9 de março de 2016

Personalidades #14 - Cora Coralina

Oi gente!

Ontem foi Dia da Mulher e quem representou a data por aqui foi nossa eterna Clarice Lispector. Mas decidi me estender porque a história da literatura brasileira tem várias mulheres guerreiras e talentosas. Por isso, hoje o blog homenageia a inesquecível Cora Coralina! Um dos maiores exemplos femininos da Literatura Brasileira! Uma mulher guerreira, que superou todas as adversidades da sua época para, aos 75 anos, publicar seu primeiro livro e iniciar sua carreira de escritora, imortalizando seus sentimentos na literatura.



Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina, nasceu em Goiás, em 20 de agosto de 1889. Não teve oportunidade de estudar, apenas concluiu o primário entre os anos de 1899 e 1901. Em 1908, aos dezenove anos, junto com duas amigas, criou um jornal de poemas femininos chamado "A Rosa". Em 1910 publicou seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", que falava sobre a rotina simples da vida no interior de Goiás. Esses registros desmistificam os comentários frequentes de que Cora Coralina ingressou tarde no mundo das letras. Pelo contrário, ela escrevia desde muito cedo, porém o reconhecimento é que chegou quando já tinha setenta anos. Cora casou-se e mudou para São Paulo, onde morou por quarenta anos. Depois, com a morte do marido, passou por muitas dificuldades para criar seis filhos. Fez de tudo um pouco, vendeu desde livros até linguiça caseira e banha de porco que ela mesma fazia. Mas seu dom, além de escrever, era ser doceira.


A poeta e contista Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina) entre os frequentadores do Gabinete Literário Goiano
Foto: Museu Casa de Cora Coralina
Somente em 1956 ela retornou para Goiás e enquanto esteve na luta, sempre escreveu. Contos, poemas, poesias e até literatura infantil, além de colaborações para jornais. "Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais" foi seu primeiro livro publicado, aos 75 anos, Editora José Olympio em 1965. O livro foi enviado por ela para vários escritores, inclusive Carlos Drummond de Andrade, que a ajudou na projeção nacional, pois se encantou com a mulher idosa que escrevia versos tão bonitos e sem técnicas da escrita. Suas obras receberam influências no nosso folclore e de grandes escritores como Camões, Gregório de Matos e Olavo Bilac.


Crônica escrita por Drummond - "Cora Coralina, de Goiás - Jornal do Brasil.

Cora Coralina tinha um estilo único e seu. Vivia alheia a modismos e nunca se filiou a correntes literárias. Mas foi uma grande contadora de histórias e poetizou lindamente em suas obras causos do cotidiano e as inquetações da vida humana.

“Nós temos dentro de nós um porãozinho. Ele abre e fecha automaticamente. E as coisas caíram dentro do meu porão. E o porão se fechou. E ficou fechado durante quarenta e cinco anos. O tempo todo que eu estive fora da minha cidade. E eu senti a necessidade de abrir esse porão voltando. Lá não. Tinha que voltar para abrir o porão. Aqui é que o meu porão tinha que ser aberto soltando as coisas de dentro. Soltando o passado de dentro.” - Cora Coralina

Algumas das obras de Cora Coralina.

A Casa Velha da Ponte, onde viveu Cora Corallina na Cidade de Goiás - via Wikipedia

Cora recebeu vários prêmios e homenagens em vida, entre os anos de 1962 e 1985. E mesmo após sua morte, em 10 de abril de 1985, ela continou recebendo. Nesse mesmo ano foi criada a Casa Cora Coralina em Goiás e a Biblioteca Infanto-Juvenil de Guaianases também recebeu seu nome. A Velha Casa da Ponte também foi transformada no Museu de Cora Coralina, que guarda diversos de seus escritos, objetos pessoais e cartas trocadas com Carlos Drummond de Andrade, que tornou-se seu amigo pessoal.

Um dos cadernos da poetiza Cora Corallina - via cultura estadão
Cora Coralina não somente escreveu sobre o seu tempo, mas também para as gerações futuras. Suas palavras merecem nossa gratidão, nosso interesse e leitura, pois além de deixar seu legado para a literatura nacional, foi um grande exemplo de mulher e está eternizada em cada poesia que traduz simplicidade para o mundo literário.

Beijos!

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