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6 de março de 2026

Personalidades #15 - Charles Dickens

Oi gente!

Vocês agora me perguntarão, porque, anos depois eu volto com a série Personalidades. Pois respondo que "não sei". Deu vontade. E estou naquela fase de transição para a menopausa que faço o dá vontade e ninguém me manda...rs. Por isso tô botando em dia alguns conteúdos que há tempos estou em dívida de deixar por aqui, até porque uso esse espaço para me organizar também e guardar tudo que acho importante relacionado à viagens, escritos e principalmente, literatura.

E um dos temas que preciso deixar aqui é uma das personalidades mais caricatas e debatidas da história da literatura inglesa: Charles Dickens. Autor que gosto demais e do qual já li quase toda a obra.


Minha narrativa sobre a vida de Charles Dickens

Entre os grandes nomes da literatura inglesa do século XIX, poucos tiveram uma trajetória tão intensa quanto a de Dickens. Embora tenha se tornado mundialmente conhecido como romancista e jornalista, sua primeira paixão era outra: o teatro. Desde muito jovem dizia sentir-se, antes de tudo, um ator. Para ele, a arte de representar não era simples entretenimento, mas uma espécie de refúgio, ou um espaço onde a imaginação podia transformar a realidade.

Essa ligação profunda com o palco atravessou toda a sua obra. Em seus romances, os personagens frequentemente surgem com traços exagerados, quase caricaturais, como figuras de uma peça teatral. A forma como falam, gesticulam e se expressam revela o olhar de alguém acostumado a observar o comportamento humano como um ator observa sua plateia.

Mas Dickens não permaneceu apenas como espectador do teatro. Ele também participou ativamente da cena cultural de sua época, escrevendo peças, dirigindo montagens e atuando. Em muitas ocasiões percorreu cidades com companhias teatrais e, mais tarde, com algo que se tornaria sua marca: as leituras públicas de seus próprios textos. Nessas apresentações, interpretava cada personagem com vozes e sotaques diferentes, transformando a leitura em verdadeiro espetáculo.

A aquarela "O Sonho de Dickens" pintada em 1875 por Robert William Buss

O sucesso dessas apresentações foi tão grande que o levou até os Estados Unidos. As páginas de obras como Oliver Twist trazem inclusive indicações de entonação e emoção, quase como se fossem roteiros de palco. Para as leituras, Dickens costumava revisar seus próprios textos, selecionando os trechos mais dramáticos ou mais engraçados.

A dedicação era tamanha que, em casa, frequentemente ensaiava em voz alta diante do espelho. Sua filha Kate contava que, por vezes, pensava que o pai discutia com alguém em outro cômodo quando, na verdade, ele estava apenas experimentando vozes e expressões para seus personagens. 

Na Inglaterra vitoriana, Dickens tornou-se uma figura de enorme destaque. Ele conviveu com nomes importantes da política, da literatura e do teatro, além de ter encontrado a própria rainha Queen Victoria. Entre seus admiradores estavam escritores como Fyodor Dostoevsky e Leo Tolstoy, que chegou a afirmar que os personagens de Dickens pareciam “amigos pessoais”.

Seu círculo de convivência incluía autores e intelectuais notáveis, entre eles Alfred Lord Tennyson, Robert Browning, Elizabeth Gaskell, Wilkie Collins e George Eliot. Durante um período, também recebeu em sua casa o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

Apesar da fama e do convívio com personalidades influentes, Dickens nunca perdeu o interesse pelos problemas sociais. Pelo contrário: quanto mais visibilidade conquistava, mais se dedicava a causas relacionadas aos mais vulneráveis. Defendia melhorias nas condições de vida de órfãos, crianças abandonadas e mulheres em situação de vulnerabilidade, chegando inclusive a apoiar a criação de instituições voltadas à recuperação de prostitutas.

Houve quem sugerisse que ele entrasse para a política. Dickens, porém, acreditava que sua maior força estava na literatura. Por meio da ficção, poderia alcançar um público maior e provocar reflexões profundas sobre a sociedade.

Local de nascimento de Charles Dickens, no n.º 393, Commercial Road, Portsmouth

Sua infância moldou a carreira de escritor. Grande parte da sensibilidade social presente em seus livros tem origem em sua própria infância. Ainda menino, Dickens viu sua família enfrentar graves dificuldades financeiras. Quando o pai foi preso por dívidas, a situação se agravou de maneira dramática.

O jovem Charles teve de abandonar a escola em Kent e enfrentar uma realidade dura em Londres. Enquanto a mãe e os irmãos foram viver na prisão de devedores ao lado do pai, ele permaneceu do lado de fora, trabalhando em uma fábrica de graxa em condições precárias.

Essa experiência de pobreza e abandono deixou marcas profundas. Décadas depois, essas lembranças surgiriam transformadas em literatura. Personagens como os protagonistas de David Copperfield e Oliver Twist carregam ecos claros dessa fase difícil da vida do autor.

