, Coraline percebe aos poucos que aquele mundo é tão mortal quanto encantador, e que terá de usar toda a sua inteligência se quiser sair de lá.”
Nem a personagem principal se parece com a criança da animação. Na HQ Coraline é uma pré-adolescente, refletindo sobre o mundo ao seu redor. Sente-se abandonada pelos pais e quando se depara com a sensação de liberdade e de ter seus desejos realizados, precisa tomar decisões. Tem um personagem instigante nessa história toda, um gato. Sim, não sei dizer se o achei macabro ou inteligente, porque ele tem papel fundamental na narrativa, mas... me deu medo! Hahaha!
Resumindo, se você gostou da animação e gostaria de conhecer a história por uma visão mais sombria e madura, leia a HQ. A edição é da Rocco, em capa dura e com 186 páginas.
Beijos!
11 de maio de 2016
Alice em quadrinhos de 1969
Oi gente!
Hoje passei por aqui para registrar mais um item para a coleção Alice. Esse ganhei da amiga Pati Dias, da Casinha de Livro. A Pati é mega fã de Alice como eu, e após ter adquirido esse quadrinhos lindo da Alice de 1969 em sebo, encontrou um igualzinho na casa de sua mãe. Aí me presenteou!
Além da história de Alice, tem também "As Aventuras de Rob Roy", uma história épica com mosqueteiros que também adoro. Obrigada Pati! Já agradeci a ela no vídeo das chegadas de abril, lá no Portão Literário, onde eu mostro esse presentão!
Beijos!
4 de maio de 2016
Eu li #64 - Olympe de Gouges
Oi gente!
Hoje vou falar dessa HQ linda que eu adquiri em março e fui logo furando a fila de leituras porque estava curiosíssima com a história dessa escritora francesa que teve um papel fundamental em abrir espaço para as mulheres em seu país. Marie Gouze nasceu em um século de intensas transformações e liderou um movimento político em prol da dignidade das mulheres durante a Revolução Francesa. O mais admirável para mim na história dela é que, mesmo recebendo uma educação pobre, sendo submetida aos padrões da época, tornando-se mãe e viúva aos 18 anos, ela traçou sua história e contribuiu para a história do seu país! Poderia ter seguido outras tantas mulheres, mas algo a diferenciou. O seu inconformismo com os infortúnios de levar uma vida submissa e seu pensamento revolucionário, desenvolveu nela a vontade de se tornar uma mulher das letras. =)
Então ela muda-se para Paris e procura muitos contatos ligados à cultura. Começa a participar de atividades revolucionárias, ao mesmo tempo que escreve peças para teatro. Em 1791 ela escreve um panfleto denominado "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã", causando polêmica em toda a França. Ler sobre sua vida, escrita e desenhada em quadrinhos, foi muito prazeroso!
Acho que o post de hoje está representado nas fotos. Essa edição é incrível! Tem anexos, cronologias e biografias de todos os envolvidos na vida e obra de Olympe. Sem contar no que simbolizou essa história para mim. Muitas vezes, nós escritores, não temos ideia da força de nossas palavras. Eu acho que quando se escreve o que se acredita, quando você transmite seus verdadeiros ideais em suas palavras, está na verdade plantando sementes de transformação na história do mundo. Isso é mágico!
Beijos!
30 de março de 2016
Eu li #56 - Batman: O Cavaleiro das Trevas
Oi gente!
Hoje vamos falar de HQ! Simm! Minha paixão por quadrinhos da infância e adolescência foi resgatada! E devo isso ao marido, que é extremamente apaixonado por quadrinhos, principalmente os da DC Comics. E sua paixão especial é pelo Batman...hehehe. Aí que a primeira coisa que ele fez quando anunciaram a data do filme "Batman VS Superman", foi ir até a estante e procurar um volume para eu ler. Esse aí, que segundo ele, faria eu curtir o filme ainda mais. E estava certo!!
