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10 de novembro de 2019

Adeus às armas (Ernest Hemingway) | Portão Literário

Oi gente!

Hoje encerro os vídeos do projeto #nobeldeliteratura de 2019, com mais uma obra de Hemingway, um romance um tanto autobiográfico, que conta a história de amor entre o tenente Frederic Henry e a enfermeira Catherine, durante a Primeira Guerra Mundial. Vale conferir!

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14 de julho de 2019

Juncos ao Vento (Grazia Deledda) | Portão Literário

Aquele vídeo que amo gravar. Aquela leitura que me transporta para o cenário do livro. Confesso que depois da leitura, coloquei a Ilha da Sardenha na minha lista de lugares desejados a visitar. Mais um que entrou para os melhores do ano.

29 de maio de 2019

EU LI: O som da montanha (Yasunari Kawabata)

Oi gente!

Eis que meu livro sorteado para o projeto Nobel de maio foi do vencedor do Nobel de Literatura em 1968, o japonês Yasunari Kawabata. Na verdade é minha segunda leitura do autor, a primeira foi "A casa das belas adormecidas" e eu também fiz uma postagem aqui no blog sobre as impressões de leitura, só clicar aqui para ler. Aliás, A Casa é um livro que divide opiniões, eu gostei na época mas acho que agora entendo algumas impressões diversas, principalmente depois da leitura de "O som da montanha". 



A obra conta a história de Shingo Ogata, que já em uma idade avançada, sofre crises de perda de memória e vê-se diante de vários problemas familiares. Sua filha separa-se do marido e volta a morar em sua casa com duas crianças. Seu filho tem uma amante. O próprio Shingo no passado era apaixonado por uma moça mas acabou casando-se com a irmã dela. Olhando assim parece um belo melodrama, mas não, o realismo presente na obra é uma das características da escrita do autor.

"O som da montanha" é basicamente um retrato da vida cotidiana no Japão, ao final dos anos 60, em um período pós-guerra em que o país tentava renascer. Um paralelo com a luta diária de Shingo, que além de aprender a conviver com a velhice, tenta entender o colapso de sua família, enquanto nutre sentimentos pela sua nora Kikuko. E aí entram meus comentários sobre a semelhança com "A casa das belas adormecidas" e a estranheza que certos aspectos da história causa em alguns leitores, assim como causou em mim.

No decorrer da história, enquanto se compadece da sua nora que está sendo traída pelo marido, Shingo a trata com sentimentos exagerados, quase beirando a um relacionamento romântico. Sua justificativa (em pensamentos) é de que ela é muito parecida com seu amor da juventude, mas dá para perceber que ele também gosta de imaginar moças novas e paixões que já não consegue mais sentir, inclusive tem sonhos com isso. Em "A casa das belas adormecidas", o autor também insere um personagem de idade avançada em uma casa (bordel?) onde jovens moças, sob o efeito de entorpecentes, são observadas por homens como ele. Estranho né?

Eu concluí que alguns sentimentos inseridos nas histórias são inerentes ao autor. Sua vida foi cheia de perdas. A história de Kawabata começa com seu pai morrendo de tuberculose quando ele tinha dois anos. Logo depois perdeu sua mãe e sua irmã. Ainda jovem, perdeu o avô que o adotou. Dá para sentir nas suas obras que ele procura por figuras maternas, por amores impossíveis, por uma juventude feliz. 

E através dessa análise, continuo gostando das obras do autor. Não podemos esquecer também da cultura japonesa, tão distante de nós ocidentais, que por si só nos causam estranheza. E na minha opinião, apesar da tristeza embutida nas histórias e de alguns hábitos grotescos, Kawabata mescla sensibilidade e poesia na sua maneira de escrever. "O som da montanha" nos faz lembrar os famosos haicais japoneses, dadas às constantes mudanças de estações inseridas na obra e metáforas com a natureza na descrição dos sentimentos.

Posso estranhar e não concordar com a maneira como a mulher foi colocada nos dois livros que li de Kawabata, mas não posso deixar de afirmar que ele tem um estilo único, que consegue inserir com maestria nos períodos vividos pela história do Japão e que não tem medo de juntar em suas obras o belo e o feio, construindo uma narrativa melancólica, porém poética.