A situação familiar mudou quando uma herança inesperada permitiu que seu pai quitasse as dívidas e recuperasse a liberdade. A mãe desejava que o filho continuasse trabalhando na fábrica, mas Dickens implorou ao pai que o deixasse voltar à escola. A decisão de retomar os estudos foi decisiva para seu futuro.

Já jovem adulto, Dickens começou a trabalhar como jornalista. Nos primeiros textos utilizava o pseudônimo Boz, nome sob o qual publicou seu primeiro grande sucesso: The Pickwick Papers, lançado inicialmente em fascículos mensais.

A estratégia de publicação em partes era comum na época e ajudou a construir um público fiel. Depois desse sucesso inicial vieram muitos outros romances, também publicados em série, entre eles Nicholas Nickleby, Bleak House, A Tale of Two Cities e Great Expectations. Outra obra marcante foi A Christmas Carol, escrita com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a pobreza e estimular a caridade durante o período natalino.

O sucesso literário trouxe reconhecimento e prosperidade financeira. Mas apesar da fama e da estabilidade financeira, a vida pessoal de Dickens foi marcada por tensões. Após mais de vinte anos de casamento e dez filhos, separou-se da esposa, Catherine Dickens, decisão que gerou críticas e polêmica na sociedade da época. Nesse período também manteve um relacionamento secreto com a jovem atriz Ellen Ternan, muito mais nova que ele. A relação permaneceu envolta em mistério por muitos anos e ainda hoje levanta especulações entre biógrafos.

Mesmo com problemas de saúde cada vez mais evidentes, incluindo dores constantes, pressão alta e dificuldades cardíacas, Dickens continuou realizando suas famosas leituras públicas. Para ele, subir ao palco era uma forma de conexão profunda com o público.

Durante os últimos anos de vida percorreu diversas regiões do Reino Unido e também a América. Muitos contemporâneos acreditam que o ritmo exaustivo dessas apresentações contribuiu para o agravamento de sua saúde. Em março de 1870 realizou sua última apresentação diante de uma plateia emocionada. Poucos meses depois, Dickens morreria aos 58 anos. 

A obra de Dickens continua sendo uma das mais influentes da literatura ocidental. Seus romances combinam humor, crítica social e emoção, retratando com força a realidade da Inglaterra do século XIX. Mais do que histórias envolventes, ele deixou um retrato vívido de seu tempo, povoado por crianças abandonadas, trabalhadores explorados, figuras excêntricas e personagens profundamente humanos.

Talvez o próprio Dickens fosse difícil de definir: escritor e ator, observador da sociedade e também protagonista de conflitos pessoais intensos. Como ele mesmo sugeriu em um de seus textos, cada ser humano é um mistério complexo e talvez seja exatamente isso que torna suas histórias tão duradouras.

Confira algumas adaptações importantes de obras de Charles Dickens para o cinema:

 

David Copperfield (Reino Unido/EUA, 1935), de George Cukor.

Grandes Esperanças (Reino Unido, 1946), de David Lean.

Oliver Twist (Reino Unido, 1948), de David Lean.

Conto de Natal (Reino Unido, 1951), de Brian Desmond Hurst.

Os Fantasmas Contra-Atacam (Estados Unidos, 1988), de Richard Donner. (baseado em Um Conto de Natal)

Tempos Difíceis (Reino Unido, 1988), de João Botelho.

A Pequena Dorrit (Reino Unido, 1988), de Christine Edzard.

Grandes Esperanças (Estdos Unidos, 1998), de Alfonso Cuarón.

Os Fantasmas de Scrooge (Estados Unidos, 2009), de Robert Zemeckis. (baseado em Um Conto de Natal).

13 de abril de 2024

EU LI: Os Manuscritos Perdidos (Charlotte Brontë)

Oi gente!

Tem um livro que fez parte das minhas leituras de 2021 mas acho que vale registrar aqui.


"Os Manuscritos Perdidos" contém quatro ensaios de pesquisadoras e especialistas nas obras das Bronte sobre a história de um livro da família que ficou escondido com colecionadores por mais de duzentos anos.

Tudo teve início em 1810, quando Maria Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens que naufragaram em um navio. O livro foi recuperado intacto e tornou-se precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu pai, Patrick. O ensaio que trata sobre como o livro inspirou Emily a escrever sua obra-prima "O Morro dos Ventos Uivantes" é sensacional.

Para quem gosta das vidas e obras das Bronte, é um livro riquíssimo de informações.

Boa leitura!

5 de janeiro de 2020

5 livros sobre mulheres escritos por mulheres | Portão Literário

Levanta a mão quem gosta de biografias romanceadas? o/
Mesmo que contenham muita informação ficcional? o/
Eu não ligo, adoro! Gosto de analisar como os escritores e escritoras imaginaram a vida do personagem na época em que viveram. Além de conter informações sobre o contexto histórico, estes cinco livros mostram as duras imposições sociais que mulheres corajosas enfrentaram ao longo da história.