Já começa pela capa gente!! Achei o máximo quando eu consegui identificar uma cena de poucos segundos como sendo essa aqui da capa. Muito legal! Tenho lido muitas críticas ao filme, mas dessa vez posso opinar, porque li a HQ. Eba! E olha, minha opinião é bem contrária as críticas por aí viu? Eu adorei o filme e achei que sim, tinha muitas referências (principalmente visuais) ao graphic novel. Mas pera aí, não era prá ter? O_o
Tem partes bem fiéis, como a frase "Posso guardar o vinho, patrão Bruce? ...", apesar da história ser outra. O conflito entre os dois na HQ é político, já no filme é ideológico (o que me fez até gostar mais), e por aí vai. Na foto abaixo um dos meus favoritos da DC (The Flash), que eu esperei ansiosamente para ver no filme (não vou dizer se apareceu prá não dar spoilers). Também ouvi críticas de que o filme é escuro, nebuloso, que não parece vir de quadrinhos. Bom, quem achou isso não deve ter lido nenhum HQ do Batman, porque Batman é assim!
Fica difícil eu falar da história aqui porque tenho medo de dar spoiler prá quem não viu o filme, quem sabe eu volte a falar do contexto em um momento futuro. O que quero mesmo deixar registrado é que a experiência de ler antes de ver o filme para mim valeu demais! Deu para entender porque os viciados em Marvel e DC vibram tanto a cada filme. Saber a história da criação de cada personagem também faz toda a diferença. Eu tenho aprendido muito sobre isso e estou adorando. Afinal, eu defendo a ideia de que HQs bem escritas podem ser consideradas como literatura e inclusive discutidas como tal. Dias atrás li uma definição de que os quadrinhos podem ser considerados "manifestações literárias contemporâneas". Gostei muito!
Na verdade os quadrinhos, na minha opinião, tem um adicional a maioria dos livros: as ilustrações! E eu, fã que sou de ilustras, estou enchendo os olhos com tantos traços legais. A Edição Definitiva de "O Cavaleiro das Trevas" é assim. De surpreender a cada página. E no final, além de várias anotações e informações sobre a história, também tem informações sobre as ilustrações. Completinho!
O Paulo, um seguidor da fan page, comentou quando postei a foto, comentou que essa era a melhor HQ de todos os tempos. Se ele está certo, eu comecei bem né? Então posso dizer que o marido não só me ajudou a gostar ainda mais do filme, como resgatou meu amor pelos quadrinhos, que não eram de super-heróis, mas de muitos personagens conhecidos dos gibis. Agora já tenho outros HQs nas minhas metas de leitura e em breve posto mais sobre eles. Especificamente esse, eu garanto que é ótimo. São 512 páginas que o leitor fã não deseja que terminem. =)
Beijos!
11 de fevereiro de 2016
Personalidades #13 - Mort Walker
Oi gente!
No feriado fiz várias leituras. Uma delas foi leve e engraçada, porque resolvi matar a saudade de um dos meus personagens favoritos dos quadrinhos de infância. O Recruta Zero! Sério gente, além da Luluzinha (já mencionada nessa postagem aqui), eu amava ler os gibis do Zero, dava muitas gargalhadas, principalmente com a pegação de pé do Sargento Tainha para com o coitado. E dias atrás, comprei uma edição especial das tirinhas e comprovei, décadas depois, que continuo rindo alto quando leio o Recruta. E por isso resolvi registrar o seu criador, Mort Walker, aqui na série Personalidades, afinal de contas é mais que merecido!
Foi em El Dorado, no Kansas, que nasceu Addison Morton Walker, em 1923. Filho de um arquiteto (metido a poeta e música nas horas vagas) e de uma ilustradora de jornais (opa!). Assim, em datas especiais, era normal seu pai escrever um poema e sua mãe ilustrar e publicar no jornal. Com 11 anos, Walker vendeu seu primeiro cartum. Eram tempos de crise e toda a família precisava trabalhar e ajudar no que aparecesse. E ele era dedicado, se destacava na escola e muito rapidamente estava empregado nas lojas Hallmark, onde logo depois conquistou uma vaga no departamento de artes e revolucionou o designer de cartões de aniversários, casamentos e batizados, introduzindo o cartum nas mensagens. Terminando o ensino médio, decidiu ir para a Universidade, mas em 1943, aos vinte anos, tornou-se recruta do exército norte-americano. Ainda não sabia o quanto essa experiência agregaria em seu trabalho.