Boa leitura!

28 de março de 2019

EU LI: A raposa já era o caçador (Herta Müller)

Oi gente!

Decidi publicar minhas impressões do livro de março do #projetonobeldeliteratura aqui no blog, acreditando que minha dificuldade com esse livro não influencie vocês de forma negativa. Isso porque a Herta é uma escritora sensacional e o livro é muito bom, portanto, minha dificuldade tem a ver com meus gostos literários e com minha inexperiência com o estilo da autora. Sabem aquela história de quem nem todo mundo consegue ler Guimarães Rosa? Pois é, eu amo Guimarães Rosa, mas com a Herta não me entendi muito bem. Dado meu ritmo particular de leitura, achei que demorei muito para concluir as 240 páginas. Mas em um contexto geral, gostei do livro. 



Herta Müller é romena e ganhou o Nobel de Literatura em 2009. Em "A raposa já era o caçador", a autora nos revela muito sobre a vida dos romenos no final dos anos 80, sob o regime totalitário de Nicolae Ceaucescu, implantador do estado comunista na Romênia entre 1965 e 1989.

São duas as personagens principais. Acompanhamos a vida da professora Adina e da operário Clara, ambas muito jovens e começando suas vidas. Moram juntas e, na narrativa, a autora relata suas rotinas, revelando as dificuldades daquela sociedade e o quanto sua segurança era vulnerável, a ponto de não confiarem nem nas pessoas mais próximas.

Adina possui um objeto que considera valioso, um tapete de pele de raposa que ganhou na infância. Esse objeto, aos poucos toma conta da história, através de acontecimentos na casa da personagem, que a faz sentir-se vigiada pelo regime. No final das contas, o tapete se torna uma metáfora do que acontece na própria vida de Adina e em sua amizade com Clara. Ao entender essa metáfora entendemos o título do livro.

A linguagem de Herta foi que me causou desconforto na leitura. Sua narrativa é fragmentada, o que me fazia perder o fia da meada em diversos momentos e precisar retornar alguns parágrafos na leitura. A autora narra a história criando uma cena completa em uma pequena frase, de modo que eu, acostumada com narrativas que correm rapidamente, precisava me concentrar muito para visualizar a cena apresentada. Mas ao conseguir, me deslumbrava, me emocionava, me revoltava, entre outras sensações difíceis de descrever.

Relatos de miséria, exploração e da influência do regime de Ceaucescu na vida daquelas pessoas, são lidos através de cenas indiretas, contados através de um formato que na minha opinião, só uma grande escritora é capaz de narrar. Um formato que exige atenção do leitor, mas que torna a leitura uma experiência incrível.

Pela temática, achei um livro perturbador, por entender nítida a crítica da autora ao totalitarismo e o quanto esse regime pode ser destrutivo, tanto para a individualidade quanto para a coletividade. O poder totalitário transforma as pessoas, destrói sonhos e coloca um ponto de interrogação no título deste livro: "A raposa já era o caçador?"

Boa leitura!

18 de fevereiro de 2019

EU LI: O Jogo do Destino (Nagib Mahfuz) | Portão Literário

Mais uma leitura do autor egípcio Nagib Mahfuz! No vídeo de hoje minhas impressões sobre "O Jogo do Destino", livro sorteado para a leitura do mês do projeto Nobel de Literatura e que também entrou para o projeto Egito.

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7 de fevereiro de 2019

Relato de um náufrago (Gabriel García Márquez) | Portão Literário

Quando um projeto começa sorteando uma obra de Gabriel García Márquez para eu ler, tem tudo para dar certo né? Conheci finalmente "Relato de um náufrago" e a história por trás da história do primeiro trabalho publicado pelo autor.
E desde que o mundo é mundo, sofrimentos são gerados pela ganância do ser (humano!?).

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27 de julho de 2016

Eu li #77 - O Conto da Ilha Desconhecida

Oi gente!