Clique para assistir

20 de setembro de 2016

Eu li #84 - Rainha Vitória

Oi gente!

Hoje tem impressões de leitura mas lá no canal! Um vídeo que amei fazer, onde converso um pouquinho sobre a influência da Era Vitoriana nas obras literárias da época. E claro, das Irmãs Brontë, motivo pelo qual atrelei a leitura ao projeto. Vem conferir!

Clique para assistir o vídeo
Beijos!

9 de março de 2016

Personalidades #14 - Cora Coralina

Oi gente!

Ontem foi Dia da Mulher e quem representou a data por aqui foi nossa eterna Clarice Lispector. Mas decidi me estender porque a história da literatura brasileira tem várias mulheres guerreiras e talentosas. Por isso, hoje o blog homenageia a inesquecível Cora Coralina! Um dos maiores exemplos femininos da Literatura Brasileira! Uma mulher guerreira, que superou todas as adversidades da sua época para, aos 75 anos, publicar seu primeiro livro e iniciar sua carreira de escritora, imortalizando seus sentimentos na literatura.



Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nasceu em Goiás, em 20 de agosto de 1889. Não teve oportunidade de estudar, apenas concluiu o primário entre os anos de 1899 e 1901. Em 1908, aos dezenove anos, junto com duas amigas, criou um jornal de poemas femininos chamado "A Rosa". Em 1910 publicou seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", que falava sobre a rotina simples da vida no interior de Goiás. Esses registros desmistificam os comentários frequentes de que Cora Coralina ingressou tarde no mundo das letras. Pelo contrário, ela escrevia desde muito cedo, porém o reconhecimento é que chegou quando já tinha setenta anos. Cora casou-se e mudou para São Paulo, onde morou por quarenta anos. Depois, com a morte do marido, passou por muitas dificuldades para criar seis filhos. Fez de tudo um pouco, vendeu desde livros até linguiça caseira e banha de porco que ela mesma fazia. Mas seu dom, além de escrever, era ser doceira.


A poeta e contista Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina) entre os frequentadores do Gabinete Literário Goiano
Foto: Museu Casa de Cora Coralina
Somente em 1956 ela retornou para Goiás e enquanto esteve na luta, sempre escreveu. Contos, poemas, poesias e até literatura infantil, além de colaborações para jornais. "Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais" foi seu primeiro livro publicado, aos 75 anos, Editora José Olympio em 1965. O livro foi enviado por ela para vários escritores, inclusive Carlos Drummond de Andrade, que a ajudou na projeção nacional, pois se encantou com a mulher idosa que escrevia versos tão bonitos e sem técnicas da escrita. Suas obras receberam influências no nosso folclore e de grandes escritores como Camões, Gregório de Matos e Olavo Bilac.


Crônica escrita por Drummond - "Cora Coralina, de Goiás - Jornal do Brasil.

Cora Coralina tinha um estilo único e seu. Vivia alheia a modismos e nunca se filiou a correntes literárias. Mas foi uma grande contadora de histórias e poetizou lindamente em suas obras causos do cotidiano e as inquetações da vida humana.

“Nós temos dentro de nós um porãozinho. Ele abre e fecha automaticamente. E as coisas caíram dentro do meu porão. E o porão se fechou. E ficou fechado durante quarenta e cinco anos. O tempo todo que eu estive fora da minha cidade. E eu senti a necessidade de abrir esse porão voltando. Lá não. Tinha que voltar para abrir o porão. Aqui é que o meu porão tinha que ser aberto soltando as coisas de dentro. Soltando o passado de dentro.” - Cora Coralina

Algumas das obras de Cora Coralina.

A Casa Velha da Ponte, onde viveu Cora Corallina na Cidade de Goiás - via Wikipedia

Cora recebeu vários prêmios e homenagens em vida, entre os anos de 1962 e 1985. E mesmo após sua morte, em 10 de abril de 1985, ela continou recebendo. Nesse mesmo ano foi criada a Casa Cora Coralina em Goiás e a Biblioteca Infanto-Juvenil de Guaianases também recebeu seu nome. A Velha Casa da Ponte também foi transformada no Museu de Cora Coralina, que guarda diversos de seus escritos, objetos pessoais e cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade, que tornou-se seu amigo pessoal.

Um dos cadernos da poetiza Cora Corallina - via cultura estadão
Cora Coralina não somente escreveu sobre o seu tempo, mas também para as gerações futuras. Suas palavras merecem nossa gratidão, nosso interesse e leitura, pois além de deixar seu legado para a literatura nacional, foi um grande exemplo de mulher e está eternizada em cada poesia que traduz simplicidade para o mundo literário.

Beijos!

11 de fevereiro de 2016

Personalidades #13 - Mort Walker

Oi gente!