Após o fim da guerra, Walker voltou para a Universidade de Missouri e terminou o curso de jornalismo. Em 1948, foi para Nova Iorque e continuou persistindo no sonho de ser um cartunista profissional. Teve seus trabalhos rejeitados por diversas vezes, até que em 1950 ele criou um personagem chamado Beetle Bailey, estudando universitário e muito preguiçoso. Foi aceito pela Editora King Features, mas não rendeu muito sucesso e foi descartado por falta de popularidade.
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| via GrapHiQ |
Mort Walker tem experiências de sobra para afirmar que o caminho do sucesso pode vir de uma sucessão de erros. Depois do fracasso de Beetle Bailey, ele produziu uma reviravolta no personagem, quando decidiu alistá-lo no Exército Americano! Em poucas semanas, centenas de diários em todo país continham a nova versão do personagem preguiçoso, que tentava adaptar-se e sobreviver a uma rotina rígida, com outros personagens a sua volta totalmente distintos em aparência e comportamento.
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| Fotografia de Mort Walker, em 1973. |
Claro que em várias ocasiões as tirinhas foram banidas da revista oficial do Exército norte-americano, com argumentos que o personagem ridicularizava e servia de mau exemplo aos soldados. Mas no final das contas, pelo ponto de vista que Beetle Bailey conseguiu se encaixar a seu modo na rigidez do exército, mesmo sendo seu lema "não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã", foi visto como um vitorioso e com isso conquistou os leitores. Até porque naquela época, muitos deles ou serviram o exército, ou conheciam alguém lá. Passados os primeiros "choques", as forças armadas acabaram por aceitar o trabalho de Walker, convidando-o a recepções e até concedendo-lhe medalhas por serviços prestados ao humor no país.
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| Personagens do "Recruta Zero" |
No Brasil, o "Recruta Zero" é editado em vários jornais e sua revistinha foi publicada durante as décadas de 60, 70 e 80 pela Rio Gráfica Editora, atual Editora Globo. Entre 1970 e 1973 também foi publicado como "Zé, o Soldado Raso", pela Editora Saber. Também foi exibido o desenho animado, primeiro pelo SBT nos anos 80, depois pela TV Record em 2004. Desde sua criação, alguns personagens não deram certo, mas foram poucos. Muitos deles, tornaram-se "velhos conhecidos" dos fãs das tirinhas. Sargento Tainha, Oto (seu cachorro), Platão, Dentinho, Cosme, Roque, Quindim, Cuca (o cozinheiro!), Tenente Escovinha, Martha, Srta. Tetê, Capelão, entre outros que aparecem raramente, como Bunny, a namorada do Zero.
Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho da história do Recruta Zero e seu criador, Mort Walker, que tem delegado a um de seus filhos (Gregory), a autoria de várias tirinhas. Para mais informações, segue a página oficial de Mort Walker, só clicar aqui.
Beijos!
27 de janeiro de 2016
Personalidades #12 - Charles M. Schulz
Oi gente!
Depois da Segundica Literária relembrando o Nobel de Literatura de 1973, eu resolvi entrar na onda das atualidades e embarcar na curtição dos Peanuts! O Snoopy fez sim parte da minha adolescência nos anos 80, mas não lembro de ter me aprofundado na época e lido as tirinhas. Gostava do personagem e só. Pois é. Olha o que perdi! Tenho lido as tirinhas dos "Peanuts", estou doida para ver o filme e agora pesquisei um pouco sobre o criador dessa turminha. Vamos relembrar?
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| Charles M. Schulz, cartonista e criador de “Peanuts”. |
Resumindo a cronologia da sua vida, Charles Monroe Schulz nasceu em Mineápolis, em 26 de novembro de 1922. Filho de Dena Schulz (dona de casa) e Carl Shulz (barbeiro), era um adolescente tímido e solitário. Tinha o costume de ler com seu pai, aos domingos, as tiras de jornais. Foi quando seu pai notou sua habilidade para desenhar e o inscreveu em vários concursos. Depois da morte de sua mãe alistou-se no Exército dos EUA e em 1945 foi enviado para a Europa para defender seu país na Segunda Guerra Mundial, como líder da esquadra da infantaria. Quando deixou o Exército, trabalhou como professor de arte e assumiu que o queria mesmo era ser cartunista. Aliás, ele afirmava em entrevistas que já "nasceu cartunista".