As férias acabaram e volto para colocar em dia o atraso das resenhas. Ainda não postei alguns livros lidos em junho, mas quem quiser saber sobre minhas leituras do mês. saiu ontem o vídeo lá no Portão, só clicar aqui. E hoje vou falar de uma delas, "O Conto da Ilha Desconhecida", de José Saramago. Não é novidade que a escrita de Saramago é muito peculiar, mas ao me deparar com esse volume caprichado, com aquarelas lindas (na capa e no miolo) de Arthur Luiz Piza, que conta a história de um homem que vai ao palácio do rei para pedir-lhe um barco, me apaixonei! Quero ler tudo desse autor!



"O Conto da Ilha Desconhecida" conta a história desse homem, que depois de informar querer um barco para procurar a ilha desconhecida, precisa vencer toda uma burocracia para convencer o rei, que questiona o motivo, já que para ele "não há ilhas desconhecidas", pois todas estão no mapa. E quando o rei pergunta: "Que ilha desconhecida é essa?", o homem responde: "Se eu te pudesse dizer, então não seria desconhecida". Sem mais argumentos (depois dessa resposta...rs) enfim o rei lhe dá o barco. Em paralelo, a mulher da limpeza do palácio e que tinha atendido a porta para o homem, resolve sair de lá e segui-lo, pois viu nele uma oportunidade para mudar seu futuro. E não vou contar mais, porque o conto é curto e a partir daí, muitas surpresas chegam. Sutilmente, Saramago nos releva questões sobre persistência, sonhos e várias questões humanas.

O que posso dizer é que a leitura flui facilmente e os personagens mostram questões de hierarquia e diferenças sociais. O sonho do homem em perseguir a ilha desconhecida revela sua inquietude com as coisas do cotidiano e acaba inspirando a mulher, que era ousada e corajosa. Quanto ao cenário do conto? Só posso dizer que a metáfora que Saramago usou foi sensacional! Eu me pergunto: como é possível com tão poucas palavras, Saramago escrever tanta complexidade? Por isso é Saramago, por isso é universalmente admirado, por isso ganhou o Nobel de Literatura. =)

A capa de outra edição publicado pela Editorial Caminho foi ilustrada Bartolomeu Cid dos Santos.
Eu recomendo muito essa leitura, principalmente porque são apenas 64 páginas. Difícil não se envolver com o personagem, que luta contra um mundo incapaz de aceitar o desconhecido como uma busca mágica. E principalmente, aceitar as pessoas que tem coragem para vivê-la.

Beijos!

14 de junho de 2016

Eu li #72 - O Livro da Selva

Oi gente!

Enfim! Enfim! Enfim! O vídeo do Mogli saiu! Hahaha! E minha animação não é para menos, porque eu me diverti muito, não só lendo esse clássico de Rudyard Kipling e fazendo o vídeo, como relembrando os gibis do Mogli que lia na década de 80, o desenho, o filme, até as contações de histórias para meus sobrinhos. Acha pouco? Então acompanhe também um depoimento do Richard Rasmussen, apresentador do programa Mundo Selvagem, contando para nós um pouquinho do seu amor pela natureza e pelos animais. Assista tudinho clicando aqui ou na foto abaixo.

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Beijos!

28 de abril de 2016

Eu li #62 - Paris é uma festa

Oi gente!

Hoje vou mostrar um livro, resultado de uma troca no Encontro Literário que organizei no meu aniversário. Não foi o título que me atraiu, mas o autor. Depois que li "O Velho e o Mar", de Hemingway, estou com uma lista de livros do autor para ler. Estou apaixonada por sua escrita direta e sem rodeios. E nesse livro, "Paris é uma festa", ele escreve sobre um período da sua vida em que morou em Paris, entre 1921 e 1926. Na verdade foi o resultado de uma mala encontrada por ele mesmo em um portão, muito tempo depois, em 1956, que continha anotações de várias passagens pelos anos em Paris. Então ele transcreveu as anotações e em 1964 (três anos após a sua morte), o livro, que é quase uma auto-biografia, surgiu nas prateleiras. Eu defini o livro como "Memórias de Hemingway em Paris", pois em alguns momentos pareceu-me um diário do autor.