No feriado fiz várias leituras. Uma delas foi leve e engraçada, porque resolvi matar a saudade de um dos meus personagens favoritos dos quadrinhos de infância. O Recruta Zero! Sério gente, além da Luluzinha (já mencionada nessa postagem aqui), eu amava ler os gibis do Zero, dava muitas gargalhadas, principalmente com a pegação de pé do Sargento Tainha para com o coitado. E dias atrás, comprei uma edição especial das tirinhas e comprovei, décadas depois, que continuo rindo alto quando leio o Recruta. E por isso resolvi registrar o seu criador, Mort Walker, aqui na série Personalidades, afinal de contas é mais que merecido!


Foi em El Dorado, no Kansas, que nasceu Addison Morton Walker, em 1923. Filho de um arquiteto (metido a poeta e música nas horas vagas) e de uma ilustradora de jornais (opa!). Assim, em datas especiais, era normal seu pai escrever um poema e sua mãe ilustrar e publicar no jornal. Com 11 anos, Walker vendeu seu primeiro cartum. Eram tempos de crise e toda a família precisava trabalhar e ajudar no que aparecesse. E ele era dedicado, se destacava na escola e muito rapidamente estava empregado nas lojas Hallmark, onde logo depois conquistou uma vaga no departamento de artes e revolucionou o designer de cartões de aniversários, casamentos e batizados, introduzindo o cartum nas mensagens. Terminando o ensino médio, decidiu ir para a Universidade, mas em 1943, aos vinte anos, tornou-se recruta do exército norte-americano. Ainda não sabia o quanto essa experiência agregaria em seu trabalho.


Após o fim da guerra, Walker voltou para a Universidade de Missouri e terminou o curso de jornalismo. Em 1948, foi para Nova Iorque e continuou persistindo no sonho de ser um cartunista profissional. Teve seus trabalhos rejeitados por diversas vezes, até que em 1950 ele criou um personagem chamado Beetle Bailey, estudando universitário e muito preguiçoso. Foi aceito pela Editora King Features, mas não rendeu muito sucesso e foi descartado por falta de popularidade.

via GrapHiQ
Mort Walker tem experiências de sobra para afirmar que o caminho do sucesso pode vir de uma sucessão de erros. Depois do fracasso de Beetle Bailey, ele produziu uma reviravolta no personagem, quando decidiu alistá-lo no Exército Americano! Em poucas semanas, centenas de diários em todo país continham a nova versão do personagem preguiçoso, que tentava adaptar-se e sobreviver a uma rotina rígida, com outros personagens a sua volta totalmente distintos em aparência e comportamento. 

Fotografia de Mort Walker, em 1973.
Claro que em várias ocasiões as tirinhas foram banidas da revista oficial do Exército norte-americano, com argumentos que o personagem ridicularizava e servia de mau exemplo aos soldados. Mas no final das contas, pelo ponto de vista que Beetle Bailey conseguiu se encaixar a seu modo na rigidez do exército, mesmo sendo seu lema "não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã", foi visto como um vitorioso e com isso conquistou os leitores. Até porque naquela época, muitos deles ou serviram o exército, ou conheciam alguém lá. Passados os primeiros "choques", as forças armadas acabaram por aceitar o trabalho de Walker, convidando-o a recepções e até concedendo-lhe medalhas por serviços prestados ao humor no país.

Personagens do "Recruta Zero"

No Brasil, o "Recruta Zero" é editado em vários jornais e sua revistinha foi publicada durante as décadas de 60, 70 e 80 pela Rio Gráfica Editora, atual Editora Globo. Entre 1970 e 1973 também foi publicado como "Zé, o Soldado Raso", pela Editora Saber. Também foi exibido o desenho animado, primeiro pelo SBT nos anos 80, depois pela TV Record em 2004. Desde sua criação, alguns personagens não deram certo, mas foram poucos. Muitos deles, tornaram-se "velhos conhecidos" dos fãs das tirinhas. Sargento Tainha, Oto (seu cachorro), Platão, Dentinho, Cosme, Roque, Quindim, Cuca (o cozinheiro!), Tenente Escovinha, Martha, Srta. Tetê, Capelão, entre outros que aparecem raramente, como Bunny, a namorada do Zero.



Espero que tenham gostado de conhecer um pouquinho da história do Recruta Zero e seu criador, Mort Walker, que tem delegado a um de seus filhos (Gregory), a autoria de várias tirinhas. Para mais informações, segue a página oficial de Mort Walker, só clicar aqui.

Beijos!

27 de janeiro de 2016

Personalidades #12 - Charles M. Schulz

Oi gente!

Depois da Segundica Literária relembrando o Nobel de Literatura de 1973, eu resolvi entrar na onda das atualidades e embarcar na curtição dos Peanuts! O Snoopy fez sim parte da minha adolescência nos anos 80, mas não lembro de ter me aprofundado na época e lido as tirinhas. Gostava do personagem e só. Pois é. Olha o que perdi! Tenho lido as tirinhas dos "Peanuts", estou doida para ver o filme e agora pesquisei um pouco sobre o criador dessa turminha. Vamos relembrar?