Um parênteses aqui porque me identifiquei. Acredita-se que a sua experiência no exército, onde praticou a liderança e tomada de decisões, foi fundamental no seu sucesso com os Peanuts. Sempre digo aos que perguntam sobre minha trajetória como escritora que, embora eu tenha iniciado na maturidade, o que aprendi na minha profissão e carreira profissional como administradora, tem feito toda a diferença no planejamento da minha carreira nas Letras. Porque o parênteses? Uma motivação para os novos talentos que me pedem aconselhamento: Nunca é tarde! =)
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| Carlos Shulz via globo.com |
Voltando ao foco, Harper Collinns, autor da biografia "Peanuts e Shulz: A biografia" revela em seu livro que muitas das tirinhas de Snoopy são na verdade, uma espécia de autobiografia de Shulz. E seus personagens, sempre inspirados nas pessoas com quem ele convivia. Por exemplo, a Lucy tem a mesma personalidade impaciente e mandona da primeira mulher de Shulz.
O próprio Snoopy foi inspirado no cachorro da raça beagle de Shulz. E sobre seu amor platônico pela "garotinha ruiva"? Parece que houve mesmo uma inatingível garota ruiva, chamada Donna Mae Johnson, pedida em casamento por Shulz em 1950, mas que o recusou. A Patty Pimentinha foi inspirada na prima de Shulz, Patricia Swanson, porque ela se comportava como um molequinho e era bem rebelde. E Charlie Brown representa a própria infância de Shulz, cujo pai falava alemão e era barbeiro. Sempre foi o menor da classe, sofria rejeição e sentia que nada dava certo para ele.
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| Personagens de Peanuts surgiram em 1950 pelas mãos de Charles M. Schulz |
A turminha Peanuts originalmente começou em uma história em quadrinhos chamada Li'l Folks, publicada entre 1947 a 1950. Oficialmente como Peanuts, a primeira aparição foi em 2 de outubro de 1950. O sucesso de Charlie Brown, Sally, Lucy, Patty Pimentinha, Marcie, Schroeder, Linus, Chiqueirinho, Woodstock e Snoopy. foi garantido e Shulz ganhou uma estrela na calçada da fama de Hollywood em 28 de junho de 1996.
Ele os desenhou por mais de cinquenta anos, até sua aposentadoria em virtude de um câncer, embora tenha falecido de infarto em 12 de fevereiro de 2000. Sua última tirinha, onde se despedia dos fãs e de seus personagens, foi publicada um dia depois da sua morte.
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| Última tira dos "Peanuts", publicada em 13 de fevereiro de 2000. |
As primeiras animações dos personagens de Peanuts foram registradas na década de 60, quando a Ford Motor Company divulgou o carro compacto da Ford Falcon e os personagens apareceram em anúncios na televisão. Depois disso, "Charlie Brown Christmas", estreou em 1965 e por aproximadamente trinta anos os desenhos animados do Snoopy foram vistos na televisão.
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| Anúncio de carro: “Falcon ’61,” ©Ford Motor Company, Peanuts Worldwide, LLC. |
Em Santa Rosa, na Califórnia, fica o Museu de Charles M. Shulz. Essa e outras informações históricas você encontra no site do museu. Só clicar aqui.
Para quem ainda não viu o trailler do filme, entre no clima e assista! E para os leitores de plantão, depois do trailler a divulgação da coleção completa das tirinhas, publicada pela LePM Editores. Eu ainda não o filme e nem tenho a coleção completa de tirinhas, mas sei que vou adorar ambos!!
Beijos!
E eu não poderia deixar de registrar aqui na postagem as minhas tirinhas preferidas. O Snoopy escritor, lógico! Me divirto com essas criações. Amo!
Beijos!
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