13 de outubro de 2015

Vida de escritor...

Oi gente!

Sabemos que o dia 13 de outubro é considerado o Dia Mundial do Escritor, então decidi voltar ao blog hoje, após um bom descanso no feriadinho, para falar um pouco sobre mim. Ou melhor, sobre minha vida de escritora. Há tempos alguém me ensinou que não devo dizer que sou "aprendiz de escritora" (como eu me denominava). Ou escrevo, ou não escrevo. Então se escrevo, sou escritora!

Muitos já conhecem minha trajetória, desde 2012, quando comecei a publicar meus textos em antologias e também criei coragem para publicar meu primeiro livro. Mas o que muitos não sabem, pelo menos por mim, é de onde me conheço como escritora e o quanto é "penoso", no país em que vivemos, colher os frutos do nosso trabalho.

Minha primeira dedicatória em livro de minha autoria.
A emoção de "autografar", ou "dedicar", como eu prefiro chamar, é indescritível (até mesmo para um escritor). Mas é preciso, sobretudo, muita coragem para expor suas palavras ao mundo. Hoje, há quase três anos do lançamento do meu primeiro livro, e principalmente, quase terminando um ano do curso de Letras, posso afirmar. Como fui corajosa!!! E por isso resolvi contar um pouco, ineditamente, da minha vida de escritora antes de decidir publicar. 

Lançamento de "Sonhando & Poetizando" (minha coletânea de poemas)
Desde que me lembro gente, me lembro escrevendo. Comecei a ler aos cinco anos e desde lá, as palavras escritas me encantavam. Devorava anúncios, títulos, rabiscos e obviamente, livros. E por consequência, normalmente eram só elogios, estrelinhas e notas máximas nas redações da escola.

"Além de todas as valiosas pessoas em sua vida, a menina possuía algo difícil de ser definido e impossível de ser medido: fé e esperança, que não lhe cabiam no peito e por isso ela precisava dividir com o papel". (Sonhando & Poetizando - 2012).

Duas das 38 antologias em que participei com contos e poesias de minha autoria.
Confesso que fui uma adolescente muito tímida, daquelas que chegavam a ser irritantes. Não me gostava, não gostava das pessoas, não gostava do mundo. Tá, um tanto revoltada eu diria. Mas me orgulho em dizer que, em momento algum, lembro de ter perdido a compostura, envergonhando meus pais (jamais!), me rebelando ou aprontando algo desabonador. Pelo contrário, eu era até bem sociável, participava de vários movimentos na igreja que frequentava, tinha amigos na escola e na rua de casa. Há quem falasse até que eu era "amável"...hahaha! Mas bem aqui dentro, eu já tinha conflitos, queria mudar o mundo! E sem saber que isso era impossível, eu chorava! Chorava muito... e escrevia. Escrever era minha fuga, meu desabafo, meu alento.

Catálogo da Literarte mencionando meu livro de contos "O diário de Lirityl".
Obviamente minha criação humilde não permitiu que meus pais, que mal tinham o ensino básico, me incentivassem a lapidar meu dom como carreira profissional. Ainda bem!!! Eles foram muito espertos, isso sim! Da onde que no país que vivemos, viver de arte, literatura e música dá futuro? Muito raramente e na maioria das vezes, politicamente. E eu definitivamente não faço o tipo que consegue as coisas sendo política. Então, com pouco mais de quinze anos, lá fui eu mergulhar de cabeça no quê? Nos números! Porque acreditem, eu era um zero à esquerda em Português, mas detonava em Matemática e Física. E foi onde construí minha carreira profissional, na área de Finanças, Informática e Administração. Mas, e a escrita, onde parou?

Uma das antologias CBJE que participei com uma poesia e que rendeu um destaque.
Nunca parou. Em toda minha trajetória profissional, a escrita inundava gavetas, agendas e diretórios de computador. Preenchiam longos e-mails e inúmeras cartas rascunhadas nos momentos mais inusitados. Cadernos de faculdade, agendas telefônicas e até calendários, sempre recheados com palavras, frases e poemas. Sim, nunca parei de escrever. Arrisco até afirmar que minha promissora carreira profissional na empresa onde trabalho há vinte anos, foi impulsionada pela escrita. Porque lembro que não foram raras as situações em que, após algum e-mail administrativo, técnico ou colaborativo, recebia vários retornos elogiando minha forma de escrever.

Lançamento do livro de contos "O diário de Lirityl"
E foram esses e outros elogios fora da empresa, que me levaram a desengavetar minhas palavras e começar a mostrar ao mundo. O início, em 2004, foi com um blog (hoje desativado). Em 2008 eu já era convidada para escrever artigos, discursos e notas de jornais internos. Enfim, em 2012, comecei a escrever para antologias, daí a compilar meus poemas (escritos desde os 12 anos de idade) em um livro, foi muito rápido. 

"Diante dessas escolhas todas, a menina-moça-mulher, escolheu continuar escrevendo. Quem sabe as suas palavras, escritas desse jeito, de dentro para fora, também não fariam a diferença na vida de alguém? Há tantas histórias guardadas em gavetas, e outras tantas ainda guardadas na imaginação. Então ela escolheu desengavetar o que já está escrito e escrever o que continuar imaginando, ou dependendo de quem entende, acreditando!" (Sonhando & Poetizando - 2012)

Antologias e prêmios recebidos desde as primeiras publicações em 2012.