Charles M. Schulz, cartonista e criador de “Peanuts”.
Resumindo a cronologia da sua vida, Charles Monroe Schulz nasceu em Mineápolis, em 26 de novembro de 1922. Filho de Dena Schulz (dona de casa) e Carl Shulz (barbeiro), era um adolescente tímido e solitário. Tinha o costume de ler com seu pai, aos domingos, as tiras de jornais. Foi quando seu pai notou sua habilidade para desenhar e o inscreveu em vários concursos. Depois da morte de sua mãe alistou-se no Exército dos EUA e em 1945 foi enviado para a Europa para defender seu país na Segunda Guerra Mundial, como líder da esquadra da infantaria. Quando deixou o Exército, trabalhou como professor de arte e assumiu que o queria mesmo era ser cartunista. Aliás, ele afirmava em entrevistas que já "nasceu cartunista". 

Um parênteses aqui porque me identifiquei. Acredita-se que a sua experiência no exército, onde praticou a liderança e tomada de decisões, foi fundamental no seu sucesso com os Peanuts. Sempre digo aos que perguntam sobre minha trajetória como escritora que, embora eu tenha iniciado na maturidade, o que aprendi na minha profissão e carreira profissional como administradora, tem feito toda a diferença no planejamento da minha carreira nas Letras. Porque o parênteses? Uma motivação para os novos talentos que me pedem aconselhamento: Nunca é tarde! =)

Carlos Shulz via globo.com
Voltando ao foco, Harper Collinns, autor da biografia "Peanuts e Shulz: A biografia" revela em seu livro que muitas das tirinhas de Snoopy são na verdade, uma espécia de autobiografia de Shulz. E seus personagens, sempre inspirados nas pessoas com quem ele convivia. Por exemplo, a Lucy tem a mesma personalidade impaciente e mandona da primeira mulher de Shulz.


O próprio Snoopy foi inspirado no cachorro da raça beagle de Shulz. E sobre seu amor platônico pela "garotinha ruiva"? Parece que houve mesmo uma inatingível garota ruiva, chamada Donna Mae Johnson, pedida em casamento por Shulz em 1950, mas que o recusou. A Patty Pimentinha foi inspirada na prima de Shulz, Patricia Swanson, porque ela se comportava como um molequinho e era bem rebelde. E Charlie Brown representa a própria infância de Shulz, cujo pai falava alemão e era barbeiro. Sempre foi o menor da classe, sofria rejeição e sentia que nada dava certo para ele.


Personagens de Peanuts surgiram em 1950 pelas mãos de Charles M. Schulz

A turminha Peanuts originalmente começou em uma história em quadrinhos chamada Li'l Folks, publicada entre 1947 a 1950. Oficialmente como Peanuts, a primeira aparição foi em 2 de outubro de 1950. O sucesso de Charlie Brown, Sally, Lucy, Patty Pimentinha, Marcie, Schroeder, Linus, Chiqueirinho, Woodstock e Snoopy. foi garantido e Shulz ganhou uma estrela na calçada da fama de Hollywood em 28 de junho de 1996. 

Ele os desenhou por mais de cinquenta anos, até sua aposentadoria em virtude de um câncer, embora tenha falecido de infarto em 12 de fevereiro de 2000. Sua última tirinha, onde se despedia dos fãs e de seus personagens, foi publicada um dia depois da sua morte.

Última tira dos "Peanuts", publicada em 13 de fevereiro de 2000.
As primeiras animações dos personagens de Peanuts foram registradas na década de 60, quando a Ford Motor Company divulgou o carro compacto da Ford Falcon e os personagens apareceram em anúncios na televisão. Depois disso, "Charlie Brown Christmas", estreou em 1965 e por aproximadamente trinta anos os desenhos animados do Snoopy foram vistos na televisão.

Anúncio de carro: “Falcon ’61,” ©Ford Motor Company, Peanuts Worldwide, LLC.

Em Santa Rosa, na Califórnia, fica o Museu de Charles M. Shulz. Essa e outras informações históricas você encontra no site do museu. Só clicar aqui.


E eu não poderia deixar de registrar aqui na postagem as minhas tirinhas preferidas. O Snoopy escritor, lógico! Me divirto com essas criações. Amo! 


Para quem ainda não viu o trailler do filme, entre no clima e assista! E para os leitores de plantão, depois do trailler a divulgação da coleção completa das tirinhas, publicada pela LePM Editores. Eu ainda não o filme e nem tenho a coleção completa de tirinhas, mas sei que vou adorar ambos!!





Beijos!

20 de outubro de 2015

Personalidades #11 - Edgar Allan Poe

Oi gente!

Eu queria atualizar a série Personalidades e, lendo uma história de terror para resenhar essa semana, pensei que não poderia ser mais providencial uma postagem sobre Edgar Allan Poe no mês de Halloween! Então aqui está. Vamos conhecer um pouco da biografia deste autor considerado um dos pioneiros da literatura policial e um dos grandes mestres da literatura de terror.