Pouco antes de chegar em Paris, ele casa com a primeira esposa, Hadley Richardson. O motivo da mudança para lá é que ele se torna correspondente na Europa para o jornal canadense Toronto Star. Nesse período, eles viviam com o pouco dinheiro que essa função rendia, mas isso não os impediu de aproveitar bons momentos. "Paris é uma festa" descrevem vários locais em seus capítulos, mas foca nos cafés e restaurantes, porque eram os pontos de encontro dos escritores e pessoas ligadas à Literatura. E ele, como assíduo frequentador, acaba se relacionando com várias personalidades, que hoje também são conhecidos mundialmente, como F. Scott Fitzgerald, James Joyce e Ezra Pound.


Ele enfatiza muito a relação com F. Scott Fitzgerald (para quem não sabe o autor de "O Grande Gatsby"), que percebi ter sido o seu colega mais próximo, chegando a confidente. Hemingway conta detalhes da vida do amigo, como o fato da esposa de Scott ter muito ciúme do seu trabalho e atrapalhar muito sua rotina de escritor, o levando a beber e desconcentrar-se de seus objetivos. São recorrentes em "Paris é uma festa", as reflexões e opiniões de Hemingway sobre essas grandes personalidades que com ele conviveram. Isso me prendeu no livro, foi muito legal me sentir próxima a ele, pois na época ele estava em formação, não era conhecido e ainda estava trilhando o caminho.


"Paris é uma festa" é um livro especial a nós escritores. Ler memórias dessa rotina de um autor tão renomado, comprovando que sua trajetória não foi um mar de rosas e que no final das contas, ele era uma pessoa como nós, com medos, conflitos e paixões, é muito legal! Em alguns trechos ele inclusive narra sobre seu o processo criativo. Além disso, cita locais, obras e autores que com certeza agregam muito a quem escreve. Acabei descobrindo a escritora inglesa Marie Lowndes, que não conhecia e que produziu vários romances desde 1904 até sua morte. Hemingway a lia e agora também quero ler! Se alguém já leu algo dela, comenta e me indica!

Beijos!

26 de abril de 2016

Eu li #61 - VOSS #portaoliterario

Oi gente!

Enfim, enfim, enfim! Saiu a resenha de VOSS! Explico: Esse livro me causou... demais! E não poderia deixar passar em branco uma leitura tão amadurecida, escrita por um ganhador do Nobel que praticamente ficou esquecido no mundo literário. Falo de Patrick White e uma de suas obras, VOSS. Já havia mencionado ele aqui nessa Segundica, e hoje a resenha está em vídeo lá no Portão!

VOSS é um romance épico, publicado em 1957 e baseado na vida de Ludwig Leichhardt, um explorador e naturalista prussiano do século XIX, que foi um dos maiores responsáveis pelo mapeamento do continente australiano. O romance foca em dois personagens, Voss e Laura e as cartas trocadas entre eles. Uma narrativa densa, parruda e instigadora. Assista clicando aqui!

Clique aqui para assistir!
Beijos!

4 de março de 2016

Eu li #51 - O Pássaro Azul

Oi gente!

Hoje trago a resenha de um livro que li em fevereiro. E aff! Nem sei por onde começar. Acho que preciso começar dizendo que a literatura é mesmo surpreendente. Move nossa vida! Vejam vocês que eu leio muito, desde criança. A vida toda fui uma leitora compulsiva e ainda assim, todos os dias descubro uma novidade e aprendo algo que não sabia. E é essa sede de aprender que me faz querer ler mais! Foi o que aconteceu com essa história, que eu nem sabia que era livro. =)

Para vocês entenderem melhor, existe um filme que eu assistia quando criança (vocês crianças dos anos 80 talvez lembrem) chamado "O Pássaro Azul". O filme é de 1940, ou seja, ele já era um filme antigo quando eu era pequena (pense! hahaha), e passava direto na Sessão da Tarde da Globo no final dos anos 70 e início dos anos 80. É uma das raras memórias que tenho entre meus cinco e sete anos. Sim! Considero esse um dos filmes da minha vida. Inclusive ouso dizer que ele implantou em mim algumas de minhas crenças e reforçou alguns valores que aprendi dos meus pais. Aqui está ele!