E depois de publicar foram só flores? Não!!!! No início não foi fácil. Nada fácil! Não que eu esperasse horrores de reconhecimento, muito pelo contrário, jamais imaginaria essa foto aí de cima. Mas confesso que criei expectativas que me frustraram muito com relação ao apoio das pessoas mais próximas. Na realidade, pouquíssimas foram as pessoas próximas (e incluo nesse comentário até alguns familiares) que realmente me apoiaram. E nem falo de apoio material, sequer de comprar o livro. Falo das coisas mais simples. Um parabéns, um compartilhamento, um "Olha pessoas! A Ale está divulgando seu livro" ou "se alguém interessar, segue o link da página...".

Nada. Senti na pele a indiferença de muitos que eu julgava amigos e amados. Senti na pele o vazio de me alegrar, em algumas conquistas, sozinha. Até descobrir que estava esperando algo de pessoas que não tinham esse "algo" para me dar. E entender que muitos dos que se diziam amigos, eram amigos na infelicidade, mas não na felicidade. E ao notar isso, de amigos eles se tornaram nada. Porque eu estava teimando em suplicar apoio de quem não estava nem aí, e não enxergava, nem valorizava o "novo", descaradamente se jogando na minha frente.

Um dos prêmios recebidos pela Academia de Letras de Fortaleza.
Mas como tudo na vida é aprendizado, fui me isentando dos falsos amigos, me envolvendo com pessoas que verdadeiramente gostaram do meu trabalho (quando se é anônimo a gente sabe que quem gosta, é porque gosta, e não porque a gente é famoso...rs) e hoje posso dizer que realmente estou sentindo as coisas se multiplicarem. Pessoas especiais passaram em minha vida para me ajudar a galgar alguns degraus rumo aos meus sonhos, para as quais serei grata eternamente. 

Mas confesso que comecei a perceber o que sempre ouvi falar em entrevistas, que quem movimenta nosso trabalho são os fãs. É a mais pura verdade! E estou muito feliz por já receber tanto carinho de fãs espalhados pelo Brasil inteiro, de crianças que me enviam mensagens, professoras que acham minhas histórias perfeitas para fazer contação, pessoas que se identificam com minhas experiências. É muito gratificante saber que, praticamente de maneira gratuita (porque no Brasil não se ganha dinheiro com livros), estou ajudando a promover incentivo e entretenimento a muita gente.

Professora Dani lendo "O diário da Lirityl" para seus alunos.
E minha carreira profissional oficial? Por enquanto sou grata por estar conseguindo conciliar as duas (não é fácil!). Faltam apenas cinco anos para eu me aposentar por tempo de serviço (é gente, o tempo passa e eu comecei a trabalhar aos quinze!! rs), aí me graduando em Letras em 2017, posso muito bem iniciar outra carreira profissional, agora no mercado literário, em meio ao que mais me realiza. Duas carreiras profissionais? Não é um privilégio do qual é preciso agradecer todos os dias? 

E digo mais, principalmente para quem estiver lendo e passando por um processo similar. Em um mundo de inverdades, onde pessoas se auto-intitulam todos os dias, sem o mínimo esforço para provar sua originalidade, reconhecer nosso talento e buscarmos conhecimento para lapidá-lo, independente da idade ou condição, é um ato de determinação, força e coragem! Eu larguei a modéstia de lado e me parabenizo todos os dias. Não pelo meu trabalho técnico, que está longe da perfeição, ainda tenho muito a aprender, mas pela minha coragem e ousadia!

Prêmio internacional recebido em Buenos Aires, em abril/2015.
"Hoje a menina do início do livro, se tornou uma mulher. Sim, uma mulher que acredita em fadas, é verdade. Mas ainda uma mulher que, acima de tudo, acredita na felicidade. E em sonhos. Não como sorte, mas como escolhas. Não como imaginação, mas como realização." (Sonhando & Poetizando - 2012). 

Às vezes o desânimo bate, não sou hipócrita em negar. Mas, na maioria das vezes, a motivação externa (aliada a um apertado abraço do marido) me reergue, então levanto com mais energia do que antes, e sigo na luta para realizar mais sonhos literários. Tenho participado de várias ações ligadas à leitura, projetos de doações de livros e estudos literários. Sem falar que, como a faculdade atrasou o lançamento do próximo livro, é bem provável que 2016 traga dois novos livros! Sem falar de outras novidades, que por enquanto, ficam em segredo. =)


E já que tirei o dia do escritor para escrever (muito!), complemento: 

Seja qual for o seu sonho, corra atrás. Vale muito a pena! Realize! Não fique na vontade. Só não seja meio-termo. Não faça "social". Não fique em cima do muro. Não queira destaque na sombra dos outros. Assuma o que quer e o que gosta de fazer, e faça! Com originalidade, com autencidade, com criatividade. Com a sua marca. Porque isso é dom! Eu continuo desenvolvendo o meu, em busca da realização dos meus sonhos, ou de morrer tentando. =)

Beijos e parabéns a todos que escrevem!

1 comentários:

{ Scrappiness } disse...

Que história linda! Me vi bastante em você, chorando e escrevendo na adolescência, altos dramas internos. Mas sempre em frente, sempre lutando. Obrigada pelo seu exemplo e parabéns pela coragem!! Beijos no coração!!