Edgar Allan Poe by David Gough
Edgar Allan Poe foi um poeta, contista, editor e crítico literário americano. Nasceu em Boston, no dia 19 de janeiro de 1809, filho dos atores David Poe e Elizabeth Arnold. Porém, sua vida foi marcada pelo sofrimento. Seu pai abandonou a família quando ele ainda era bebê, e logo depois perdeu sua mãe. Foi adotado por John Allan e Frances Kelling Allan, um casal de negociantes da Virgínia. Recebeu uma educação escolar de qualidade, depois da escola primária estudou na Inglaterra e por fim na Universidade da Virgínia (EUA), de onde foi expulso por seu comportamento boêmio.

Poe from Walter Camp's 1894 book, American Football.

Poe sempre demonstrou interesse em ser escritor, mas seu pai adotivo, um próspero homem de negócios, não gostava muito da ideia e não o motivava. Essa inconformidade do tio criou em Poe um grande sentimento de rejeição. Devido aos vários desentendimentos, resolveu dedicar-se à carreira militar, mas também não se adaptou as disciplinas e foi dispensado em alguns meses. 

Edgar Allan Poe (retrato mais conhecido do autor)

Ainda antes de sair do militarismo, sua carreira literária iniciou-se, com a publicação de alguns poemas, em 1827, coleção chamada de "Tamerlane and Other Poems". Após essa publicação ele passou alguns anos trabalhando em jornais e revistas, onde ficou conhecido por suas críticas literárias. Enfim assumiu a literatura e tornou-se editor de uma conceituada revista. Mudou para diversas cidades e em 1835, casou-se com sua prima Virginia Clemm, em Baltimore. Em 1839 publicou sua coleção "Tales of the Grothesque and Arabesque", traduzido para o português como "Histórias Extraordinárias", a obra que apesar de não ter sucesso financeiro, é considerado como um marco da literatura norte-americana.

Manuscrito dos poemas de Poe, datado de 1827.
Também durante este período, sua esposa Virginia começou a sofrer de tuberculose. Pouco depois, atormentado com a doença da mulher, Poe levou-se ao consumo excessivo de álcool e perdeu o emprego. Em 1845, já trabalhando em outro jornal como editor, publicou o popular poema "The Raven", traduzido para o português como "O Corvo". No ano seguinte, após a morte da esposa, Poe passou a beber mais e adoeceu também. Faleceu em 07 de outubro de 1849, aos 40 anos de idade.

Ilustração de Abigail Larson.

Sem dúvida, por suas obras, Poe é considerado o pai do gênero gótico. Quase todos as suas histórias lidam com morte e seus sinais físicos, efeitos de decomposição, pessoas enterradas vivas, assuntos geralmente sombrios. Porém, além do horror, ele também escreveu sátiras e contos de humor. Poe desenvolveu sua própria teoria literária, além de que seu talento como escritor e crítico literário, o fez ser um dos primeiros escritores americanos do século XIX mais conhecido na Europa do que nos EUA. Ele também influenciou o campo da criptografia, assunto que chamava sua atenção, levando ao interesse público com o conto "O Escaravelho de Ouro", publicada em 1862. William Friedman, um dos principais criptologistas da América, quando criança foi influenciado por Poe, ao ler esse conto.

Ilustração do artista Yan' Dargent baseada no conto "O Escaravelho de Ouro", publicada em 1862.

Poe é considerado um dos primeiros escritores americanos de contos, o inventor do gênero ficção policial e o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita. Não é pouca coisa né? Sim, ele teve uma vida difícil e atribulada. Mas suas obras influenciaram a literatura dos Estados Unidos e no mundo. Seus trabalhos aparecem na história da cultura popular, na literatura, na música e no cinema. Várias das casas em que ele viveu hoje se tornaram museus.

Edgar Allan Poe Mural Philadelphia

É muito difícil falar de autores consagrados mundialmente em uma só postagem, mas tentei escrever os principais tópicos da sua biografia. Se despertei o interesse de alguém, tenham certeza que há um vasto material sobre ele na internet. Ele inspirou e continua inspirando muitos outros autores, obras e adaptações. Se o seu gênero preferido é o terror, vale a pena conferir!

Beijos!

25 de agosto de 2015

Personalidades #10 - Hans Christian Andersen

Oi gente!!

Lembram do post sobre minha mega aquisição da obra completa de Hans Christian Andersen? Aqui nesse post. Então hoje vou falar sobre esse ícone imortal das histórias que nós, amantes dos contos de fadas, adoramos! Eu gosto tanto da história de Andersen, que a Dinamarca, sua terra natal, entrou para minha lista de países que gostaria de conhecer. 