E não é que para atender ao meu projeto de ler autores laureados com o Prêmio Nobel de Literatura, eu descobri que "O Pássaro Azul" é uma peça do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, escrita originalmente em francês, em 1908? A peça estreou nesse mesmo ano no Constantin Stanislavski's Moscow Art Theatre, e em 1911 em Paris, no Théatre Réjane. A primeira publicação em livro é datada de 1909 e o autor recebeu o Nobel em 1911. Depois disso, em 1919, foi transformada em ópera e sua primeira versão cinematográfica data de 1910, ainda no cinema mudo. Recebeu outras versões para o cinema em 1918, 1940 (a que eu assistia quando criança), 1970 e 1976. E para completar, em 1980 tornou-se série de animação japonesa para a televisão, com 26 capítulos. É muita coisa para um livro só e no meu caso, um dos filmes da minha vida. Precisava ler!


Aí começou a saga em procurar um exemplar do livro. Loja nem pensar né? Infelizmente tenho percebido que grandes autores da história da literatura parecem ser esquecidos. Acabei encontrando alguns exemplares na Estante Virtual (fica a dica!) e por sorte um deles estava em um sebo aqui em Curitiba. Acionei o marido em seu dia de folga e lá foi ele buscar para mim. Edição rara, uma série publicada para Prêmios Nobel, encadernada em capa dura e ilustrada. R$ 20,00.


Difícil descrever a emoção que senti ao abrir o livro. Primeiro, aquela sensação de sempre ao folhear um livro raro, uma euforia que não dá para descrever. Depois, toda aquela recordação da infância, do filme, das mensagens, das cenas que por mais "toscas" que pareçam hoje devido as tecnologias atuais, eram na época algo mágico, para uma criança de 5 anos. E já nas primeiras páginas uma surpresa, o livro foi traduzido aqui no Brasil por Carlos Drummond de Andrade, para a Editora Opera Mundi, do Rio de Janeiro, em 1971.


Então vamos à história? Se passa em uma pequena vila alemã durante as guerras napoleônicas. Uma dupla de irmãos recebe a visita da fada Berylune e partem em uma aventura para encontrar o pássaro azul, que segundo ela seria a felicidade. Acompanhados de seu leal cão Tylo e da ardilosa gata Tylette, transformados em humanos, passam pela terra da memória, da fartura, do futuro e outras, enfrentando em cada passo do caminho desafios que tentam tirá-los de sua meta. O autor se utiliza de muitas (muitas mesmo!) metáforas para escrever a peça.


Eu particularmente acho que existem muitas verdades espirituais contidas na história. Mas essa é minha opinião pessoal, visto que como comentei, o próprio filme embutiu em mim algumas crenças. Para mim a história é belíssima, tanto no livro quanto no filme. Destaco isso porque o filme não é tão fiel ao livro. Já começa com os papéis trocados, no livro o menino (Tytyl) é o irmão mais velho e no filme é a menina (Mytyl). Seja como for, existe uma aura de orgulho e ingratidão que os envolve no início, e que depois da sua viagem irá se transformar.


Embora a linguagem seja de época, o formato de peça faz com que a leitura seja muito rápida. Também não posso deixar tantos detalhes da história, pois se alguém se interessar a ler, estarei revelando coisas demais. Um detalhe curioso, além da Luz tomar forma humana como no filme, no livro há outros itens que se transformam para viajar com Mytyl e Tytyl. O Pão, a Agua, o Açucar são alguns deles. Cada um com suas características, deixam suas mensagens para o leitor. Mas não se engane, se você souber interpretar as metáforas, verá que a história não é nem um pouco infantil.
Descobri que Charles Bukowski, escritor e poeta alemão que chocou e encantou o público com seu estilo irreverente, foi influenciado por grandes autores, como Dostoiévsky e Hemingway. E ele tem um poema mundialmente conhecido e que inspira inclusive tatuagens nos fãs (gostei da ideia!). O poema se chama "O Pássaro Azul". Embora o poema de Bukoswsky possua uma escrita obscena, para quem conhece a história de Marterlinck como eu, não tem como não achar que se ele não leu o livro, com certeza assistiu a uma das versões no cinema. Ainda não li nada de Bukowsky (exceto esse poema) mas tem um artigo sobre ele aqui. Eu também encontrei uma versão da peça de Maeterlinck em pdf, porém em francês, está aqui.

