27 de novembro de 2015

Vida de escritor #2

Oi gente!

Depois de tanta repercussão positiva com a postagem "Vida de escritor", contando os bastidores dos meus trabalhos e sobre como comecei a escrever, resolvi me estender e vez em quando, deixar aqui algumas impressões particulares sobre essa evolução pessoal no mercado literário. Quem sabe ajude a quem ainda não se encorajou, esclareça dúvidas e mostre algum caminho. Me sinto bem em motivar ourtas pessoas e mostrar o lado bom e ruim, que nunca é tão ruim quando a vontade é maior do que o medo. Seja como for, acredito que quanto mais informação melhor!


Hoje vou falar um pouquinho a respeito do estilo do escritor. As pessoas confundem muito o estilo com o gênero da escrita. Sobre o estilo eu tenho uma opinião formada já. Sim, um escritor para se diferenciar deve ter um estilo próprio. Tem que ter uma maneira sua de escrever, uma marca, deixar claro suas referências e preferências.

Eu sinto que já estou formando meu estilo. Pelo que eu analiso do meu trabalho e pelo retorno que tenho dos leitores. Sempre afirmava que escrevo com o coração, me justificando por não ser da área, mas hoje, mesmo cursando Letras e mais perto desse mundo literário, continuo dizendo que escrevo com o coração. Porque não me preocupo em procurar palavras difíceis e glamourosas, daquelas que a maioria dos leitores precisa buscar no dicionário o significado. Com todo o respeito com quem escreve assim, mas eu acho que em um país que não tem como hábito a leitura, é desmotivar ainda mais as pessoas a ler. Eu quero tornar a leitura simples. Compreensível pelas pessoas mais simples. Nada de frases garbosas e difíceis, apenas a linguagem que todo ser humano conhece, a linguagem do coração, da simplicidade, do sentir, do viver.

Certificado de Qualidade Literário que ganhei em uma antologia da CBJE.

Já quanto o gênero, é comum que os escritores iniciantes não tenham definido. Isso vem com o tempo e não raro, muitos autores famosos escrevem de forma intuitiva, e o que acontece é que, como eles já tem um estilo próprio, um gênero acaba predominando sem que eles forcem para isso. As pessoas me questionam qual é meu gênero de escrita, mas não me sinto mais na obrigação de escolher um gênero para escrever. Não ainda. Estou me descobrindo, escrever para mim por enquanto é um hobby, não uma profissão. E nem sei se quero que seja!

Encontro fãs de Alice realizado em julho de 2015, em parceria com a Pati Dias da Casinha de Livro.

Por isso, embora já escreva vários gêneros, atualmente estou focada na literatura infantil, por pura falta de tempo. Ainda me dedico a minha profissão oficial e, sendo assim, preciso me contentar com o tempo livre para escrever, que não é muito. As histórias infantis são pura fantasia, linguagem simples, não precisam de pesquisa, por isso tenho me dedicado a elas. Mas só a vida sabe o que será do futuro, e por isso, não posso me privar de divulgar meu trabalho como um todo, só porque escrevo livros infantis né?

Porque digo isso? Porque desde que comecei a escrever, algumas pessoas me "orientaram" a não abordar assuntos adultos porque escrevo literatura infantil. Eu ficava em conflito, pensando o que deveria postar e se deveria postar. Mas hoje, mais próxima ao mercado literário e após ser aconselhada por pessoas da área, me sinto tranquila em misturar as coisas. Obviamente sem radicalizar né gente? Calma! Não escrevo conteúdos "pervertidos". Mas por exemplo, sobre ler, tenho meus gostos pessoais, minhas preferências, que inclusive me inspiram a escrever. Seja literatura clássica ou modinhas, mas com conteúdo complexo e reflexivo. E não posso esconder isso apenas porque escrevo para o público infantil. 

Várias participações nas antologias da CBJE com poesias, contos adultos e infantis.

E outro ponto bem importante que me foi esclarecido e faz todo o sentido. Os pais sabem quando devem filtrar conteúdo dos filhos, se eles tem bom senso e discernimento. Então, é inútil eu me privar de expor meus gostos, só porque escrevo para crianças no momento, se essas mesmas crianças podem estar na sala de casa assistindo BBB com os pais. Essa função de filtrar conteúdo é dos pais, não minha como escritora. Ao contrário, tive algumas experiências bem positivas ao mostrar para alguns pais crônicas adultas que escrevi e/ou indicar livros que eu gosto para eles lerem. Algumas aproximações foram mais duradouras quando incluíram os pais como leitores do meu trabalho!

A Monica é uma das minhas leitoras adultas e que também conta minhas histórias infantis para seus filhos.

E não, não estou querendo dizer que vou colocar conteúdo erótico no meu blog, por exemplo. Quero dizer que, se eu estiver a fim de fazer uma resenha sobre um livro forte, que aborde o período da guerra, ou com um personagem doente, ou abordando outras reflexões profundas, vou publicar. Se eu quiser abordar um livro de terror, com ilustrações sombrias e cinzas, vou abordar. O blog é pessoal e meu passatempo, que providencialmente aproveito para divulgar os meus trabalhos. Frequenta quem quer, quem gosta e quem se identifica. O conteúdo é meu e faz parte do que gosto de pesquisar. Acredito que escrever também é uma consequência do ato de ler, então para eu continuar escrevendo preciso ler o que me inspira e me atiça a curiosidade. E porque não, indicar para outras pessoas, que ainda estão descobrindo seu gosto pela leitura e quem garante, serão os escritores do amanhã? =)

Aprenda com profissionais: curso "Como administrar uma editora" que fiz na Escola do Escritor com João Scortecci.

Muitas pessoas ainda acreditam que a receita do sucesso está escrita nos paradigmas da sociedade. Ledo engano! Cada um tem seu dom e seu jeito, e quanto mais fiel ao seu ideal, maior a probabilidade do seu sonho dar certo. Eu aprendi que o que mais critica, é o que menos apoia. E hoje, com uma bagagem bem maior do que há três anos (quando publiquei meu primeiro livro), aprendi uma lição importante. Se você quer progredir no que faz, faça com todo o amor do mundo e só aconselhe-se com quem realmente agregará. Pessoas que fazem parte da sua vida, amam e motivam você, que transmitem a segurança da torcida pela sua felicidade. E obviamente com profissionais e entendidos no assunto. Simples assim. Eu aprendi.

Beijos!

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