Hans Christian Andersen by Karl Hartmann - via Archivo Iconografico/ Corbis

Hans Christian Andersen era dinamarquês e nasceu em uma família muito pobre. Filho de um sapateiro e uma lavadeira, e dormia com toda a família em um único quarto. Porém seu pai desenvolveu em Hans a criatividade e a força da imaginação. Motivou-o a aprender a ler, contava-lhe histórias e até fazia teatrinhos. Hans quando pequeno chegou a memorizar peças de Shakespeare e encenava com seus simples brinquedos.


Hans Christian Andersen jovem

Por motivos desconhecidos, mas desconfia-se que a família de Andersen tinha ligações com a realeza dinamarquesa, Frederico VI pagou parte da sua educação por puro interesse pessoal. Mas ele perdeu o pai com 11 anos e foi obrigado a deixar de estudar, para se sustentar. Foi aprendiz de tecelão e de alfaiate. Mas com quatorze anos mudou-se para Copenhague para se tornar ator. Era considerado poeta pelos colegas e logo mudou seu foco para a literatura. E acredita-se que foi graças a infância pobre que ele amadureceu seus conhecimentos sobre a sociedade e seus contrastes, motivos que influenciaram as histórias que escreveria.

Cena do filme Hans Christian Andersen, de 1952.
Mesmo atuando no teatro como ator e bailarino, Andersen escreveu algumas peças. E depois que sua meia-irmã, Karen Marie, enviou-lhe para uma escola em Slagelse, ele já havia publicado seu primeiro conto: O Fantasma da Tumba de Palnatoke, em 1822. Permaneceu em Slagelse até 1827, e um ano depois foi admitido na Universidade de Copenhague. Em 1829, publicou Um passeio desde o canal de Holmen até a ponta leste da ilha de Amager e em 1835 alcançou reconhecimento internacional com o romance O Improvisador.


Escultura de Hans Christian Andersen em castelo - Odense Dinamarca
O trabalho de Andersen transitou por variados gêneros literários como os romances, relatos de viagens, poesia, etc. Mas foram os seus contos (e boa parte contos de fadas) voltados para as crianças os responsáveis pela imortalidade da sua obra. Alguns estudiosos o consideram como a “primeira voz autenticamente romântica a contar histórias para as crianças”. Entre 1835 e 1842, Andersen lançou seis volumes de Contos e continuou escrevendo até 1872, chegando a uma marca de 156 histórias. Começou escrevendo contos de tradição popular e depois desenvolveu histórias que faziam referência ao mundo das fadas e elementos da natureza.


O Patinho Feio', escrito por Andersen, com ilustração de Vilhelm Pedersen

Andersen faleceu em 4 de agosto de 1875, em Copenhague. Devido a sua grande contribuição para a literatura infanto-juvenil, foi eleito o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil na data do seu nascimento, 2 de abril. Andersen também ganhou seu nome no mais importante prêmio internacional do gênero, o Prêmio Hans Christian Andersen.
Estátua de Andersen no Central Park - via centralpark.com
Seus contos são lidos até hoje e já foram traduzidos em inúmeras línguas. Dentre os mais famosos: "O patinho feio", "A caixinha de surpresas", "Os sapatinhos vermelhos", "O soldadinho de chumbo", "A pequena sereia", "A roupa nova do Rei", "A princesa e a ervilha", "A pequena vendedora de fósforos" e "A polegarzinha". 

E olha só, aposto que muita gente não sabe que "Frozen - Uma aventura congelante", foi inspirado e adaptado do conto de Andersen "A Rainha da Neve". Eu soube há pouco.


Ilustração de Carol Kieffer Police para a Disney na primeira tentativa de filmagem, em 2002/2003.
Nem preciso falar que sou mega fã né? Me inspiro muito nos contos de Andersen para escrever minhas histórias infantis e sou apaixonada pela mágica que ele possuía em contá-las de maneira tão envolvente e criativa.

Beijos!

11 de agosto de 2015

Personalidades #9 - Jane Austen

Oi gente!

Depois de mostrar o início do mini-álbum do post anterior, era para eu começar a publicar as resenhas das obras de Jane Austen, mas então reparei que ainda não falei sobre ela aqui no blog. Sem chances né? Embora ela seja velha conhecida de muitos leitores, principalmente das mulheres que não abrem mão de uma boa história romântica, eu não me permito falar das obras sem antes falar dessa escritora que me inspira muito.

Jane Austen (1775 - 1817)
Jane Austen é um dos maiores nomes da literatura inglesa, assim como Shakespeare. Ao longo dos seus 41 anos de vida, ela escreveu seis romances, que hoje são conhecidos e algumas vezes, repetidamente "saboreados" por leitores do mundo inteiro (me incluo! rs). Também escreveu dois livros menores e dois romances inacabados. Com as metas de leitura do grupo "Heroínas de Jane Austen" que estou participando, resenharei todos eles aqui, além de outros autores cujas obras são inspiradas nela.