Versão cinematográfica de 1976, dirigida por George Cukor e estrelado por Jane Fonda.
Para quem ficou curioso e não tem paciência para ler esse formato de peça ou ver fimes antigos (com efeitos "toscos"...rs), tem essa versão de 1976, que também é antiga (hahaha!), mas parece melhor. Eu ainda não vi e não saberia dizer se é fiel ao livro ou não. Seja como for, com variantes ou não, a essência da peça não muda. Porém, na minha opinião, ela muda sim é nosso modo de pensar e interpretar a vida! Gostaria tanto de trocar figurinhas sobre esse livro/filme. Será que só eu assistia repetidamente esse filme quando criança? Hahaha! Me contem!

Beijos!

17 de fevereiro de 2016

Eu li #47 - O Velho e o Mar

Oi gente!

Seguindo firme na proposta de conhecer escritores que ganharam o Nobel de Literatura, há algum tempo queria ler Heminway, até que no mês passado a amiga Lu Yaros deixou lá em casa uma caixa de livros para doação. E no meio deles, uma edição de "O Velho e o Mar"! É uma edição antiga, da Editora Civilização Brasileira, com uma apresentação do editor Ênio Silveira, que já de cara o classifica como uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Já adianto. Não é para menos.



Claro que lá fui eu intercalá-lo entre minhas leituras. Devorei o livro em duas horas, em uma de minhas leituras noturnas. E não acredito que alguém largue esse livro depois de ler as primeiras páginas gente. A leitura flui muito rapidamente. Na minha edição, foram aproximadamente 120 páginas, com letras grandes e ilustrações, de um romance curto e sem muitas tramas. Mas a escrita de Heminway prende a gente de um jeito que só experimentando para saber. Suas palavras tem o dom de despertar sentimentos profundos em nós.

"O Velho e o Mar" foi indicado para o Nobel de Literatura no ano de 1954 e é uma das obras mais famosas de Ernest Heminway. Foi publicado em 1952 e até hoje as opiniões sobre ele se dividem. Foi a última obra de ficção de Heminway publicada em vida e permanece como referência aos seus livros.

Ilustração de "O Velho e o Mar"

O livro conta a história de um velho pescador, o Santiago. Ele se encontra em uma "maré de azar", como as pessoas de seu vilarejo denominam. Há 84 dias sem pescar absolutamente nada. E de todas as pessoas, apenas um único amigo o incentiva a não desistir. Manolim, um garoto que era seu aprendiz, mas cujos pais o probiram de o acompanhar ao mar, é quem fica ao seu lado, o ajudando na humilde rotina de pescador, solitária, sem ter o que comer e dormindo em jornais.



No 85º. dia, Santiago vai ao mar novamente em busca de uma esperança. E encontra nada mais do que um espadarte gigante, tão grande que ele mesmo nunca tinha visto. Aí começa a saga do velho no mar, sua batalha contra o peixe, que é forte o bastante para levá-lo ao alto mar por vários dias. Será que o velho resistirá? Nessa hora percebemos que a batalha não será só contra o peixe. Por trás da luta entre o homem e a natureza, também existe uma batalha contra si mesmo.



A história é narrada em terceira pessoa e gira em torno dessa situação. A escrita da obra é bem direta. E ao mesmo tempo, mostra muita expressão. A escrita é dura, mas a mensagem é perfeita. O livro não trata só da história de um pescador, abrange metáforas referentes ao orgulho, esperança, perseverança. Quando o velho Santiago se agarra àquele peixe, fica claro que a batalha só terminará com a morte de um dos dois. E nesse meio tempo, quanta história em tão pouca escrita! Eu viajei com Heminway e me senti lá, em alto mar, junto com Santiago, sofrendo e me alegrando com ele. 




A obra já tem duas versões cinematográficas, uma de 1958 e outra de 2000, que ganhou o Oscar. Não conheço nenhuma, mas estou curiosa. Ainda assim, recomendo o livro antes, é uma leitura única na vida. Heminway é brilhante! O livro me empolgou demais. Na minha opinião, "O Velho e o Mar' é uma leitura obrigatória. Não tem grandes reviravoltas na trama, mas é tocante no que se refere a mensagens de auto-conhecimento, desafios, superação, entre outros.


Versão para o cinema de John Sturges, 1958, com a interpretação de Spencer Tracy.

