17 de julho de 2015

Alice e a Inglaterra Vitoriana

Oi gente!

Como já comentei nesta postagem sobre o autor da história, muitas polêmicas giram em torno de Alice. Eu confesso que sou fã desde criança, mas hoje um dos motivos que me aproximam cada vez mais é justamente tantos questionamentos, opiniões e interpretações.

Ilustração de Michael Foreman
Eu acredito que cada pessoa é única no mundo, tem uma personalidade particular e um brilho especial. Cada ser humano é dotado de qualidades e defeitos inerentes a si e a mais ninguém, e por isso, também sou adepta ao respeito de opiniões contrárias a minha. Mas como também acredito que estamos aqui para aprender e evoluir, sou muito curiosa ao novo, diferente e não raras vezes em minha vida, já mudei alguma opinião ou crença em consequência desta curiosidade. Penso que se o intuito é nossa melhoria, e se descobrimos algo que nos torna melhores, porque não mudar? Em se tratando de Alice, onde unem-se a literatura ao polêmico, discutível e com tantas informações, imagina se vou ficar de fora!

Ilustração colorida da original de John Tenniel

A história sempre me deixou incomodada, com o sentimento de que ela mostra "algo mais", por isso me motivo a estudá-la. Adaptando uma famosa frase de Shakespeare: "Há muito mais coisas entre Alice e a realidade do que sonha nossa vã filosofia."(rs). Lendo e pesquisando tudo que encontro sobre o tema que reparei que é justamente esse desvio do padrão, essa curiosidade, essa estranheza envolvendo o assunto, que instiga as pessoas a aprofundarem-se nele. Acredito que o mundo de Alice é muito mais complexo do que imaginamos e que a escrita de Carroll não é só uma história, mas um convite à reflexão sobre novas possibilidades. De uma característica já tenho opinião formada, "Alice no País das Maravilhas" não é apenas um livro para crianças. Lewis Carroll não decepcionou em nada com sua narrativa, que vai além do que aparenta e conta muito sobre a condição humana.

Lewis Carroll

E eis que entro onde queria chegar. Me aprofundando sobre o assunto, descobri que a história de Alice nos dá muita noção sobre a Inglaterra vitoriana. A história foi escrita no auge da Revolução Industrial, onde as inovações tecnológicas marcavam uma era. Ao mesmo tempo, a época era extremamente conservadora e dotada de rígidos princípios morais. Os desvios de comportamento eram condenáveis a punições e nesse cenário, a literatura (principalmente a infantil) tinha duas funções gritantes: a educativa e a moralizante. O reinado da Rainha Vitória foi assim, marcado pelo conservadorismo e moral puritana, e por isso, os escritores da época sentiam-se desconfortáveis. Então acredita-se que Lewis Carroll queria dar sentido a outro tipo de criança, que destoava do padrão. Sua narrativa não continha esse caráter pedagógico e moralizante, e sim uma crítica à sociedade, criando uma personagem que era livre para escolher como e onde se aventurar. 

Imagem do 13º longa-metragem produzido pela Disney, em 1951, inpirado na história de Carroll.

Com isso, ele conseguiu inclusive registrar uma crítica à Rainha Vitória, que apesar da sua popular soberania, representava uma Inglaterra de regime monárquico parlamentar. Assim como a Rainha de Copas, não detinha poder de decisão. No livro, apesar de todos os personagens a temerem desesperadamente, suas ordens no final nunca eram cumpridas.

A Rainha de Copas na versão de Tim Burton, diretor do filme exibido em 2010, também inspirado na obra.

E assim deixo uma visão diferente, baseada no contexto histórico da época, porém bem resumida. Se alguém se interessar e quiser saber sobre meu material de pesquisa é só me escrever!

Beijos!

1 comentários:

Patricia Dias disse...

Também adoro saber mais sobre o contexto histórico da época. Ajuda muito a entender a obra em questão. Quero muito ler a biografia do Carroll e da Alice Liddell. Vc leu? Temos assunto de sobra pra falar...

bjs,