Foi em uma zona rural na Inglaterra que Jane Austen cresceu. Nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Severton, Hampshire, na casa da paróquia, pois seu pai era pastor. Ela tinha seus irmãos e uma irmã mais velha, a Cassandra, sua praticamente melhor amiga. A ligação das duas era tanta, que em alguns livros identifica-se uma analogia entre personagens, que remetem a ela e sua irmã. Inclusive, só temos um único retrato de Jane Austen, esse publicado acima, que foi melhorado a partir desse esboço em aquarela, feito pela própria Cassandra. 

Aquarela feita por Cassandra (hoje encontra-se na Galeria Nacional de Arte em Londres).

A família toda mudou-se para Bath em 1801 e quando seu pai morreu em 1805, ela com sua irmã e a mãe foram para Chawton, propriedade cedida por seu irmão. Uma curiosidade da época é que pela lei inglesa, às mulheres não era permitido herdar os bens da família. Isso explica o motivo de tantos casamentos arranjados (e ainda dizem que o romantismo era muito mais presente naquela época! só se fosse nos livros de Austen!!). Para uma mulher naquela época, ficar "para titia" era catastrófico. Mas não para Jane Austen, que nunca se casou. 

Casa onde Jane Austen viveu seus últimos anos hoje é um museu.
É isso mesmo. Austen, ao contrário de suas personagens não teve um final romanticamente feliz. Isso porque tinha apenas vinte anos quando flertou com um rapaz chamado Tom Lefroy, que estava de passagem por Steventon. Não existem evidências que houve algo sério e talvez pelo fato de que Lefroy não era de família rica, além das dificuldades financeiras de ambos, não houve apoio das famílias. Ele acabou se casando com outra, embora mais tarde admitisse ter amado Jane. O romance deles é retratado no filme "Amor e Inocência", de 2007, cuja direção foi de Julian Jarrold. Lindo filme, recomendo!

Retrato de Tom Lefroy - 1798

Quanto ao talento para escrever de Jane Austen, esse sim esteve presente em sua vida até o final. As duas irmãs não completaram seus estudos por falta de recursos da família. Mas Austen, mesmo sem educação formal, continuou lendo e procurava aprender tudo, ainda que limitada a pequena sociedade em que vivia. Embora sem muitas pompas, a casa da família sempre estava repleta de pessoas, facilitando as reuniões sociais, incluindo músicas no piano e pequenas apresentações teatrais. Acredita-se que foram desses momentos que surgiu a característica irônica de Austen, sempre presente em suas obras e tão aclamada. Com 11 anos, já escrevia pequenos contos que foram publicados mais de 100 anos depois da sua morte, com o título de Juvenillia. Aos 17 anos escreveu Lady Susan, um romance epistolar, e após terminá-lo escreveu seu primeiro romance longo, com o título "Elinor & Marianne", que depois ela mesma modificou para "Razão e Sensibilidade". Mas foi o segundo livro que se tornou a obra mais conhecida e preferida até hoje, pela maioria dos leitores. "Orgulho e Preconceito" sem dúvida é a cereja do bolo de Jane Austen.

Ilustração de Hugh Thomson para "Orgulho e Preconceito

Henry, o irmão de Jane, foi quem a ajudou com a publicação da primeira obra, em 1811, cujo sucesso depois levou a publicação das próximas, até "Emma", o último publicado antes de sua morte. Duas delas foram fruto de publicações póstumas, e só então foi que Henry identificou sua irmã como autora das obras, em nota bibliográfica. É, uma mulher escritora naquela época era incomum e sabem o que era comum? As obras serem rejeitadas sem nenhuma observação do conteúdo, apenas pelo fato de serem escritas por mulheres. Pois é.

Mas desta vez o preconceito não ganhou a parada. Jane Austen morreu em Winchester, tornando-se após dois séculos, uma escritora eternizada como a primeira romancista moderna da literatura inglesa. Seus clássicos são reconhecidos pela linguagem de ironia sutil, encoberta pela leveza de uma percepção psicológica sem igual, que ela atingiu apenas com seu poder de observação. Jane Austen é um ícone da literatura romântica, inspira obras contemporâneas, ilustrações, estudos e até jogos.

Jogo para PC inspirado em "Orgulho e Preconceito"

Jogo para tabuleiro inspirado em "Orgulho e Preconceito"

Selos comemorativos dos 200 anos de publicação de "Orgulho e Preconceito"
Dá para reparar que o livro mais famoso de Jane Austen é "Orgulho e Preconceito" né? E coincidentemente, por ser o segundo em ordem de publicação, é o que estamos lendo no grupo. Então logo trago a resenha, mas não antes de publicar a resenha de "Razão e Sensibilidade". Além disso, além de outros escritos pela autora que não os principais, descobrimos vários livros inspirados em suas obras e em sua vida. Dá só uma olhada!

Alguns livros complementares de Jane Austen e/ou inspirados no tema.

É livro que não acaba mais hein? E a meta de leitura só aumenta! Então também declaro abertos aqui no blog os trabalhos literários com tema Jane Austen! Porque ler nunca é demais!

Beijos!