"O Velho e o Mar"trata de muitos temas universais que geram reflexão, então acredito que a excelência dessa obra de Heminway é justamente deixar um tom pessoal para cada leitor. Acho que cada um que ler o livro, absorverá de uma forma mais intensa um pedacinho da história. Não se trata apenas da história do pescador, mas do que se absorve dela.

Sendo assim, o exemplar agora volta para a caixa de doações para outro leitor felizardo. =)

Beijos!

25 de janeiro de 2016

Segundica Literária #1 - Escritores premiados com o Nobel de Literatura

Oi gente!

Conforme anunciado, hoje estreia a Segundica Literária! Uma extensão da tão visitada Segundica, criada em 2011, onde eu mostrava dicas de artes e reaproveitamento de material, sempre na segunda-feira, para começar a semana com muitas ideias. Como agora o foco do blog é outro, mas a Segundica continua tão amada e solicitada (rs), foi transformada em dicas literárias. E ideia aqui é o que não falta. Acompanhem porque não serão só de livros, mas de vários assuntos ligados à literatura.

E a dica de hoje é: obras de escritores premiados com o Nobel de Literatura!

Como surgiu a ideia? No final do ano passado, quando adquiri o Livro de marcar livros, me deparei com uma sessão do livro que indicava todos os ganhadores do Nobel de Literatura, ano a ano (exceto em casos extraordinários em que prêmio não aconteceu, períodos de guerras mundiais por exemplo). Automaticamente o tema se tornou uma de minhas metas de leitura de 2016, conhecer obras de autores laureados. E o primeiro que adquiri foi esse: VOSS, de Patrick White. 


E quem foi Patrick Victor Martindale White, além do ganhador do Nobel de Literatura de 1973? Como se isso fosse pouco né? (rs). White, nascido em 28 de maio de 1912, é descrito por muitos como um dos maiores romancistas da língua inglesa do século XX. De 1935 até sua morte, em 1990, publicou doze romances, duas coletâneas de contos e oito peças de teatro. Um ponto que me chamou a atenção e me fez escolher pontualmente esse livro, para compor minha lista, foi que obtive informações de que Patrick White foi um dos precurssores da técnica literária "fluxo de consciência". Como foi um dos temas que aprendi na faculdade no ano passado, fiquei curiosa. E sua obra "Voss" parece ser um exemplo claro disso, visto que tudo indica que a narrativa é altamente psicológica.

Patrick White via Wikipedia
E aí entramos um pouco no contexto do livro. Um romance épico, publicado em 1957 e baseado na vida de Ludwig Leichhardt, um explorador e naturalista prussiano do século XIX, que é reconhecido como um dos maiores responsáveis pelo mapeamento do continente australiano. Sua trajetória é um mistério, pois ele desapareceu no interior do deserto na sua terceira expedição. O romance é focado em dois personagens, o alemão Voss e Laura Trevalyan, uma mulher orfã e recém chegada à Austrália. O tio dela é o patrocinador das expedições de Voss, que parte então, em 1845, para cruzar o continente australiano. Porém, Voss e Laura mantém uma ligação que é intercalada na narrativa em paralelo às descobertas do explorador.

Imagem de Ludwig Leichhardt com um de seus mapas.

Tá parecendo que já li o livro né? Mas não! Ainda vai ter resenha! Essas informações eu consegui pesquisando, e agora sim, estou pronta para iniciar a viagem, que inclusive consegui encaixar no projeto de leitura "Tem que ler mesmo?", do blog Ipsis Litteris, da Nice Sestari. Que tal uma olhada nos detalhes do projeto aquiquem sabe não se animam em participar? O meu exemplar de "Voss" é usado. Uma edição de 1985, da Editora Nova Fronteira, que só encontrei na Estante VirtualTem vários lá e os preços variam de R$8,00 a R$47,00. 

E se quiserem seguir a dica mas não gostaram desse livro, só pesquisar ganhadores do Nobel de Literatura, vocês encontram os autores e suas obras. Só escolher! A ideia é não deixar autores e obras tão importantes caírem no esquecimento. =)

Então é isso minha gente! Espero que tenham gostado da primeira Segundica Literária! Apareçam!

Beijos!