4 de março de 2016

Eu li #51 - O Pássaro Azul

Oi gente!

Hoje trago a resenha de um livro que li em fevereiro. E aff! Nem sei por onde começar. Acho que preciso começar dizendo que a literatura é mesmo surpreendente. Move nossa vida! Vejam vocês que eu leio muito, desde criança. A vida toda fui uma leitora compulsiva e ainda assim, todos os dias descubro uma novidade e aprendo algo que não sabia. E é essa sede de aprender que me faz querer ler mais! Foi o que aconteceu com essa história, que eu nem sabia que era livro. =)

Para vocês entenderem melhor, existe um filme que eu assistia quando criança (vocês crianças dos anos 80 talvez lembrem) chamado "O Pássaro Azul". O filme é de 1940, ou seja, ele já era um filme antigo quando eu era pequena (pense! hahaha), e passava direto na Sessão da Tarde da Globo no final dos anos 70 e início dos anos 80. É uma das raras memórias que tenho entre meus cinco e sete anos. Sim! Considero esse um dos filmes da minha vida. Inclusive ouso dizer que ele implantou em mim algumas de minhas crenças e reforçou alguns valores que aprendi dos meus pais. Aqui está ele!


E não é que para atender ao meu projeto de ler autores laureados com o Prêmio Nobel de Literatura, eu descobri que "O Pássaro Azul" é uma peça do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, escrita originalmente em francês, em 1908? A peça estreou nesse mesmo ano no Constantin Stanislavski's Moscow Art Theatre, e em 1911 em Paris, no Théatre Réjane. A primeira publicação em livro é datada de 1909 e o autor recebeu o Nobel em 1911. Depois disso, em 1919, foi transformada em ópera e sua primeira versão cinematográfica data de 1910, ainda no cinema mudo. Recebeu outras versões para o cinema em 1918, 1940 (a que eu assistia quando criança), 1970 e 1976. E para completar, em 1980 tornou-se série de animação japonesa para a televisão, com 26 capítulos. É muita coisa para um livro só e no meu caso, um dos filmes da minha vida. Precisava ler!


Aí começou a saga em procurar um exemplar do livro. Loja nem pensar né? Infelizmente tenho percebido que grandes autores da história da literatura parecem ser esquecidos. Acabei encontrando alguns exemplares na Estante Virtual (fica a dica!) e por sorte um deles estava em um sebo aqui em Curitiba. Acionei o marido em seu dia de folga e lá foi ele buscar para mim. Edição rara, uma série publicada para Prêmios Nobel, encadernada em capa dura e ilustrada. R$ 20,00.


Difícil descrever a emoção que senti ao abrir o livro. Primeiro, aquela sensação de sempre ao folhear um livro raro, uma euforia que não dá para descrever. Depois, toda aquela recordação da infância, do filme, das mensagens, das cenas que por mais "toscas" que pareçam hoje devido as tecnologias atuais, eram na época algo mágico, para uma criança de 5 anos. E já nas primeiras páginas uma surpresa, o livro foi traduzido aqui no Brasil por Carlos Drummond de Andrade, para a Editora Opera Mundi, do Rio de Janeiro, em 1971.


Então vamos à história? Se passa em uma pequena vila alemã durante as guerras napoleônicas. Uma dupla de irmãos recebe a visita da fada Berylune e partem em uma aventura para encontrar o pássaro azul, que segundo ela seria a felicidade. Acompanhados de seu leal cão Tylo e da ardilosa gata Tylette, transformados em humanos, passam pela terra da memória, da fartura, do futuro e outras, enfrentando em cada passo do caminho desafios que tentam tirá-los de sua meta. O autor se utiliza de muitas (muitas mesmo!) metáforas para escrever a peça.


Eu particularmente acho que existem muitas verdades espirituais contidas na história. Mas essa é minha opinião pessoal, visto que como comentei, o próprio filme embutiu em mim algumas crenças. Para mim a história é belíssima, tanto no livro quanto no filme. Destaco isso porque o filme não é tão fiel ao livro. Já começa com os papéis trocados, no livro o menino (Tytyl) é o irmão mais velho e no filme é a menina (Mytyl). Seja como for, existe uma aura de orgulho e ingratidão que os envolve no início, e que depois da sua viagem irá se transformar.


Embora a linguagem seja de época, o formato de peça faz com que a leitura seja muito rápida. Também não posso deixar tantos detalhes da história, pois se alguém se interessar a ler, estarei revelando coisas demais. Um detalhe curioso, além da Luz tomar forma humana como no filme, no livro há outros itens que se transformam para viajar com Mytyl e Tytyl. O Pão, a Agua, o Açucar são alguns deles. Cada um com suas características, deixam suas mensagens para o leitor. Mas não se engane, se você souber interpretar as metáforas, verá que a história não é nem um pouco infantil.
Descobri que Charles Bukowski, escritor e poeta alemão que chocou e encantou o público com seu estilo irreverente, foi influenciado por grandes autores, como Dostoiévsky e Hemingway. E ele tem um poema mundialmente conhecido e que inspira inclusive tatuagens nos fãs (gostei da ideia!). O poema se chama "O Pássaro Azul". Embora o poema de Bukoswsky possua uma escrita obscena, para quem conhece a história de Marterlinck como eu, não tem como não achar que se ele não leu o livro, com certeza assistiu a uma das versões no cinema. Ainda não li nada de Bukowsky (exceto esse poema) mas tem um artigo sobre ele aqui. Eu também encontrei uma versão da peça de Maeterlinck em pdf, porém em francês, está aqui.

Versão cinematográfica de 1976, dirigida por George Cukor e estrelado por Jane Fonda.
Para quem ficou curioso e não tem paciência para ler esse formato de peça ou ver fimes antigos (com efeitos "toscos"...rs), tem essa versão de 1976, que também é antiga (hahaha!), mas parece melhor. Eu ainda não vi e não saberia dizer se é fiel ao livro ou não. Seja como for, com variantes ou não, a essência da peça não muda. Porém, na minha opinião, ela muda sim é nosso modo de pensar e interpretar a vida! Gostaria tanto de trocar figurinhas sobre esse livro/filme. Será que só eu assistia repetidamente esse filme quando criança? Hahaha! Me contem!

Beijos!

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